Não um filme italiano barulhento e dramático, desses do neo-realismo, mas um chinês tipo Wong Kar-Wai: lento, contemplativo, com fotografia vermelha e delicada e um elenco formado por finíssimas moças de coque, todas de vestidinhos típicos.
Essas moças circulam de modo silencioso pelo salão, dando sorrisinhos e se comunicando com os clientes numa língua que não é nem italiano nem inglês nem #$%¨&¨%$# nenhuma. Mas, curiosamente, ninguém se desentende e nenhum pedido vem errado. Um espetáculo.
É engraçado encher o bucho com pratos chineses quando se está na terra da pizza, do gnocchi, dos raviólis e das receitas que apenas as nonnas preparam com perfeição. Mas o Giada é absurdamente barato -- não só para os padrões venezianos --, bem-servido e sem frescuras, e tem dias em que o indivíduo precisa disso e nada mais, né não?
Se a gente pudesse se comunicar em alguma língua formalmente estabelecida, eu adoraria perguntar às meninas quem, afinal, são elas e como foram parar ali. Fiquei torcendo para que a moradia delas NÃO fosse o depósito do prédio em frente, onde o gerente ia de tempos em tempos para abrir uma porta minúscula e sair com mercadorias.
O que essas meninas fazem quando o turno acaba? Será que elas já querem ir embora da cidade? Será que também elas não aguentam mais os turistas? Depois de dominar o mundo, será que os chineses também têm planos de conquistar Veneza?
Saí de lá com a cabeça cheia de perguntas (e a barriga, de dim sums).
Antes que eu me esqueça: ele fica na Calle del Botteri, 1659, San Polo. Se você conseguir encontrar o lugar -- é fácil se perder na cidade, porque as ruas são labirínticas, podem ter mais de um nome e nenhum mapa pequeno consegue reproduzir cada uma delas --, vá sem medo.
O Frulalà é muito divertido. Durante o dia, os meninos -- estudantes estrangeiros animadíssimos, com um inglês perfeito -- servem suquinhos, bons para quem estiver em hotel que não sirva café da manhã. À noite, o lugar vira uma balada, e as receitas saudáveis dão lugar aos ótimos drink (assim mesmo, com a concordância errada, rsrsrs). Tem dois endereços em Veneza: Cannaregio, nos números 5620 e 2227.
O ProntoPesce, na Pescheria Rialto San Polo, 319, começou como rotisseria e, com o tempo, adaptou-se para receber (bem) também aqueles que queriam comer no local. Os pratos, como o próprio nome do lugar diz, têm um peixinho ou algo vindo do mar. Tudo muito gostoso. Se você der sorte, ainda pode experimentar o prato do dia no momento em que ele sai da cozinha -- eu não pude porque tinha de pegar o trem para ir embora. Mas quero voltar lá.
O La Bottega del Caffè, fundado em 1750, tem um torrone que me fez perder a linha. E mais não direi! Fica no número 4819 da San Marco.
Finalmente, o melhor pedaço de pizza do Universo (ok, é só o melhor de Veneza) é servido na SanSovino, na Calle Zaguri (ou San Marco 2628). Elas saem do forno a toda hora e são supercheirosas. Se você não achar... bom, fica numa rua estreita e lotada, perto de uma pontezinha... e de um pequeno canal com umas gôndolas também. HAHAHAHAHA.
Feliz 2012 para todo mundo! Beijos.


















