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sábado, abril 18, 2009

Fui fotografar

Todas as quadras de Brasília (pelo menos acho eu) têm uma construção grandinha em forma de cubo, que funciona como aparato da companhia de eletricidade. Eventualmente, essas caixas também servem como espaço para pichadores, pintores, grafiteiros, etc. Difícil achar uma que esteja 100% branca.

Em época de Copa do Mundo, por exemplo, não há uma que não fique pintada de verde e amarelo, com aquelas mensagens típicas de torcida. Essa, que fotografei mais cedo na Asa Norte, ainda tem resquícios do tempo em que a gente achava que ia ganhar o hexacampeonato na Alemanha. Mas eles vão sendo substituídos aos poucos por outros tipos de manifesto.

Os seres que habitam esses desenhos são de um mundo totalmente à parte.

A foto abaixo, apesar de meio torta, mostra bem a proporção entre a caixa e o prédio residencial. Acho esse desenho muito legal, apesar de me fazer lembrar que uma parcela gigante dos bons grafiteiros começam com a pichação.

O sonho do hexa foi tomado por cogumelos. :o)
Será que tudo isso resiste à chegada da Copa de 2010? Ou a caixa de eletricidade vai virar canarinha de novo?

terça-feira, abril 07, 2009

Experimentos vários

No último fim de semana, aproveitei para fazer umas experiências fotográficas. Desta vez, mudei um pouco o objeto: ao invés dos grafites e traçados urbanos, preferi observar um superquintal. O resultado nem sempre foi bucólico, o que me agradou demais. :-)


Esse pássaro ficou por horas instalado no galho da árvore aí de cima. Como o céu não estava lá essas coisas, tentei um p&b. Deu um ar de filme de terror à cena.

A silhueta das árvores e o céu: isso é bem brasiliense.



Pitangas com flash...

... e pitangas sem flash. Acho que essas ficaram melhores.



Uma palmeira e um avião. Se eu levar essa imagem ao Superpop, vão dizer que é ovni, rsrsrs.

Amanhã tem mais.

segunda-feira, março 23, 2009

Vieram para confundir



De todas as imagens que dão sobrevida ao visual do concreto aparente de Brasília, esta (na 107 Norte) é uma das mais intrigantes. Não sei se é falta de referência da minha parte ou se a pintura é feita para confundir mesmo, mas não consigo dizer com clareza quem é quem. Pela posição e pelas cores, a personagem da esquerda pode ser budista ou hindu. O da direita me fez lembrar de João Cabral de Melo Neto e de João Guimarães Rosa. Me lembrei que o segundo aparece em mil fotos (tipo essa) de terno e chapeuzinho. Mas ele não é exatamente igual ao usado pelo indivíduo da direita.

Supondo que o cidadão seja de fato o Rosa, podemos passar para a segunda parte do mistério: o que os dois estão fazendo lado a lado?

Pensar que trata-se do autor de Grande Sertão: Veredas é melhor para mim, porque me permite especular com um pouco mais de propriedade (haha). O encontro de dois personagens tão diferentes levitando tão perto um do outro faz pensar em transcendência. Em misticismo, coisa que o velho Rosa levava a sério. E na frase "As pessoas não morrem, ficam encantadas", que o escritor tornou célebre ao tomar posse na Academia Brasileira de Letras, em 1967. Encantamento é uma boa definição para o que se passa entre a figura de amarelo e o homem de terno. Dá para pensar que cada um deles vive a experiência a seu modo. Como, no mais, todos nós fazemos.

Se tivesse que optar por só um modo de transcender, ficaria mil vezes ao lado do Rosa e das letras. Descobri cedo que meditação e yoga -- seja lá o que a personagem de amarelo está fazendo -- não são e nunca serão algo para mim. Não me peça para visualizar um feixe de luz azul voando sabe-se lá por onde, ou para executar qualquer sequência além da saudação ao sol. Tentei muito, tentei até demais, e me dei conta de que quanto mais meu espírito busca a luz, mais me agarro às coisas terrenas. Ao dever de casa que preciso terminar. À informação que preciso checar para uma matéria. À droga que é não conseguir jogar o ar lá para o diafragma enquanto o corpo faz 78 coisas ao mesmo tempo e treme para se segurar na posição.

Agora, sentir as portas da mente se abrirem diante de um texto fantástico é outra experiência. Troco mil aulas de yoga por um livro de Rubem Braga ou qualquer outro escritor bom. Quem faz negócio comigo?

Quero saber quem mais arrisca uma interpretação. Consigo pensar em mais uma, mas o tempo está curto para desenvolvê-la. Vou tentar mais tarde. Enquanto isso, aguardo (sentada, haha) os comentários.

sábado, março 21, 2009

Circo agridoce

Galera, conforme prometi ontem, encerro hoje a minha saga cearense com as fotos de um circo que andava bombando em Canoa Quebrada na semana da viagem.

Infelizmente, me esqueci do nome. Se me lembrar em algum momento, atualizo o post. Que, por sinal, vai ser comprido. Preparem-se.

A faixa acima foi o motivo principal pelo qual resolvi adquirir um ingresso já meio suado, com jeito de que tinha sido reutilizado muitas vezes. Precisava saber que jeito tinha um fight de anões.

Os pequenos artistas comandam o circo, a começar pela bilheteria. Dizem-se uma família formada por sete pessoas, tal qual na história da Branca de Neve. Mas há circenses de outros tamanhos também.

Do lado de fora da lona, a gente vê várias pessoas que entrarão em cena mais tarde. Primeiro, elas vendem maçã do amor, espetinhos, bebidas, etc. Depois, vão ao picadeiro ajudar no número dos palhaços, engolir fogo, fazer acrobacias e por aí vai. Todo mundo faz tudo junto. O espírito do circo é isso aí.

O palhaço abaixo é um dos mais frenéticos que já vi. Chega dançando o funk The Book is On The Table. A molecada pira.

Depois, ele pega o microfone e sai fazendo perguntas engraçadinhas para a plateia. Nessa hora, dá para ver que muita gente está ali pela segunda ou terceira vez, porque ele reconhece algumas pessoas e tal. Gostaria muito de ter feito uma foto desse cara no estilo Diane Arbus... Fica para outra vida. Pretensão demais da minha parte! hehe.
As crianças não desgrudam o olho.
Tudo ia muito bem até o momento em que o palhaço começou a fazer esquetes com outros circenses. Pô, falar palavrão num espetáculo para criança é dose, né? E eles falavam vários. E faziam referências aos orifícios e às genitálias uns dos outros. É um tipo de humor apelativo, que não me agrada. Honestamente, não sei se a molecada entendia tudo aquilo ou não.

Gostei mais de ver os outros números. De verde, na foto abaixo, o acrobata Allison Vilar. Apesar de novinho, já é um showman. Tanto que ainda consigo me lembrar do nome dele.

Esse quadro de tecido também foi bacana. São dois irmãos. O de branco era o mais gracioso.

Primeiro, ele sobe na corda. Depois, faz de tudo um pouco lá em cima.

Abaixo, o irmão dele. Eu realmente preciso de um tripé.

Ao final de cada quadro, os artistas iam para a plateia para assistir aos outros. Gostei disso também. Mas acabei indo embora quando o engolidor de fogo saiu de cena para dar lugar a um novo esquete de palhaços. Não dei conta das piadas... e precisava voltar andando sozinha numa pista de areia até a pousada antes que ficasse muito tarde.
E o fight de anões? Vai ficar para outra vida, já que essa era uma atração prevista para as semanas seguintes. A não ser que o circo vire algo permanente e eu volte para lá. Pelo menos fiz umas fotos legais.

sexta-feira, março 20, 2009

Broadway, etc.

Gente, essa é a última leva de fotos da Broadway, a rua mais bombada de Canoa Quebrada.

Amanhã, eu mostro um circo aonde fui e aí paro de falar da viagem, porque do contrário vou querer ir para lá de vez. Oh, inconformidade por Brasília não ter praia. :-)


Duas divas: Betty Boop e Marilyn Monroe. A primeira delas, numa versão bem inocente. A segunda, por sua vez, decidiu que agora só vai para o baile funk... daquele jeito.

São José (cujo dia foi comemorado ontem) batiza um mercadinho. Adorei a pintura.

Canoa não é só a Broadway. Há uma série de ruazinhas paralelas que contam até com praça de alimentação. Se o meu mapa não está errado, ela fica na Rua Francisco Carço.

Olha ela aí!

.... Não é pastel, mas parece. Nunca vou saber do que se trata de verdade porque a tal pracinha só abre à noite. E eu só a descobri no último dia... *suspiro*

quarta-feira, março 18, 2009

Senhoras e senhores... a Broadway!

Eu não sei quem teve a ideia de chamar a rua central de Canoa Quebrada de Broadway. Mas a irreverência do negócio é louvável. Hoje, ela tem pouco mais de 1km de comprimento e está toda fofa, calçada com pedras portuguesas e tal. Nem sempre foi assim. Algumas pessoas para quem mostrei as fotos e contei as histórias relataram o salto de evolução na paisagem local.
Com vocês, ladies and gentlemen, a Broadway, vista desde a Praça Dragão do Mar.

Quem olha a foto nem imagina o sol que rachava os cocorutos de homens, mulheres, crianças, cachorros e gatos àquela hora da manhã.

Perto da Broadway, no caminho para a vila de pescadores, há uma igrejinha.


Um quilômetro e pouco pode não parecer nada, mas em se tratando de Broadway é coisa à beça. Lojinhas de roupa, de artesanatos bacanas, de souvenirs bobos (tem quem goste), imobiliárias, lan houses, salões de beleza, bares e restaurantes de todos os tipos ocupam cada milímetro da rua. Tenho ojeriza à expressão "para todos os gostos e bolsos", mas no fundo ela se aplica bem ao lugar.

A via principal de Canoa tem uns detalhes curiosos, tipo o nome da escola abaixo. Depois, descobri que Zé Melancia é o nome de um pescador e poeta que, de tão respeitado, batiza até uma rua paralela à Broadway. Aqui e aqui, você lê um pouco mais sobre ele.

Essa lan house também é incrível. Ora, se os canoenses têm até a Broadway, por que não poderiam fazer sua própria Beverly Hills?

O nome desse forró também chama a atenção. Me dá a ideia de uma bagunça organizada. :-)


Para o post não ficar muito comprido, faço uma segunda parte da Broadway qualquer hora dessas...

terça-feira, março 17, 2009

A lua lá longe


Acreditem: a foto acima é de uma lua no momento em que nasce atrás das dunas e tem sua imagem refletida nas águas de um pequeno oásis. O cenário é Canoa Quebrada, Ceará. Foi uma visão tão inacreditável que não consegui pensar nem em técnicas de fotografia, em regulagem de máquina nem em nada mais. Deu no que deu: uma foto conceitual, para não dizer horrenda. Depois, fiquei pensando sobre a falta que faz um tripé.

Depois do primeiro clique, voltei ao normal e consegui fazer esses registros.

A lua arrasou naquele dia. Valeu a pena ser picada por uns 17 mosquitos ao mesmo tempo só para conseguir fotografá-la. Calombos? Imagiiiiiiiiina. Quase nada.

Terminei a sessão dando vivas e mais vivas ao zoom ótico (10x) da máquina. Zoom ótico é tudo, minha gente. Amanhã eu mostro a Broadway de Canoa pra vocês. Beijos!

segunda-feira, março 16, 2009

Depois da onda pesada, a onda zen


Será que é preciso contar a história? Bom, vamos lá. :-) Canoa Quebrada, Ceará, começou a virar destino de viagem lá pela década de 1970, quando uns hippies atravessaram a pé umas dunas enormes e se deram conta de que, aê, o visual de lá dava um transe místico.


Antes disso, o lugar era um vilarejo de pescadores sem luz elétrica nem nada. Aos poucos, ganhou uma infra bacana (pousadas, restaurantes, comércio, passeios organizados) e uma estrada em estado razoável que a conecta com o resto do estado.


A vila de pescadores continua lá. Foi até filmada para uns episódios de Malhação. A novelinha da Globo, aliás, deu uma euforia em várias pessoas locais. Agora que Canoa Quebrada foi exibida na tevê, pode-se ver na cidadezinha a jangada que apareceu na Malhação, a barraca de praia da Malhação, o parapente da Malhação, etc., etc., etc. Dá para se divertir observando isso.


A lua e a estrela, símbolos de Canoa (que tiveram origem no desenho que um paquistanês fez durante os anos 70), também foram devidamente registrados para a tevê. Este, da foto, é o original. Ao longo da praia, dá para ver umas duas ou três reproduções nas pedras das falésias.


O canto onde fica essa escultura é supervisitado por bugueiros e turistas. Mas, tirando a obra de arte, esse pedaço de praia nem é tão espetacular. Achei com cara de malcuidado. Melhor andar em direção às barracas Lazy Days (a da Malhação, hehe) e do Casqueiro (também conhecida como Barraca do Símbolo). Perto dali, uns recifes de corais deixam a água com ondas bem calmas. Uma delícia para nadar.




Esse pedaço de mar (foto acima) fica perto da vila dos pescadores. Outro lugar bom para ir é depois do restaurante Bom Motivo. Dali em diante, a praia é praticamente sua. São quilômetros e quilômetros de areia branquinha e quase ninguém por perto. Sensacional. Vale avisar que, por lá, o mar é mais agitado e tem correnteza forte. Melhor ir de manhã cedo, na maré baixa.

Essa duna onde a galera faz aerobunda e esquibunda fica fora da cidade. É preciso descolar um passeio de buggy, o que é facílimo: basta procurar alguém da associação de motoristas. Eles ficam no centro da cidade (a Broadway) com suas camisetinhas brancas de manga azul.


Me amarro muito nessa foto aí de cima, tirada durante o passeio nas dunas. Acho que foi a mais legal que fiz na viagem.

Essa foi feita no mesmo passeio. Nada como ter máquina com um superzoom ótico. Esse cara estava longe à beça, caminhando sozinho, sabe-se lá para onde.

Tenho fotos de lua nascendo nas dunas e fotos da Broadway. O que coloco no ar amanhã? Mande um comentário e ajude-me a decidir. Bjo! :-)
Esqueci de dizer: o título deste post vem de uma música de Seu Jorge (do ótimo disco América Brasil, de 2007) mais do que adequada para lembrar de um lugar legal assim.