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terça-feira, novembro 02, 2010

Como se livrar...


Ontem, antes de dormir, fui dar uma olhadinha na televisão de blogueiro e fiquei particularmente intrigada com o internauta que chegou ao blog depois de fazer a seguinte pesquisa no Google: "Como se livrar do sotaque nordestino".

Uma doideira total!

Primeiro porque nasci na outra ponta do país, segundo porque nunca tive sotaque de nenhum tipo e terceiro porque jeito de falar é um negócio muito pessoal, único. Por mim, ninguém precisa mudar, cada um fica com o seu e acabou. Não é isso que vai determinar o bom ou o mau julgamento que faço de alguém.

Provavelmente, quem fez a pesquisa deve ter entrado neste post e saído meio decepcionado.

Fiquei me perguntando que motivos a pessoa teria para querer uma mudança extrema num aspecto tão forte da própria identidade -- especialmente quando esse desabafo virtual vem no dia em que o #orgulhodesernordestino virou um trending topic tão badalado no Twitter.

(Caso alguém aí leia o blog fora do Brasil e esteja por fora do assunto, basta dar uma olhada aqui e aqui para ver como o assunto nasceu).

Seria alguém pressionado pelo mundo lá fora? Ou alguém que ainda não parou para refletir sobre os próprios preconceitos?

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Como é bom ter zoom


Cara, nem acredito que consegui fazer essa foto. Rolou durante um aniversário de criança aqui em BSB. Tive que entoar aquele mantra básico (fica aí, fica aí, fica aí...) para que a bichinha permanecesse no galho enquanto clicava.

quarta-feira, agosto 05, 2009

A propósito

Brasilienses e não brasilienses: vocês sabiam que aqui existe um Setor de Relações Públicas Norte? Sério. É onde ficam o autódromo, uma cerca que nunca me lembro para que serve mesmo, o autódromo... e só.

O lugar é um dos mais inóspitos da capital. E se chama Setor de Relações Públicas. Estranho.

terça-feira, agosto 04, 2009

Amo listas

Pensei numa hoje com os top 5 lugares que mais odeio em Brasília. Convido todo mundo a fazer o mesmo (se não forem daqui, podem falar das suas cidades também).

1. Setor de Oficinas - SOF (norte, sul, qualquer um)
Primeiro, porque é longe do resto da cidade. E não tem nada além de oficinas. Ou seja, se por algum motivo eu tiver que me bandear até lá, não é porque posso encontrar, sabe Deus, um cinema fofo, uma chocolateria incrível ou algo do gênero. Se eu precisar sair de casa para ir ao SOF, é porque tenho de ir à oficina. E ir à oficina é uma droga. Eu adoraria ter um secretário para ser dispensada dessa tarefa.

2. Setor Hospitalar (norte, sul, qualquer um)
Os motivos são quase os mesmos pelos quais execro o SOF. Quem vai ao Setor Hospitalar ou é porque está mal ou porque conhece alguém que esteja assim. Não bastasse isso, não há um lugarzinho sequer para parar o carro. Brasília tem carros demais, já falei, né?

3. Centro de Atividades do Lago Norte
É uma área relativamente nova da cidade, e como costuma acontecer em casos assim, é um lugar meio afastado e mal sinalizado. À noite, então... horrível. Não aconselhável para quem tem problemas de desorientação espacial (e olha que esse não é o meu caso).

4. Águas Claras
(Fica no meio do caminho entre o Plano Piloto e Taguatinga). Um milhão de prédios residenciais, pouca urbanização (altos lugares com pistas de terra) e pouco comércio. Passa metrô por lá, mas não atende a todo mundo. Para fazer várias coisas, é preciso ir de carro para Taguá ou para o Plano. E se você trabalha no Plano Piloto e precisa chegar cedo, não tem direito a enrolar nem cinco minutinhos: essa pode ser a diferença entre pegar a pista mais ou menos livre ou insuportavelmente engarrafada. E ainda há quem sonhe em comprar apê lá.

5. Rodoferroviária
Não que eu precise ir lá muito. Mas é provavelmente a rodoviária mais feia do mundo.

terça-feira, abril 21, 2009

10 coisas realmente incríveis em Brasília

Eu prometi, agora cumpro: depois de descer o sarrafo na cidade naquele post lá, listo 10 coisas adoráveis daqui. É esquisito falar tão docemente sobre a capital depois de citar tantas coisas ruins, mas eu só falo mal de Brasília porque gosto mesmo dela. Vai entender.

* O contraste entre as cores de um ipê amarelo florido e o azul do céu de junho.

* Ver as pessoas felizes e à vontade tomando sol, caminhando, ouvindo chorinho aos domingos e brincando de samurai (é sério) no Parque Olhos d’Água. Tudo isso rola no Parque da Cidade também, mas o Olhos d’Água é bem menor, de modo que a galera fica mais concentrada. Rola um calor humano à moda brasiliense, saca?

* Tudo feito pelo Athos Bulcão (saudade dos cubos do Teatro Nacional).

* Misto árabe frio e quibe do Beirute.

* Ouvir a música de quem toca no Clube do Choro.

* O pão de queijo com queijo suíço do Clube do Choro.

* Rádio Câmara e Rádio Cultura: públicas e modernas.

* A arquitetura da Catedral: leve, graciosa e nada opressiva.

* Quituart. O lugar vale praticamente por uma sauna. Mas há diversidade de lugares para comer, um restaurante árabe com um cordeiro esperto e o mais importante: há gente para ver.

* Rua dos Restaurantes (quadra comercial da 405 Sul), Rua das Farmácias (102 Sul), Rua dos Salões (314 Norte), Rua das Elétricas (109 Sul), Rua das Noivas (304 Norte) e todas que se estabeleceram da forma mais improvável que se pode imaginar. Explico a quem é de fora: nenhuma dessas quadras foi feita especificamente para os fins que acabei de listar. Tempo e razões econômicas contribuíram para que lojas do mesmo tipo confluíssem para uma só quadra. Isso pode ser um jeito espontâneo de deixar a cidade mais careta ou uma forma careta de dar um pouco mais de espontaneidade à capital. Depende só da sua interpretação.

Agora é a sua vez, nobre leitor. Mas não vale tentar ser engraçadinho(a) e citar coisas do tipo "o finger do aeroporto por onde embarco para ir embora", ok? Pronto, falei. Beijos.

sexta-feira, abril 17, 2009

De como ser sozinho em Brasília

Você pode morar sozinho. Até aí, tudo bem.

Você pode sair de casa e, ao dar bom-dia para o vizinho, receber um ‘arrã’… ou simplesmente nada. Mas, se acontecer o contrário, será bem legal.

Pode ir à quadra comercial para comprar ou comer alguma coisa e dar bom-dia, boa-tarde ou boa-noite para a pessoa que irá atendê-lo. Num dia de muita sorte, ouvirá de volta o mesmo cumprimento. Num dia razoável, simplesmente um ‘bom’ ou ‘boa’ ou sua variante: ‘oa’. Num dia ruim, verá que a cara de quem está do outro lado do balcão não está lá essas coisas. Aí, ficará com vergonha de ser mané supereducado e simplesmente pedir o que quer. Mas dizer ‘por favor’ e ‘obrigado’ ainda é permitido.

Para ir à maior parte dos outros lugares além dos limites da quadra, você pegará, naturalmente, o carro. Uma vez dentro dele, você dirigirá sozinho, falará sozinho, cantará sozinho e xingará sozinho o motorista que, para variar, não deu seta nem pediu passagem (para quê, né? quase ninguém dá mesmo): simplesmente entrou na faixa de pista onde você está. Ao parar no sinal, conte quantos carros com gente solitária existem à sua volta.

Se estiver a pé, verá que é uma raridade no cenário. Se for um dia de chuva, se sentirá como o Charlie Brown, do Snoopy, ao saber que a água que escorre pela pista molhou a sua roupa… com a ajuda do ônibus que passou pertinho da não-calçada, claro.

Se tiver de frequentar bastante algum lugar (escola, faculdade, trabalho ou academia, por exemplo), é bom avisar: pode ser que algum dia você diga um ‘olá’ e fique no vácuo. Mas não é porque você falou baixo ou porque a outra pessoa está com raiva de você (afinal, ontem/num dia desses, ela conversou contigo normalmente e tudo correu bem). Ela pode só estar com preguiça de… ah, de alguma coisa aí. Dependendo do ambiente, adotar essa preguiça (ou sabe-se lá qual o nome disso) aos poucos pode virar uma estratégia de defesa. Afinal, você não vai ser o mané bem-educado da história.

Se for ao cinema, só se sentará ao lado de desconhecidos quando não houver mais alternativa.

Passar por tudo isso num dia só é difícil (baita azar, hein?). Mas não é raro viver aqui e experimentar cada uma dessas estranhezas em dias diferentes.

Talvez um dia você viaje e ache incrível ver os que vão à praia e tomam sol tão perto uns dos outros (e tão numa boa); aqueles que batem papo com alguém que acabaram de conhecer enquanto estão na fila do banco ou esperam os carros pararem no sinal vermelho. Mas, ao voltar à terra árida, é bem possível que toda a expansividade (re)adquirida lá fora vá murchando com o passar do tempo.

E aí, vai deixar a cidade de concreto armado embrutecê-lo? Ou vai fazer como naqueles versos e ser gentil assim mesmo?

Taí uma pergunta difícil. Numa cidade acusada (muitas vezes, com justiça) de ser fria, a resposta pode ser uma ou outra. Depende do dia.

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Na próxima terça, dia 21, aniversário de Brasília, eu posto um texto bem doce sobre a cidade, prometo.

domingo, abril 12, 2009

A saga de um banheiro

Em algum momento na faculdade, li uns textos lindos e difíceis espinafrando a enxurrada de imagens e a ausência de reflexão em certos filmes contemporâneos. E, ao mesmo tempo, defendendo um cinema de contemplação, que permitisse ao espectador pensar sobre o significado das imagens que estivesse vendo. Um cinema de histórias simples e muita elaboração mental.

Na teoria, sensacional. Na prática, as leituras desembocaram em alguns dos filmes mais chatos que já assisti nos meus quase 28 anos. Num deles, cujo roteiro acompanhava duas crianças que partiam a pé da Grécia à Alemanha em busca do pai desaparecido, a narrativa era das mais arrastadas. A fotografia, nem colorida nem p&b (isso, pelo menos, fazia sentido, garanto). E, em determinado momento, do nada, a gente via uma mão gigante de concreto saindo do mar, puxada por uma grua montada em um helicóptero. Um negócio totalmente fora de contexto. A gente bem que tentava entender: era a mão do capitalismo sobre a Grécia? Era a mão de Deus que viria para ajudar os dois pequeninos? Che catzo è questo?

Surreal.

Pelo menos essa filmografia rendeu uns causos para narrar por aí. Pelo menos serviu para entender que existem mil formas diferentes de contar histórias. Me ajudou a avaliar filmes além das simples noções de "gosto"/"não gosto".

Voltei a pensar nos tais textos sobre o cinema de contemplação depois de assistir, no começo desse feriadão (que, para mim, significou trabalho todos os dias), a O Banheiro do Papa, que chegou recentemente à locadora mais próxima daqui de casa. Passou em algumas salas aqui em Brasília também, mas justamente numa época em que eu estava viajando, de modo que não deu para ver.

A história é simples. Beto, um homem que faz contrabando de produtos de supermercado entre Brasil e Uruguai, tem a brilhante ideia de montar um banheiro para ser usado pelos milhares (milhões!) de esperados fiéis que acompanharão a visita do pontífice a Melo. A cidadezinha onde Beto mora fica do outro lado da fronteira. O filme tem como diretores Enrique Fernández (estreando na função) e César Charlone. Este último assina a fotografia de filmaços como Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel.

Tantos foram os prêmios arrebatados por aí e tantas foram as críticas positivas que fiquei na maior expectativa ao alugar o DVD. Mas a história se arrasta por longuíssimos 90 minutos (!) com poucos momentos de emoção ou de graça. Gostei muito da filha de Beto, que sonha em largar a cidade e estudar jornalismo em Montevidéu. Fiquei com pena da mulher do contrabandista. Dei umas risadas com uma espécie de versão uruguaia do churrasco na laje. E só.

Não sei se por ter lido alguma coisa previamente, ou pelo fato do filme ser previsível mesmo, saquei logo que aquele projeto mirabolante ia dar em merda (já que estamos falando em banheiro...). E não consegui me comover muito.

A única coisa que se salva, pelo menos para mim, é a fotografia. Não bastasse o fato de as locações serem lindas, o trabalho do Charlone é sensacional. Não houve um só quadro feio. Eu queria ter feito cada uma daquelas fotos, porque são todas geniais.

De modo que pensei: trata-se de uma trama boba a serviço de um dos melhores diretores de fotografia da realidade. É o tal do cinema de contemplação. História simples e superelaboração mental (pense na situação do homem, no ambiente ao mesmo tempo lindo e pobre, na esperança do povo em relação à chegada do Papa, etc.) em torno de imagens incríveis. Não adianta, nem sempre isso me toca.

O filme pelo menos serviu para que eu lembrasse que os filmes de contemplação existem, e que, em algum lugar entre o céu e a Terra, milhares de téoricos fizerm páginas e páginas em torno dele.

segunda-feira, março 30, 2009

Queres casa?

Tenho a sensação de que, daqui a não muitas décadas, Brasília será como uma dessas capitais quatrocentonas da Europa: uma cidade na qual moram pouquíssimas categorias de pessoas. Primeiro, os velhinhos que compraram apartamentos ou construíram casas há uma era. Segundo, as pessoas de qualquer idade (desde que sejam milionárias) que tiverem grana para comprar ou alugar qualquer coisa (nem que seja para dividir um quarto-e-sala por um aluguel absurdo) dentro do Plano Piloto, dos lagos Sul e Norte, do Cruzeiro ou do Sudoeste. Terceiro, aqueles que herdaram as ditas moradias dos pais e avós.

Quem não for proprietário antigo, nem milionário, nem herdeiro, nem estiver disposto a compartilhar um cubículo com uma galera terá de viver cada vez mais longe dessas áreas. Consigo imaginar as cidades-satélites de Taguatinga, Ceilândia, Sobradinho, Samambaia e Guará, entre outras, infladas -- quase explodindo -- de gente de classe média disputando seu espaço metro quadrado por metro quadrado. E pagando bem por isso. Aliás, vejo cada vez mais -- na tevê e em panfletos -- ofertas de condomínios elegantes sendo construídos fora do coração do Distrito Federal.

Esse chute sobre o futuro não veio do acaso, mas a partir da observação de todas as pessoas do universo (tá bom, só das pessoas entre 20 e 30 anos que moram aqui). Não há quase ninguém que eu conheça, e olha que eu conheço gente à beça, que não esteja numa pressa daquelas de comprar apartamento. Ou que não esteja na corrida para passar logo num concurso público com um supersalário e, então, comprar um apartamento (cujo preço, claro, acompanha ou antecede a tendência de alta dos salários de vários tipos de servidores do Estado). Ou que não se pergunte se o salário na iniciativa privada será o suficiente para garantir o financiamento de um apê.

Quando vejo tudo isso, me pergunto uma série de coisas. Será sintoma da idade? Digo, essa vontade de ir com tudo rumo à compra da casa própria -- e, portanto, da estabilidade -- é algo típico das pessoas da minha atual faixa etária? Ou será que essas pessoas também estão antevendo o fenômeno que descrevi lá em cima, nos dois primeiros parágrafos?

Certezas, de verdade, só existem três. Uma delas está nas estatísticas. A compra da casa própria está sempre nos primeiros lugares da lista de desejos do brasileiro. Outra é a de que, em breve, não vai mais sobrar lugar para construir na cidade, a não ser que deem uma banana definitiva para o tombamento de Brasília. Com o fim dos espaços, qualquer apartamentinho potencialmente ganhará um valor ultra.

Finalmente, essa espécie de corrida maluca tem muito a ver com uma cidade que tem no funcionalismo público estável (e bem valorizado nos últimos anos) uma de suas principais bases econômicas. Gostaria de ver como ficaria o mercado se as torneiras da verba voltada aos servidores do Estado fossem fechadas com força. Será que a tendência de cortes ao orçamento do setor (como os anunciados recentemente pelo governo) se mantém nos próximos anos?

Até que a resposta seja dada de vez, ainda tenho mais um tempo para decidir se -- algum dia, quem sabe -- me junto à onda de conhecidos, colegas, amigos e cia. e garanto um lugar definitivo na Brasília futurista, inchada e incógnita de dois mil e quelque chose. Ou se simplesmente resolvo ir contra a corrente.

domingo, março 29, 2009

Festa do caqui


Eu sempre defendi que caqui é coisa que se compra no sinal de trânsito, não no supermercado. Ainda mais aqui em Brasília, onde os vendedores estão por toda parte entre fevereiro e abril. Perto da quadra da minha mãe. No caminho para o trabalho. No semáforo perto da academia.
Um colega perguntou há pouco tempo, em tom de brincadeira, se esse gosto teria a ver com os micróbios que fatalmente parariam na casca da fruta depois dela ficar tanto tempo exposta na rua. "Da mesma forma que a salmonella dá gosto ao churrasquinho de gato", ele comparou. A gente riu, e eu disse que a história era outra.
Caqui de supermercado normalmente fica naquelas geladeirinhas de frutas. Provavelmente vai para lá ainda verde. Quando sai da caixa, está duro como pedra. Demora um milhão de anos para amadurecer, o que frustra qualquer vontade. E, mesmo quando isso acontece, a fruta não mostra tudo o que tem de bom. Algumas partes não perdem a rigidez. Outras são adstringentes. Em síntese, uma droga. Os R$ 5,50 (contra R$ 5 do vendedor de rua) mais mal gastos do mundo.
O do sinal é diferente. Amadurece sob o misto de sol e névoa do cerrado e se transforma rapidamente numa coisa brilhante, quase sedosa. Se pega chuva, é mais bonito ainda. Quando a gente pega a caixa do vendedor, as frutas estão todas salpicadas de gotinhas. Uma coisa quase cênica, eu diria. Há bichinhos microscópicos na casca? É bem possível que sim. Mas nada que um litro de água com algumas gotinhas de cloro (e bastante água corrente depois) não resolvam.
Quando se parte a fruta ao meio, é melhor ainda. O recheio cede facinho à colher. É quase como degustar um doce incrível, só que sem as calorias e sem o peso na consciência. Eu poderia comer uns dois ou três de uma vez se isso não fosse causar uma festa do caqui na barriga (amo trocadilhos infames). Agora, comer dois por dia pode. Faço isso muito até a temporada acabar, porque sei que ela é curta. Depois de abril, só no ano seguinte, quando tudo começa de novo: a busca pela fruta mais perfeita, a vontade de se afogar nela e a saudade quando a colheita acaba.
Eu só não defendo mais os vendedores de rua porque fiz ontem a melhor das descobertas: caqui de mercadinho a R$ 1,99 (seis unidades), maduro e ainda embalado nessa bandeja superfotografável. O primeiro dela já era.

sexta-feira, março 27, 2009

Arte urbana ou provocação gratuita?

Manifestação cultural tipicamente pop ou simplesmente bagaceira, polêmica vazia, sujeira? Essa pergunta surgiu em várias ocasiões que parei para observar os desenhos da cidade -- como quando tirei essas duas fotos -- e reaparecerá sempre que eu não tiver certeza de que gosto de alguma, vamos chamar assim, obra.

O primeiro stencil eu vi numa lixeira perto de um mercadinho bom para comprar frutas. De cara, me indignei com o lugar escolhido pelo grafiteiro. Ao mesmo tempo, deu uma vontade louca de fotografar. Fiquei meses passando pelo tal lugar de carro e sem máquina. No dia em que finalmente me organizei para fazer cliques, alguém já havia tido a bondade de limpar a lata de lixo. Por sorte (sorte?), vi a mesma figura no mesmíssimo dia, numa parede nos fundos de um prédio comercial do outro lado da cidade (foto acima).
E descobri que, na verdade, tratava-se do anúncio de uma festa (me pergunto como terá sido).
Pois estava lá, flutuando na parede descascada, a imagem desse ser vagamente parecido com a Mulher Melancia (o quadril é menor, reparem) junto com um monte de cartazes horrorosos de consertos de máquinas de lavar, de shows musicais ocorridos no período pré-cambriano, de mães-de-santo/tarólogas, etc. Feio! Em síntese, aquilo é só mais uma informação visual que não vai acrescentar mais nada a ninguém (afinal, a festa já passou) e não contribui em nada para dar um jeito na cara poluída e decadente do lugar. Gosto não.
Mas pelo menos me fez pesquisar o que o Gilles Deleuze pensava. Antes de deparar com a moça do stencil, não havia lido nada dele na faculdade nem fora dela. Só conhecia de nome. :-(

O JC da segunda imagem tem carregado a sua cruz em outros pontos da cidade além da Asa Norte. Não lembro mais onde foi que o vi, mas nenhuma das aparições me deixou tão impactada quanto essa registrada na foto. Primeiro, porque ver Cristo assim, em plena luz do dia, é meio surreal. Segundo, porque eu sei que essa pilastra superalta havia sido pintada (nessa cor mostarda pavorosa) pouco tempo antes, e deve ter dado um trabalho mega! Se eu fosse o pintor desse prédio de lojas, cortava os pulsos na base da fricção.
E olha que nem falei da temática da figura. Jesus não é problema (para muitos, é solução), nem responsável por tanta intolerância que se vê. Pelo menos para mim, problema são as mil coisas péssimas que fizeram em nome dele. Tenho certeza de que se JC visse ao vivo todas as maluquices desse mundo, cortaria os pulsos na base da fricção também.
Menos mal que exemplares como esses são raros na cidade. Ontem, numa hora em que saí para resolver coisas na rua, vi uma série de grafites legais. Brasília está apinhada deles. Se eu conseguir, fotografo tudo -- ou pelo menos uma parte -- no fim de semana e mostro logo aqui.

quarta-feira, março 18, 2009

Senhoras e senhores... a Broadway!

Eu não sei quem teve a ideia de chamar a rua central de Canoa Quebrada de Broadway. Mas a irreverência do negócio é louvável. Hoje, ela tem pouco mais de 1km de comprimento e está toda fofa, calçada com pedras portuguesas e tal. Nem sempre foi assim. Algumas pessoas para quem mostrei as fotos e contei as histórias relataram o salto de evolução na paisagem local.
Com vocês, ladies and gentlemen, a Broadway, vista desde a Praça Dragão do Mar.

Quem olha a foto nem imagina o sol que rachava os cocorutos de homens, mulheres, crianças, cachorros e gatos àquela hora da manhã.

Perto da Broadway, no caminho para a vila de pescadores, há uma igrejinha.


Um quilômetro e pouco pode não parecer nada, mas em se tratando de Broadway é coisa à beça. Lojinhas de roupa, de artesanatos bacanas, de souvenirs bobos (tem quem goste), imobiliárias, lan houses, salões de beleza, bares e restaurantes de todos os tipos ocupam cada milímetro da rua. Tenho ojeriza à expressão "para todos os gostos e bolsos", mas no fundo ela se aplica bem ao lugar.

A via principal de Canoa tem uns detalhes curiosos, tipo o nome da escola abaixo. Depois, descobri que Zé Melancia é o nome de um pescador e poeta que, de tão respeitado, batiza até uma rua paralela à Broadway. Aqui e aqui, você lê um pouco mais sobre ele.

Essa lan house também é incrível. Ora, se os canoenses têm até a Broadway, por que não poderiam fazer sua própria Beverly Hills?

O nome desse forró também chama a atenção. Me dá a ideia de uma bagunça organizada. :-)


Para o post não ficar muito comprido, faço uma segunda parte da Broadway qualquer hora dessas...

terça-feira, março 17, 2009

A lua lá longe


Acreditem: a foto acima é de uma lua no momento em que nasce atrás das dunas e tem sua imagem refletida nas águas de um pequeno oásis. O cenário é Canoa Quebrada, Ceará. Foi uma visão tão inacreditável que não consegui pensar nem em técnicas de fotografia, em regulagem de máquina nem em nada mais. Deu no que deu: uma foto conceitual, para não dizer horrenda. Depois, fiquei pensando sobre a falta que faz um tripé.

Depois do primeiro clique, voltei ao normal e consegui fazer esses registros.

A lua arrasou naquele dia. Valeu a pena ser picada por uns 17 mosquitos ao mesmo tempo só para conseguir fotografá-la. Calombos? Imagiiiiiiiiina. Quase nada.

Terminei a sessão dando vivas e mais vivas ao zoom ótico (10x) da máquina. Zoom ótico é tudo, minha gente. Amanhã eu mostro a Broadway de Canoa pra vocês. Beijos!

segunda-feira, março 16, 2009

Depois da onda pesada, a onda zen


Será que é preciso contar a história? Bom, vamos lá. :-) Canoa Quebrada, Ceará, começou a virar destino de viagem lá pela década de 1970, quando uns hippies atravessaram a pé umas dunas enormes e se deram conta de que, aê, o visual de lá dava um transe místico.


Antes disso, o lugar era um vilarejo de pescadores sem luz elétrica nem nada. Aos poucos, ganhou uma infra bacana (pousadas, restaurantes, comércio, passeios organizados) e uma estrada em estado razoável que a conecta com o resto do estado.


A vila de pescadores continua lá. Foi até filmada para uns episódios de Malhação. A novelinha da Globo, aliás, deu uma euforia em várias pessoas locais. Agora que Canoa Quebrada foi exibida na tevê, pode-se ver na cidadezinha a jangada que apareceu na Malhação, a barraca de praia da Malhação, o parapente da Malhação, etc., etc., etc. Dá para se divertir observando isso.


A lua e a estrela, símbolos de Canoa (que tiveram origem no desenho que um paquistanês fez durante os anos 70), também foram devidamente registrados para a tevê. Este, da foto, é o original. Ao longo da praia, dá para ver umas duas ou três reproduções nas pedras das falésias.


O canto onde fica essa escultura é supervisitado por bugueiros e turistas. Mas, tirando a obra de arte, esse pedaço de praia nem é tão espetacular. Achei com cara de malcuidado. Melhor andar em direção às barracas Lazy Days (a da Malhação, hehe) e do Casqueiro (também conhecida como Barraca do Símbolo). Perto dali, uns recifes de corais deixam a água com ondas bem calmas. Uma delícia para nadar.




Esse pedaço de mar (foto acima) fica perto da vila dos pescadores. Outro lugar bom para ir é depois do restaurante Bom Motivo. Dali em diante, a praia é praticamente sua. São quilômetros e quilômetros de areia branquinha e quase ninguém por perto. Sensacional. Vale avisar que, por lá, o mar é mais agitado e tem correnteza forte. Melhor ir de manhã cedo, na maré baixa.

Essa duna onde a galera faz aerobunda e esquibunda fica fora da cidade. É preciso descolar um passeio de buggy, o que é facílimo: basta procurar alguém da associação de motoristas. Eles ficam no centro da cidade (a Broadway) com suas camisetinhas brancas de manga azul.


Me amarro muito nessa foto aí de cima, tirada durante o passeio nas dunas. Acho que foi a mais legal que fiz na viagem.

Essa foi feita no mesmo passeio. Nada como ter máquina com um superzoom ótico. Esse cara estava longe à beça, caminhando sozinho, sabe-se lá para onde.

Tenho fotos de lua nascendo nas dunas e fotos da Broadway. O que coloco no ar amanhã? Mande um comentário e ajude-me a decidir. Bjo! :-)
Esqueci de dizer: o título deste post vem de uma música de Seu Jorge (do ótimo disco América Brasil, de 2007) mais do que adequada para lembrar de um lugar legal assim.