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segunda-feira, julho 20, 2009

O Menino das Pinturas

Desde que voltei de férias, há um mês e pouco, venho me prometendo fazer e colocar no blog uma entrevista incrível com um cara de Granada, Espanha, cujo apelido é El Niño de Las Pinturas. O nome de batismo é Raúl Ruiz, mas acho que ninguém o chama dessa forma.

Não há como não andar pela cidade andaluza sem prestar atenção em seu trabalho colorido e extremamente realista, que retrata gente de lá mesmo de uma forma muito poética.


O problema é que a agenda apertou demais desde que voltei e não tive tempo para fazer aquele trabalho básico de apuração e elaboração de perguntas. Quando o tempo permite, já estou tão sem paciência para coisas com jeito profissional que acabo deixando tudo de lado. Argh.

Como não quero deixar de compartilhar essa descoberta, coloco essas fotos no ar e umas informações que fiquei sabendo sobre o cara.


A mais impactante delas diz respeito à recepção que o trabalho dele tem na própria cidade de Granada. Os turistas, por exemplo, amam. Tanto que é superfácil achar fotografias (feitas por viajantes) dos trabalhos de El Niño pela internet.

Muitos granadinos adoram-no também. Ajudaram a fazer com que sua criação conseguisse ir além das ruas. Vi, por exemplo, sorveterias, pizzarias e lojas de roupa cujas portas e paredes internas eram decoradas com os grafites feitos pelo artista.

A prefeitura da cidade, por sua vez, é acusada por ele de fazer um jogo ambíguo. Ora premia, como fez em 2002, ora aplica multas por depredação urbana. Uma das mais recentes é relativa a um muro enorme, do lado de fora de uma escola no bairro de Realejo (abaixo), que há anos está sendo trabalhado por ele e um coletivo de grafiteiros com a autorização das donas da escola. Muito bizarro isso.


Para discutir esse e outros conflitos -- que, afinal, devem se repetir entre as pessoas que fazem arte urbana no resto do mundo --, El Niño lançou um manifesto que pode ser lido aqui.

domingo, junho 14, 2009

O que realmente interessa

Esses dias, pensei o seguinte: eu fico falando aqui de coisas pretensamente engraçadinhas do sul da Espanha - tipo o burro táxi de Granada e os distribuidores de abraços grátis em Málaga - e me esqueço de mostrar por que me apaixonei pelas ruas das cidades andaluzas, pelos palácios que os árabes ergueram e por outras coisas de que turistas normais gostam.

Daí que resolvi fazer uma galeria para fechar (por ora) a minha falação sobre a Andaluzia e começar a mostrar outras paragens. Espero que gostem.

Um prédio tipicamente andaluz refletido num parabrisas. Bairro de Santa Cruz, Sevilla.

A Catedral de Sevilla, cuja construção começou no início do século 15, não deixa ninguém ter dúvida do poderio da igreja católica naquele tempo.

Casinha linda no Albaycín, o bairro árabe de Granada. Ótimo lugar para quem sonha em comprar um imóvel, já que há várias casas decrépitas esperando por reformas ou já sendo reconstruídas. Só não se pode ter medo de subir morro (e ter carro por lá não é uma opção sábia).

Uma das 14.182 (estou chutando o número) paredes maravilhosas na Alhambra, a "fortaleza vermelha" que um dia serviu de morada para a corte real de Granada. O lugar é tão bonito que merecia um blog só para ele.

O porto de Málaga visto de uma das sacadas do Castillo de Gibralfaro, que pertenceu aos mouros e ao qual se tem acesso depois de, claro, subir um supermorro.

Málaga num dia maravilhoso. Bom fim de domingo!

sábado, junho 13, 2009

Abraços grátis

A Calle Laríos, em Málaga, abriga o calçadão mais chique e muvucado da cidade.

Chique porque seu piso é feito de mármore, meu bem. Már-mo-re. Diariamente, de madrugada, máquinas incríveis de limpeza (pertencentes à prefeitura) vão lá dar um trato no chão. Lavam, fazem polimento (não sei se é permitido polir mármore, estou chutando, rsrsrsrs), secam, etc.

Muvucado porque a quantidade de gente que passa por lá é inacreditável. Trabalhadores comuns. Turistas. Malucos. Pedintes. Artistas de rua (tipo o homem-jornal, na foto abaixo, que não ficou muito boa). Arrecadadores de dinheiro para a ONU. Distribuidores de abraços grátis. E por aí vai.

Como a rua é supercentral, impossível não passar por ela algumas vezes por dia. O legal é que a paisagem sempre muda. Sempre vai ter uma figura que obriga a gente a fazer uma foto.

quinta-feira, junho 11, 2009

Burro Táxi

Já tinha visto moto táxis e bici táxis, mas burro táxi era uma novidade para mim, ser urbanóide, até visitar o centro histórico de Granada.


Adoraria comprovar a existência do serviço, mas não consegui e continuo no escuro. Não vi nenhum burro em ação na cidade. Também não tinha como ligar para os telefones acima. Agora, neste momento, tento acessar o site mostrado na foto e ele simplesmente não funciona. O domínio está inclusive à venda.


Seria isso simplesmente um grafismo de parede, como tantos outros que existem em Granada? Tipo assim, algo feito somente para atrair e divertir fotógrafos e blogueiros dados a surrealidade?


Não pode ser. Encontrei esta matéria de 2004 do Telegraph sobre o serviço. Segundo a reportagem, a Burro Táxi constitui (constituía?) a melhor forma de andar pelas ruas de pedra do centro histórico e subir a bairros altos, como Albaycín (o bairro árabe) e Sacromonte (o antigo reduto dos ciganos).


Não que os burricos fizessem corridas normais, como as de táxi. A idéia era que os bichos conduzissem os turistas em passeios de uma hora por lugares bacanas.


O site apresentado pela matéria, http://www.burrotaxi.com/, também não aparece para mim de jeito nenhum. Se bem que a minha internet está cheia de frescuras no momento.


O que terá acontecido com a empresa?


Teria se transformado em mais uma das empresas espanholas tragadas pela crise econômica mundial? Ou extintas pela necessidade/paranóia de exercícios e emagrecimento que cada vez mais toma conta das pessoas?


(Me explico: para queimar todas as calorias ingeridas numa viagem a Granada, é preciso deixar de lado o burro e subir a pé os morros da cidade.)


Não saber a resposta me deixa numa agonia danada.

terça-feira, junho 09, 2009

Coca-Cola andaluza


Granada, Andalucía, maio de 2009.

Alguém sabe por que diabos o Blogger insiste em colocar na vertical uma foto que é horizontal?

Agradeço antecipadamente. Beijos.

Update! Finalmente consegui colocar a foto na horizontal. A solução não era mexer com o HTML, e sim compactar a imagem original, que era gigantesca.

Deixa eu aproveitar e acrescentar umas coisinhas.

O estilo dessa placa busca inspiração na arte feita pelos árabes muçulmanos que viveram na Andalucía durante uns oito séculos.

Depois que os cristãos reconquistaram a Península Ibérica, muitos desses árabes ainda permaneceram na região e foram apelidados de mudéjares ("aqueles que puderam ficar devido a um acordo", numa tradução bem livre).

Mudéjar também é o nome do estilo de arte e arquitetura praticado por esse povo. Entre suas características, estão os resultados belíssimos conseguidos com o uso de materiais muito baratos, como azulejos, madeira e pedras.

Os grafismos rebuscados (que a gente vê na placa da Coca-Cola) são igualmente inconfundíveis.

segunda-feira, junho 08, 2009

A crise entrou pela janela

Quem acompanha bastante o noticiário econômico sabe que a recente crise econômica mundial pegou a Espanha de jeito. O Produto Interno Bruto do país encolheu consideravelmente. Muitas pessoas (1,14 milhão, segundo li aqui) perderam seus empregos no último ano.

Vários imigrantes que antes conseguiam viver com um conforto razoável no país e ainda mandar um dinheirinho para casa agora mal chegam ao fim do mês. Numa reportagem de tevê, vi vários deles falando em voltar para as terras de origem.

Dá para observar outras evidências da crise no cotidiano das pessoas.

Na rua, folhetos de propaganda anunciam investimentos e cursos que prometem transformar o investidor/aluno em uma dessas pessoas que não só vão sobreviver ao caos como também ficar ricas enquanto as outras penam. Que medo!!!!

Nos cardápios dos restaurantes, bares e lanchonetes, pipocam menus e produtos rotulados de "anticrise". Geralmente, são combinações de entrada + prato ou prato + sobremesa por um preço menor. Ou pode ser também um produto único oferecido a um valor mais baixo.

Nos hotéis, dá para conseguir umas ofertas legais.

E, numa galeria de arte no centro de Sevilla, vários criadores aproveitaram para manifestar-se sobre o momento difícil da economia. As três fotos que ilustram esse post mostram um pouco dessas, digamos, obras. O resultado não é exatamente belo, mas merece o registro pela franqueza e pela irreverência.

Meu cartaz preferido é o que está a seguir: "Compre um dos meus quadros. Ou convide-me para comer um sanduichinho". Humor total.

Os textos da foto abaixo são mais rasgados. Na cartolina rosa, lê-se "Nos deixamos enganar. Aproveite você também". Em outro, "Arte + crise = fome".

domingo, junho 07, 2009

Querida, cheguei



Galera, estou de volta ao Brasil e às postagens diárias do blog. Vou começar a sessão fotográfica com três imagens de Sevilla: laranjas, loja de instrumentos musicais no bairro de Santa Cruz (ex-gueto judeu e atual reduto da balada e da gastronomia) e teto dos Reales Alcázares (misto de fortaleza e palácio supercomum nas cidades espanholas antigamente ocupadas pelos árabes).
Quem ler as postagens mais antigas verá que também coloquei as fotos que prometi há alguns dias...
Beijos!

sábado, junho 06, 2009

Só um mês?

O próximo post que escreverei aqui já será feito no Brasil.

É, estar aqui foi bom, mas preciso voltar. Fiquei aqui por quase 30 dias, que valeram por uns 200, tamanha a quantidade de coisas que fiz, vi e fotografei.

Por falar em fotos, me aguentem. Vou encher esse blog de imagens assim que ligar o computador aí do outro lado do oceano.

quarta-feira, maio 20, 2009

Málaga é minha

Decidi uma coisa ontem: no dia em que eu ficar rica, bem rica, mas muito rica mesmo, nao vou gastar meu rico dinheirinho comprando apartamento em Brasília. Vou logo é pra Málaga, aqui na Espanha, onde as opcoes sao infinitas (predios simples e fofos, casinhas incríveis, minicondomínios interessantes e por aí vai), as ruas sao maravilhosas e a comida... uh, loucura.

Antes de vir, fiquei bem em dúvida se nao seria exagero passar tres dias inteiros aqui, se nao faltariam coisas para fazer, etc. Agora tenho certeza que dava para ficar um pouco mais. Vou embora amanha já morrendo de saudade e com vários programas pendentes. Nao so os monumentos básicos, mas também lojas, barzinhos, restaurantes que parecem bacanas e que nao saberei se sao de verdade.

A terra de Pablo Picasso é fera demais.

Hoje resolvi dar um descanso pros pes (destruídos) e vim passar meio dia na praia. Em termos de beleza, uma bobagem. A praia mais feia daí do Brasil é mais bonita do que a daqui. Mas o dia estava quentaco (e nem é verao ainda) e a fauna que se ve é fantástica. Tiozoes tomando sol de calca jeans, mocas de todos os tipos e tamanhos, criancas, galera jogando frescobol, cada um muito na sua, à vontade.

Li um jornal quase inteiro, observei pessoas e até ensaiei entrar no mar (calmíssimo, quase uma piscina), mas o Mediterraneo é gelado. Pelo menos para mim, que sou brasileira. Porque havia uma galera nadando tranquilamente. Tomei sol pacas, mas de protetor 50, porque nao dei a sorte de nascer mulata malemolente, rsrsrsrs. Quem sabe na próxima vida, né?

Beijos.

domingo, maio 17, 2009

Vai um banho quente aí?

Se um dia vier a Granada, separe um dia para visitar um baño árabe. É programa de turista, mas vale tanto a pena, voce vai ver só.

A água é algo essencial nas culturas árabe e muculmana, que ainda estao fortemente presentes em Granada. Faz parte dos ritos de purificacao, de partes belissimas de diversas construcoes historicas (como a Alhambra) e permeia diversas práticas sociais do dia-a-dia. A ida ao baño, entao, é uma festa que comecou há séculos, com os povos que viveram durante um tempao na Andalucía, e continua hoje, com os milhares de viajantes que chegam por aqui.

O esquema é o seguinte: escolha o seu baño (fomos ao Hammam, na Calle Santa Ana, 16, um pouco acima do escritório de turismo) e reserve um horário. Quando o dia de voltar lá chegar, coloque na bolsa um biquíni, maio ou sunga. É tudo o que voce vai precisar para mergulhar e esquecer da vida em meio a águas de diversas temperaturas. O lugar fornece toalhas e sacolas de plástico para guardar a roupa molhada quando se sai de lá.

Entre as piscinas, há umas bem rasinhas de água quente, onde dá para ficar conversando e relaxando. Outras, mais fundas, tem a água mais fria. A ideia é ficar revezando entre uma e outra, igual crianca, hehehehe, durante um período que pode ser de até duas horas. Entre um banho e outro, admire a arquitetura (sempre incrível, cheia de colunas, azulejos, rebuscados e tetos supertrabalhados), faca uma massagem (recomendo muito), tome uma ducha ou morra de suar na sauna (eu nao dei conta, é quente demais). Esqueci de dizer que o cheiro do lugar é sempre maravilhoso. Ontem, no Hammam, rolava uma especie de incenso de laranja com cravo e canela, tudo muito de bom gosto.

Seja qual for o baño de sua escolha, é importante saber umas regras. Nada de falar ou rir alto. Sapatos, chinelos, celulares, criancas e máquinas fotográficas sao proibidíssimos. Faltar com o decoro, entao, é o equivalente a um pecado mortal.

Outra dica importante: se voce escolher um hotel central aqui em Granada, tente marcar um horário mais próximo ao fim do dia. Eu estou superlonge do centro e escolhi no comeco da tarde porque era um dos poucos que ainda estavam disponíveis e foi sensacional assim mesmo; mas quem consegue ir ao baño a noite sai de lá pronto para voltar rapidamente ao hotel e dormir como um bebe... ou chutar o decoro para bem longe.

Amanha vamos pegar um bus para Málaga, terra natal de Picasso. Torcam para os dias continuarem calorentos por aqui. Besos!

quinta-feira, maio 14, 2009

Ah, Granada

Hoje de manha cedo, eu + senhor-meu-marido saímos de Sevilla num onibus e viemos para Granada. Estava na maior expectativa, porque achei Sevilla a cidade mais linda do mundo (sério mesmo, de verdade, dá vontade de morar lá) e sempre ouvi maravilhas sobre Granada. Maravilhas ditas por gente da mais alta confianca, que a descreveu nao como um lugar qualquer, mas como um transe místico em forma de cidade, saca?

Pois é. Cheguei aqui bem na hora da siesta coletiva (umas 14h30, 15h), com o tempo meio cinza e com fome. Nosso hotel é longe do centro e, no caminho, vimos umas áreas meio feiosas. Quando finalmente chegamos ao coracao de Granada, tudo estava fechado (culpa da siesta). Só restavam os restaurantes com cara de roubada de turista. Oh, odeio Granada.

Mas Deus é ótimo e máximo e pos no nosso caminho uma mistura entre bar e pub com donos simpáticos (coisa meio rara por aqui) e comida farta e gostosa. No que a refeicao acabou, o sol voltou a brilhar de novo. Agendamos um programao para sábado (conto no próximo post) e fomos morro acima pelo Albaicín, um bairro árabe que está sendo reformado aos poucos para ficar ainda mais lindo.

Pensem em casinhas brancas com muitas flores, azulejos árabes aos milhares e várias ruínas. Há muitas casas decrépitas sendo postas abaixo para dar lugar a construcoes fofas. Enquanto elas nao ficam prontas, grafiteiros craques fazem uns desenhos maravilhosos nos muros. Desnecessário dizer que tirei um milhao de fotos.

Já voltei ao centro para poder dar notícias aqui e no e-mail. Mas antes disso desci uma ladeira enorme e cheirosíssima, cheia de casas de chá e lojas de artes maravilhosas, tudo árabe, claro. O tempo continua muito bom. Sao quase 20h e rola um solzao.

Assim fica fácil gostar de Granada.

terça-feira, maio 12, 2009

Flamenco, etc.

Qual é o melhor lugar de Sevilla para ver flamenco? Mesmo com todas as pesquisas que fiz naquela prestigiosa ferramenta de busca na web, nao foi muito fácil de descobrir. Em compensacao, deu para entender exatamente aonde nao ir. Lugares com jantar e show, por exemplo, sao as piores roubadas de turista! Principalmente casas como a La Carbonería e o El Arenal, cujos panfletos estao pela cidade inteira.

Também fiquei sabendo da existencia de um lugar chamado Casa de La Memória Sefardi, no Bairro Santa Cruz, ex-gueto judeu de Sevilla, onde vi um espetaculo lindao ontem. No meio de um pátio andaluz, uma guitarra, um cantador e um casal de irmaos bailarinos deixaram a galera babando. Especialmente o menino.

Homem dancando flamenco é muito lindo. Pais, matriculem seus filhos. Vcs verao o sucesso que eles vao fazer com a mulherada. Quando o moleque entrou em cena, quem estava torto se endireitou. Quem estava sentado num lugar mais ou menos ficou de pé. Nunca tinha visto algo do genero.

Se alguém aí resolver vir para cá um dia, deixo umas dicas fundamentais. Comprem ingresso assim que chegarem, porque eles acabam rápido. E nada de chegar 15 minutos antes do show, como recomenda a moca da bilheteria. Venham logo com uns 40 minutos, porque o lugar é pequenininho e lota de verdade. Mas vale muito a pena.

Agora vou nessa... cacar um lugar para jantar. Já passou das 22h e só agora há pouco o dia escureceu. Besos, besos.

domingo, maio 10, 2009

Onde a Espanha é mais espanhola

Fiquei com um medinho de dizer que viria para a Espanha porque as notícias que se ve (o teclado daqui nao tem circunflexo, cedilha nem til, sorry) de vez em quando sobre a deportacao de brasileiros sao sempre trash. Já pensou se eu anuncio toda feliz e depois sou mandada embora sem mais nem menos? Pesadelo, pesadelo, pesadelo.

Mas fiz a imigracao em Lisboa e fiquei so dois segundos cara a cara com o agente, o que foi ótimo. Vim de Brasília a Lisboa e de Lisboa a Sevilla, na Andalucía, num aviaozinho mini, praticamente um teco teco. E finalmente cheguei onde a Espanha é mais espanhola.

Me prometeram que aqui as ruas teriam cheiro de laranja, o que nao é bem verdade. As árvores estao cheinhas, mas ainda nao soltam o seu perfume. Nao tem problema. O que eu vi da cidade até agora é tao bonito, tao charmoso e de bom gosto que eu já estou megassatisfeita.

Sevilla é romantica pra caramba e superfotografavel.

Nos proximos dias eu conto mais aqui. Quando der, coloco fotos tambem. Besos.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

Comer bem por aí - 3

Infelizmente, ninguém procura este blog (ainda) usando as palavras "dicas de viagem" no Google (vou fazer um post esta semana mostrando mais buscas toscas, aguardemmmm). Snif.

Mesmo assim, vou terminar a listinha barceloneta que comecei dois posts atrás. Vejam se não parece tudo gostoso. ;-)

Cacao Sampaka

É uma chocolateria fera que conseguiu agregar vários outros produtos e serviços fofos sem perder a identidade nem a qualidade. Resultado: a qualquer hora do dia em que se vá, sempre haverá uma turminha comprando chocolates ou degustando outras coisas. Todas as palavras do mundo não serão suficientes para descrever o chocolate quente puro oferecido pela loja. Vou ficar com "forte", "aromático" e "sedoso" só para dar uma ideia. Outra loucura é o chocolate branco com rosas. Provem. Na saída da loja, uma plaquinha mostra o quanto os donos estão podendo (ou acham que estão). Nela, se lê: "O cliente sempre nos dá razão". Menos, gente. :-P
Carrer Consell de Cent, 292, Eixample. Aliás, fica perto de uma das unidades do Hostal Martina (na Diputació), que é dispensável...
Outros lugares para ir atrás de chocolates:
Oriol Balaguer e Enric Rovira. Mas esses eu não conheço.


Tapa Tapa
Pela localização e pela frequência, tem todo o jeito de roubada de turista. Mas pode ir sem medo! A comida, o preço e o atendimento são ótimos. E o lugar tem uma coisa que até então era inédita para mim: cardápio no jogo americano (tipo aqueles do McDonald's) todo ilustrado com fotos superesclarecedoras. Precisa mais?
Passeig de Gràcia, 44, esquina com a Consell de Cent; 93-488-33-69.


Tapaç 24

Pertinho do Tapa Tapa, mas com um clima totalmente diferente. Aqui, a maior presença é de locais (o que é bom) que vão lá para fazer almoços no estilo business-engravatado -- o que é ruim, porque o clima é mais formal e, os preços, mais altos até em itens básicos. Eu não desgostei do lugar, mas também não recomendaria.
Carrer Diputació, 269, 934-880-977.
Outros lugares para experimentar tapas:
Paco Meralgo (sacaram o trocadilho infame?) e Sagardi. Não conheci nenhum deles, mas posso dar a dica sobre o segundo: cheguem cedo, muito cedo, ou façam reservas. Do contrário, encontrarão o lugar irremediavelmente tomado.

É isso galera. Para quem ainda não cansou, recomendo esse ótimo post sobre o que não fazer em Barcelona. Beijos!

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Comendo bem por aí - 2

A parte 2 da história dos cartões de restaurante que estão guardados desde maio passado na minha bolsa vai sem foto por um motivo patético: a primeira metade das fotos que fiz da viagem para Barcelona foi para um CD que -- só descobri no Brasil -- estava em branco. Vocês acham que eu fiquei muito ou pouco indignada com a minha falta de checagem? Pois é.

Todas as lindas imagens que fiz da Boquería, do Palau de la Música e de outros tantos lugares e comidas incríveis foram para o limbo, o que me obriga a voltar à cidade um dia para fotografar tudo de novo. Ai, que vida difícil. :-)

Essa viagem serviu para comprovar uma coisa: dicas de viagem ajudam à beça. Mas, no fim das contas, quem sentencia se elas valem a pena ou não é pura e simplesmente o viajante.

O modo como acabei conhecendo o Orígens - La llavor dels (o catalão não é uma língua ótima?), no Bairro do Borne, foi meio torto, mas bacana. A ideia inicialmente era conhecer o Inopia, que fica do outro lado da cidade (Tamarit 104, Eixample Esquerra; 93-424-5231), bar de tapas de Albert Adrià, irmão daquele que é considerado o melhor chef do mundo na atualidade.

Li a dica na revista Viagem & Turismo, da Abril, que elogiou os petiscos clássicos e os preços justos do bar. Quando me vi perto de lá, pensei: é agora!

Cheguei às 19h e o lugar já estava lotado, com seguranças pit-bull e corda na porta. Fiquei esperando com uma galera e vendo que os pit-bulls liberavam a entrada de pessoas que chegavam depois, mas já tinham amigos com mesa lá dentro.

Pergunto novamente: vocês acham que me indignei muito ou só um pouquinho?

Resolvi procurar alguma coisa legal perto. Não rolou. Aquela banda do bairro é muito residencial. Peguei o metrô até o Raval, outro lugar que me venderam como o paraíso na Terra. Depois de ver uns três bares/restaurantes estranhos e/ou caros, uns 15 açougues islâmicos e uns 22 cabeleireiros indianos, caí fora. (Depois, me lembrei que o lado bom do bairro está perto do Museu de Arte Contemporânea de Barcelona, o Macba).

E me lembrei de uma espécie de praça no Born -- o Passeig del Born -- que reunia uma série de lugares para comer. Foi lá, já com o estômago colado nas costas e os pés cansados, que achei o Orígens e descobri que o fair trade, o comércio sustentável, a valorização dos produtores e dos produtos locais (ou pelo menos a propaganda de tudo isso) é uma tendência irreversível na gastronomia. O cardápio é bem mais extenso do que os que estamos acostumados a ver porque permite saber a história e as propriedades de cada um dos ingredientes usados nas receitas.

Não lembro de tudo que comi -- só de um creme de aspargos, para falar a verdade -- mas achei tudo gostoso e muito bem-feito. Ou teria sido a fome a responsável pelo meu encanto? Ah, acho que não. O negócio é bom mesmo. E os preços e serviços não decepcionam.

ORÍGENS - LA LLAVOR DELS
Passeig del Born, 4, Barcelona; 93-295-66-90. Diariamente, das 12h30 à 1h. Metrô: linha 4.

Vou fazer uma parte 3 desse post porque, ao tentar lembrar qual era mesmo o nome do bar do Adrià, descobri um milhão de lugares para recomendar e desaconselhar. Isso, claro, se ninguém aí estiver de saco cheio de histórias de viagem. ;-)

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Comer bem por aí - 1



Descobri que há meses venho carregando na minha bolsa verde (do trabalho) dois cartões de bares /restaurantes das últimas férias.
Decidi que eles seriam os temas dos posts de hoje e de amanhã. Um sobre Madri e o outro sobre Barcelona, que tal?
O primeiro cartão é do Mesón del Champiñon, na capital espanhola. Curiosamente, ele fica perto -- ao mesmo tempo -- de uma região com várias roubadas gastro-turísticas e de outra com várias coisinhas interessantes. A região das roubadas é a Plaza Mayor. Nunca tente achar nada legal por lá. Tá na cara que é tudo estranho. E a das coisinhas legais é a Cava de San Miguel (o lugar que conheci fica no número 17; 91-559-6790), que reúne ainda mais bares de tapas. Me lembro em particular do Mesón de La Tortilla (no número 15), onde teria ido se tivesse sobrado tempo (e bucho, hehe).
Trata-se de um lugar simples, mas que oferece um dos petiscos mais Iloveyou que já provei: cogumelos grelhados com azeite, salsinha e sal. Os cabos dos champignons são cortados para dar lugar a um pedacinho de presunto cru. Não lembro quanto paguei, mas não era caro e a porção tinha um bom tamanho. Gostei tanto que deve ter sido por isso que guardei o cartão até hoje na bolsa. Se você tem viagem marcada para Madrid, vá. Esqueça a frescura -- você vai ficar de pé, com uma galera em volta e um cheiro de cigarro -- e veja se é bom ou não é.
Não tirei fotos, mas achei essas daqui, que servem para tentar aqueles que se perguntam se comem ou se tomam água e mexem os dedinhos até a fome passar. :-)
Outro lugar fera é a Sidrería El Tigre (Calle de las Infantas, 30, Chueca), onde fui parar depois de uma viagem malsucedida -- queria ir ao Bocaíto, perto dali, para comer o que me venderam como as tapas favoritas de Pedro Almodóvar e encontrei o lugar fechado. Quer dizer, malsucedida o cacete. O lugar é sensacional. Oferece opções para os mais e os menos durangos.
Os mais pedem uma cerveja e ganham um petisco sem pagar um euro extra. Os menos pedem uma cerveja ou uma sidra tirada na serpentina (deliciosa, nada a ver com Cereser) e o cardápio, que é cheio de coisas fofas. A variedade de queijos, frios e tortillas, tudo perfeito, chama a atenção. Mais uma vez, come-se de pé, em meio a frequentadores totalmente locais. Não repare no chão cheio de guardanapos. Bar de tapas e lata de lixo são dois conceitos que, aparentemente, ainda não se encontraram.
Na rua em frente à Sidrería, ainda há um restaurante italiano legal para quem quiser variar entre um petisco e outro. Esqueci o nome, mas não é difícil de achar.
Outras dicas que sei de cabeça:
- Museo del Jamón: estão espalhados por Madrid. Encontre o mais perto do seu hotel aqui.
- Rua Caballero de Gracia, perto da Gran Vía: impossível falar de um lugar só nesta rua. A partir do Frescco (um lugar bom para quando o corpo pedir vegetais folhosos), existe uma infinidade de restaurantes de vários estilos, inclusive um contemporâneo excelente, barato e com serviço rápido, cujo nome me esqueci (juro!), mas é só procurar pelos garçons com jeito de filipinos que você acha. Também fui numa baladinha ótima, ou que pelo menos costumava ser assim, nessa rua. Mais detalhes aqui.
É isso, minha gente.
Na falta de uma imagem de algum dos lugares acima, usei a foto que tirei num bar/restaurante fera em Toledo, a uma hora e pouco de Madri. Se chama Alfileritos 24, fica na rua de mesmo nome e é também fantástico. Beijos.