quarta-feira, janeiro 14, 2009
Em instantes...
terça-feira, janeiro 13, 2009
Arnica
— Por que o seu prato tem vagem, cenoura, abóbora e frango? — perguntou ela, num muxoxo.
— Porque sou mais velho e melhor — retrucou o jovem.
— Você acha bonito ser assim, mala sem alça desse jeito? — respondeu ela, quase rindo.
— Tô de sacanagem, pô. Tá tudo na assadeira, dentro do forno — disse ele, de boca cheia.
— Ah, bom. Só tinha visto arroz, feijão e couve no fogão.
O quase riso diante da falsa canalhice do irmão mais velho não é qualquer bobagem. É o primeiro esboço de algum senso de humor depois de 11 semanas e dois dias perfeitamente riscáveis do calendário. Esse foi o intervalo de tempo entre o dia em que o (agora ex) namorado de Érika foi embora da cidade e o dia do almoço composto por arroz, feijão, couve refogada, frango e legumes assados.
Onze semanas e 48 horas antes, o moço havia ido para Salvador depois de aceitar uma proposta de trabalho. Desde então, nunca mandou uma carta, cartão-postal, e-mail, mensagem de MSN, scrap de Orkut, nada. Tampouco respondeu aos muitos apelos da garota. Atendeu a um telefonema uma vez, para dizer: “Daqui a pouco, te ligo de volta”. Nunca mais. Depois de oito meses de namoro, sem motivo aparente, transformou um coração de 21 anos em purê. Palhaço.
O desdobramento da história foi mais ou menos assim: desde então, a moça chora, chora, chora, come chocolate, chora, pergunta o que fez de errado, chora, busca respostas no I ching online, chora, demora para completar as listas de exercícios da faculdade, chora mais, tem dificuldade para dormir e para acordar (um dia sim, o outro também), chora, pede colo de mãe e chora. Desistiu de procurar o boçal, mas ainda não deixou de parar de pensar na história. Pelo menos, já conseguiu esboçar um risinho.
Uma hora depois, pegou a linha que leva da W3 Norte à Esplanada. Achou um lugar perto da janela. Encostou a cabeça no vidro e não agüentou. Capotou por sabe lá quantos minutos. Acordou num pulo, com algo vagamente parecido com um bicho caindo no seu colo. Abriu os olhos e viu que, na verdade, o tal bicho era um vegetal.
— É a arniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiica. Cura dor de cabeça, dor na mão, dor no pé, dor nas costas, febre alta, ferida aberta. É arniiiiiiica, minha gente — gritava o homem de voz bêbada, enquanto jogava raízes da planta para os passageiros pegarem — Vocês podem levar, mas agradeço qualquer contribuição que puderem dar — continuou.
— Puta que o pariu. Enfia essa arnica no cu, meu filho— murmurou a moça (boca suja, ela, não?).
Ela olhou em volta e viu que já havia passado a hora de sair do ônibus. Devia ter descido duas paradas antes. Vejam bem: devia. Porque querer, ela não queria era nada. Nada de andar de ônibus, nada de estágio em help desk de ministério, nada de nada. Queria era sumir.
Catou a bolsa, o galho de arnica e desceu. O tempo tinha virado em questão de minutos e uma chuva grossa caía no centro da cidade. Érika pisou na calçada. Molhou os sapatos, as meias e a barra das calças. Pensou no tanto que teria que andar até o trabalho (ainda bem que não estava atrasada) e deu um suspiro. Respirou fundo de novo. O olho se encheu de lágrimas.
— Bosta de vida — pensou, enquanto abria a sombrinha guardada na bolsa.
Assim que achou a primeira lata de lixo, foi lá e jogou fora o pedaço de arnica. Pensou que, para aplacar o que sentia, não bastava só uma raiz. Nem uma planta completa. Nem um jardim inteiro.
segunda-feira, janeiro 12, 2009
Lorena
Conseguir a passagem para a Disney e o cabelão da Anahí é um pouco mais difícil. Minha mãe já pediu desculpas por não poder me mandar para lá neste ano, nem no ano que vem e, talvez, nem no ano que vem que vem. Mas eu sei que vou ter a vida inteira para ir. Minha vontade é de abraçar o Mickey até um enjoar da cara do outro. Até lá, sei que também vou ter quem faça meu cabelo todos os dias. A amiga da minha mãe lá do salão de beleza explicou que ninguém acorda como a Anahí, assim, perfeita. Haja baby liss. Não sei se contei que minha mãe é manicure aqui na Asa Norte. Minhas unhas estão garantidas pelo resto da vida. Ontem ela fez essas florzinhas aqui para mim, olha.
O desejo mais fácil de realizar foi o do diário. Ontem eu comprei esse daqui. Acordei cedo, peguei ônibus e fui com uma galera até a Água Mineral para nadar, pegar um sol — aliás, torrar no sol. Nossa, quente demais. Quando todo mundo começou a fritar, a gente veio a pé mesmo no Extra, que é pertinho, porque tem ar-condicionado. Vi uns DVDs que estavam passando nas tevês — um deles, com uma mulher horrorosa, um palito, com um coque ridículo, só a maquiagem salvava. Comprei meu caderno. E o povo fez uma vaquinha para comprar um potão de sorvete napolitano maravilhoso e umas colheres dessas de plástico. A gente saiu, fez uma roda e tomou o sorvete, que derreteu naquele sol. Ficou todo mundo meio lambuzado, com sorvete escorrendo até nos braços, mas eu adorei. Principalmente porque fiquei ao lado do Deco. Ai, maravilhoso.
Escolhi um caderno da Pucca porque ela tem uma coisa que parece comigo: quando está perto do menino que ela gosta, faz uma bobagem atrás da outra, tipo dar porrada nele. Putz, o Deco é perfeito, só o Kaká consegue ser mais perfeito. Mas ele só gosta de jumenta, tipo a menina que ele tá namorando agora. Nunca vi igual. Dois jumentos. Será que ele tem conserto?
Passei o resto do dia ontem me perguntando isso. Depois, anotei tudo num código que inventei para a minha mãe, a minha irmã mais nova e, principalmente, a anta da namorada do Deco, que estuda lá na sala, não ficarem sabendo. Foi um dia bom. Não precisei usar uniforme, nem esperar até a minha mãe ir embora do salão, peguei um bronze, nadei, tomei sorvete, comprei um diário e ainda olhei para o meu gatinho o tempo inteiro. Amanhã tem escola de novo. Não que eu me incomode com ela. Mas todos os dias poderiam ser assim, né não?
domingo, janeiro 11, 2009
Balada
- Vai rolar pegação mais tarde naquela mesa ali. O número de meninos e meninas está igual.
- Verdade... Quatro caras, quatro meninas, todo mundo mais ou menos na mesma idade, todo mundo num grau de beleza parecido...
- Isso é muuuuito importante. Às vezes tem um feiote na roda que acaba com a matemática toda.
- Se ele não tiver uma super-lábia, é claro.
- Pra onde será que eles vão depois?
- Primeiro, vão para um postinho comprar cerveja. Depois, vão para a casa de um dos meninos. Os pais viajaram e tal e eles vão se pegar ali.
- Será que eles vão ficar pelados uns na frente dos outros?
- Ahn... Não. Acho que vão todos ficar com vergonhinha.
As duas riem.
Meia hora e mais uma flûte de espumante depois, reparam na novidade.
- Chegaram mais dois meninos. Ih... A conta não vai mais fechar.
- Pensa pelo lado positivo, ó: alguma delas vai poder ficar com dois caras.
- Sei não. Nenhuma das meninas me parece com cara de inteligente o suficiente para pensar nessa possibilidade.
- Acho que a gente devia ir lá para se apresentar.
- Vai, que eu não vou. Não gostei de nenhum dos dois.
- Tadinhos dos dois, vão passar a noite sozinhos.
- Vão passar a noite sozinhos enquanto os outros se pegam.
- Vão passar a noite sozinhos enquanto os outros se pegam, comendo Cheetos e conversando sobre Wii e Xbox.
- Vão passar a noite sozinhos enquanto os outros se pegam, comendo Cheetos, conversando sobre Wii e Xbox e pensando que não seria mau se eles começassem a se pegar também.
- Ewwwwww!!! Tô fora.
- Esse lugar é derrota. Vamos embora daqui. A fila do Arun vai estar melhor.
As duas andaram até a fila da boate. Lá dentro, dançaram, beberam, encontraram outras amigas, dançaram mais, acabaram com a escova e com a maquiagem. Mas não se enturmaram com nenhum gatinho. Resolveram picar a mula. Afinal, quem fica em boate até o fim da noite corre 100% a mais de risco de ser abordada por alguém nada interessante. Antes de voltarem para casa, no entanto, passaram num postinho para lanchar. E o papo não acaba nunca.
- Bia.
- Fale.
- Não sei se foi por causa da nossa conversa lá no bar, mas me deu uma vontade de comer um Cheetos...
Dois blogs
Nesse mesmo blog, descobri o quadrinista argentino Liniers, que trabalha muuuuito bem. Lá você se diverte com as histórias de Oliverio, Madariaga e a melhor personagem de todos... Olga.
Obs.: tirei da lista alguns blogs/fotologs que estavam sem atualização há mais de seis meses. Se alguém voltar à atividade, me avise, que eu ponho o link de volta com o maior prazer.
sábado, janeiro 10, 2009
Perseguindo a lua cheia
Mais tarde, vi que ela tinha se duplicado. Um fenômeno raro (hehe).
Depois, fechei a janela. Os bichos voadores adoram entrar por estas frestas quando a noite chega.
Música boa
http://www.youtube.com/watch?v=Lvqoqjwfv-c
Não consegui incorporar o vídeo do Youtube ao blog porque a dona dos direitos do vídeo não deixa ninguém fazê-lo. Mas recomendo clicar no link e ouvir. Me faz pensar sobre o que era ser moderno no fim do século 19.
Bom fim de semana a todos! :-)
sexta-feira, janeiro 09, 2009
História de viagem número 3
quinta-feira, janeiro 08, 2009
Dois
Na subida do elevador, ainda pensei: levo-os para a casa de mamãe? Lá, existe mais espaço, mais infra-estrutura. E há a mamãe, que tem uma mão boa para cuidar de seres delicados. Mas, como acordei num dia doido, decidi cuidar dos dois sozinha. Na falta de um lugar melhor, coloquei-os numa cesta linda enorme, de capim dourado, que ganhei de uma amiga no Natal de 2007. Ao que parece, ninguém achou ruim. Nem meu amor, que foi contemplar os bebezinhos quando chegou em casa do trabalho.
Ninguém me ensinou, mas logo vi que a evolução dos meus dois frágeis dependia de um bocado de observação. Do sol e do calor nas horas certas. De alguns toques. De nenhuma pressa. E de zero julgamento: eu fazia idéia de que talvez eles não crescessem como os demais, mas isso não os tornava menos adoráveis. Deliciava-me à medida que ganhavam cor e viço. Os dias passavam.
Num deles, não havia dormido quase nada. Alguém pode pensar: é normal, acontece. Mas acordei com o despertador do celular berrando, quase tão siderada quanto naquela tarde em que saí correndo no asfalto liso de chuva. Lavei os olhos, escovei os dentes e me perguntei o que era aquilo na minha cesta enorme, linda e chiquérrima de capim dourado fair trade. Ah, meu Deus. São aqueles dois.
Tirei-os do berço improvisado e fui direto para a cozinha. Não podiam falar – se pudessem, talvez implorariam para que não fizesse o que fiz. Peguei a primeira faca que achei (uma de serrinha, com cabo azul-escuro) e dividi ao meio a maciez de suas carnes. Dei adeus às peles cheias de cor. E, com os dedos já em contato com seu interior oleoso, arranquei a única parte incapaz de ser processada pelas minhas vísceras. Foi direto para o lixo. O resto conheceu em segundos as lâminas do liquidificador. Dividiu-se grotescamente, espirrando sua substância verde nas paredes da máquina.
Pobres abacatinhos. Encontrei-os ainda bebês na pista de entrada do bloco. Amadureceram. Tiveram seu destino. E o pior é que eu gostei.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Diário da África
Eu já tinha colocado o blog na minha lista aí da direita, mas dar aquela anunciada básica sempre vale a pena. ;-)
terça-feira, janeiro 06, 2009
Fado de jeans e blusinha
Eu tanto li sobre a fadista Carmo Rebelo de Andrade antes de ir a Lisboa que, quando vi uma notinha sobre uma apresentação marcada naquele dia (uma quarta-feira) no restaurante Mesa de Frades, nem tive dúvidas: decidi que aquele seria o meu programa daquela noite. Peguei o maridão pela mão e fui para a Alfama, o bairro mais conhecido pelas casas de fado. O lugar era pequenino, uma graça, e cobrava couvert artístico dentro da média dos bares da região (normalmente, entre 15 e 20 euros; é meio caro para nós, brazucas, mas eu prefiro gastar nisso a comprar souvenirs bobos, por exemplo). Minha pergunta era só a seguinte: sendo chiquito daquele jeito, onde o Mesa ia acomodar a cantora e o grupo instrumental que ia dividir a apresentação com ela?
A gente demorou um pouco a saber a resposta. Deu o horário marcado para a apresentação, 22h. Passaram-se um, dois, cinco, 10, 15, 20, 25 minutos, e nada do negócio começar. Meia hora depois, as portas do lugar foram fechadas e a artista saiu do fundo do restaurante — onde estava com uma galera — para cantar sem microfone em meio às mesas. Nada de coque nem do xale tradicional das fadistas das outras casas. Carminho, como é mais conhecida, chegou de cabelos soltos, calça jeans e blusinha branca. Ela me conquistou mais ou menos pelo mesmo motivo pelo qual acho que vem encantando os que prestam atenção nesse gênero musical. Apesar de nova pra caramba (tem 23 anos, acho), canta intensamente um repertório com letras que falam em paixões dramáticas, abandonos idem e muuuuuuitas lágrimas. É algo que não combina muito com essa nossa geração de afetos cada vez mais fugazes. E, ao mesmo tempo, um descompasso muito legal. :-)
Não sei se o show era meio que para amigos dos músicos (apesar de estar anunciado em jornais, revistas e tal), porque o clima de brodagem era forte. E não necessariamente isso é uma coisa boa. A fadista cantou umas três músicas, voltou para o fundo do restaurante para ficar com a galera e, aí, começou a tocar o grupo instrumental também anunciado para a noite. Desculpem, esqueci o nome. A banda tocou, tocou, tocou e nada da menina voltar. E, quando voltou, apresentou mais umas três composições e não saiu mais da mesa dos brothers! A idéia de pagar 20 euros de couvert por um show assim começou a me dar comichão.
Os instrumentistas encerraram o show. Seria injusta se não dissesse que eles também foram muito bons — mas, pelo que entendi, a atração principal era a cantora.
Acabou a apresentação, aplaudimos, terminamos o vinho (também não me lembro o nome), etc. Chega a hora de pedir a factura. :-) Abrimos a carteirinha de couro cheiroso lentamente, como que para adiar o momento de pagar por aquela mistura de momentos legais com roubadas. Ai, caceta. 20 euros por cabeça.
E… surpresa! Não sei se alguém leu o meu pensamento, se o lugar é uma bagunça, se fomos automaticamente incorporados à ação brodagem de Carminho ou o quê, mas o facto (ops, fato, hehe) é que só foi cobrado o vinho. O melhor é que nem foram muitos euros. Yes!
Deu até para me apaixonar de novo pelo Mesa, pela Carmo e pelo fado.
MESA DE FRADES
Rua dos Remédios, 139-A, Alfama. Reservas: 91-702-94-36. Como o site do lugar ainda é meio capenga (só tem endereço e telefone), recomendo conferir na Time Out Lisboa se Carminho & cia. ainda cantam por lá às segundas e quartas-feiras.
CARMINHO
Esta fã de música brasileira ainda não tem nenhum disco gravado. Mas há um monte de vídeos no YouTube para quem quiser conhecê-la melhor.
Sleepless in Lisbon
- O quê? Como assim, haxixe? – respondi.
- Ele chegou do meu lado e disse: “Olá, quer haxixe?”. Eu respondi: “Não, obrigado”. E agora estou aqui para te contar.
- Caraca, isso é absolutamente surreal. É domingo, são nove da manhã, está chovendo e frio pra cacete. Tem quantas pessoas nessa praça? Umas 10?
Putz, o cara é um obstinado. Deve ter lido aquele livro O Gerente de Vendas Pit-bull -- ou qualquer um desses que ensinam que toda hora é hora, todo lugar é lugar para quem quer vender seu produto. Só assim para achar que um sorridente turista na Praça do Comércio, em Lisboa, é um consumidor em potencial do seu inocente fuminho. E que aquele turista é mala o suficiente para comprar um podruto (sic) nas barbas da polícia enquanto a namorada admira o elefante que adorna a estátua de D. José I.
Devo confessar que nosso primeiro contato com a população local foi engraçado, mas não da maneira que eu esperava. A gente acha que vai chegar do outro lado do Atlântico e se divertir imediatamente com o que eu chamo de a literalidade dos portugueses (que os brasileiros traduzem em incontáveis anedotas). O que me divertiu nessa cidade foram outras coisas. Pequenas coisas. O vocabulário. O visual de certas placas. A começar por uma que eu vi na própria Praça do Comércio. Entendi que é um lugar para comer, mas não tive coragem de ir lá perguntar o que afinal são “farturas e porras” porque imaginei que todos os brasileiros que vão ao Terreiro do Paço (outra denominação para a Praça do Comércio) devem fazer isso. O dono deve odiar.
A Praça do Comércio recebe, até março de 2009, uma feirinha livre sobre a qual eu já tinha lido na Time Out – e que, para ser honesta, me pareceu bem fraquinha (teria sido a manhã de domingo com chuva?). Também abriga um dos restaurantes mais antigos da cidade, o Martinho da Arcada (não fui, não sei se é bom). E ainda é o ponto de partida de um bondinho vermelho fake que leva os turistas a um monte de lugares.
O pior é que eu e meu amor não queríamos ir a lugar nenhum.
Tinha viajado a noite inteira de Brasília a Lisboa. Saí daqui umas 17h30 e cheguei por volta das 6h30 – o que, para o nosso corpitcho de brasileiro, deve ser interpretado como 1h30. Vi um filme, vi dois filmes, li e, dormir que é bom, nada. No máximo, uma horinha e meia. E olha que eu durmo em avião que é uma beleza. Deve ter sido a empolgação de ir tão longe.
Chegamos, passamos pela imigração (fila quilométrica e sem alternativa), compramos Lisboa Card (vale a pena), pegamos o busão e fomos pro hotel. A idéia era tomar um banho e fechar o olho só um pouquinho antes de tomar um café e ir bater perna na rua. Mas o quarto só ia ficar pronto lá pelas 14h. Fer-rou. Fomos tomar um espresso na rua. Na dúvida entre o café muvucado e o calminho, ficamos com o segundo, que é bem OK. O primeiro deles oferecia biscoitinhos incríveis chamados de língua de veado feitos na hora, mas... era muvucado. E quem tem sono tem pressa. Quer cafeína logo, sem ter de enfrentar uma horda de compradores de coisas de padaria.
No mais, o primeiro dia em terras lusas foi... normal. Ofereceram haxixe na Praça do Comércio, um pouco depois a gente vazou dali, andou até o Cais do Sodré, pegou o bonde para a Torre de Belém e fez tudo aquilo que a turistada faz num domingo. Vai à Torre, olha o Mosteiro dos Jerônimos (a visitação dos dois é grátis aos domingos), dá risada com a fila dos Pastéis de Belém, come bacalhau, essas coisas.
Desnecessário dizer que fiquei muito feliz quando vi que, depois de fazer todas essas coisas, o tempo passou rápido e dava para tentar voltar ao hotel. Já passava das 14h.
Pegamos um quarto de fundo, excelente, sem barulho nenhum da rua ou de qualquer outro lugar.
Não lembro qual foi o meu último pensamento entre o momento de tirar a lente de contato e desmaiar.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Manual prático de baladas e afins
Façam o teste: sentem-se à mesa do Beirute ou qualquer bar com muita gente, onde vocês certamente receberão uns 37 panfletos (ops, vamos usar flyers, que é uma palavra muito mais fina) de festas, shows e afins. E leiam com carinho o que está escrito. Não é sempre que eu faço isso – ainda assim, já encontrei pérolas como as que compartilho abaixo...
Mulher liberada / Mulher grátis
Uepa, uepa! Se encontrar essa informação numa filipeta (putz, esqueci! É flyer), não fique assim, animadinho, achando que chegará à festa e encontrará hordas de mulheres saindo de uma gaiola (tipo Gaiola das Popozudas) cheias de amor para dar... de graça. Eu quase estrebuchei quando vi essas palavras unidas dessa forma. Na verdade, o divulgador quer dizer que mulheres têm entrada franca (normalmente, até determinado horário).
Mulher vip
Sim, todos nós sabemos que as mulheres são pessoas muito importantes – portanto, vip. Mas essa informação, quando escrita num panfleto de festa, significa um pouco mais (quer dizer, dita assim, não significa nada). Na verdade, é mais ou menos o mesmo de “mulher liberada”: quer dizer que os seres com cromossomos XX têm entrada grátis no dito evento.
R$ XX (meia mulher)
Você conhece alguma maneira mais bizarra do que essa de dizer que mulher tem meia-entrada no festerê? Eu, não.
Open food
Caros, essa é a pior. Depois de a expressão open bar ganhar o mundo, algum ixxxpertu achou que poderia aplicar a mesma lógica de divulgação às festas em que o ingresso dá direito ao rango. E a praga pegou, pelo menos aqui em Brasília – talvez porque esse negócio de dizer que haverá “comida à vontade” seja coisa de pobre... :-O
(Se alguém lembrar de mais algum lance desses, pode deixar um comentário).
domingo, janeiro 04, 2009
Frase do dia
Ouvida na saída do cinema da Academia de Tênis, hoje à noite. A mocinha de boca suja em questão poderia estar falando de um universo de atrizes -- mas gosto de pensar que ela está comentando a atuação de Penélope Cruz em Fatal.
sexta-feira, janeiro 02, 2009
Kaput
- Que bom que você chegou!
Eu sorri de volta, mas a vontade era mesmo de levantar uma sobrancelha (ah, se eu conseguisse...).
- Está tudo bem? – perguntei.
- Na verdade, mais ou menos. Tem um morcego no seu escritório – ela devolveu.
Ai, meu Deus. Horror. Pânico. Desmaiar ali não era uma alternativa válida. Comecei a me perguntar: que tamanho teria o bicho? Ele estaria pendurado em uma das lâmpadas, como um vampiro de filme?
E levantei o principal questionamento de todos: por que esse tipo de coisa só acontece quando o homem da casa está a quilômetros de distância? Preciso dizer que, nesse dia e em vários outros, só recebi a visita de besouros cascudos, cigarras geneticamente modificadas e de uma única barata voadora quando meu amor estava longe (acabei com quase todos eles). Deve ser uma pegadinha do mundo animal.
Respirei fundo uma vez. Duas. Três. Decidi que ainda não estava preparada para fazer a caçadora de vampiros. Não dizem que os homens têm quatro milhões de neurônios, ou 30% de conexões a mais? É para isso que elas servem, pois: caçar baratas, besouros, cigarras e morcegos. Corri para o interfone. Preciso. De. Um. Homem. Agora.
- Oi, bom dia. É o seguinte: um morcego entrou aqui em casa e sujou o escritório inteiro. Você pode mandar alguém aqui para me ajudar a tirá-lo? – pedi ao porteiro. E, juro, a parte do cocô era de verdade. Não satisfeito em entrar, o bicho fez caquinha no chão do escritório.
- Claro. Já mando um funcionário aí – respondeu o moço da guarita.
Ele chegou dois minutos depois. Um pouco maior do que eu, forte, de poucas palavras e com jeito de quem acha esse negócio de animais nojentos e voadores uma pouca bobagem. Droga, não me lembro do nome do cara.
- Onde ele está?
- No escritório.
Abri a porta e varri o ambiente com os olhos para saber onde o bicho teria se escondido. Não estava pendurado em lugar nenhum. Finalmente achei:
- Ele está deitado no meio da fiação do computador – revelei. Fui depressa buscar luvas e um saco de lixo para o funcionário do bloco recolher o bat-mala.
O homem se agachou. Afastou a fiação com uma mão e, com a outra, agarrou o morcego. Nesse momento, quase pensei em desistir de tudo. Quase ignorei a caquinha espalhada pelo chão de cerâmica branca e deixei-o completar seu sono.
O bicho esticou o pescoço e contraiu os músculos da face para fazer uma cara de sofrimento praticamente humana. Ele entreabriu os olhos e, com dificuldade, murmurou algo em alemão. Não entendi nada. Mein deutsch ist kaput.
- Ponho ele de volta? – quis saber o funcionário, diante da bizarra tentativa de comunicação.
- Não, pode levar embora – sentenciei.
Agradeci ao moço e corri à comercial. Precisava providenciar trajes espaciais, revestidos com chumbo, para que Dora pudesse limpar aquela caca toda sem nenhum risco de contaminação.
Será sempre um mistério o que aquele morcego tentou me dizer naquela manhã luminosa de abril.
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Não sei se o blog vai voltar. Não sei se terei inspiração para tocar um blog como fazia antes. O que importa é que acordei hoje com a veia e resolvi escrever. Fica o registro. Beijos.
quinta-feira, abril 24, 2008
Marcha a ré
Deu marcha a ré a intenção de Eduardo Maya de realizar este ano, em Brasília, o Comida di Buteco, evento que no momento agita Belo Horizonte (o término, chamado Saideira, está previsto para 18 de maio). Uma das razões do adiamento do festival nesta cidade é a realização de outro similar, o Boteco Bohemia, no mês de maio, numa iniciativa da Ambev. Já o Comida di Buteco tem um espectro bem maior, porque seu objetivo é resgatar a culinária típica de raiz, além de vender cerveja.
terça-feira, novembro 21, 2006
Pode chegar, freguesa

Já faz um tempo que eu queria colocar aqui essas fotinhos do Mercado Municipal recém-inaugurado em Brasília. Sim, agora temos um Mercado Municipal :-) Não é grande como o de São Paulo ou o de BH, mas não deixa de ser um passeio divertido, principalmente para quem gosta de cozinhar. Sem contar que a gente chora de rir (depois que já foi embora) da pseudo-tosquice-falcatrua dos atendentes, que fazem questão de chegar em você como se estivéssemos em um mercadão desses grandes. hehe.
quinta-feira, novembro 09, 2006
Mais uma dica
No Do Tale (www.dotale.com), você preenche um formulário simples, com seu nome e o da pessoa que você quer transformar em notícia. Em seguida, escolhe a "manchete" que vai atribuir à tal pessoa – fulano descobriu que é gay, foi pego em atos indecentes, etc., etc. E aí, dá um clique final e vê a história escolhida se transformar em um site copiado do da CNN, com título, fotinhos e tudo!
Alguns amigos meus, quando descobriram, ficaram num tal de criar página para dizer que o outro era gay (coisa de menino de 5ª série, hehe)... e o pior é que a página fica tão perfeita que não há como não cair na risada.
Uma dica
(A dica é da Fernanda Velloso, outra xereta em tempo integral)
segunda-feira, novembro 06, 2006
Deu no NYT

sexta-feira, novembro 03, 2006
Aura

quinta-feira, novembro 02, 2006
Brasil brasileiro


Há uns dias, estava meio sem idéias para escrever no blog – quando me deparei com este ótimo texto de Ricardo Calil no site No Mínimo, um dos meus preferidos. Ele discute o livro O Brasil dos gringos: imagens do Brasil no cinema e o documentário Olhar estrangeiro à luz de um filme que está para estrear: Turistas, sobre um grupo de mochileiros que passa por sérios perrengues em terras tupiniquins. E aborda, ainda, diversos outros filmes que têm as nossas paisagens como cenário, embora suas tramas limitem o Brasil ao trinômio carnaval-sexo-Amazônia (e variantes).
O tiozão-mor
quarta-feira, novembro 01, 2006
Bom feriadão!

domingo, outubro 29, 2006
Frase do dia
(De uma moça não-identificada na escola onde eu fui votar)
Obcecada por espirais



Hoje à tarde faltou luz em um dos pavilhões do CCBB e não consegui ver Ascension, obra que deu nome à exposição de Anish Kapoor no distinto local. Por isso, elegi como peças preferidas as de espelhos côncavos e convexos, que sempre produzem umas imagens muito doidas (me fazem lembrar de Uzumaki, a louquésima história em quadrinhos em que a população de uma cidade inteira é arrebatada por espirais).
sexta-feira, outubro 27, 2006
Chove em Brasília
Boa noite a todos :-)
quinta-feira, outubro 26, 2006
To do list
Exigências da vida moderna (quem agüenta tudo isso??)
Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C.
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).
Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra.
Muita, muitíssima fibra.
Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito.
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo.
Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução.
Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação.
Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!!
Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos e seus pais.
Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal...
Tchau....
quarta-feira, outubro 25, 2006
Bom dia!
terça-feira, outubro 24, 2006
Dois filmes

segunda-feira, outubro 23, 2006
Horror e pânico
Recebi dia desses, lá no jornal, um disquinho que me pareceu muito bacana: Contos, cantos e acalantos, da Biscoito Fino (oba!), com produção musical do Tim Rescala, vocais de José Mauro Brant e participações especiais de Bia Bedran (que eu amo), Mônica Salmaso (idem) e Soraya Ravenle (quem?). A proposta, diz a contracapa do álbum, é fazer "uma aventura musical pelo folclore brasileiro". A capa era linda, o livreto também, ou seja, tudo para ser uma graça! Pensei: "vou propor uma matéria, fazer umas entrevistas fantásticas com esse povo, etc., etc.".
Quando começo a ouvir a música, no entanto, dei um passo para trás. A primeira diz assim: "Esse menino não é meu / Me deram para criar / O consolo de quem cria / É saber acalentar". À medida que fui ouvindo, começo a ouvir histórias sobre "tangolonomangos" que vão tomando conta de menininhas até que uma geração inteira de irmãs morre; meninos que choram de frio enquanto Nossa Senhora lava roupas no riacho e por aí vai. E, daí para a frente, o que a gente tem é uma sucessão de acalantos que envolvem seres das trevas, punhais, lágrimas em profusão, etc. Não que todas as faixas sejam assim, mas são quase todas. Tipo um roteiro de filme de terror, só que com a linda voz da Mônica Salmaso a embalar tudo.
Todos os cânticos, vale observar, são retirados do folclore brasileiro e, pelo que entendi, são cantados desde os séculos dos séculos da formação da nossa sociedade.
Admito que fiquei meio apavorada (por motivos óbvios) com as letrinhas contidas no disco. Eu não sei direito em que idade a criança começa a ter o entendimento das coisas ditas ali. Ao mesmo tempo, não sei se um pai ou mãe se incomodaria de contar esse tipo de história para o filho, ainda que ela esteja embalada numa melodia suave.
No fim das contas, desisti da propor a matéria. Afinal, como é que eu vou recomendar para o leitor uma coisa que não me desce de jeito nenhum?
Alguém, então, me sugeriu que eu discutisse o teor das músicas de ninar cantadas para as crianças brasileiras – o que também não gostei. Primeiro, porque isso é assunto para uma tese sociológica, antropológica ou pedagógica. Segundo, porque o terror dos acalantos não é exclusividade dos brasileiros. Uma das minhas melhores amigas trabalhou de baby-sitter na Alemanha e me contou algo do tipo: "No escuro, moram dois carneirinhos; um branco e um negrinho; se a criança não vai dormir, eles vão lá e mordem" (eita!!). Terceiro, porque se eu sair descendo o sarrafo em um disco de cânticos populares voltado para crianças, provavelmente serei linchada pelos aguerridos defensores do folclore nacional (bom, não que eu não seja uma, mas achei o CD um absurdo, e ponto final).
De onde se tem que anda difícil criar as crianças (foi o que disse outra amiga quando mostrei a ela o álbum). Pelo que tenho visto, os pais têm tido poucas opções de entretenimento inteligente para os filhos – tipo Sítio do Picapau Amarelo, Turma da Mônica, Daniel Azulay, Castelo Rá-tim-bum, etc. No mais das vezes, é optar por isso ou por ícones que não têm muito a ver com a nossa realidade. Essa amiga me falou de uns: Teletubbies, Barney, Backyardigans, aquele pingüim, o koala, a turminha do gelo, etc., etc. Eu, hein...
P.S.: Eu sei que essa foto de cima não tem nada a ver com o texto, mas eu queria botar uma imagem aqui. A foto foi tirada em São Miguel dos Milagres (AL). Clique sobre ela para ver uma versão maior no Flickr ;-)
Lembrando
teste
domingo, outubro 22, 2006
A tosqueira do sábado à noite
Duas coisas sempre me intrigaram na televisão brasileira. Uma delas era o porquê de certos jogos de futebol serem transmitidos para todo o planeta, à exceção da cidade onde estavam sendo realizados. Afinal, quem em Brasília (por exemplo) quereria saber de um jogo de futebol ocorrido no Rio Grande do Sul? A que carioca interessa uma partida organizada na Bahia? Etc., etc. Aí, descobri os torcedores distantes, como meus irmãos (gaúchos, crescidos em Brasília e torcedores do Palmeiras). Esses não vão poder ir ao estádio e não vão se contentar com os gols dos melhores momentos do Globo Esporte. Estão no direito de ver o jogo.
E, depois, alguém me contou que, se transmitirem o jogo no cidade da partida, ninguém vai ao estádio. Mas e se o ser humano quiser fugir da roubada que é ir ao estádio, se meter entre torcidas organizadas, se arriscar a levar copinho de xixi na cabeça e por aí vai? Ele não tem esse direito? Acho que tem. Mas não sou eu que vou reivindicá-lo. Afinal, futebol é um assunto irrelevante (essa foi a única coisa inteligente que Diogo Mainardi disse até hoje).
A outra coisa que provoca a minha curiosidade é: quais os critérios usados pela galera da programação da Globo para escolher os filmes exibidos sábado à noite? Tenho a impressão de que há alguém meio sádico por trás disso. Um pensamento do tipo "Viu? Quem mandou ser pobre, quem mandou não ter $ para sair à noite, para comprar um DVD, nem para alugar um DVD? Agora geeeeeeeeela, vai ter de assistir a um filme horrível no Super Cine".
Só esse tipo de lógica pode sustentar a exibição de uma gama tão limitada de títulos. Ontem, eu e meu irmão mais novo (que vê um monte de filmes na TV, embora passe longe de Super Cine) ficamos tentando delimitar o tipo de história que rola nos títulos exibidos sábado à noite. Chegamos aos seguintes argumentos:
1. Mulher bonita, porém solitária, conhece um homem bonito, inteligente, gentil e ótimo amante, praticamente um príncipe encantado. Eles saem, viajam, transam, trocam declarações de amor e se casam. Um belo dia, ele surta e se revela um porco insensível, um poço de ciúmes e obssessão. Ela não entende a razão e tenta fugir dessa roubada. Começa a perseguição, que sempre envolve pessoas correndo com cara de sofrimento, facas, revólveres, cordas e etc. Mas tudo acaba bem (com o cara preso para sempre ou morto). As cenas finais (sempre à noite) normalmente incluem viaturas policiais, pessoas enroladas em cobertores e muita chuva.
2. Homem forte, porém afetuoso, recebe uma notícia: seu irmão / pai / sobrinho / filho foi violentamente (e injustamente) assassinado pela máfia italiana / russa / coreana / japonesa. Ele jura, sobre o corpo do parente morto, que fará justiça com as próprias mãos. Afinal, a NYPD e a LAPD (ou qualquer outra polícia que o valha) são muito fraquinhas. Ele vai à caça usando suas armas e sua grande força física. Luta contra vários homens e, no final, não sem antes correr o risco de ter a mesma sorte que seu parente, consegue que os meliantes sejam presos, julgados, condenados ou simplesmente mortos. Opcional no roteiro: nesse meio tempo, ele conhece uma mocinha e eles se apaixonam.
3. Uma família vive feliz e contente numa casa até que, por um acaso do destino, descobre que há monstros / assassinos / assaltantes / almas penadas rondando o local. As crianças, sempre mais sensíveis, tentam alertar sobre o problema, mas são ignoradas a princípio. Depois, tudo degringola. Acho que posso pular essa parte da descrição, né? O importante é que, no final, acaba tudo bem. Pode ser numa noite de chuva, com várias viaturas policiais e pessoas enroladas em cobertores.
Eu queria muito saber porque há tão poucas exceções à essas histórias. Por que o cinema de sábado à noite (não só na Globo) tem de ser o depositório de toda a porcaria produzida por Hollywood? Raramente a gente vê na programação um filme brasileiro legal, uma comédia fera ou mesmo um clássico americano dos anos 40 / 50 / 60. De madrugada tem tanta coisa interessante – dia desses, eu assisti a Nove rainhas na TV aberta, e direto verifico que há obras bacanas passando às 3h, 4h da manhã.
Será que não dava para transmitir isso um pouco mais cedo? Não bastasse a pessoa não querer ou não poder sair no fim de semana, ela ainda tem que ficar se martirizando por isso... credo.
Ou será que os programadores das TVs fazem isso de propósito para as pessoas desligarem o aparelho e ir fazer algo mais interessante, como aproveitar a hora vaga para namorar um pouquinho? ;-)
segunda-feira, agosto 07, 2006
Eu quero uma cabana nas estepes

Em geral, são essas as representações que a gente tem dos pobres animais, né não?
É por isso que digo: esqueça os camelos como você os conhece e vá assistir (se ainda não viu) ao documentário Camelos também choram, belíssima co-produção feita entre a Mongólia e a Alemanha. Já saiu em DVD.
O filme não só mostra os camelos mais lindos que já vi na vida (saudáveis, fortes, com um pêlo brilhante, comprido, maravilhoso). Também emociona pelo roteiro, uma história simples e ao mesmo tempo grandiosa. Os personagens são os integrantes de uma família de pastores da Mongólia. Eles vivem no sul do Deserto de Gobi, no meio do nada, criando cabritos e camelos. Uma das fêmeas, após um parto complicado, dá à luz um camelo albino, que é imediatamente rejeitado.
Os pastores, que dão a impressão de criar camelos há milênios, tentam todas as técnicas possíveis para tentar aproximar a mãe do filho. Chegam a amarrar as pernas da mãe para que ela não fuja enquanto o bebê-camelo tenta alcançar as tetas. Não há jeito. Um filhote criado sem o leite e o calor da mãe tem grandes chances de morrer (de fome e de tristeza) ou de se tornar algo parecido com um bichinho de pelúcia. Mas um filhote morto ou transformado em brinquedo é algo sem nenhuma serventia para uma família que depende economicamente dos animais.
A solução é tentar um ritual conduzido por um violinista. Para isso, dois dos filhos da família seguem (de camelo) até um vilarejo para pedir que um músico os visite no local onde vivem. O resto não dá para dizer – porque quando o filme chega neste ponto é porque já está perto do fim.
Ver um filme assim é uma oportunidade de entrar em contato com algo totalmente diferente de qualquer coisa que a gente possa ver na nossa realidade ocidental, brasileira e urbana. Ali, naquele deserto, vive-se com pouco (a maior parte dos mongóis ainda é nômade), mas o cenário não parece ser de pobreza. A cabana é simples, mas aparenta ter sido construída com engenho suficiente para manter todo mundo aquecido e protegido dos ventos do deserto. A mobília, apesar de simples, revela alguns trabalhos de arte muito legais.
O cotidiano ali também não permite muitas escolhas, mas também não parece triste: é acordar, fazer rituais, cuidar das crianças, dos cabritos, dos camelos, comprar, vender e só. De vez em quando, uns lamas vão ao local e todos juntos fazem oferendas aos espíritos para que tenham saúde e tempo bom. Veja: as únicas coisas que importam ali são saúde e tempo bom, e não bobagens como aparência, status, magreza, ostentação e coisas do tipo. Imagina, eles não devem saber quem são Madonna, Tom Cruise, Ronaldinho – chega a ser comovente a cena em que os filhos se divertem assistindo a um programa soviético de 1969 na TV.
Claro que, apesar de bela, a realidade ali não é perfeita. E os pastores estão longe de serem considerados bons selvagens. Em uma cena, a mãe é tosca a ponto de amarrar a filha mais nova para que ela não se aproxime do fogão (ora, bebês e camelos não são bem a mesma coisa. hehe). Também não deve haver muito espaço para conversas superprofundas, romantismo ou carinho entre os casais do clã. Mas as coisas são assim mesmo, nada é ideal, certo?
A fotografia bacana e a presença do moleque mais figura da história dos documentários (o nome dele é Ugna) também contam pontos a favor do filme. É isso.
domingo, agosto 06, 2006
Homens, fora!
Esse estranho hábito de levar os namorados e maridos para comprar roupa, sapato, essas coisas, por exemplo. Ontem, eu e mamãe fomos ver qual era a dos 10 anos do Bsb Mix e ficamos espantadas não só com a enorme quantidade de coisas cafonas – mas também com a horda de homens acompanhando as suas consortes.
As caras deles não pareciam lá muito felizes.
Teve uma hora em que fui experimentar uma blusa verdinha, uma das poucas coisas legais que vimos, e mami ficou assistindo a agonia de um desses caras (sentado, esperando a mulher fuçando as araras). Uma hora, ele levantou, furioso, e saiu, o que fez com que a mina gritasse para ele voltar e esperar mais um pouco. Ela finalmente escolheu o que queria e foi experimentar. O cara sentou de novo e fez a mesma cara de esfíncter contraído. Aaaaah!!!
Vimos umas cenas parecidas enquanto passeávamos pelo pavilhão montado lá no Pontão do Lago Sul. Invariavelmente, as moças se entretinham enquanto os caras ficavam meio afastados, olhando para o nada, esperando pelo momento em que elas resolvessem comprar algo. Talvez alguns deles estivessem aguardando o instante em que finalmente deveriam se apresentar para dar o dinheiro ou o cheque.
A gente ficou especulando se os caras estavam ali a convite (ou obrigação) das mulheres, ou se eles tinham se oferecido para acompanhá-las.
Acho que se eu tivesse de deixar um, apenas um conselho para a humanidade (oh, pretensão), pediria às mulheres que não chamassem seus amados para acompanhá-las (há tempos que dispensei meu namorado dessa tarefa). Nem no Bsb Mix, nem na Daslu, nem na Marisa. Aliás, muito menos na Marisa: nada pior do que sair para comprar roupa de baixo, meia-calça, etc., e ver que há homens acompanhantes espiando de rabo de olho o que as outras mulheres estão comprando. É constrangedor.
(Foi mal se o texto parece machista, mas ver aqueles rostos agoniados ontem não foi nada legal. hehe)
segunda-feira, julho 17, 2006
Vencendo a preguiça
Até que hoje (agora há pouco, na verdade), eu recebi um e-mail que me deixou com vontade de opinar aqui. Resumindo a história, é sobre o desfile do Fause Haten na São Paulo Fashion Week. Ele lançou, para as mulheres, roupas que "gritam: sou bela, chique, rica e sofisticada" (sozinha, não seria capaz de criar tamanha cafonice. Isso eu tirei de um textinho no próprio site da SPFW, hehe). E, acompanhando esse conceito, também explorou na passarela a frase "O que você faria com alguns quilos a menos?", slogan do remédio Xenical, aquele para obesidade (cuja propaganda, estranhamente, mostra mulheres absolutamente magras e normais).
Caso algum dos leitores (os que sobraram depois que fiquei meses e meses sem nem tocar no blog) não saiba o que é Xenical... a explicação está abaixo:
Xenical (orlistate), produto destinado à perda de peso, é comercializado em 149 países. O Brasil é o 10o mercado. O medicamento conquistou essa posição porque é o único remédio eficaz para a redução de peso que não atua no sistema nervoso central e, portanto, não causa efeitos colaterais como aumento de pressão, insônia, taquicardia. O orlistate diminui em 30% a absorção de gordura ingerida com os alimentos. Xenical é eficaz na prevenção e como coadjuvante no tratamento do diabetes tipo 2, indicação reconhecida pelo Ministério da Saúde. Cerca de 23 milhões de pacientes já o utilizaram no planeta desde 1998, quando o produto foi lançado.
Nesse e-mail havia fotinhos de várias instant celebrities, tipo aquela menina que foi expulsa do casamento do Ronaldo com a Cicarelli, segurando sacolinhas da Roche (fabricante do Xenical) com essa frase. Tinha também o próprio Fause bebericando uma champagne (e pode tomar isso com remédio? hehe). As roupas, segundo dizia o material de divulgação, são feitas para que os indivíduos se sintam bem, celebrem a qualidade de vida e a auto-estima. Afinal, diz a empresa farmacêutica, com alguns quilos a menos as pessoas querem se vestir bem – e se sentirem bonitas quando se despem.
Mas a gente precisa levar em consideração o seguinte: quem é que precisa de Xenical? Pela descrição do remédio, são pessoas que estão de fato muito obesas e que precisam de uma alternativa antes de apelar para o último recurso (leia-se cirurgia de redução de estômago). Mas com essa estratégia de divulgação usada pelo estilista, a impressão que dá é que qualquer pessoa que esteja se sentindo mais cheinha pode mandar o remédio para dentro e... festa! Daí, é só emagrecer rapidinho para poder vestir qualquer coisa (até as roupas do Fause Haten).
Pô, eu confesso que queria muito emagrecer muito, adoraria poder usar qualquer coisa e seria o máximo se pudesse conquistar isso tudo de um jeito simples (sem a necessidade maluca de horas suando na esteira, aulas de abdominal, etc.). Mas ao mesmo tempo me parece um despropósito abusar de algo que não é feito para você (e sim para alguém cujo peso passou dos três algarismos antes da vírgula, já está sofrendo com diabetes, pressão alta e por aí vai), por conta de um capricho, só pelo prazer de vestir um blazer horroroso com um laçarote, um top com detalhes em dourado ou algo do tipo!!!
Quer dizer, no final das contas, o desfile não parece uma celebração da qualidade de vida, mas da magreza – o que todos os outros fazem, desfile após desfile. Essa mentira a gente não compra...
sábado, maio 13, 2006
ñññññ...
Tive a idéia de fazer dois supercomentários sobre CDs que escutei recentemente, mas acho que até isso vou deixar pra lá.
Posso dizer o seguinte: o CD Libertango, lançado por um grupo homônimo de tangueiros cariocas, não vale a compra. Achei legalzinho eles quererem ressaltar o lado mais jazzístico do Astor Piazzola, e só. O problema é que muitas das músicas do álbum têm letras, e não é nada fácil interpretá-las. Acho que o vocalista errou a mão em todas as faixas cantadas. Não sei se esse comentário se faz necessário aqui, mas eu detesto Balada para un loco. Urrgh.
E acabei de ouvir um lançamento do gaitista Toots Thielemans (clique aqui para acessar o site oficial. Ele tem um autógrafo stáile!), que eu não conhecia. Foi o que pude fazer para tirar uma música que ouvi na TV enquanto passava pelo setor de transporte daqui do jornal: abalou, tic tic tic tum, tic tic tic tum, tic tic tic tum, estou apaixonaaaaaaaaaadaaaaaaaaaaaa... É um CD com vários standards de jazz, gravados por nomes igualmente desconhecidos por esta blogueira (à exceção de Madeleine Peyroux, que canta superbem). E aí entra o Toots com uns arranjos de gaita. Não obstante algumas das faixas terem a maior cara de música-de-tiozão-sukita, o disco no geral é gostoso de ouvir. Bacana o suficiente para fazer a gente se esquecer dos refrões grudentos da Companhia do Calypso.
quarta-feira, maio 03, 2006
Os sentidos da arte
Não sei se está todo mundo sabendo sobre a mostra, ou sobre a polêmica com relação a algumas das obras exibidas ali, então vamos lá: Erótica reúne peças de todos os tempos, de diferentes técnicas (pintura, escultura, fotografia, etc.), tendências e criadores. Uma delas, em especial, causou a ira do grupo católico conservador Opus Christi, que chegou a usar um mandado de segurança para retirar a obra da exposição. Ela se chama Desenhando com terços e mostra vários órgãos sexuais masculinos desenhados com o objeto usado nas orações dos católicos. A autoria é da artista plástica Márcia X (1959-2005), que dedicou os últimos anos da carreira a retratar o pênis – de todas as formas que conseguisse. No site dela dá para ver a obra.
Outra peça que deu o que falar foi o homem por trás de uma imagem de São Jorge, retratado por Alfredo Nicolaiewski. No final das contas, a obra também foi retirada da exposição. Foi combinado entre os artistas que eles não deixariam a mostra vir a Brasília caso as duas criações não fossem reintegradas. Sendo assim, nós do Planalto Central perdemos a oportunidade de ver obras instigantes e diferentes.
Vários artistas, como a fotógrafa Rosângela Rennó, condicionaram a cessâo de suas obras à reintegração de Desenhando com terços ao acervo da exposição. Como isso não aconteceu, Erótica não virá mais para cá. A exposição foi vista por aproximadamente 55 mil pessoas em São Paulo e por mais de 90 mil no Rio de Janeiro.
Todo esse imbróglio me faz pensar em um poder de veto importantíssimo que está em nós – e que não tem nada a ver com os mandados de segurança, nem com a figura do censor que existia durante os anos de ditadura militar. Esse poder é muito mais simples: se uma obra qualquer nos desagrada esteticamente ou filosoficamente, podemos simplesmente virar a cara e não vê-la. O programa de TV está ruim? É só mudar de canal. A música desagrada os ouvidos? Há milhares de outras estações para ouvir. A obra de arte ofende os valores? É só não olhar para ela, pois.
A organização religiosa enalteceu a democracia que a permitiu ser ouvida – e que levou para longe dos olhos de seus integrantes as peças consideradas blasfemas. E, enquanto isso, por causa de um grupo limitado de pessoas, milhares de outras tantas vão deixar de ter acesso a várias produções artísticas – poder ver uma obra de arte, analisá-la, gostar ou não dela, também é um direito.
Particularmente, acho que nenhuma das duas obras pode ser considerada uma criação extraordinária. Essa do terço… entendo que a Márcia X quis chocar – e há quem tenha visto algo interessantíssimo ou megarepulsivo no desenho. Em mim, ela estranhamente não provoca nada. Já para a do Nicolaiewsky, tenho duas palavras: é kitsch e é agressiva. Dá uma sensação de flagra que eu não gosto muito. É uma pessoa desconhecida, fazendo algo íntimo, não é para todo mundo ficar vendo, né? (Se a visse na exposição, com certeza passaria para o próximo quadro. Poder de veto é isso, gente!).
Não sei como foi a exposição nas outras cidades (alguém viu? Deixe um comentário), mas o ideal seria que o CCBB deixasse uma sala separada para essas obras mais controversas (já que o pessoal topou bancar todas as escolhas do curador). Pelo menos o do Rio e o de Brasília têm estrutura mais do que suficiente para isso. Aí, era só botar um superanúncio dizendo que aquelas peças poderiam ser consideradas ofensivas, etc., etc., e que a pessoa estaria naturalmente livre para vê-las ou não. E botar uma censura etária para a exposição inteira, né não?
Mas com mandado de segurança não deve dar para fazer muita coisa. E certamente o banco não quis nem pensar na possibilidade de perder vários correntistas por causa de duas criações artísticas – sim, houve quem ameaçasse cancelar as contas no BB por causa da exposição.
É uma pena. Uma grande pena.
(Viu as obras de arte? Quer deixar um comentário sobre elas? Fique à vontade!)
sexta-feira, abril 28, 2006
Cartão-postal - o fim da saga
"Antes de voltar para o Brasil, em abril de 2003, comprei vários cartões-postais para mandar para a galera. Comprei de Santiago, de Valparaíso, Viña del Mar, etc., etc. A idéia era preenchê-los com calma e enviá-los no intervalo entre o check-in e o embarque de Santiago para São Paulo.
Desnecessário dizer que, no dia do embarque, acordei atrasado e saí correndo pro aeroporto, quase perdi o vôo. E os cartões ficaram por enviar. Foram guardados nas minhas coisas durante esse tempo todo.
Até que, no final do ano passado, encontrei uma amiga que estava indo para Punta Arenas, no Chile, e me perguntou se queria alguma coisa. Então, pedi a ela que enviasse todos os cartões-postais que estavam comigo."
Foi assim que tudo aconteceu.
Oráculo do MCDQEPD
Simplicidade também é um sinal de inteligência.
Às vezes, quanto mais elaboração mental e firulas aplicamos nas ações cotidianas, mais o resultado dessa ação corre o risco de virar uma nhaca.
Prenda-se ao essencial.
terça-feira, abril 25, 2006
Agora falando sério
Felipe acha que mulher gata não vai ao banheiro. Vocês concordam?
E a música do dia é...
minha vida é mesmo tão sofisticada
Saiba, esse glamour não dura o tempo inteiro
Eu também preciso ir ao banheiro"
De Sandy, aquela que vai ao banheiro, na música Discutível perfeição, do novo álbum de S&J.
E tenho dito.
domingo, abril 23, 2006
Incursão
Tem pizzaria (a popular Primo Piato, a moderninha Baco), comida italiana (o chiquérrimo Unanimità), petiscos gostosinhos (a fashion Azulejaria), pub (a agitada O'Rilley), japonês (o sushi maluco do Haná), francês (o tradicional La Chaumière) e creperia (o gostoso C'est si bon). Não à toa, a quadra está sempre cheia, de modo que é quase impossível estacionar ali.
No meio de tantos locais badalados, existe um que não é gostoso, nem moderninho, nem inventivo, nem agitado. Não é sequer popular. É um bar de uns 25 metros quadrados (no máximo), com um puxadinho atrás da loja para a colocação de cadeiras extras, o que é a cara de Brasília. Justamente pela sua absoluta falta de características – inclusive de um nome –, esse lugar estava me intrigando há um bom tempo. Há tempos que eu queria entrar e ver como era o ambiente, saber como é ser a negação de tantos programas bacaninhas que há para fazer em uma única quadra.
Pela agitação que o lugar sempre se encontra – e assim estava hoje, quando finalmente tive coragem de adentrar o recinto – cheguei à conclusão de que o dono não precisa de um puxadinho para fazer caber mais gente. A entrada é feita por um corredor mais estreito do que o resto do ambiente, com piso velho de cerâmica marrom. À esquerda, vários anúncios de bebidas que não fogem do convencional. Tem cartazes com logotipos da Bavária, da Bohemia, da Skol. Noto que o dono tem preferência pela Antartica e sua musa, Juliana Paes, o que é completamente compreensível. Há Julianas Paes às pencas, sempre na mesma pose, quase um carimbo pop (como aquele que Andy Warhol fez da Marilyn Monroe).
Juliana olha pra mim. E eu olho para o outro lado do corredor, onde há apenas um quadrinho com uma paisagem, desses que a gente compra em loja de R$ 1,99 da rodoviária.
Há um balcão, mas não há ninguém ali – a única voz que faz companhia ao dono do bar é a da Glória Maria, narrando o Fantástico. Na parede do balcão, uma daquelas placas entalhadas de madeira com a inscrição "Canto do Trago". Detalhe: tal qual um bêbado que passa a ver tudo errado, assim estão as letras, sinuosas, escritas ao contrário. Dãããã... sou eu que estou vendo tudo torto ou é a placa que é assim mesmo? Engraçadinhos.
Noto que o dono do local começou a me olhar. E antes mesmo que eu tome fôlego para perguntar se "Canto do Trago" é mesmo o nome do lugar, ou se o aluguel dali é caro, ou se ele não tem proposta de passar o ponto adiante, viro as costas e me vou. Não quero a experiência de um diálogo com um desconhecido capaz de nomear um lugar assim toscamente. Meu irmão e uma amiga, que ficaram com medo de entrar na caverna, me esperam lá fora.
sábado, abril 22, 2006
Fuxico
Em síntese, é a institucionalização da futricagem, né não? :-D
Por enquanto vou deixar essa opção "on" no meu perfil porque sou curiosa e porque agora não tenho mais tempo nem saco de ficar tentando saber mais da vida alheia. Quem sabe depois eu mudo de idéia...
Cartão-postal, a saga continua
O endereço e CEP, nobre blogueira, estava certo. Já o carimbo quase me fez cair pra trás.
Estava escrito assim: Correo de Chile, 23 de abril de 2005, Punta Arenas.
Como eu não sabia onde fica essa localidade, fui pesquisar no excelente Guia criativo para o viajante independente na América do Sul, de Zizo Asnis, também apelidado de Guia da criança remelenta (por causa da menininha que estampa a capa do livro). Eis o que o autor disse sobre o local:
"Punta Arenas, com 113 mil habitantes, fica no extremo sul do Chile, na beira do Estreito de Magalhães, um canal na pontinha mais astral da América do Sul, que por muito tempo serviu de conexão entre os oceanos Atlântico e Pacífico. É a capital da XII região chilena, a região de Magallanes. Em seus arredores existe uma rica fauna típica da Patagônia, destacando as curiosas colônias de pingüins".
Não há notícia de que meu pai já tenha estado na Patagônia chilena.
sexta-feira, abril 21, 2006
46
Oscar Niemeyer, Lucio Costa e companhia deviam achar as nossas construções superfuturistas quando as projetaram. De fato, a são. Mas, dialeticamente (claro, eles todos eram marxistas), elas também carregam um adorável ar retrô se a gente for parar para vê-las. Andar nessa cidade deve ser como andar por qualquer uma dessas cidades do leste europeu nos tempos do comunismo – nunca estive em nenhuma delas, mas imagino que elas sejam assim. Tudo meio cinza, quadradinho e igual. Pelo menos aqui o nosso frio não é de matar e a gente tem os ipês amarelos e as árvores do cerrado para dar uma colorida no ambiente.
Por trás das linhas retas, dos desenhos ao mesmo tempo leves e sólidos, algo apodrece. Não estou nem falando do que acontece de ruim nos prédios públicos, não é de corrupção que se trata. Prédios de 30, 35, 40, quarenta e poucos anos são, pelo que li recentemente, o equivalente arquitetônico dos bebês. E no entanto eles, nos 46 anos de Brasília, se desmancham por pura falta de cuidado de quem deveria mantê-los. É um descuido que vejo, de forma geral, na cidade que meus pais escolheram para viver e criar seus filhos.
Nos últimos dois anos, a gente viu várias coisas acontecerem por aqui: o prédio do TJ, onde a galera do jornal almoçava direto, foi interditado por tempo ilimitado. Os vidros da catedral estão a ponto de despencar. O prédio do INSS pegou fogo não faz nem seis meses. O palácio da Alvorada passou por uma reforma longuíssima porque até dia desses ele estava um horror.
Uma pessoa de 46 anos, hoje, não é sinônimo de pessoa caída.
Uma cidade de 46 precisa ser assim?
(OBS.: estava há um tempão para escrever esse texto, mas ele tomou um rumo totalmente diferente do que eu tinha imaginado. Depois faço outros abordando tópicos que não apareceram aqui. Ah, sim, eu gosto muito de viver nessa cidade).
Estatísticas
quarta-feira, abril 19, 2006
Postal
"Mari, muitas saudades
Você iria gostar de Valpa. A cidade é a sua cara.
Beijos, pai"
Olhei a parte da frente do cartão: Valparaiso, Chile, que pela foto realmente deve ser uma gracinha.
Uai, não foi pra lá que ele viajou agora, pensei. Até que olhei para a data de postagem do selo: 23 de abril de 2003.
Isso me fez pensar no que pode ter acontecido com o postal para chegar quase três anos depois – a data do selo, por sinal, é a do meu niver (tá chegando!).
Obviamente os correios perderam a carta. Tenho certeza de que ele ficou esse tempo todo escondido atrás de uma mesa (já perdi várias coisas assim), até ser resgatado por uma faxineira que estava fazendo uma grande limpa no local. O que me intriga é pensar como.
Vai que, na hora de separar as correspondências nacionais das internacionais, havia tanta coisa em cima da mesa do funcionário que o meu postal foi simplesmente parar onde parou.
Vai que a funcionária separadora de cartas também se chamava Mariana e tinha vontade de, uma vez na vida, receber um cartão postal do próprio pai. Assim, guardou o cartão como uma lembrança saudosa, até que se deu conta de que aquilo não lhe pertencia realmente.
Vai que, na hora de separar o material, a funcionária recebeu a visita de seu amante e eles fizeram sexo tórrido na mesa, por cima de uma pilha de cartas, fazendo várias delas voar pelo chão (inclusive a minha, que foi para trás do móvel).
Alguém tem mais alguma idéia de como o meu postal ficou no limbo dos correios chilenos esse tempo todo? Mande um comentário...
Caravana rolidei
Não conheço o Pedro pessoalmente, mas o leio pra caramba, de modo que estou assim, algo imodesta desde que soube da menção (hahahahaha, sou muito jeca mesmo).
Clique aqui para ler o comentário :-)
segunda-feira, abril 17, 2006
Scary movie
Uma coisa me deixou curiosa: certas imagens, fora de contexto, são apenas imagens. Uma escada encostada na parede, uma mulher antiga se penteando no espelho ou um farol são somente o que são – até que uma história qualquer empreste outro significado a eles.
Me deu medo, muito medo. Antes disso, só Bruxa de Blair (o 1, claro) tinha assustado tanto assim. Em compensação, O Iluminado, meu scary movie preferido, me pega por outros elementos – não pelos corredores banhados de sangue, mas pelas interpretações perfeitas e pela história, dessas bem amarradas do começo ao fim.
O tal vídeo me deu um senhor susto. Pelo menos os minutos na esteira passaram mais rápido.
sexta-feira, abril 14, 2006
Reabrindo a casa
create your own visited countries map
Sensacional esse mapa mundi que mostra os países onde a gente já esteve (clique acima para fazer o seu). Me deu ânimo de entrar aqui de novo, depois de mais de um mês sem nem dar sinal de vida.
Andei até pensando em implodir esse blog, já que a maior parte da minha energia criativa está voltada para o novo trabalho – que é um superxuxuzinho, mas me deixa sem muita vontade de escrever coisas depois que termino. Continuo observando a vida, buscando diálogos e histórias malucas no meio da rua, mas tá dando uma preguiiiiiiiiiiiiiiiça de botar tudo no papel (ops, no blog).
Amanhã eu mando mais um texto. Possivelmente, uma matéria. Beijos a todos.
quarta-feira, março 08, 2006
Mais uma da série
- Eu, particularmente, acho essa Ná Ozzetti muito chata.
(E eu fiquei me perguntando: por que diabos alguém vai ao show de alguém que considera chato? Seria uma atitude dessas típicas de começo de namoro? O cara ficou com pena ou ciúme de a mina ir sozinha?)
domingo, março 05, 2006
O demolidor
Dizem que Bin Laden vive em algum lugar na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. Mas eu e alguns brothers o vimos em um fim de mundo chamado Praia da Redinha, em Rio Grande do Norte...


