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sexta-feira, maio 28, 2010

Sobram casas em New Orleans

Em New Orleans, faltam sorveterias e livrarias. Mas sobram casas para alugar e para vender.

Há, em todos os bairros, ruas inteiras de casinhas fofas, lindas, restauradas... e todas vazias, a ponto de certas partes da Big Easy se parecerem com cidades-fantasma.

Fiquei intrigada com isso desde a hora em que cheguei, e resolvi assuntar com um taxista o porquê do fenômeno.

Simples: a população da cidade caiu a mais de 50% depois do furacão Katrina, que, há quase cinco anos, deixou mais ou menos 80% de New Orleans debaixo d'água.

Muita gente deixou a região temporariamente. Esse taxista, por exemplo, ficou dois anos em Houston, Texas. Na rua, ouvi gente falando em períodos de três meses, um ano. Mas há também quem nunca mais tenha voltado -- daí a quantidade disponível de casas na região.

Se eu tivesse muita grana, ficaria tentadíssima. Além de lindas, as casas são megaespaçosas. Nada a ver com o que se encontra em Águas Claras, no Sudoeste, etc., etc., etc. :-)

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E na tevê e nos jornais não se fala em outra coisa que não o desastre do derramamento de petróleo no Golfo do México + historinhas podres associadas.

Mas o que eu mais gostei de ver foi uma matéria no jornal The Times-Picayune (que ganhou um Pullitzer em 2005 por sua cobertura guerreira do furacão Katrina) de ontem falando sobre o que pode acontecer com as ostras da região assim que o petróleo alcançar os recifes da costa da Louisiana.

Em linhas gerais, se a substância não contaminar as ostras por tempo indeterminado, vai matar os recifes onde elas crescem. E esse cenário naturalmente deixa pescadores, chefs e donos de restaurante de cabelo em pé, porque pode faltar matéria-prima e o preço com certeza vai subir.

Frutos do mar estão entre os ingredientes de base da (incrível) culinária local -- e, hoje, bares especializados em ostras são tão abundantes quanto as casas disponíveis para aluguel em NO.

Será que eles sobrevivem a mais uma tragédia capaz de ameaçar a economia da cidade?

Coisas que não existem em New Orleans

Faz calor, muito calor em New Orleans. Um calor úmido, que deixa as pessoas envoltas numa película de suor e desafia qualquer escova.

Ainda assim, quase não existem sorveterias na cidade. Docerias, muitas. Lugar pra tomar sorvete, um ou outro. Não estou exagerando: andei a cidade quase toda a pé nos últimos dias e posso garantir.

Outra coisa que praticamente não existe na cidade é livraria. Contei exatamente três, uma delas no Aeroporto Louis Armstrong.

Fiquei imaginando como seria se um cara tipo o Jr. andasse por NO, uma vez que ele costuma ouvir vozes do além quando chega perto de livrarias.

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Em New Orleans, dizem, as vozes do além ecoam até hoje nos cemitérios e nas casas das pessoas muito ricas e muito excêntricas que viveram na região quando ela ainda era uma colônia.

Reza a lenda que elas faziam festas caríssimas e superexageradas. E, em muitas delas, escravos eram exibidos e usados como se fossem pets exóticos. Rolavam bebedeira, vodu, maus-tratos, o escambau a quatro.

Essas histórias são todas contadas em uns tours de coisas sobrenaturais oferecidas em qualquer agência de turismo. Mas, como já acho o mundo de hoje surreal o suficiente, preferi passar longe.

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Um passeio muito legal de contratar na cidade é o das plantations, que mostra como se vivia nas grandes fazendas de monocultura que a Louisiana teve por séculos.

Visitei duas: a Oak Alley e a Laura Plantation. A primeira tem um casarão maravilhoso no melhor estilo ... E o Vento Levou. A outra, por sua vez, é mais simples, mas sai na frente quando se fala na qualidade da informação passada pelos guias.

O Lonely Planet o escolheu como o melhor passeio histórico a ser feito nos EUA. Não sei se é o melhor, mas é realmente sensacional.

O engraçado é que por X dólares (esqueci o valor) você contrata o tour para uma plantation. Adicionando uma quantia ridícula (uns US$ 10), ganha-se o direito a visitar mais uma. Pelo jeito, a lógica do supersize me também se aplica ao turismo por aqui.

quarta-feira, maio 26, 2010

Sol na moleira

Galera, o post vai ser rapido porque estou prestes a desmaiar na cama.

Estou megafeliz porque acabei de descobrir que meu proximo voo so sai amanha no fim do dia e, por isso, tenho mais meio dia para andar por New Orleans.

Amei a cidade e tenho umas 200 coisas para contar sobre ela, mas nao vou dar conta. Andei uns 20km hoje (serio), e nao foi sob o ar-condicionado. Faz calor pra caramba aqui na Louisiana e, depois da caminhada, a moleira ficou a ponto de derreter.

Por ora, a principal dica que posso dar eh a seguinte: o French Quarter eh legal e tal, mas o bairro de Faubourg Marigny eh mil vezes melhor para quem quer realmente ouvir jazz e fugir do esquema turistada. Principalmente na Rua Frenchmen, que virou uma das minhas preferidas aqui.

Amanha eu conto mais.