A frase que abre este post não é, assim, um libelo ao amor e ao carinho: quer dizer "Ali, mate-o!".
Ela é pronunciada um milhão de vezes por Cassius Clay Mohammed Ali e por seus súditos africanos durante o excelente documentário Quando Éramos Reis (1996), de Leon Gast. O filme mostra todo o furdunço causado pela luta entre Ali e George Foreman em outubro de 1974, em Kinshasa (antigo Zaire, atual República Democrática do Congo).
Se eu contar a história inteira, vai render um texto grande a ponto de afugentar todo mundo. Melhor dizer do quanto dei risada com Ali. Ele é tão marrento, mas TÃO marrento, que se torna extremamente engraçado.
O vídeo acima é longuíssimo, eu sei, mas pelo menos é bem melhor do que o trailer (chatésimo). Vale a pena tirar uns minutinhos para vê-lo e depois querer devorar o filme todo.
Aos 7 anos, o sudanês Emmanuel Jal se perdeu da família e virou soldado na guerra civil que arrasou o sul do país.
Hoje, com mais ou menos 30 (ele nunca soube exatamente em que ano nasceu), é um rapper que corre o mundo fazendo shows e palestras falando sobre o que viveu e sobre o que a terra de origem ainda passa.
A história do artista é comprida demais para contar num post. Por isso, vou deixar só a dica do documentário War Child -- que o GNT traduziu como Guerreiro da Paz -- e vocês vão atrás, ou não, se quiserem. :-)
Acho que o canal não vai reprisar o filme, mas dá para saber tudo sobre ele e fazer o download clicando aqui.
O clipe que abre este post é de Gua, música que lançou Jal em vários países. A gravação original parece ser bem mais bonita, mas o vídeo tem uns problemas. De qualquer forma, aproveitem...
Update / Esqueci de dizer: o filme é, como não poderia deixar de ser, triste pra caramba, mas tem momentos divertidos também. Como no momento em que o rapper volta ao Sudão e encontra uma espécie de versão pastoril do 50 Cent. É o cara que canta "Sou foda / Tenho centenas de bodes e exibo para a mulherada, etc.". Dá para não rir com uma figura dessas?
Quem passa pelo blog de vez em quando vai entender rápido por que fiquei muito a fim de ver este documentário (na verdade, o vídeo que está no site linkado é mais elucidativo).
Banksy é um grafiteiro que fez um monte de obras legais (e outras nem tanto) de street art na França e alhures (como na Palestina). Exemplos disso são os space invaders que se espalham por Paris e até por algumas cidadezinhas do interior. Fotografei uns quando estive por lá.
Além disso, é uma figura supermisteriosa. Por motivos óbvios, não se deixa fotografar nem filmar (a não ser que esteja de capuz e com a voz disfarçada).Mas um maluco francês chamado Thierry Guetta fez um milhão de vídeos de Banksy em ação e aproximou-se dele para tentar fazer um documentário sobre grafite e street art.
Guetta não contava com a possibilidade de tornar-se objeto do filme, mas foi isso que aconteceu em Exit through the Gift Shop. Se bem entendi os comentários todos espalhados na web, o documentário acaba tratando muito mais sobre como e por que o francês largou tantas vezes a família para seguir grafiteiros por aí.
Parece divertido. Tomara que estreie logo por aqui.
PS: o título deste post vem da canção de mesmo nome cantada por Richard Hawley e usada em um dos vídeos de divulgação do filme. Uma música muito bonitinha, por sinal.
Assisti a um documentário perturbador no último domingo, depois do trabalho. Passou no Multishow, mas não consigo saber se vai ser reprisado.
Vi tudo meio caindo de sono, mas o tema era tão bom que não deu para não seguir até o final.
Todo mundo que acompanha mais ou menos as notícias internacionais sabe que a Coreia do Norte é um dos países mais fechados e estranhos do mundo. Que milhões de pessoas passam fome enquanto o Estado exibe um poderio militar absurdo e impõe uma política de culto à personalidade do atual ditador, Kim Jong-Il.
A Coreia do Norte não tem interesse em receber turistas. E os turistas, diante da dificuldade que é entrar no país, raramente procuram a Coreia do Norte como destino. Mas houve uma figura que não sossegou enquanto não conseguiu pisar lá: trata-se do norte-americano Shane Smith, da VBS TV.
The Vice Guide to North Korea (assista aqui, na VBS TV, ou aqui, em pedacinhos, no Youtube) mostra o barbudão num hotel ilhado e praticamente deserto, numa casa de chá que passou meses sem receber um visitante sequer, num videokê proibido para os norte-coreanos, em restaurantes que tentam disfarçar a carência de alimentos no país e em uma série de monumentos que exaltam Kim Jong-Il e o pai, o também ditador Kim Il-Sung.
Impossível não notar um certo tom entre o incrédulo e o jocoso (e dá para ser diferente? Como levar tudo aquilo a sério?) na narração do apresentador. Da mesma forma, não há como não perceber o estado de depressão e torpor que vai se instalando aos poucos no documentarista. E eu pergunto de novo: dá para ser diferente? Não, não dá.
É isso, meu povo. Vou nessa, que esse negócio de escrever sobre depressão e torpor deixa a gente com vontade de ouvir Pink Floyd. Beijo.