segunda-feira, outubro 23, 2006

teste

Acabei de mudar o meu blogger para o blogger beta. Será que muda alguma coisa ou é tudo falcatrua? ;-)

domingo, outubro 22, 2006

A tosqueira do sábado à noite

Duas coisas sempre me intrigaram na televisão brasileira. Uma delas era o porquê de certos jogos de futebol serem transmitidos para todo o planeta, à exceção da cidade onde estavam sendo realizados. Afinal, quem em Brasília (por exemplo) quereria saber de um jogo de futebol ocorrido no Rio Grande do Sul? A que carioca interessa uma partida organizada na Bahia? Etc., etc. Aí, descobri os torcedores distantes, como meus irmãos (gaúchos, crescidos em Brasília e torcedores do Palmeiras). Esses não vão poder ir ao estádio e não vão se contentar com os gols dos melhores momentos do Globo Esporte. Estão no direito de ver o jogo.

E, depois, alguém me contou que, se transmitirem o jogo no cidade da partida, ninguém vai ao estádio. Mas e se o ser humano quiser fugir da roubada que é ir ao estádio, se meter entre torcidas organizadas, se arriscar a levar copinho de xixi na cabeça e por aí vai? Ele não tem esse direito? Acho que tem. Mas não sou eu que vou reivindicá-lo. Afinal, futebol é um assunto irrelevante (essa foi a única coisa inteligente que Diogo Mainardi disse até hoje).

A outra coisa que provoca a minha curiosidade é: quais os critérios usados pela galera da programação da Globo para escolher os filmes exibidos sábado à noite? Tenho a impressão de que há alguém meio sádico por trás disso. Um pensamento do tipo "Viu? Quem mandou ser pobre, quem mandou não ter $ para sair à noite, para comprar um DVD, nem para alugar um DVD? Agora geeeeeeeeela, vai ter de assistir a um filme horrível no Super Cine".

Só esse tipo de lógica pode sustentar a exibição de uma gama tão limitada de títulos. Ontem, eu e meu irmão mais novo (que vê um monte de filmes na TV, embora passe longe de Super Cine) ficamos tentando delimitar o tipo de história que rola nos títulos exibidos sábado à noite. Chegamos aos seguintes argumentos:

1. Mulher bonita, porém solitária, conhece um homem bonito, inteligente, gentil e ótimo amante, praticamente um príncipe encantado. Eles saem, viajam, transam, trocam declarações de amor e se casam. Um belo dia, ele surta e se revela um porco insensível, um poço de ciúmes e obssessão. Ela não entende a razão e tenta fugir dessa roubada. Começa a perseguição, que sempre envolve pessoas correndo com cara de sofrimento, facas, revólveres, cordas e etc. Mas tudo acaba bem (com o cara preso para sempre ou morto). As cenas finais (sempre à noite) normalmente incluem viaturas policiais, pessoas enroladas em cobertores e muita chuva.

2. Homem forte, porém afetuoso, recebe uma notícia: seu irmão / pai / sobrinho / filho foi violentamente (e injustamente) assassinado pela máfia italiana / russa / coreana / japonesa. Ele jura, sobre o corpo do parente morto, que fará justiça com as próprias mãos. Afinal, a NYPD e a LAPD (ou qualquer outra polícia que o valha) são muito fraquinhas. Ele vai à caça usando suas armas e sua grande força física. Luta contra vários homens e, no final, não sem antes correr o risco de ter a mesma sorte que seu parente, consegue que os meliantes sejam presos, julgados, condenados ou simplesmente mortos. Opcional no roteiro: nesse meio tempo, ele conhece uma mocinha e eles se apaixonam.

3. Uma família vive feliz e contente numa casa até que, por um acaso do destino, descobre que há monstros / assassinos / assaltantes / almas penadas rondando o local. As crianças, sempre mais sensíveis, tentam alertar sobre o problema, mas são ignoradas a princípio. Depois, tudo degringola. Acho que posso pular essa parte da descrição, né? O importante é que, no final, acaba tudo bem. Pode ser numa noite de chuva, com várias viaturas policiais e pessoas enroladas em cobertores.

Eu queria muito saber porque há tão poucas exceções à essas histórias. Por que o cinema de sábado à noite (não só na Globo) tem de ser o depositório de toda a porcaria produzida por Hollywood? Raramente a gente vê na programação um filme brasileiro legal, uma comédia fera ou mesmo um clássico americano dos anos 40 / 50 / 60. De madrugada tem tanta coisa interessante – dia desses, eu assisti a Nove rainhas na TV aberta, e direto verifico que há obras bacanas passando às 3h, 4h da manhã.

Será que não dava para transmitir isso um pouco mais cedo? Não bastasse a pessoa não querer ou não poder sair no fim de semana, ela ainda tem que ficar se martirizando por isso... credo.

Ou será que os programadores das TVs fazem isso de propósito para as pessoas desligarem o aparelho e ir fazer algo mais interessante, como aproveitar a hora vaga para namorar um pouquinho? ;-)

segunda-feira, agosto 07, 2006

Eu quero uma cabana nas estepes


Os camelos que a gente vê no zoológico, assim como todos os bichos de lá, são de uma tristeza infinita. Os de Genipabu (RN), então – aqueles que os turistas pagam R$ 30 para poder passear –, são piores ainda.
Em geral, são essas as representações que a gente tem dos pobres animais, né não?

É por isso que digo: esqueça os camelos como você os conhece e vá assistir (se ainda não viu) ao documentário Camelos também choram, belíssima co-produção feita entre a Mongólia e a Alemanha. Já saiu em DVD.

O filme não só mostra os camelos mais lindos que já vi na vida (saudáveis, fortes, com um pêlo brilhante, comprido, maravilhoso). Também emociona pelo roteiro, uma história simples e ao mesmo tempo grandiosa. Os personagens são os integrantes de uma família de pastores da Mongólia. Eles vivem no sul do Deserto de Gobi, no meio do nada, criando cabritos e camelos. Uma das fêmeas, após um parto complicado, dá à luz um camelo albino, que é imediatamente rejeitado.

Os pastores, que dão a impressão de criar camelos há milênios, tentam todas as técnicas possíveis para tentar aproximar a mãe do filho. Chegam a amarrar as pernas da mãe para que ela não fuja enquanto o bebê-camelo tenta alcançar as tetas. Não há jeito. Um filhote criado sem o leite e o calor da mãe tem grandes chances de morrer (de fome e de tristeza) ou de se tornar algo parecido com um bichinho de pelúcia. Mas um filhote morto ou transformado em brinquedo é algo sem nenhuma serventia para uma família que depende economicamente dos animais.

A solução é tentar um ritual conduzido por um violinista. Para isso, dois dos filhos da família seguem (de camelo) até um vilarejo para pedir que um músico os visite no local onde vivem. O resto não dá para dizer – porque quando o filme chega neste ponto é porque já está perto do fim.

Ver um filme assim é uma oportunidade de entrar em contato com algo totalmente diferente de qualquer coisa que a gente possa ver na nossa realidade ocidental, brasileira e urbana. Ali, naquele deserto, vive-se com pouco (a maior parte dos mongóis ainda é nômade), mas o cenário não parece ser de pobreza. A cabana é simples, mas aparenta ter sido construída com engenho suficiente para manter todo mundo aquecido e protegido dos ventos do deserto. A mobília, apesar de simples, revela alguns trabalhos de arte muito legais.

O cotidiano ali também não permite muitas escolhas, mas também não parece triste: é acordar, fazer rituais, cuidar das crianças, dos cabritos, dos camelos, comprar, vender e só. De vez em quando, uns lamas vão ao local e todos juntos fazem oferendas aos espíritos para que tenham saúde e tempo bom. Veja: as únicas coisas que importam ali são saúde e tempo bom, e não bobagens como aparência, status, magreza, ostentação e coisas do tipo. Imagina, eles não devem saber quem são Madonna, Tom Cruise, Ronaldinho – chega a ser comovente a cena em que os filhos se divertem assistindo a um programa soviético de 1969 na TV.

Claro que, apesar de bela, a realidade ali não é perfeita. E os pastores estão longe de serem considerados bons selvagens. Em uma cena, a mãe é tosca a ponto de amarrar a filha mais nova para que ela não se aproxime do fogão (ora, bebês e camelos não são bem a mesma coisa. hehe). Também não deve haver muito espaço para conversas superprofundas, romantismo ou carinho entre os casais do clã. Mas as coisas são assim mesmo, nada é ideal, certo?

A fotografia bacana e a presença do moleque mais figura da história dos documentários (o nome dele é Ugna) também contam pontos a favor do filme. É isso.

domingo, agosto 06, 2006

Homens, fora!

Eu sei, eu sou mulher, mas há coisas nas próprias mulheres que me deixam meio irritada.

Esse estranho hábito de levar os namorados e maridos para comprar roupa, sapato, essas coisas, por exemplo. Ontem, eu e mamãe fomos ver qual era a dos 10 anos do Bsb Mix e ficamos espantadas não só com a enorme quantidade de coisas cafonas – mas também com a horda de homens acompanhando as suas consortes.

As caras deles não pareciam lá muito felizes.

Teve uma hora em que fui experimentar uma blusa verdinha, uma das poucas coisas legais que vimos, e mami ficou assistindo a agonia de um desses caras (sentado, esperando a mulher fuçando as araras). Uma hora, ele levantou, furioso, e saiu, o que fez com que a mina gritasse para ele voltar e esperar mais um pouco. Ela finalmente escolheu o que queria e foi experimentar. O cara sentou de novo e fez a mesma cara de esfíncter contraído. Aaaaah!!!

Vimos umas cenas parecidas enquanto passeávamos pelo pavilhão montado lá no Pontão do Lago Sul. Invariavelmente, as moças se entretinham enquanto os caras ficavam meio afastados, olhando para o nada, esperando pelo momento em que elas resolvessem comprar algo. Talvez alguns deles estivessem aguardando o instante em que finalmente deveriam se apresentar para dar o dinheiro ou o cheque.

A gente ficou especulando se os caras estavam ali a convite (ou obrigação) das mulheres, ou se eles tinham se oferecido para acompanhá-las.

Acho que se eu tivesse de deixar um, apenas um conselho para a humanidade (oh, pretensão), pediria às mulheres que não chamassem seus amados para acompanhá-las (há tempos que dispensei meu namorado dessa tarefa). Nem no Bsb Mix, nem na Daslu, nem na Marisa. Aliás, muito menos na Marisa: nada pior do que sair para comprar roupa de baixo, meia-calça, etc., e ver que há homens acompanhantes espiando de rabo de olho o que as outras mulheres estão comprando. É constrangedor.

(Foi mal se o texto parece machista, mas ver aqueles rostos agoniados ontem não foi nada legal. hehe)

segunda-feira, julho 17, 2006

Vencendo a preguiça

Putz, voltei para cá depois de quanto tempo mesmo? Acho que desde o meu antepenúltimo plantão. Mas é que escrever coisas novas e diferentes (que não sejam as do trabalho) tá sendo algo difíiiicil com essa correria toda da minha vida.

Até que hoje (agora há pouco, na verdade), eu recebi um e-mail que me deixou com vontade de opinar aqui. Resumindo a história, é sobre o desfile do Fause Haten na São Paulo Fashion Week. Ele lançou, para as mulheres, roupas que "gritam: sou bela, chique, rica e sofisticada" (sozinha, não seria capaz de criar tamanha cafonice. Isso eu tirei de um textinho no próprio site da SPFW, hehe). E, acompanhando esse conceito, também explorou na passarela a frase "O que você faria com alguns quilos a menos?", slogan do remédio Xenical, aquele para obesidade (cuja propaganda, estranhamente, mostra mulheres absolutamente magras e normais).

Caso algum dos leitores (os que sobraram depois que fiquei meses e meses sem nem tocar no blog) não saiba o que é Xenical... a explicação está abaixo:
Xenical (orlistate), produto destinado à perda de peso, é comercializado em 149 países. O Brasil é o 10o mercado. O medicamento conquistou essa posição porque é o único remédio eficaz para a redução de peso que não atua no sistema nervoso central e, portanto, não causa efeitos colaterais como aumento de pressão, insônia, taquicardia. O orlistate diminui em 30% a absorção de gordura ingerida com os alimentos. Xenical é eficaz na prevenção e como coadjuvante no tratamento do diabetes tipo 2, indicação reconhecida pelo Ministério da Saúde. Cerca de 23 milhões de pacientes já o utilizaram no planeta desde 1998, quando o produto foi lançado.

Nesse e-mail havia fotinhos de várias instant celebrities, tipo aquela menina que foi expulsa do casamento do Ronaldo com a Cicarelli, segurando sacolinhas da Roche (fabricante do Xenical) com essa frase. Tinha também o próprio Fause bebericando uma champagne (e pode tomar isso com remédio? hehe). As roupas, segundo dizia o material de divulgação, são feitas para que os indivíduos se sintam bem, celebrem a qualidade de vida e a auto-estima. Afinal, diz a empresa farmacêutica, com alguns quilos a menos as pessoas querem se vestir bem – e se sentirem bonitas quando se despem.

Mas a gente precisa levar em consideração o seguinte: quem é que precisa de Xenical? Pela descrição do remédio, são pessoas que estão de fato muito obesas e que precisam de uma alternativa antes de apelar para o último recurso (leia-se cirurgia de redução de estômago). Mas com essa estratégia de divulgação usada pelo estilista, a impressão que dá é que qualquer pessoa que esteja se sentindo mais cheinha pode mandar o remédio para dentro e... festa! Daí, é só emagrecer rapidinho para poder vestir qualquer coisa (até as roupas do Fause Haten).

Pô, eu confesso que queria muito emagrecer muito, adoraria poder usar qualquer coisa e seria o máximo se pudesse conquistar isso tudo de um jeito simples (sem a necessidade maluca de horas suando na esteira, aulas de abdominal, etc.). Mas ao mesmo tempo me parece um despropósito abusar de algo que não é feito para você (e sim para alguém cujo peso passou dos três algarismos antes da vírgula, já está sofrendo com diabetes, pressão alta e por aí vai), por conta de um capricho, só pelo prazer de vestir um blazer horroroso com um laçarote, um top com detalhes em dourado ou algo do tipo!!!

Quer dizer, no final das contas, o desfile não parece uma celebração da qualidade de vida, mas da magreza – o que todos os outros fazem, desfile após desfile. Essa mentira a gente não compra...

sábado, maio 13, 2006

ñññññ...

Estou de plantão e com muita, muita preguiça mesmo. Até de escrever. Uáááááááááá :-D
Tive a idéia de fazer dois supercomentários sobre CDs que escutei recentemente, mas acho que até isso vou deixar pra lá.

Posso dizer o seguinte: o CD Libertango, lançado por um grupo homônimo de tangueiros cariocas, não vale a compra. Achei legalzinho eles quererem ressaltar o lado mais jazzístico do Astor Piazzola, e só. O problema é que muitas das músicas do álbum têm letras, e não é nada fácil interpretá-las. Acho que o vocalista errou a mão em todas as faixas cantadas. Não sei se esse comentário se faz necessário aqui, mas eu detesto Balada para un loco. Urrgh.

E acabei de ouvir um lançamento do gaitista Toots Thielemans (clique aqui para acessar o site oficial. Ele tem um autógrafo stáile!), que eu não conhecia. Foi o que pude fazer para tirar uma música que ouvi na TV enquanto passava pelo setor de transporte daqui do jornal: abalou, tic tic tic tum, tic tic tic tum, tic tic tic tum, estou apaixonaaaaaaaaaadaaaaaaaaaaaa... É um CD com vários standards de jazz, gravados por nomes igualmente desconhecidos por esta blogueira (à exceção de Madeleine Peyroux, que canta superbem). E aí entra o Toots com uns arranjos de gaita. Não obstante algumas das faixas terem a maior cara de música-de-tiozão-sukita, o disco no geral é gostoso de ouvir. Bacana o suficiente para fazer a gente se esquecer dos refrões grudentos da Companhia do Calypso.

quarta-feira, maio 03, 2006

Os sentidos da arte

Soube ontem: a exposição Erótica – os sentidos da arte, que passou pelo CCBB do Rio de Janeiro, não vem mais a Brasília.

Não sei se está todo mundo sabendo sobre a mostra, ou sobre a polêmica com relação a algumas das obras exibidas ali, então vamos lá: Erótica reúne peças de todos os tempos, de diferentes técnicas (pintura, escultura, fotografia, etc.), tendências e criadores. Uma delas, em especial, causou a ira do grupo católico conservador Opus Christi, que chegou a usar um mandado de segurança para retirar a obra da exposição. Ela se chama Desenhando com terços e mostra vários órgãos sexuais masculinos desenhados com o objeto usado nas orações dos católicos. A autoria é da artista plástica Márcia X (1959-2005), que dedicou os últimos anos da carreira a retratar o pênis – de todas as formas que conseguisse. No site dela dá para ver a obra.

Outra peça que deu o que falar foi o homem por trás de uma imagem de São Jorge, retratado por Alfredo Nicolaiewski. No final das contas, a obra também foi retirada da exposição. Foi combinado entre os artistas que eles não deixariam a mostra vir a Brasília caso as duas criações não fossem reintegradas. Sendo assim, nós do Planalto Central perdemos a oportunidade de ver obras instigantes e diferentes.

Vários artistas, como a fotógrafa Rosângela Rennó, condicionaram a cessâo de suas obras à reintegração de Desenhando com terços ao acervo da exposição. Como isso não aconteceu, Erótica não virá mais para cá. A exposição foi vista por aproximadamente 55 mil pessoas em São Paulo e por mais de 90 mil no Rio de Janeiro.

Todo esse imbróglio me faz pensar em um poder de veto importantíssimo que está em nós – e que não tem nada a ver com os mandados de segurança, nem com a figura do censor que existia durante os anos de ditadura militar. Esse poder é muito mais simples: se uma obra qualquer nos desagrada esteticamente ou filosoficamente, podemos simplesmente virar a cara e não vê-la. O programa de TV está ruim? É só mudar de canal. A música desagrada os ouvidos? Há milhares de outras estações para ouvir. A obra de arte ofende os valores? É só não olhar para ela, pois.

A organização religiosa enalteceu a democracia que a permitiu ser ouvida – e que levou para longe dos olhos de seus integrantes as peças consideradas blasfemas. E, enquanto isso, por causa de um grupo limitado de pessoas, milhares de outras tantas vão deixar de ter acesso a várias produções artísticas – poder ver uma obra de arte, analisá-la, gostar ou não dela, também é um direito.

Particularmente, acho que nenhuma das duas obras pode ser considerada uma criação extraordinária. Essa do terço… entendo que a Márcia X quis chocar – e há quem tenha visto algo interessantíssimo ou megarepulsivo no desenho. Em mim, ela estranhamente não provoca nada. Já para a do Nicolaiewsky, tenho duas palavras: é kitsch e é agressiva. Dá uma sensação de flagra que eu não gosto muito. É uma pessoa desconhecida, fazendo algo íntimo, não é para todo mundo ficar vendo, né? (Se a visse na exposição, com certeza passaria para o próximo quadro. Poder de veto é isso, gente!).

Não sei como foi a exposição nas outras cidades (alguém viu? Deixe um comentário), mas o ideal seria que o CCBB deixasse uma sala separada para essas obras mais controversas (já que o pessoal topou bancar todas as escolhas do curador). Pelo menos o do Rio e o de Brasília têm estrutura mais do que suficiente para isso. Aí, era só botar um superanúncio dizendo que aquelas peças poderiam ser consideradas ofensivas, etc., etc., e que a pessoa estaria naturalmente livre para vê-las ou não. E botar uma censura etária para a exposição inteira, né não?

Mas com mandado de segurança não deve dar para fazer muita coisa. E certamente o banco não quis nem pensar na possibilidade de perder vários correntistas por causa de duas criações artísticas – sim, houve quem ameaçasse cancelar as contas no BB por causa da exposição.

É uma pena. Uma grande pena.


(Viu as obras de arte? Quer deixar um comentário sobre elas? Fique à vontade!)

sexta-feira, abril 28, 2006

Cartão-postal - o fim da saga

No último domingo, finalmente resolvi o mistério do cartão-postal que foi a Valparaíso, deu a volta ao mundo e passou por Punta Arenas antes de vir para Brasília. Foi assim que tudo aconteceu:

"Antes de voltar para o Brasil, em abril de 2003, comprei vários cartões-postais para mandar para a galera. Comprei de Santiago, de Valparaíso, Viña del Mar, etc., etc. A idéia era preenchê-los com calma e enviá-los no intervalo entre o check-in e o embarque de Santiago para São Paulo.

Desnecessário dizer que, no dia do embarque, acordei atrasado e saí correndo pro aeroporto, quase perdi o vôo. E os cartões ficaram por enviar. Foram guardados nas minhas coisas durante esse tempo todo.

Até que, no final do ano passado, encontrei uma amiga que estava indo para Punta Arenas, no Chile, e me perguntou se queria alguma coisa. Então, pedi a ela que enviasse todos os cartões-postais que estavam comigo."

Foi assim que tudo aconteceu.

Oráculo do MCDQEPD

Sorte do dia:

Simplicidade também é um sinal de inteligência.
Às vezes, quanto mais elaboração mental e firulas aplicamos nas ações cotidianas, mais o resultado dessa ação corre o risco de virar uma nhaca.
Prenda-se ao essencial.

terça-feira, abril 25, 2006

Agora falando sério

Alguém consegue acreditar que a Sandy (independentemente de ser perfeita ou não) vai ao banheiro? Eu não consigo, gente!!! Não consigo mesmo. Para mim, a Sandy já acorda escovada, sem remela no olho e com hálito de hortelã. Não faz xixi nem cocô (se o fizer, este terá formato de coração), e seu pum (se houver) tem cheirinho de lavanda.

Felipe acha que mulher gata não vai ao banheiro. Vocês concordam?

E a música do dia é...

"Admito, eu vivo maquiada
minha vida é mesmo tão sofisticada
Saiba, esse glamour não dura o tempo inteiro
Eu também preciso ir ao banheiro"

De Sandy, aquela que vai ao banheiro, na música Discutível perfeição, do novo álbum de S&J.
E tenho dito.

domingo, abril 23, 2006

Incursão

Quem mora em Brasília sabe: as quadras são numéricas e os endereços são diferentes das cidades tradicionais. Mas dependendo da atividade principal desenvolvida em uma quadra, o local fica conhecido como "rua das elétricas", "rua das noivas", etc. A 409 sul tornou-se uma versão moderna da "rua dos restaurantes" (originalmente, era a 405 sul). Ali estão alguns dos restaurantes e bares mais freqüentados da cidade.

Tem pizzaria (a popular Primo Piato, a moderninha Baco), comida italiana (o chiquérrimo Unanimità), petiscos gostosinhos (a fashion Azulejaria), pub (a agitada O'Rilley), japonês (o sushi maluco do Haná), francês (o tradicional La Chaumière) e creperia (o gostoso C'est si bon). Não à toa, a quadra está sempre cheia, de modo que é quase impossível estacionar ali.

No meio de tantos locais badalados, existe um que não é gostoso, nem moderninho, nem inventivo, nem agitado. Não é sequer popular. É um bar de uns 25 metros quadrados (no máximo), com um puxadinho atrás da loja para a colocação de cadeiras extras, o que é a cara de Brasília. Justamente pela sua absoluta falta de características – inclusive de um nome –, esse lugar estava me intrigando há um bom tempo. Há tempos que eu queria entrar e ver como era o ambiente, saber como é ser a negação de tantos programas bacaninhas que há para fazer em uma única quadra.

Pela agitação que o lugar sempre se encontra – e assim estava hoje, quando finalmente tive coragem de adentrar o recinto – cheguei à conclusão de que o dono não precisa de um puxadinho para fazer caber mais gente. A entrada é feita por um corredor mais estreito do que o resto do ambiente, com piso velho de cerâmica marrom. À esquerda, vários anúncios de bebidas que não fogem do convencional. Tem cartazes com logotipos da Bavária, da Bohemia, da Skol. Noto que o dono tem preferência pela Antartica e sua musa, Juliana Paes, o que é completamente compreensível. Há Julianas Paes às pencas, sempre na mesma pose, quase um carimbo pop (como aquele que Andy Warhol fez da Marilyn Monroe).

Juliana olha pra mim. E eu olho para o outro lado do corredor, onde há apenas um quadrinho com uma paisagem, desses que a gente compra em loja de R$ 1,99 da rodoviária.

Há um balcão, mas não há ninguém ali – a única voz que faz companhia ao dono do bar é a da Glória Maria, narrando o Fantástico. Na parede do balcão, uma daquelas placas entalhadas de madeira com a inscrição "Canto do Trago". Detalhe: tal qual um bêbado que passa a ver tudo errado, assim estão as letras, sinuosas, escritas ao contrário. Dãããã... sou eu que estou vendo tudo torto ou é a placa que é assim mesmo? Engraçadinhos.

Noto que o dono do local começou a me olhar. E antes mesmo que eu tome fôlego para perguntar se "Canto do Trago" é mesmo o nome do lugar, ou se o aluguel dali é caro, ou se ele não tem proposta de passar o ponto adiante, viro as costas e me vou. Não quero a experiência de um diálogo com um desconhecido capaz de nomear um lugar assim toscamente. Meu irmão e uma amiga, que ficaram com medo de entrar na caverna, me esperam lá fora.

sábado, abril 22, 2006

Fuxico

Agora o Orkut permite ver quem andou passeando pelo seu perfil recentemente. Dá para ver quem andou olhando a sua página e quem você andou xeretando.
Em síntese, é a institucionalização da futricagem, né não? :-D
Por enquanto vou deixar essa opção "on" no meu perfil porque sou curiosa e porque agora não tenho mais tempo nem saco de ficar tentando saber mais da vida alheia. Quem sabe depois eu mudo de idéia...

Cartão-postal, a saga continua

Seguindo a dica da Ashka, fui dar uma olhada no selo e no carimbo do cartão-postal que papi me mandou de Valparaíso (Chile) em 23 de abril de 2003 e só chegou na terça-feira desta semana.

O endereço e CEP, nobre blogueira, estava certo. Já o carimbo quase me fez cair pra trás.

Estava escrito assim: Correo de Chile, 23 de abril de 2005, Punta Arenas.

Como eu não sabia onde fica essa localidade, fui pesquisar no excelente Guia criativo para o viajante independente na América do Sul, de Zizo Asnis, também apelidado de Guia da criança remelenta (por causa da menininha que estampa a capa do livro). Eis o que o autor disse sobre o local:

"Punta Arenas, com 113 mil habitantes, fica no extremo sul do Chile, na beira do Estreito de Magalhães, um canal na pontinha mais astral da América do Sul, que por muito tempo serviu de conexão entre os oceanos Atlântico e Pacífico. É a capital da XII região chilena, a região de Magallanes. Em seus arredores existe uma rica fauna típica da Patagônia, destacando as curiosas colônias de pingüins".

Não há notícia de que meu pai já tenha estado na Patagônia chilena.

sexta-feira, abril 21, 2006

46

É legal andar pelas ruas de Brasília, ver aqueles prédios todos e pensar que eles representam o futuro visto a partir do passado. Andar em Brasília é quase como estar num filme dos Jetsons, que também mostra uma visão do futuro feita por gente que já se foi. A diferença entre nós e os Jetsons é que nós não temos carrinhos voadores, nem empregadas robôs.

Oscar Niemeyer, Lucio Costa e companhia deviam achar as nossas construções superfuturistas quando as projetaram. De fato, a são. Mas, dialeticamente (claro, eles todos eram marxistas), elas também carregam um adorável ar retrô se a gente for parar para vê-las. Andar nessa cidade deve ser como andar por qualquer uma dessas cidades do leste europeu nos tempos do comunismo – nunca estive em nenhuma delas, mas imagino que elas sejam assim. Tudo meio cinza, quadradinho e igual. Pelo menos aqui o nosso frio não é de matar e a gente tem os ipês amarelos e as árvores do cerrado para dar uma colorida no ambiente.

Por trás das linhas retas, dos desenhos ao mesmo tempo leves e sólidos, algo apodrece. Não estou nem falando do que acontece de ruim nos prédios públicos, não é de corrupção que se trata. Prédios de 30, 35, 40, quarenta e poucos anos são, pelo que li recentemente, o equivalente arquitetônico dos bebês. E no entanto eles, nos 46 anos de Brasília, se desmancham por pura falta de cuidado de quem deveria mantê-los. É um descuido que vejo, de forma geral, na cidade que meus pais escolheram para viver e criar seus filhos.

Nos últimos dois anos, a gente viu várias coisas acontecerem por aqui: o prédio do TJ, onde a galera do jornal almoçava direto, foi interditado por tempo ilimitado. Os vidros da catedral estão a ponto de despencar. O prédio do INSS pegou fogo não faz nem seis meses. O palácio da Alvorada passou por uma reforma longuíssima porque até dia desses ele estava um horror.

Uma pessoa de 46 anos, hoje, não é sinônimo de pessoa caída.
Uma cidade de 46 precisa ser assim?

(OBS.: estava há um tempão para escrever esse texto, mas ele tomou um rumo totalmente diferente do que eu tinha imaginado. Depois faço outros abordando tópicos que não apareceram aqui. Ah, sim, eu gosto muito de viver nessa cidade).

Estatísticas

A foto de Bin Laden na praia da Redinha, em Natal (RN), atingiu a louca marca de 700 acessos no Flickr depois da divulgação no No Mínimo. Tô de cara...

quarta-feira, abril 19, 2006

Postal

Ontem, recebi um cartão postal com a letra do meu pai, que há anos tira férias no mês de abril (em 2006, ele já foi e já voltou). O cartão dizia mais ou menos assim:

"Mari, muitas saudades
Você iria gostar de Valpa. A cidade é a sua cara.
Beijos, pai"

Olhei a parte da frente do cartão: Valparaiso, Chile, que pela foto realmente deve ser uma gracinha.
Uai, não foi pra lá que ele viajou agora, pensei. Até que olhei para a data de postagem do selo: 23 de abril de 2003.

Isso me fez pensar no que pode ter acontecido com o postal para chegar quase três anos depois – a data do selo, por sinal, é a do meu niver (tá chegando!).

Obviamente os correios perderam a carta. Tenho certeza de que ele ficou esse tempo todo escondido atrás de uma mesa (já perdi várias coisas assim), até ser resgatado por uma faxineira que estava fazendo uma grande limpa no local. O que me intriga é pensar como.

Vai que, na hora de separar as correspondências nacionais das internacionais, havia tanta coisa em cima da mesa do funcionário que o meu postal foi simplesmente parar onde parou.

Vai que a funcionária separadora de cartas também se chamava Mariana e tinha vontade de, uma vez na vida, receber um cartão postal do próprio pai. Assim, guardou o cartão como uma lembrança saudosa, até que se deu conta de que aquilo não lhe pertencia realmente.

Vai que, na hora de separar o material, a funcionária recebeu a visita de seu amante e eles fizeram sexo tórrido na mesa, por cima de uma pilha de cartas, fazendo várias delas voar pelo chão (inclusive a minha, que foi para trás do móvel).

Alguém tem mais alguma idéia de como o meu postal ficou no limbo dos correios chilenos esse tempo todo? Mande um comentário...

Caravana rolidei

O post sobre o Osama Bin Laden encontrado na Praia da Redinha foi citado por um dos meus escritores preferidos do mundo virtual: Pedro Doria, do No Mínimo!
Não conheço o Pedro pessoalmente, mas o leio pra caramba, de modo que estou assim, algo imodesta desde que soube da menção (hahahahaha, sou muito jeca mesmo).
Clique aqui para ler o comentário :-)

segunda-feira, abril 17, 2006

Scary movie

Só passei para dizer que, enquanto andava na esteira da academia, fiquei assistindo a O Chamado – tava passando na Globo e peguei a história a tempo de assistir às imagens do tal vídeo que mata todos os personagens uma semana depois.

Uma coisa me deixou curiosa: certas imagens, fora de contexto, são apenas imagens. Uma escada encostada na parede, uma mulher antiga se penteando no espelho ou um farol são somente o que são – até que uma história qualquer empreste outro significado a eles.

Me deu medo, muito medo. Antes disso, só Bruxa de Blair (o 1, claro) tinha assustado tanto assim. Em compensação, O Iluminado, meu scary movie preferido, me pega por outros elementos – não pelos corredores banhados de sangue, mas pelas interpretações perfeitas e pela história, dessas bem amarradas do começo ao fim.

O tal vídeo me deu um senhor susto. Pelo menos os minutos na esteira passaram mais rápido.

sexta-feira, abril 14, 2006

Reabrindo a casa



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Sensacional esse mapa mundi que mostra os países onde a gente já esteve (clique acima para fazer o seu). Me deu ânimo de entrar aqui de novo, depois de mais de um mês sem nem dar sinal de vida.

Andei até pensando em implodir esse blog, já que a maior parte da minha energia criativa está voltada para o novo trabalho – que é um superxuxuzinho, mas me deixa sem muita vontade de escrever coisas depois que termino. Continuo observando a vida, buscando diálogos e histórias malucas no meio da rua, mas tá dando uma preguiiiiiiiiiiiiiiiça de botar tudo no papel (ops, no blog).

Amanhã eu mando mais um texto. Possivelmente, uma matéria. Beijos a todos.