Galera, post rápido só para anunciar que este blog recebeu o milésimo visitante desde o dia 2 de janeiro, quando resolvi botar um textinho aqui só de brincadeira e acabei retornando de vez.
Sei que ele (ou ela) é brasileiro (a), mas o Sitemeter não diz exatamente de onde veio.
O importante é que estou orgulhosa à beça: escrevi algumas coisas legais, conheci gente divertida e recebi visitas de lugares altamente improváveis.
Yeah! o/
segunda-feira, fevereiro 02, 2009
Melissa
O despertador tocou: 5h. Naquele dia, Melissa acordou uma hora mais cedo para lavar o cabelo e fazer escova. Tomou café, se arrumou e, precisamente às 6h37, saiu fazendo toc-toc-toc-toc com os saltos altos de advogada no piso de madeira da casa onde ainda morava com os pais pertinho da Esplanada dos Ministérios.
Antes de continuar, seria bom explicar que lugar é esse onde Melissa mora. A Vila Planalto nasceu a partir dos vários acampamentos das empreiteiras que construíram Brasília. Recebeu inúmeros pioneiros, pessoas que vieram de fora e permaneceram na cidade mesmo depois do fim da obra. Hoje, seus moradores vivem em casas, e não em prédios como os do Plano Piloto. O comércio local é pequeno, mas se destaca no setor de gastronomia. Fica lá, por exemplo, o Rosenthal, restaurante que o ex-cozinheiro de Juscelino Kubitschek comandou até a morte, em 2005. A Vila é como se fosse uma cidadezinha do interior incrustada em plena capital do país.
Pegou a bolsa e a chave do Celta azul-marinho. Apertou o botão do alarme, mas ele não funcionou: o carro estava aberto. Mas a casa era gradeada e o auto ficava do lado de dentro. A vizinhança era tão tranquila que não era um grande problema esquecer de trancar uma vez ou outra.
Antes mesmo de abrir a porta do carro, reparou num barulhinho.
Um miado tímido. Dois miados.
- Não pode ser - pensou.
Abriu a porta, vasculhou os bancos, o porta-luvas, o porta-malas. Nada de gato.
Deixou a bolsa de lado, foi até a varanda da casa, olhou o jardinzinho que a mãe cultivava, remexeu os móveis da área da churrasqueira. Nada de gato.
Os miados cresciam em volume e duração.
Melissa voltou ao carro e se aproximou do único lugar que tinha esquecido de verificar. Abriu o capô. E viu dois pares de orelhinhas se mexendo. Era um mistério como tinham parado justamente ali, perto do motor.
A Vila Planalto fica perto do Lago Paranoá e de extensas áreas de grama e de cerrado. Lá, corujas voam e montam ninhos sem serem incomodadas. Cachorros circulam à vontade. E gatos vadios eventualmente atravessam as grades das casas para visitar os moradores.
- Graças a Deus, não liguei o motor. Deus me livre e guarde - disse, com o coração aos pulos.
Agachou-se e começou a chamar a dupla de gatos.
- Pssss, psss, psss, psss. Vem aqui, vem, gatinho. Pssss, psss, psss, psss. Ei, chaninho, vem com a mamãe, vem.
Depois de 15 minutos de pss para cá, chaninho para lá e nada, e já preocupada por conta do atraso (precisava bater cartão no tribunal às 7h em ponto), Melissa foi à cozinha e colocou leite num pires para ver se os gatos se animavam a sair dali.
E os gatos? Ainda no motor, miando.
Melissa podia deixá-los em paz e ir para o trabalho de busão, não fosse um detalhezinho de nada: ali, os ônibus demoravam a passar e eram péssimos. Seriam necessários uns dois deles e mais incontáveis minutos a pé em ruas cheias de barro duro e com poucas calçadas. Táxi também não dava. A moça não tinha um real na carteira, só cartões de crédito.
Usar o Gol dos pais, então, nem pensar: para tirá-lo da garagem, primeiro teria de afastar o próprio carro, o que significaria ligar o motor e matar os gatinhos imediatamente. Resolveu chamar o pai, aposentado, que ainda dormia feito um anjo. A mãe acabou abrindo os olhos também.
- Pai, acorda. Me ajuda a tirar um gato do motor do carro?
- Como é? - seu Domingos perguntou, entre sonolento e incrédulo.
A mãe achou que estava sonhando. Virou para o outro lado e continuou dormindo.
- Mas como é que o gato foi parar lá? – quis saber o pai.
- Na verdade, são dois, pai. Dois gatos. Não tenho a menor ideia de como isso aconteceu. O pior é que eu já tinha que estar no trabalho e não consigo fazer nenhum deles sair dali.
- Já chamou os dois, ofereceu comida, essas coisas?
- Já. Vou ligar para o trabalho e avisar que vou chegar mais tarde.
O pai achou uma antena antiga de tevê no quarto que servia de depósito. Aproximou-se do motor do carro e cutucou os bichos com cuidado. Três minutos depois, o primeiro deles saiu dali, atravessou o portão da casa e correu rápido, muito rápido. Era grande e rajado de cinza. O outro, um preto com manchas brancas que davam a impressão de haver meias nas patas, precisou de um pouco mais de tempo, uns 10 minutos, mais ou menos. Esse era mais folgado: ainda rondou o pires e tomou leite. Saiu miando calmamente em direção à rua.
- Obrigada, pai – retribuiu Melissa.
- Não foi nada, minha filha. Agora, vá, ou você se atrasa muito. Me liga quando chegar lá – pediu o homem.
Melissa chegou ao tribunal, estacionou, vestiu o crachá e subiu até a sala de trabalho. Já sentada à mesa, ligou para os pais e contou para os colegas, aos risos, o inacreditável motivo que a havia deixado um pouco atrasada naquela manhã de quarta.
Pouco antes das 9h, pegou uma pasta e uma caneta. Tinha de descer até o térreo e entrar numa reunião no prédio anexo. Entrou no elevador.
Quando a viagem terminou, a porta se abriu e Melissa quase desmaiou.
Dois gatos – um cinza gordo e um preto de patinhas brancas – esperavam-na pacientemente, em frente à porta do elevador, no hall de entrada do prédio. Não havia mais ninguém ali.
Antes de continuar, seria bom explicar que lugar é esse onde Melissa mora. A Vila Planalto nasceu a partir dos vários acampamentos das empreiteiras que construíram Brasília. Recebeu inúmeros pioneiros, pessoas que vieram de fora e permaneceram na cidade mesmo depois do fim da obra. Hoje, seus moradores vivem em casas, e não em prédios como os do Plano Piloto. O comércio local é pequeno, mas se destaca no setor de gastronomia. Fica lá, por exemplo, o Rosenthal, restaurante que o ex-cozinheiro de Juscelino Kubitschek comandou até a morte, em 2005. A Vila é como se fosse uma cidadezinha do interior incrustada em plena capital do país.
Pegou a bolsa e a chave do Celta azul-marinho. Apertou o botão do alarme, mas ele não funcionou: o carro estava aberto. Mas a casa era gradeada e o auto ficava do lado de dentro. A vizinhança era tão tranquila que não era um grande problema esquecer de trancar uma vez ou outra.
Antes mesmo de abrir a porta do carro, reparou num barulhinho.
Um miado tímido. Dois miados.
- Não pode ser - pensou.
Abriu a porta, vasculhou os bancos, o porta-luvas, o porta-malas. Nada de gato.
Deixou a bolsa de lado, foi até a varanda da casa, olhou o jardinzinho que a mãe cultivava, remexeu os móveis da área da churrasqueira. Nada de gato.
Os miados cresciam em volume e duração.
Melissa voltou ao carro e se aproximou do único lugar que tinha esquecido de verificar. Abriu o capô. E viu dois pares de orelhinhas se mexendo. Era um mistério como tinham parado justamente ali, perto do motor.
A Vila Planalto fica perto do Lago Paranoá e de extensas áreas de grama e de cerrado. Lá, corujas voam e montam ninhos sem serem incomodadas. Cachorros circulam à vontade. E gatos vadios eventualmente atravessam as grades das casas para visitar os moradores.
- Graças a Deus, não liguei o motor. Deus me livre e guarde - disse, com o coração aos pulos.
Agachou-se e começou a chamar a dupla de gatos.
- Pssss, psss, psss, psss. Vem aqui, vem, gatinho. Pssss, psss, psss, psss. Ei, chaninho, vem com a mamãe, vem.
Depois de 15 minutos de pss para cá, chaninho para lá e nada, e já preocupada por conta do atraso (precisava bater cartão no tribunal às 7h em ponto), Melissa foi à cozinha e colocou leite num pires para ver se os gatos se animavam a sair dali.
E os gatos? Ainda no motor, miando.
Melissa podia deixá-los em paz e ir para o trabalho de busão, não fosse um detalhezinho de nada: ali, os ônibus demoravam a passar e eram péssimos. Seriam necessários uns dois deles e mais incontáveis minutos a pé em ruas cheias de barro duro e com poucas calçadas. Táxi também não dava. A moça não tinha um real na carteira, só cartões de crédito.
Usar o Gol dos pais, então, nem pensar: para tirá-lo da garagem, primeiro teria de afastar o próprio carro, o que significaria ligar o motor e matar os gatinhos imediatamente. Resolveu chamar o pai, aposentado, que ainda dormia feito um anjo. A mãe acabou abrindo os olhos também.
- Pai, acorda. Me ajuda a tirar um gato do motor do carro?
- Como é? - seu Domingos perguntou, entre sonolento e incrédulo.
A mãe achou que estava sonhando. Virou para o outro lado e continuou dormindo.
- Mas como é que o gato foi parar lá? – quis saber o pai.
- Na verdade, são dois, pai. Dois gatos. Não tenho a menor ideia de como isso aconteceu. O pior é que eu já tinha que estar no trabalho e não consigo fazer nenhum deles sair dali.
- Já chamou os dois, ofereceu comida, essas coisas?
- Já. Vou ligar para o trabalho e avisar que vou chegar mais tarde.
O pai achou uma antena antiga de tevê no quarto que servia de depósito. Aproximou-se do motor do carro e cutucou os bichos com cuidado. Três minutos depois, o primeiro deles saiu dali, atravessou o portão da casa e correu rápido, muito rápido. Era grande e rajado de cinza. O outro, um preto com manchas brancas que davam a impressão de haver meias nas patas, precisou de um pouco mais de tempo, uns 10 minutos, mais ou menos. Esse era mais folgado: ainda rondou o pires e tomou leite. Saiu miando calmamente em direção à rua.
- Obrigada, pai – retribuiu Melissa.
- Não foi nada, minha filha. Agora, vá, ou você se atrasa muito. Me liga quando chegar lá – pediu o homem.
Melissa chegou ao tribunal, estacionou, vestiu o crachá e subiu até a sala de trabalho. Já sentada à mesa, ligou para os pais e contou para os colegas, aos risos, o inacreditável motivo que a havia deixado um pouco atrasada naquela manhã de quarta.
Pouco antes das 9h, pegou uma pasta e uma caneta. Tinha de descer até o térreo e entrar numa reunião no prédio anexo. Entrou no elevador.
Quando a viagem terminou, a porta se abriu e Melissa quase desmaiou.
Dois gatos – um cinza gordo e um preto de patinhas brancas – esperavam-na pacientemente, em frente à porta do elevador, no hall de entrada do prédio. Não havia mais ninguém ali.
domingo, fevereiro 01, 2009
Infiel: Notas de uma Antropóloga
Entre os tantos livros que estão na pilha do escritório para eu terminar algum dia, está Infiel: Notas de uma Antropóloga, que ganhei e comecei a ler numa noite sem sono. Apesar de ser bem escrito e permitir uma leitura rápida, o livro não é assim, superfantástico, porque foi feito, entre outras coisas, para mostrar a repercussão que suas obras anteriores (A Outra e De Perto Ninguém é Normal, entre outros) tiveram na imprensa. Até o momento, acho que ela se prolonga demais ao apresentar as reportagens que mereceu e, por isso, também espaça demais o melhor da obra, que é o relato de Mônica (nome fictício).
Trata-se de uma jornalista, que, depois da infância difícil, tornou-se independente, madura, cheia de borogodó, com vários casos, namorados e rolos e um único amor. Não sei como a história dela termina. E digo: o que mais que impacta no depoimento de Mônica não é a maneira como ela descreve o pai violento, a vinda para a cidade grande, as coisas que viveu na profissão e nem os muitos homens que teve. É o trecho que reproduzo abaixo, sobre um tema que tem me cutucado tanto que não pude deixar de compartilhar neste blog.
“Como jornalista, sei a dificuldade que as pessoas têm para ouvir. As pessoas, em geral, adoram falar sobre si mesmas e prestam muito pouca atenção no que os outros dizem. Fico impressionada, pois até os psicanalistas que entrevisto falam muito mais do que escutam. Eles já têm idéias preconcebidas sobre tudo e desatam a falar, sem nem mesmo prestar atenção às perguntas que faço. Tenho entrevistado, nos últimos anos, inúmeros profissionais para as matérias de comportamento que escrevo. Inúmeros “ólogos”, como dizemos na redação: psicólogos, antropólogos, sociólogos, sexólogos, etc. E cada vez mais reparo na dificuldade que eles têm para ouvir e na falta de interesse que têm pelos outros. Algumas vezes passo horas só escutando e eles nem percebem que não abri a boca, entro muda e saio calada e continuam falando. Fico até enjoada só de escutar o tom de suas vozes. Reclamam do governo, do patrão, da esposa ou do marido, dos filhos. Os que estão sozinhos reclamam que faltam homens e mulheres interessantes, como se eles merecessem alguém interessante. (...) É fácil perceber que se parassem de falar e ouvissem mais, prestassem atenção aos outros, se tornariam muito mais interessantes”.
Bom domingo a todos.
Trata-se de uma jornalista, que, depois da infância difícil, tornou-se independente, madura, cheia de borogodó, com vários casos, namorados e rolos e um único amor. Não sei como a história dela termina. E digo: o que mais que impacta no depoimento de Mônica não é a maneira como ela descreve o pai violento, a vinda para a cidade grande, as coisas que viveu na profissão e nem os muitos homens que teve. É o trecho que reproduzo abaixo, sobre um tema que tem me cutucado tanto que não pude deixar de compartilhar neste blog.
“Como jornalista, sei a dificuldade que as pessoas têm para ouvir. As pessoas, em geral, adoram falar sobre si mesmas e prestam muito pouca atenção no que os outros dizem. Fico impressionada, pois até os psicanalistas que entrevisto falam muito mais do que escutam. Eles já têm idéias preconcebidas sobre tudo e desatam a falar, sem nem mesmo prestar atenção às perguntas que faço. Tenho entrevistado, nos últimos anos, inúmeros profissionais para as matérias de comportamento que escrevo. Inúmeros “ólogos”, como dizemos na redação: psicólogos, antropólogos, sociólogos, sexólogos, etc. E cada vez mais reparo na dificuldade que eles têm para ouvir e na falta de interesse que têm pelos outros. Algumas vezes passo horas só escutando e eles nem percebem que não abri a boca, entro muda e saio calada e continuam falando. Fico até enjoada só de escutar o tom de suas vozes. Reclamam do governo, do patrão, da esposa ou do marido, dos filhos. Os que estão sozinhos reclamam que faltam homens e mulheres interessantes, como se eles merecessem alguém interessante. (...) É fácil perceber que se parassem de falar e ouvissem mais, prestassem atenção aos outros, se tornariam muito mais interessantes”.
Bom domingo a todos.
sexta-feira, janeiro 30, 2009
Pedaços de apuração
No Pedaços de Apuração, pretendo mostrar as histórias que não saíram na reportagem por total falta de espaço. Hoje, apresento o depoimento de Acácio Costa Calil, mineiro, professor de geografia da rede pública do Distrito Federal e sócio – junto com a irmã, Lucimar – do Pamonhão Kalú (assim mesmo, com acento). O misto de restaurante e lanchonete, que nasceu para ser especializado em produtos de milho, é um dos poucos de Brasília que conseguem se manter há mais de 30 anos. Detalhe para quem não veio aqui ainda: fundada há 48 anos e nove meses, a cidade tem um mercado gastronômico volátil, em que muitos lugares abrem e fecham em pouco tempo.
Descobri a coxinha de milho produzida lá durante a pesquisa para uma reportagem publicada nesta sexta-feira. Custa R$ 2,50 e vem quentinha. Tem recheio farto, com milho comum (e não o de lata, que tem sabor totalmente diferente), um pouco de frango desfiado e cebolinha numa quantidade mínima (nem precisei catá-la, hehe). O sabor surpreende porque o tempero é feito para valorizar o grão. Sei, no entanto, que muita gente vai resistir a experimentar por conta da atmosfera da casa. Digamos que o Kalú não é exatamente um lugar para levar um gato ou uma gata num primeiro encontro. Digo mais: a dupla de irmãos se beneficiaria tremendamente se pusesse tudo abaixo e fizesse um lugar moderninho e descolex especializado em coxinhas de milho.
A história contada pelo Acácio é bacana porque revela um pouco o que era viver em Brasília e no Brasil nos anos 1970, época de fundação do restaurante. Se o Edilson me mandar fotos do salgado, eu ponho no ar mais tarde.
“A coxinha de milho é uma receita que minha mãe, Luzia - que infelizmente não vive mais - criou em fevereiro de 1973. Naquele tempo, Brasília quase não tinha opções de lazer. Primeiro, havia o Conjunto Nacional, que era exclusivamente para fazer compras. Aliás, o Conjunto, que hoje é enorme, teve três fases de expansão. Além dele, havia o Gilberto Salomão, o Beirute, o Pamonhão, o Food’s - também na 110 Sul – e só.
Nosso cardápio tinha pamonha, curau e milho cozido. Depois, minha mãe pensou em fazer coxinha, um petisco servido em todos os bares. E pensou: ‘Minha especialidade não é milho? Então, vou botar milho na coxinha’. No primeiro dia, ela não vendeu nenhuma. Meu pai, libanês criado em Minas, brigou tanto com ela... Dizia: ‘Desde quando milho tem coxa?’.
Mas dona Luzia, que era goiana e conheceu meu pai em Minas, era persistente. No segundo dia, ela fritou um monte e resolveu que ia distribuir para quem fosse lá comprar outras coisas. As pessoas começaram a achar gostoso e a comprar.
A massa é a tradicional de coxinha, não muito grossa, e o recheio tem milho, frango e cebolinha. Nunca mexemos na receita. Quem comeu há 20, 30 anos, e experimentar hoje vai sentir o mesmo sabor. E o preço sempre variou entre US$ 1 e US$ 1,20. Cotamos assim, em dólar, porque quando meus pais montaram a loja a inflação era muito alta e a moeda mudava a toda hora.
O milho vem de Nerópolis, em Goiás, de uma fazenda de produção irrigada que fornece só para nós durante o ano inteiro, inclusive na entressafra. O curioso é que, quando o Pamonhão começou, era difícil ter milho o ano inteiro, porque a produção irrigada só se popularizou lá pelo fim dos anos 70 e nos anos 80. Antes disso, quando chegava junho, julho ou agosto, a gente tinha de fechar por pura falta de milho e dar férias coletivas. Uma vez, em 1974, ficamos 30 ou 40 dias sem. Foi por isso que resolvemos diversificar o cardápio.
Na época, o Pamonhão ficava na 110 Sul, em frente ao Beirute, e era um point de fim de noite. Só fechava junto com o Beirute – se ele quisesse fechar às seis da manhã, a gente agüentava até lá. E muita gente da música de Brasília passou por aqui. O Digão, dos Raimundos, adorava a coxinha; os meninos do Capital Inicial vinham também, assim como o Oswaldo Montenegro. Aliás, há muitos anos que o Montenegro me deve uma conta”.
PAMONHÃO KALÚ
105 Norte, Bloco D, Loja 3; 3273-7967. De terça a domingo, das 11h30 às 23h.
Descobri a coxinha de milho produzida lá durante a pesquisa para uma reportagem publicada nesta sexta-feira. Custa R$ 2,50 e vem quentinha. Tem recheio farto, com milho comum (e não o de lata, que tem sabor totalmente diferente), um pouco de frango desfiado e cebolinha numa quantidade mínima (nem precisei catá-la, hehe). O sabor surpreende porque o tempero é feito para valorizar o grão. Sei, no entanto, que muita gente vai resistir a experimentar por conta da atmosfera da casa. Digamos que o Kalú não é exatamente um lugar para levar um gato ou uma gata num primeiro encontro. Digo mais: a dupla de irmãos se beneficiaria tremendamente se pusesse tudo abaixo e fizesse um lugar moderninho e descolex especializado em coxinhas de milho.
A história contada pelo Acácio é bacana porque revela um pouco o que era viver em Brasília e no Brasil nos anos 1970, época de fundação do restaurante. Se o Edilson me mandar fotos do salgado, eu ponho no ar mais tarde.
“A coxinha de milho é uma receita que minha mãe, Luzia - que infelizmente não vive mais - criou em fevereiro de 1973. Naquele tempo, Brasília quase não tinha opções de lazer. Primeiro, havia o Conjunto Nacional, que era exclusivamente para fazer compras. Aliás, o Conjunto, que hoje é enorme, teve três fases de expansão. Além dele, havia o Gilberto Salomão, o Beirute, o Pamonhão, o Food’s - também na 110 Sul – e só.
Nosso cardápio tinha pamonha, curau e milho cozido. Depois, minha mãe pensou em fazer coxinha, um petisco servido em todos os bares. E pensou: ‘Minha especialidade não é milho? Então, vou botar milho na coxinha’. No primeiro dia, ela não vendeu nenhuma. Meu pai, libanês criado em Minas, brigou tanto com ela... Dizia: ‘Desde quando milho tem coxa?’.
Mas dona Luzia, que era goiana e conheceu meu pai em Minas, era persistente. No segundo dia, ela fritou um monte e resolveu que ia distribuir para quem fosse lá comprar outras coisas. As pessoas começaram a achar gostoso e a comprar.
A massa é a tradicional de coxinha, não muito grossa, e o recheio tem milho, frango e cebolinha. Nunca mexemos na receita. Quem comeu há 20, 30 anos, e experimentar hoje vai sentir o mesmo sabor. E o preço sempre variou entre US$ 1 e US$ 1,20. Cotamos assim, em dólar, porque quando meus pais montaram a loja a inflação era muito alta e a moeda mudava a toda hora.
O milho vem de Nerópolis, em Goiás, de uma fazenda de produção irrigada que fornece só para nós durante o ano inteiro, inclusive na entressafra. O curioso é que, quando o Pamonhão começou, era difícil ter milho o ano inteiro, porque a produção irrigada só se popularizou lá pelo fim dos anos 70 e nos anos 80. Antes disso, quando chegava junho, julho ou agosto, a gente tinha de fechar por pura falta de milho e dar férias coletivas. Uma vez, em 1974, ficamos 30 ou 40 dias sem. Foi por isso que resolvemos diversificar o cardápio.
Na época, o Pamonhão ficava na 110 Sul, em frente ao Beirute, e era um point de fim de noite. Só fechava junto com o Beirute – se ele quisesse fechar às seis da manhã, a gente agüentava até lá. E muita gente da música de Brasília passou por aqui. O Digão, dos Raimundos, adorava a coxinha; os meninos do Capital Inicial vinham também, assim como o Oswaldo Montenegro. Aliás, há muitos anos que o Montenegro me deve uma conta”.
PAMONHÃO KALÚ
105 Norte, Bloco D, Loja 3; 3273-7967. De terça a domingo, das 11h30 às 23h.
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Homework: Obama
A Jill, que está me ensinando a escrever melhor em inglês, me convenceu de que seria legal publicar esse artigo, originalmente um dever de casa, no blog. Como eu gostei pra caramba de como ficou o texto, mostro-o aqui hoje, com as datas atualizadas. Fiz na última segunda-feira, sem consultar muita coisa e antes de ler notícias tipo esta. A foto é de Jack Gruber, do jornal USA Today. Como diriam os norte-americanos, enjoy... :-)

The nearly-messianic inauguration speech delivered by the 44th president of the United States, Barack Obama, in Washington D.C. in January 20th dazzled hundreds of millions of people all over the world, including countless Brazilians who stood by TV screens in every possible place: at work, at stores that sell electronic devices, at cafes, just to mention a few. At the United States Capitol, Barack Obama presented a speech that was clearly inspired by the ideals of Abraham Lincoln and in the braveness of all the anonymous American citizens throughout history.
Written by 27-year-old Jon Favreau, known as Obama's mind reader, the words of new United States president were absolutely comprehensive. Both the author and the former senator tackled each and every issue that currently matter for the American population: economic crisis, homeland security, health care and education systems, environment and infrastructure, among many others. Meanwhile, in Brazil, many journalists were thrilled; friends celebrated; people paid close attention, and some Brazilians even shed a few tears provoked by a unique combination of words that expressed Obama’s will to lead a new era of peace, prosperity, and racial reconciliation.
Although it was fascinating to see Obama’s statements in Washington, unfortunately one of the reasons for such tremendous joy among Brazilians is the fact that not everyone understands one critical thing: the economic policy discreetly advocated by the new American president in his speech may not benefit the South American country. Obama’s State-oriented, protectionist approach to economy is extremely likely to have a negative effect in the Brazilian energy sector. The sentence “We will harness the sun and the winds and the soil to fuel our cars” suggests that, with a little help in the shape of subsidies, American ethanol producers can become more aggressive, whereas the Brazilian government will have to continue their uphill struggle to commercialize sugarcane ethanol in the United States.
Articles in the press describe the alleged empathy that the new secretary of agriculture, Tom Wilsack, has for the Brazilian biofuel. That is rather suspicious, since he is from Iowa, the greatest corn ethanol producer in the US. Also, the presidential concern regarding the search of environmentally correct energy sources is something to be applauded. But I will only believe in Wilsack’s empathy and in Obama’s concern only when I see the United States government lower the subsidies given to the local ethanol producers, who are much less efficient than the Brazilian ones. I have a feeling that I’ll have to be patient about it.
The government, parts of the media and the people of Brazil should not be blinded by Obama’s speeches and promises and pay more attention to their ethanol commercialization, which is extremely important for the country. Thousands of job openings may be created and millions of dollars can be earned if that market is strenghtened. Brazil’s government must be better prepared to defend its claim in the World Trade Organization (WTO). In a phone call with president Luiz Inácio Lula da Silva last Monday, Barack Obama affirmed his interest in increasing cooperation with Brazil in the energy sector. Further meetings scheduled between representatives from both countries will reveal whether the new US president is sincere or if his words are mere lip service.
The nearly-messianic inauguration speech delivered by the 44th president of the United States, Barack Obama, in Washington D.C. in January 20th dazzled hundreds of millions of people all over the world, including countless Brazilians who stood by TV screens in every possible place: at work, at stores that sell electronic devices, at cafes, just to mention a few. At the United States Capitol, Barack Obama presented a speech that was clearly inspired by the ideals of Abraham Lincoln and in the braveness of all the anonymous American citizens throughout history.
Written by 27-year-old Jon Favreau, known as Obama's mind reader, the words of new United States president were absolutely comprehensive. Both the author and the former senator tackled each and every issue that currently matter for the American population: economic crisis, homeland security, health care and education systems, environment and infrastructure, among many others. Meanwhile, in Brazil, many journalists were thrilled; friends celebrated; people paid close attention, and some Brazilians even shed a few tears provoked by a unique combination of words that expressed Obama’s will to lead a new era of peace, prosperity, and racial reconciliation.
Although it was fascinating to see Obama’s statements in Washington, unfortunately one of the reasons for such tremendous joy among Brazilians is the fact that not everyone understands one critical thing: the economic policy discreetly advocated by the new American president in his speech may not benefit the South American country. Obama’s State-oriented, protectionist approach to economy is extremely likely to have a negative effect in the Brazilian energy sector. The sentence “We will harness the sun and the winds and the soil to fuel our cars” suggests that, with a little help in the shape of subsidies, American ethanol producers can become more aggressive, whereas the Brazilian government will have to continue their uphill struggle to commercialize sugarcane ethanol in the United States.
Articles in the press describe the alleged empathy that the new secretary of agriculture, Tom Wilsack, has for the Brazilian biofuel. That is rather suspicious, since he is from Iowa, the greatest corn ethanol producer in the US. Also, the presidential concern regarding the search of environmentally correct energy sources is something to be applauded. But I will only believe in Wilsack’s empathy and in Obama’s concern only when I see the United States government lower the subsidies given to the local ethanol producers, who are much less efficient than the Brazilian ones. I have a feeling that I’ll have to be patient about it.
The government, parts of the media and the people of Brazil should not be blinded by Obama’s speeches and promises and pay more attention to their ethanol commercialization, which is extremely important for the country. Thousands of job openings may be created and millions of dollars can be earned if that market is strenghtened. Brazil’s government must be better prepared to defend its claim in the World Trade Organization (WTO). In a phone call with president Luiz Inácio Lula da Silva last Monday, Barack Obama affirmed his interest in increasing cooperation with Brazil in the energy sector. Further meetings scheduled between representatives from both countries will reveal whether the new US president is sincere or if his words are mere lip service.
quarta-feira, janeiro 28, 2009
Fontanarrosa, el Negro
Hoje, quarta-feira, dia mais punk de toda a semana, vou de post curtinho só para não ficar longe demais do blog.
Se não tivesse voltado a estudar espanhol (para escrever melhor nessa língua), não sei se algum dia eu teria ouvido falar do argentino Roberto "El Negro" Fontanarrosa (1944-2007), nascido em Rosario, escritor, quadrinista, humorista e um fã incontrolável de futebol. Desde que fui apresentada à obra do homem por meio de um vídeo no Youtube mandado pela prof., achei tudo muito bacana.
Neste site, dá para conhecer melhor a vida e a galeria de personagens do Fontanarrosa, que inclui figuras bizarras como o matador de aluguel Boogie, o Oleoso, o qual lembra demais alguns dos papéis do Schwarzenegger.
Aqui, você pode assistir a uma dramatização ótima do conto Viejo con Árbol, exibida no Canal 7 da Argentina. O som não está assim, uma Brastemp, mas dá para entender a conversa facilmente.
E, finalmente, neste link, está a primeira parte de uma palestra de que ele participou num congresso sobre a língua espanhola. O tema escolhido pelo humorista -- anistia aos palavrões -- provocou muitas risadas e algum desconforto, já que havia presidentes e tudo no auditório. Vou aproveitar que estou indicando o vídeo a vocês e assistir também. :-)
Amanhã eu escrevo mais. Beijos!
Se não tivesse voltado a estudar espanhol (para escrever melhor nessa língua), não sei se algum dia eu teria ouvido falar do argentino Roberto "El Negro" Fontanarrosa (1944-2007), nascido em Rosario, escritor, quadrinista, humorista e um fã incontrolável de futebol. Desde que fui apresentada à obra do homem por meio de um vídeo no Youtube mandado pela prof., achei tudo muito bacana.
Neste site, dá para conhecer melhor a vida e a galeria de personagens do Fontanarrosa, que inclui figuras bizarras como o matador de aluguel Boogie, o Oleoso, o qual lembra demais alguns dos papéis do Schwarzenegger.
Aqui, você pode assistir a uma dramatização ótima do conto Viejo con Árbol, exibida no Canal 7 da Argentina. O som não está assim, uma Brastemp, mas dá para entender a conversa facilmente.
E, finalmente, neste link, está a primeira parte de uma palestra de que ele participou num congresso sobre a língua espanhola. O tema escolhido pelo humorista -- anistia aos palavrões -- provocou muitas risadas e algum desconforto, já que havia presidentes e tudo no auditório. Vou aproveitar que estou indicando o vídeo a vocês e assistir também. :-)
Amanhã eu escrevo mais. Beijos!
terça-feira, janeiro 27, 2009
Cecília
Acabou de dar na tevê: 24 graus em Brasília. Como é julho, o céu não tem uma nuvem, o vento lá fora é louco e a umidade deve estar em 25%, 30%, ou menos até do que isso. Aqui em casa, apesar de bater um sol, eu sinto um frio tão animal que vou ter de listar tudo o que estou usando. Estou tipo um mulambo. Ridículo: duas meias normais, uma meia-calça, uma calça bailarina, uma camiseta, uma blusa de moletom, uma manta de alpaca que meu pai trouxe da Bolívia e, pqp de asa!, não sei mais o que eu faço para não congelar. Vou tentar descobrir onde guardei mesmo as luvinhas da viagem para Bariloche, aquelas com forro de carneiro.
Quer dizer, eu poderia tentar fazer isso se eu também não estivesse num cansaço animal. Não consigo mais. Vou ter de ir para a cama. Ou fico aqui? Pronto: vou ficar aqui e ver tevê só mais um pouco. Ou, se eu animar, vou até a banca comprar chicletes. Podia rolar um Trident roxo para passar esse bafão que nenhuma pasta de dentes resolve. Minha dieta não proíbe.
Eu não sei se digo que esse é um dos dias mais felizes da minha vida ou um dos mais inúteis. Acordei às 9h21 com o barulho da obra lá fora e me pesei: 41,5Kg para 1,68m. Fera. Só que, como sou uma estúpida, resolvi me presentear com a caixinha de morangos que mamis trouxe do Oba ontem. Comi inteira. Não pus nem adoçante de tão bons que estavam. Morango, uma unidade de 7g: 5 calorias. Isso vezes 24 dá 120 calorias.
Aí, vim para o computador ler os blogs das meninas, escrever alguma coisa no meu, botar umas fotos no fotolog, entrar no MSN para descobrir se a Amanda, minha irmã mais velha, conseguiu a passagem para vir para cá na semana que vem, baixar o disco do Fall Out Boy e escolher um modelo de iPod para minha mãe trazer do Canadá quando ela for para lá. Quando vi, já eram quase 13h30 e fui tomada por uma mega-fome. Pensei nas 120 calorias do café-da-manhã, que deveriam me sustentar pelo dia todo, e suspirei. Eu tinha duas opções: saquinho de sopa de queijo da Herbalife (91 calorias), salada (x calorias, dependendo dos ingredientes) ou suco de limão (com adoçante, zero caloria). Como nem Marisa nem ninguém está aqui hoje para lavar folhas e tal, preferi o suquinho. Foram uns três copos para encher bem.
Resolvi esperar o sol ficar mais fraco para ir malhar, e aí fiquei fazendo uma série de coisas. Quer dizer, fiquei tentando fazê-las, porque me deu uma leseira monstra e um frio do cão. Tentei pegar uma revista, mas fiquei muito devagar para ler. Dependendo do que for, eu paro a frase e volto para o começo. Entendi a primeira palavra? Ok. Entendi a segunda? Ok. E assim vou juntando tudo até formar frases. Só que é uma droga ler assim. É tipo voltar pros meus 6 anos. Mais tarde, se eu conseguir levantar para ligar o computador, vou perguntar lá no fórum se isso é normal.
Rezei para pedir perdão por não ter visitado a minha avó ontem (ela prepara praticamente um café colonial alegando que estou muito magra), para pedir que a Amanda chegue logo e para que eu consiga perder rápido os quilos que faltam. Andei um pouquinho, parei na porta no quarto da Amanda, fiquei olhando um tempão para as 31 latinhas de cerveja na estante dela e chorei, mas quase nada, de saudade. Antes de ir para o sofá, montei o meu mulambo com todas as peças de roupa que achei no armário. Pensei que seria altamente irônico se agora, que eu estou quase podendo vestir um short, uma regata ou um biquíni sem ficar com as pelancas todas aparecendo, eu tiver que andar assim por causa do frio que sinto. Caraca, essa casa é muito gelada.
Agora são 24 graus em Brasília, quase 17h30, e eu não fiz nada a tarde inteira. Tive uma manhã fera compensada por uma tarde inútil e estou sem coragem nem para ir à banca para comprar chicletes. Preciso decidir o que fazer. Mas acho que não vai fazer mal se eu virar assim de lado, me cobrir com a manta, fechar o olho e finalmente me esquecer de tudo.
Cecília compete com Érika pelo posto de personagem mais triste da minha criação.
Quer dizer, eu poderia tentar fazer isso se eu também não estivesse num cansaço animal. Não consigo mais. Vou ter de ir para a cama. Ou fico aqui? Pronto: vou ficar aqui e ver tevê só mais um pouco. Ou, se eu animar, vou até a banca comprar chicletes. Podia rolar um Trident roxo para passar esse bafão que nenhuma pasta de dentes resolve. Minha dieta não proíbe.
Eu não sei se digo que esse é um dos dias mais felizes da minha vida ou um dos mais inúteis. Acordei às 9h21 com o barulho da obra lá fora e me pesei: 41,5Kg para 1,68m. Fera. Só que, como sou uma estúpida, resolvi me presentear com a caixinha de morangos que mamis trouxe do Oba ontem. Comi inteira. Não pus nem adoçante de tão bons que estavam. Morango, uma unidade de 7g: 5 calorias. Isso vezes 24 dá 120 calorias.
Aí, vim para o computador ler os blogs das meninas, escrever alguma coisa no meu, botar umas fotos no fotolog, entrar no MSN para descobrir se a Amanda, minha irmã mais velha, conseguiu a passagem para vir para cá na semana que vem, baixar o disco do Fall Out Boy e escolher um modelo de iPod para minha mãe trazer do Canadá quando ela for para lá. Quando vi, já eram quase 13h30 e fui tomada por uma mega-fome. Pensei nas 120 calorias do café-da-manhã, que deveriam me sustentar pelo dia todo, e suspirei. Eu tinha duas opções: saquinho de sopa de queijo da Herbalife (91 calorias), salada (x calorias, dependendo dos ingredientes) ou suco de limão (com adoçante, zero caloria). Como nem Marisa nem ninguém está aqui hoje para lavar folhas e tal, preferi o suquinho. Foram uns três copos para encher bem.
Resolvi esperar o sol ficar mais fraco para ir malhar, e aí fiquei fazendo uma série de coisas. Quer dizer, fiquei tentando fazê-las, porque me deu uma leseira monstra e um frio do cão. Tentei pegar uma revista, mas fiquei muito devagar para ler. Dependendo do que for, eu paro a frase e volto para o começo. Entendi a primeira palavra? Ok. Entendi a segunda? Ok. E assim vou juntando tudo até formar frases. Só que é uma droga ler assim. É tipo voltar pros meus 6 anos. Mais tarde, se eu conseguir levantar para ligar o computador, vou perguntar lá no fórum se isso é normal.
Rezei para pedir perdão por não ter visitado a minha avó ontem (ela prepara praticamente um café colonial alegando que estou muito magra), para pedir que a Amanda chegue logo e para que eu consiga perder rápido os quilos que faltam. Andei um pouquinho, parei na porta no quarto da Amanda, fiquei olhando um tempão para as 31 latinhas de cerveja na estante dela e chorei, mas quase nada, de saudade. Antes de ir para o sofá, montei o meu mulambo com todas as peças de roupa que achei no armário. Pensei que seria altamente irônico se agora, que eu estou quase podendo vestir um short, uma regata ou um biquíni sem ficar com as pelancas todas aparecendo, eu tiver que andar assim por causa do frio que sinto. Caraca, essa casa é muito gelada.
Agora são 24 graus em Brasília, quase 17h30, e eu não fiz nada a tarde inteira. Tive uma manhã fera compensada por uma tarde inútil e estou sem coragem nem para ir à banca para comprar chicletes. Preciso decidir o que fazer. Mas acho que não vai fazer mal se eu virar assim de lado, me cobrir com a manta, fechar o olho e finalmente me esquecer de tudo.
Cecília compete com Érika pelo posto de personagem mais triste da minha criação.
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Yael Naim
Eu adoraria fazer um post gigantesco hoje (bolei umas histórias legais), mas não parei desde cedo, nem vou parar agora. Ainda há coisas trabalhosas a fazer. :-P
Deixo-os na companhia da cantora franco-israelense Yael Naïm, que descobri esses dias, não me lembro como. A moça fez com Toxic, de Britney Spears, mais ou menos o que o maranhense Zeca Baleiro fez com Proibida para Mim, do Charlie Brown Jr. Vocês vão ver os vídeos ou é melhor eu antecipar? :-)
Beijos.
domingo, janeiro 25, 2009
Léo
Meu primeiro personagem masculino. Enjoy.
Não repara não, hoje eu tô meio devagar, me deu uma dor de cabeça estranha mais cedo, e olha que eu nem estou para ficar menstruado. Huahuahauhauahuahuahuahauhauahuahauhauhauahuahuahuahuahauhauahuahuahuahauauhauhauhauhauahuaua... arf, arf, arf. Foi mal, eu tinha que fazer essa brincadeira. É nisso que dá ter três irmãs, mãe, primas, uma sobrinha, namorada, duas cunhadas, uma sogra supernova e umas 30 amigas. Já saí muito para comprar absorvente interno, externo, pequeno, médio, grande e até o hospitalar, que é gigante. Fiz tanto isso que perdi a vergonha. Fiquei mais sem-vergonha do que já era. Também conheço os efeitos colaterais do Ponstan, do Buscopan e de todos os remédios para cólica. Sei na prática o efeito de cada uma das alterações hormonais pelas quais a mulher passa num mês. Praticamente tirei um ph.D. em ginecologia.
Não virei ginecologista, mas esse negócio de viver com um monte de mulheres em todos os lugares, com todas elas chamando Léééo pra cá, Léééo pra lá, me mostrou uma série de coisas importantes, que vão muuuuito além do papo médico e daquele conselho de dar um tempo pra moça quando ela estiver com TPM.
Tenho formação de programador e desenvolvedor para a web e, curiosamente, fui parar numa empresa onde esse setor é 100% masculino e coalhado de nerds que, apesar de serem pessoas de caráter excelente, não pegam nem gripe. Num dia em que a minha namorada foi comigo a uma festa de fim de ano do povo do trabalho, deu o diagnóstico completo.
- Mô, tá explicado. Olha o visual deles! Já vi sapato social com meia esporte branca, camisa xadrez azul pra dentro da calça, com camiseta amarela por baixo, zíper aberto... Eles acham isso bonito? – ela me disse, segurando o riso.
- Você ainda não viu nada – retruquei.
- Eles sabem conversar, pelo menos?
Tive de explicar: não, não sabem. Esses aí precisavam de, sei lá, um curso de convivência com as mulheres. Primeiro, para sentir que elas não mordem. Basta saber observar, chegar, perguntar, falar, escutar, responder e não ser mala. Segundo, para aprender que usar meia esporte branca com sapato de trabalho, pagar cofrinho, ter pelos saindo pela gola da camisa e limpar o ouvido com tampinha de caneta Bic não são opções válidas. Sobre isso, qualquer uma vai saber orientar. Ninguém precisa ser metrossexual – a propósito, ô, palavrinha ridícula – para entender. Terceiro, para aprender que há mais na vida do que conversar sobre CVS, SVN, MVC, TDD, games, RPG, putaria online e outras coisas nerds bem típicas. Aliás, de putaria online esses caras entendem. De vida real, zero.
Outra coisa que o convívio com mulheres me ensinou, e na porrada, foi a diferença básica entre ser um cara maneiro, com quem tanto dá para bater papo numa boa quanto dar uns pegas, e virar um irmão ou um amiguinho gay. Porque existem diferenças entre esses dois últimos. O amigo bonzinho é aquele apaixonado que ouve todas as agruras da menina com o maior amor e só. Nunca vai ter uma chance real com ela, a não ser num momento de carência louca da moça – e olhe lá. Mané total. O outro é aquele com quem dá para falar de homem, fazer fofoca e compras no shopping, ir numa balada de electro cheia de drags, dançar até o chão e sentar no colinho porque nada acontece. Comigo não tem essa não. Sentou no colo, já era.
Mas até eu entender essas diferenças levou um tempo. É preciso saber a hora certa de falar e de ouvir, não ficar babando, fazer rir e, quando necessário, saber ter uma certa... Uma certa malandragem, não sei se essa é a palavra. Tem que saber a hora de encerrar o assunto quando ela começar a se lamuriar por causa do cara que você quer que saia de cena. Muita gente que eu conheço está acordando para essas coisas. Outros ainda nem se deram conta e estão virando irmãozinhos. Eu ainda penso que, um dia, se eu perder a paciência com o trabalho e não quiser fazer um concurso, ainda posso ganhar uma grana dando noções de sobrevivência a pessoas como aquelas lá da empresa. Posso dar umas palestras, umas aulas. Taí uma idéia. E o mais legal é que aprendi tudo isso de graça.
Não repara não, hoje eu tô meio devagar, me deu uma dor de cabeça estranha mais cedo, e olha que eu nem estou para ficar menstruado. Huahuahauhauahuahuahuahauhauahuahauhauhauahuahuahuahuahauhauahuahuahuahauauhauhauhauhauahuaua... arf, arf, arf. Foi mal, eu tinha que fazer essa brincadeira. É nisso que dá ter três irmãs, mãe, primas, uma sobrinha, namorada, duas cunhadas, uma sogra supernova e umas 30 amigas. Já saí muito para comprar absorvente interno, externo, pequeno, médio, grande e até o hospitalar, que é gigante. Fiz tanto isso que perdi a vergonha. Fiquei mais sem-vergonha do que já era. Também conheço os efeitos colaterais do Ponstan, do Buscopan e de todos os remédios para cólica. Sei na prática o efeito de cada uma das alterações hormonais pelas quais a mulher passa num mês. Praticamente tirei um ph.D. em ginecologia.
Não virei ginecologista, mas esse negócio de viver com um monte de mulheres em todos os lugares, com todas elas chamando Léééo pra cá, Léééo pra lá, me mostrou uma série de coisas importantes, que vão muuuuito além do papo médico e daquele conselho de dar um tempo pra moça quando ela estiver com TPM.
Tenho formação de programador e desenvolvedor para a web e, curiosamente, fui parar numa empresa onde esse setor é 100% masculino e coalhado de nerds que, apesar de serem pessoas de caráter excelente, não pegam nem gripe. Num dia em que a minha namorada foi comigo a uma festa de fim de ano do povo do trabalho, deu o diagnóstico completo.
- Mô, tá explicado. Olha o visual deles! Já vi sapato social com meia esporte branca, camisa xadrez azul pra dentro da calça, com camiseta amarela por baixo, zíper aberto... Eles acham isso bonito? – ela me disse, segurando o riso.
- Você ainda não viu nada – retruquei.
- Eles sabem conversar, pelo menos?
Tive de explicar: não, não sabem. Esses aí precisavam de, sei lá, um curso de convivência com as mulheres. Primeiro, para sentir que elas não mordem. Basta saber observar, chegar, perguntar, falar, escutar, responder e não ser mala. Segundo, para aprender que usar meia esporte branca com sapato de trabalho, pagar cofrinho, ter pelos saindo pela gola da camisa e limpar o ouvido com tampinha de caneta Bic não são opções válidas. Sobre isso, qualquer uma vai saber orientar. Ninguém precisa ser metrossexual – a propósito, ô, palavrinha ridícula – para entender. Terceiro, para aprender que há mais na vida do que conversar sobre CVS, SVN, MVC, TDD, games, RPG, putaria online e outras coisas nerds bem típicas. Aliás, de putaria online esses caras entendem. De vida real, zero.
Outra coisa que o convívio com mulheres me ensinou, e na porrada, foi a diferença básica entre ser um cara maneiro, com quem tanto dá para bater papo numa boa quanto dar uns pegas, e virar um irmão ou um amiguinho gay. Porque existem diferenças entre esses dois últimos. O amigo bonzinho é aquele apaixonado que ouve todas as agruras da menina com o maior amor e só. Nunca vai ter uma chance real com ela, a não ser num momento de carência louca da moça – e olhe lá. Mané total. O outro é aquele com quem dá para falar de homem, fazer fofoca e compras no shopping, ir numa balada de electro cheia de drags, dançar até o chão e sentar no colinho porque nada acontece. Comigo não tem essa não. Sentou no colo, já era.
Mas até eu entender essas diferenças levou um tempo. É preciso saber a hora certa de falar e de ouvir, não ficar babando, fazer rir e, quando necessário, saber ter uma certa... Uma certa malandragem, não sei se essa é a palavra. Tem que saber a hora de encerrar o assunto quando ela começar a se lamuriar por causa do cara que você quer que saia de cena. Muita gente que eu conheço está acordando para essas coisas. Outros ainda nem se deram conta e estão virando irmãozinhos. Eu ainda penso que, um dia, se eu perder a paciência com o trabalho e não quiser fazer um concurso, ainda posso ganhar uma grana dando noções de sobrevivência a pessoas como aquelas lá da empresa. Posso dar umas palestras, umas aulas. Taí uma idéia. E o mais legal é que aprendi tudo isso de graça.
Enquete alhures
Originalmente, direito do consumidor não seria um tópico a ser abordado no MCDQEPD. Mas resolvi abrir um post sobre isso porque a questão é importante.
O Blog do Consumidor, da minha companheira de front Naiobe Quelem, pergunta: quem de vocês, ao tentar trocar uma mercadoria, foi surpreendido com a resposta de que seria necessário devolver o produto à loja para que ele fosse submetido a uma análise técnica?
Por meio da resposta, o Procon do DF e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios saberão o quanto a prática -- ilegal -- virou algo corriqueiro no Distrito Federal. Leitores de outras cidades e estados também estão convidados a contar suas histórias nos comentários.
Eu já passei por isso e antecipo: bater o pé nessa situação vale a pena!
O Blog do Consumidor, da minha companheira de front Naiobe Quelem, pergunta: quem de vocês, ao tentar trocar uma mercadoria, foi surpreendido com a resposta de que seria necessário devolver o produto à loja para que ele fosse submetido a uma análise técnica?
Por meio da resposta, o Procon do DF e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios saberão o quanto a prática -- ilegal -- virou algo corriqueiro no Distrito Federal. Leitores de outras cidades e estados também estão convidados a contar suas histórias nos comentários.
Eu já passei por isso e antecipo: bater o pé nessa situação vale a pena!
sexta-feira, janeiro 23, 2009
Procedimento de sobrevivência na chuva
Ofereço, como cortesia, uma sugestão de procedimento destinada àqueles que precisam andar na rua nessa época de chuvas fortes e imprevisíveis (para quem ainda não veio a Brasília, é bom saber que temos seis meses de aguaceiro e mais seis de deserto) e, shit!, esqueceram o guarda-chuva em casa (ou nem sequer têm um). Informo que essa quase mandinga foi testada e comprovada por esta blogueira.
Você vai precisar de:
* Uma vestimenta de tecido opaco, escuro e não superleve, de preferência complementada por um casaco imponente, tipo um bom blazer.
* Um par de meias.
* Uma nota de R$ 10.
* Um leque (opcional).
Vista a roupa, coloque o par de meias carinhosamente na bolsa e confira se a nota de R$ 10 está na carteira. Quando você já estiver na rua e a chuva começar a apertar, coloque o casaco sobre a cabeça como se ele fosse um chador (se for mulher) ou um daqueles panos usados pelos xeiques árabes (se for homem). Se estiver com pressa, nada de dar uma de fracote e se esconder debaixo de uma marquise! Segure a onda e continue caminhando até avistar o primeiro vendedor de sombrinhas.
Nessa hora, retire a nota de R$ 10 da carteira e escolha a sombrinha de sua preferência (as melhores são as de cores fortes, tipo roxo ou laranja, porque essas ninguém esquece por aí). Peça ao vendedor para testá-la duas vezes e, nesse momento, eleve seu pensamento aos céus. No momento em que você abrir o guarda-chuva pela terceira vez (para usá-lo de fato) e voltar a andar na calçada molhada, você verá: a chuva parará dois segundos depois. Um sol alucinante aparecerá entre as nuvens ainda cinzentas e vai começar a fazer um calor africano. Hora de maldizer as roupas pesadas sobre o corpo e, ao mesmo tempo, lembrar que quem sai de roupa branca e levinha em época de chuva se ferra. Se você tiver um leque, abane-se!
Você também pode tirar o casaco e arregaçar as mangas da roupa, mas em hipótese nenhuma retire as meias sobressalentes da bolsa! Os deuses da chuva me disseram que os ímpios que o fazem recebem uma severa punição: no aguaceiro seguinte, molham irremediavelmente os sapatos e as meias que estão nos pés.
Você vai precisar de:
* Uma vestimenta de tecido opaco, escuro e não superleve, de preferência complementada por um casaco imponente, tipo um bom blazer.
* Um par de meias.
* Uma nota de R$ 10.
* Um leque (opcional).
Vista a roupa, coloque o par de meias carinhosamente na bolsa e confira se a nota de R$ 10 está na carteira. Quando você já estiver na rua e a chuva começar a apertar, coloque o casaco sobre a cabeça como se ele fosse um chador (se for mulher) ou um daqueles panos usados pelos xeiques árabes (se for homem). Se estiver com pressa, nada de dar uma de fracote e se esconder debaixo de uma marquise! Segure a onda e continue caminhando até avistar o primeiro vendedor de sombrinhas.
Nessa hora, retire a nota de R$ 10 da carteira e escolha a sombrinha de sua preferência (as melhores são as de cores fortes, tipo roxo ou laranja, porque essas ninguém esquece por aí). Peça ao vendedor para testá-la duas vezes e, nesse momento, eleve seu pensamento aos céus. No momento em que você abrir o guarda-chuva pela terceira vez (para usá-lo de fato) e voltar a andar na calçada molhada, você verá: a chuva parará dois segundos depois. Um sol alucinante aparecerá entre as nuvens ainda cinzentas e vai começar a fazer um calor africano. Hora de maldizer as roupas pesadas sobre o corpo e, ao mesmo tempo, lembrar que quem sai de roupa branca e levinha em época de chuva se ferra. Se você tiver um leque, abane-se!
Você também pode tirar o casaco e arregaçar as mangas da roupa, mas em hipótese nenhuma retire as meias sobressalentes da bolsa! Os deuses da chuva me disseram que os ímpios que o fazem recebem uma severa punição: no aguaceiro seguinte, molham irremediavelmente os sapatos e as meias que estão nos pés.
quinta-feira, janeiro 22, 2009
Todos querem ver Gisele
Coisas que só um dia de folga de plantão pode proporcionar: cozinhar, dormir depois do almoço e poder ver tudo o que eu quiser na tevê. Fiquei com o GNT Fashion sobre a São Paulo Fashion Week (SPFW), que está para mim como a Copa do Mundo está para os fãs de futebol. Anunciava-se, além dos desfiles, uma entrevista exclusiva com a mega-über-top-model-plus Gisele Bündchen, cada vez mais linda e magra, que desfilou três roupitchas para a Colcci (a marca é uma bobagem, na minha opinião; o desfile, idem; mas como a moça vem, todo mundo fica doido).
A maior parte das reportagens de tevê feitas com a moça é anunciada assim: primeiro, faz-se a chamada por uns quatro ou cinco blocos para segurar a audiência (todos querem ver Gisele). Depois, exibe-se o material, que normalmente é pífio, pois são tantos os assuntos proibidos que torna-se difícil elaborar uma lista decente de perguntas. Resultado: é muito difícil ver a modelo falar qualquer coisa que preste. Não é que ela seja burra (se fosse, não teria vencido como venceu) ou pouco eloquente (sei lá, não a conheço pessoalmente). Mas é uma entrevistada quase impossível, pelo que já vi até hoje. Ninguém é perfeito.
Tanto isso é verdade que a tal da exclusiva que a modelo deu para o GNT Fashion não era exatamente uma entrevista (infelizmente, não achei o vídeo no Youtube). Estava mais para um bate-papo como o de duas colegas que se encontram no banheiro do trabalho, sabe como é? Gisele não tem certeza de quem é Carmen Miranda, homenageada da SPFW ("É a das bananas?", perguntou) e também não sabe quem ela gostaria que desenhasse seu vestido de casamento (esse "não" eu até entendo, é para evitar especulações). Também revelou (uh! emoção) que tem dois iPods, um para música brasileira e outro para internacional. E que, no de repertório estrangeiro, o campeão de audiência tem sido John Mayer (pelo menos, tem bom gosto).
A entrevistadora ainda mencionou uma pesquisa que fez no Google e no Youtube para ver quantas menções havia para o nome "Gisele Bündchen¨. E quis saber se ela já havia feito o mesmo. A top garantiu que não. "Tem muita coisa? É coisa boa ou ruim?", respondeu. Fiquei especulando o que eu perguntaria se tivesse reportagem para fazer com a Gisele.
Minha reação suspirante à não-entrevista em questão foi procurar na internet coisas interessantes que já tenham sido veiculadas com a top falando. Descobri que ela se sai melhor em pautas (pautas?) bobinhas, que não exijam perguntas espinhosas e que, portanto, não a ponham em condição de vulnerabilidade. Achei um vídeo aqui e outro aqui. Também encontrei essa tentativa da revista GQ americana de fazer um trabalho mais sensual -- em termos de imagens e de texto também. A reportagem está em inglês e permite perceber como o repórter suou -- não só diante da visão da musa de underwear, mas também para transformar aquele fiapo de entrevista em um material digno de leitura. Recomendo.
Passar horas procurando por material sobre Gisele só para escrever no blog... taí outra coisa que só um dia de folga pode proporcionar. :-)
A maior parte das reportagens de tevê feitas com a moça é anunciada assim: primeiro, faz-se a chamada por uns quatro ou cinco blocos para segurar a audiência (todos querem ver Gisele). Depois, exibe-se o material, que normalmente é pífio, pois são tantos os assuntos proibidos que torna-se difícil elaborar uma lista decente de perguntas. Resultado: é muito difícil ver a modelo falar qualquer coisa que preste. Não é que ela seja burra (se fosse, não teria vencido como venceu) ou pouco eloquente (sei lá, não a conheço pessoalmente). Mas é uma entrevistada quase impossível, pelo que já vi até hoje. Ninguém é perfeito.
Tanto isso é verdade que a tal da exclusiva que a modelo deu para o GNT Fashion não era exatamente uma entrevista (infelizmente, não achei o vídeo no Youtube). Estava mais para um bate-papo como o de duas colegas que se encontram no banheiro do trabalho, sabe como é? Gisele não tem certeza de quem é Carmen Miranda, homenageada da SPFW ("É a das bananas?", perguntou) e também não sabe quem ela gostaria que desenhasse seu vestido de casamento (esse "não" eu até entendo, é para evitar especulações). Também revelou (uh! emoção) que tem dois iPods, um para música brasileira e outro para internacional. E que, no de repertório estrangeiro, o campeão de audiência tem sido John Mayer (pelo menos, tem bom gosto).
A entrevistadora ainda mencionou uma pesquisa que fez no Google e no Youtube para ver quantas menções havia para o nome "Gisele Bündchen¨. E quis saber se ela já havia feito o mesmo. A top garantiu que não. "Tem muita coisa? É coisa boa ou ruim?", respondeu. Fiquei especulando o que eu perguntaria se tivesse reportagem para fazer com a Gisele.
Minha reação suspirante à não-entrevista em questão foi procurar na internet coisas interessantes que já tenham sido veiculadas com a top falando. Descobri que ela se sai melhor em pautas (pautas?) bobinhas, que não exijam perguntas espinhosas e que, portanto, não a ponham em condição de vulnerabilidade. Achei um vídeo aqui e outro aqui. Também encontrei essa tentativa da revista GQ americana de fazer um trabalho mais sensual -- em termos de imagens e de texto também. A reportagem está em inglês e permite perceber como o repórter suou -- não só diante da visão da musa de underwear, mas também para transformar aquele fiapo de entrevista em um material digno de leitura. Recomendo.
Passar horas procurando por material sobre Gisele só para escrever no blog... taí outra coisa que só um dia de folga pode proporcionar. :-)
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Lálálá, estou apaixonada*
Update em 1º/5/2009: você quer saber se realmente está apaixonada? Então clique aqui para ler um post sobre o assunto.
Inacreditável, minha gente. Estou há três anos sem acompanhar nenhuma novela. Passei ao largo dos arranca-rabos de Flora e Donatela, da pegação entre Bebel e Olavo e outras histórias que prendem milhões de brasileiros (e de gente em outros países também!) em frente ao ecrã (adoro essa palavra). E aí, na última segunda-feira, parei 15 minutos para assistir à nova produção das oito na Globo: Caminho das Índias, de Glória Perez. O mais surreal é que tive enorme dificuldade de me segurar diante da tevê durante essa pequena quantidade de tempo. A cada vez que via algo horrível, me levantava para ir embora, mas algo mais forte me impedia (a vontade de sofrer, será? hehe). A novela é ruim, ruim demais, ruim pra cacete!!!!
Depois de criar núcleos que oscilavam entre Rio de Janeiro e Miami (em América) e Rio de Janeiro e Fez, no Marrocos (em O Clone), a autora teve a ideia de fazer uma história que viajasse entre Rio e Mumbai. Botou a Juliana Paes para ser atendente de telemarketing, o Márcio Garcia para ser um intocável que consegue se formar nos Estados Unidos (peraí, achei que os representantes dessa casta não tivessem sequer direito a documentos)... e os dois vão se amar sem beijos, tal qual num filme de Bollywood.
Caminho das Índias tenta imitar a estética dos filmes pop indianos, não consegue e ainda faz pior: tem texto e direção tão bizarros que corrói o trabalho de alguns dos nossos melhores atores. Eu não conseguia imaginar a Laura Cardoso, a Eliane Giardini, o Alexandre Borges ou o Lima Duarte atuando mal. Pois finalmente vi tudo isso.
Não consigo lembrar muito bem dos diálogos, mas sei que em algum momento a personagem da Juliana Paes diz: "Um amor que começa no Taj é um amor para sempre". Para depois repetir romanticamente, com uma dancinha, o nome do amado: "Bahuan, Bahuan...". Aaaaaaaaaaaaaargh!!! Ah, lembrei também que nesse mesmo episódio eles se encontraram umas cinco vezes. Em Mumbai (nem em Brasília isso acontece).
Pelo andar da carruagem (ou seria melhor do elefante?), creio que ainda vou ficar pelo menos mais uns 10 meses longe do folhetim das oito.
* Esse título é a tradução do que a mocinha do vídeo abaixo diz na primeira cena. O vídeo pertence a um episódio dos Simpsons em que a família hospeda o indiano do mercadinho em casa. Tanto o vídeo quanto o episódio completo são sensacionais. Recomendo muito.
Inacreditável, minha gente. Estou há três anos sem acompanhar nenhuma novela. Passei ao largo dos arranca-rabos de Flora e Donatela, da pegação entre Bebel e Olavo e outras histórias que prendem milhões de brasileiros (e de gente em outros países também!) em frente ao ecrã (adoro essa palavra). E aí, na última segunda-feira, parei 15 minutos para assistir à nova produção das oito na Globo: Caminho das Índias, de Glória Perez. O mais surreal é que tive enorme dificuldade de me segurar diante da tevê durante essa pequena quantidade de tempo. A cada vez que via algo horrível, me levantava para ir embora, mas algo mais forte me impedia (a vontade de sofrer, será? hehe). A novela é ruim, ruim demais, ruim pra cacete!!!!
Depois de criar núcleos que oscilavam entre Rio de Janeiro e Miami (em América) e Rio de Janeiro e Fez, no Marrocos (em O Clone), a autora teve a ideia de fazer uma história que viajasse entre Rio e Mumbai. Botou a Juliana Paes para ser atendente de telemarketing, o Márcio Garcia para ser um intocável que consegue se formar nos Estados Unidos (peraí, achei que os representantes dessa casta não tivessem sequer direito a documentos)... e os dois vão se amar sem beijos, tal qual num filme de Bollywood.
Caminho das Índias tenta imitar a estética dos filmes pop indianos, não consegue e ainda faz pior: tem texto e direção tão bizarros que corrói o trabalho de alguns dos nossos melhores atores. Eu não conseguia imaginar a Laura Cardoso, a Eliane Giardini, o Alexandre Borges ou o Lima Duarte atuando mal. Pois finalmente vi tudo isso.
Não consigo lembrar muito bem dos diálogos, mas sei que em algum momento a personagem da Juliana Paes diz: "Um amor que começa no Taj é um amor para sempre". Para depois repetir romanticamente, com uma dancinha, o nome do amado: "Bahuan, Bahuan...". Aaaaaaaaaaaaaargh!!! Ah, lembrei também que nesse mesmo episódio eles se encontraram umas cinco vezes. Em Mumbai (nem em Brasília isso acontece).
Pelo andar da carruagem (ou seria melhor do elefante?), creio que ainda vou ficar pelo menos mais uns 10 meses longe do folhetim das oito.
* Esse título é a tradução do que a mocinha do vídeo abaixo diz na primeira cena. O vídeo pertence a um episódio dos Simpsons em que a família hospeda o indiano do mercadinho em casa. Tanto o vídeo quanto o episódio completo são sensacionais. Recomendo muito.
terça-feira, janeiro 20, 2009
Tesouros da web 2

Outro serviço bacanésimo que encontrei esses dias é o site do Google onde é possível achar fotos da Life. Há imagens maravilhosas que vão desde 1750 até hoje. Na foto acima, uma exibição de modas da Maison Dior, em Paris, em 1962, quando os desfiles tinham outra cara...
Tesouros da web
Essa matéria sobre os quadros do Museu do Prado, em Madri (Espanha), que podem ser vistos em detalhes saiu hoje no caderno de cultura do Correio Braziliense e passo adiante porque a proposta do serviço é muito legal.
Quem já foi a esse museu, especialmente nos dias em que ele é gratuito, sabe o quanto ele lota e o quanto a busca por olhar algumas das pinturas mais importantes da história da arte pode ser meio enjoadinha. Observar detalhes desses quadros de perto, então, nem pensar, por causa daquela distância regulamentar básica que a segurança dos museus sempre impõe.
Para ver tudo, é preciso ter o software do Google Earth instalado na máquina. Eu ainda não baixei o programa, mas pretendo fazê-lo o quanto antes. :-)
Por dentro do Prado
Catorze obras-primas do Museu do Prado, em Madri, podem ser visitadas detalhadamente, graças a fotografia digital e a recursos de microscópio
Juliana Leão Coelho
Especial para o Correio
O Museu Nacional do Prado, em Madri, uma das maiores pinacotecas do mundo, tornou-se pioneiro em oferecer na internet imagens de seus melhores quadros em mega-alta definição. O projeto, recém-lançado no Google Earth, é fruto de acordo entre o buscador Google e o museu com objetivo de globalizar o acesso à arte. Para começar, foram escolhidas 14 obras-primas entre os 1.300 quadros expostos no Prado.
Usando a mesma tecnologia com que o Google Earth fotografa qualquer canto do planeta, foram tiradas 8.200 fotografias parciais, que depois foram montadas como num quebra-cabeças. O processo levou três meses para fotografar e outro tanto para mesclar com técnicas de microscópio e de atlas. O efeito de aproximação foi surpreendente, de uma nitidez 1.400 vezes maior que a de uma câmera digital de 10 megapixels.
Agora, podem-se ver detalhes que, antes, escapavam ao olho humano, o que é um presente para pesquisadores e amantes da arte em geral. Não somente são mostrados os pormenores secundários da tela, como também os traços e as pinceladas típicas de cada artista, além de pequenos truques. Por outro lado, os efeitos do tempo revelam-se no verniz esquartejado.
O Prado comemora, este ano, 190 anos de existência e entra de cheio no século 21 “com essa ferramenta deslumbrante, de um realismo prodigioso e que pretende universalizar a arte”, entusiasmou-se o diretor do museu, Miguel Zugaza. Os 14 quadros considerados imprescindíveis são de mestres europeus dos séculos 16 ao 19. Entre os espanhóis, destacam As Meninas, de Velásquez, em que ele retrata as princesinhas e a si próprio em segundo plano; o nobre Cavalheiro com a Mão no Peito, de El Greco; e o 3 de Maio, em que Goya mostra os horrores da invasão napoleônica.
Da escola italiana, estão a belíssima Anunciação, de Fra Angélico; o portrait de O Cardeal, de Rafaello; o imponente Imperador Carlos V, de Tiziano; além da delicada Imaculada Conceição, de Tiépolo. Da Alemanha, foi escolhido o autorretrato do belíssimo Albrecht Dürer. Os pintores holandeses e belgas da escola flamenga têm destaque especial. A Crucificação, de Juan de Flandes, e O Descendimento da Cruz, de Roger van der Weyden, são obras-primas da pintura religiosa. Nesse último, pode-se agora apreciar uma lágrima no olho de São João.
Também na tela As Três Graças, em que Rubens pinta as deusas da dança, do charme e da criatividade nuas, aparecem finos detalhes como uma abelha sobre uma rosa. Do gênio Rembrandt, está o quadro Artemisa, para o qual ele teria usado a própria mulher como modelo.
Criação do mundo
A obra mais esmiuçada será, sem dúvida, o tríptico O Jardim das Delícias Terrenas, pintado em 1505 por Hieronymus von Bosch (El Bosco). É uma das peças mais fascinantes da história da arte pelo simbolismo e genialidade e a que mais atrai os visitantes do Prado. Foi comprado pelo rei espanhol Felipe II, que o colocou em seu quarto, no palácio de El Escorial. Representa, nos laterais, a criação do mundo e o inferno. No centro, está o paraíso terrestre com todo tipo de prazeres carnais, desde o sexo livre à gula, descritos com símbolos vívidos e grande desinibição. Daí o enigma do quadro, pois contrapõe-se totalmente à sociedade cristã ultrabeata do século 16. Quando fechado, o tríptico mostra a Terra no terceiro dia da criação e a frase do salmo 33: “Ele o disse, e tudo foi feito. Ele mandou, e tudo foi criado”. Ao abri-lo, na Gênese à esquerda, aparece Deus com Adão e Eva.
O centro é a loucura total, a luxúria desenfreada, porém, bela e colorida. O gozo e o prazer são efêmeros e etéreos, como borbulhas, morangos e flores. As pessoas, todas nuas, não aparentam sentimento de culpa. Segundo vários autores, a Igreja só teria aceitado o quadro por ser uma utopia, pois mostra criaturas fantásticas, animais e plantas extraterrestres. Abundam o sarcasmo e o grotesco, além da crença medieval em bruxarias. O objetivo da obra seria moralizador, pois faz uma crítica ácida a essa humanidade pecadora, segundo a tradição medieval de deformar para dar lições de moral.
Para outros, Bosch (El Bosco em espanhol) era um gênio ultra-avançado para sua época, que conseguiu burlar a Igreja com sua fantasia. O quadro tem mil interpretações e é considerada a primeira grande obra surreal da história, cinco séculos antes de Breton, Dalí, Éluard, Ernst ou Tanguy.
MUSEU VIRTUAL
Para acessar as imagens no site www.google.es/prado, basta ativar a capa 3D dentro do Google Earth, clicar sobre o edifício do Prado e depois sobre cada quadro.
Quem já foi a esse museu, especialmente nos dias em que ele é gratuito, sabe o quanto ele lota e o quanto a busca por olhar algumas das pinturas mais importantes da história da arte pode ser meio enjoadinha. Observar detalhes desses quadros de perto, então, nem pensar, por causa daquela distância regulamentar básica que a segurança dos museus sempre impõe.
Para ver tudo, é preciso ter o software do Google Earth instalado na máquina. Eu ainda não baixei o programa, mas pretendo fazê-lo o quanto antes. :-)
Por dentro do Prado
Catorze obras-primas do Museu do Prado, em Madri, podem ser visitadas detalhadamente, graças a fotografia digital e a recursos de microscópio
Juliana Leão Coelho
Especial para o Correio
O Museu Nacional do Prado, em Madri, uma das maiores pinacotecas do mundo, tornou-se pioneiro em oferecer na internet imagens de seus melhores quadros em mega-alta definição. O projeto, recém-lançado no Google Earth, é fruto de acordo entre o buscador Google e o museu com objetivo de globalizar o acesso à arte. Para começar, foram escolhidas 14 obras-primas entre os 1.300 quadros expostos no Prado.
Usando a mesma tecnologia com que o Google Earth fotografa qualquer canto do planeta, foram tiradas 8.200 fotografias parciais, que depois foram montadas como num quebra-cabeças. O processo levou três meses para fotografar e outro tanto para mesclar com técnicas de microscópio e de atlas. O efeito de aproximação foi surpreendente, de uma nitidez 1.400 vezes maior que a de uma câmera digital de 10 megapixels.
Agora, podem-se ver detalhes que, antes, escapavam ao olho humano, o que é um presente para pesquisadores e amantes da arte em geral. Não somente são mostrados os pormenores secundários da tela, como também os traços e as pinceladas típicas de cada artista, além de pequenos truques. Por outro lado, os efeitos do tempo revelam-se no verniz esquartejado.
O Prado comemora, este ano, 190 anos de existência e entra de cheio no século 21 “com essa ferramenta deslumbrante, de um realismo prodigioso e que pretende universalizar a arte”, entusiasmou-se o diretor do museu, Miguel Zugaza. Os 14 quadros considerados imprescindíveis são de mestres europeus dos séculos 16 ao 19. Entre os espanhóis, destacam As Meninas, de Velásquez, em que ele retrata as princesinhas e a si próprio em segundo plano; o nobre Cavalheiro com a Mão no Peito, de El Greco; e o 3 de Maio, em que Goya mostra os horrores da invasão napoleônica.
Da escola italiana, estão a belíssima Anunciação, de Fra Angélico; o portrait de O Cardeal, de Rafaello; o imponente Imperador Carlos V, de Tiziano; além da delicada Imaculada Conceição, de Tiépolo. Da Alemanha, foi escolhido o autorretrato do belíssimo Albrecht Dürer. Os pintores holandeses e belgas da escola flamenga têm destaque especial. A Crucificação, de Juan de Flandes, e O Descendimento da Cruz, de Roger van der Weyden, são obras-primas da pintura religiosa. Nesse último, pode-se agora apreciar uma lágrima no olho de São João.
Também na tela As Três Graças, em que Rubens pinta as deusas da dança, do charme e da criatividade nuas, aparecem finos detalhes como uma abelha sobre uma rosa. Do gênio Rembrandt, está o quadro Artemisa, para o qual ele teria usado a própria mulher como modelo.
Criação do mundo
A obra mais esmiuçada será, sem dúvida, o tríptico O Jardim das Delícias Terrenas, pintado em 1505 por Hieronymus von Bosch (El Bosco). É uma das peças mais fascinantes da história da arte pelo simbolismo e genialidade e a que mais atrai os visitantes do Prado. Foi comprado pelo rei espanhol Felipe II, que o colocou em seu quarto, no palácio de El Escorial. Representa, nos laterais, a criação do mundo e o inferno. No centro, está o paraíso terrestre com todo tipo de prazeres carnais, desde o sexo livre à gula, descritos com símbolos vívidos e grande desinibição. Daí o enigma do quadro, pois contrapõe-se totalmente à sociedade cristã ultrabeata do século 16. Quando fechado, o tríptico mostra a Terra no terceiro dia da criação e a frase do salmo 33: “Ele o disse, e tudo foi feito. Ele mandou, e tudo foi criado”. Ao abri-lo, na Gênese à esquerda, aparece Deus com Adão e Eva.
O centro é a loucura total, a luxúria desenfreada, porém, bela e colorida. O gozo e o prazer são efêmeros e etéreos, como borbulhas, morangos e flores. As pessoas, todas nuas, não aparentam sentimento de culpa. Segundo vários autores, a Igreja só teria aceitado o quadro por ser uma utopia, pois mostra criaturas fantásticas, animais e plantas extraterrestres. Abundam o sarcasmo e o grotesco, além da crença medieval em bruxarias. O objetivo da obra seria moralizador, pois faz uma crítica ácida a essa humanidade pecadora, segundo a tradição medieval de deformar para dar lições de moral.
Para outros, Bosch (El Bosco em espanhol) era um gênio ultra-avançado para sua época, que conseguiu burlar a Igreja com sua fantasia. O quadro tem mil interpretações e é considerada a primeira grande obra surreal da história, cinco séculos antes de Breton, Dalí, Éluard, Ernst ou Tanguy.
MUSEU VIRTUAL
Para acessar as imagens no site www.google.es/prado, basta ativar a capa 3D dentro do Google Earth, clicar sobre o edifício do Prado e depois sobre cada quadro.
segunda-feira, janeiro 19, 2009
Selma
Eu sempre fui uma fã de livros de viagens. Devorei todos os Lonely Planet que pude, todos os Frommer’s, alguns Michelin e todos os guias com aquelas crianças remelentas na capa. E sou uma colecionadora daquelas revistinhas culturais que vêm em qualquer bom jornal do mundo. Mas, por mais que se leia tudo isso, sempre existe alguma coisa que só os moradores do local conhecem, alguma oportunidade ou roubada que só eles sabem identificar. Eu falo assim porque cheguei a Brasília ontem à tarde para uma reunião hoje na universidade e me aconteceu algo interessante na noite passada. O que eu faço? Sou professora no Rio de Janeiro. Sempre tive uma enorme curiosidade de conhecer Brasília, mas o timing nunca dava certo. Agora vou vir aqui durante um bom tempo porque estou participando de um grupo de trabalho na UnB. Daqui a pouco eu te conto mais sobre isso.
Pois bem: cheguei aqui com ótimas indicações, todas lidas na internet, a respeito de um barzinho no meio da Asa Sul. Como ninguém conhecido ia poder me acompanhar, botei minha roupa social e fui sozinha. Saí do hotel, peguei um táxi e, quando cheguei, vi que o lugar era realmente um charme. Detalhe número um: estava cedo demais. Nenhum brasiliense chega nesse bar às oito e pouco da noite. Só havia um casal de garçons e um rapaz lindíssimo, nos seus 30 anos, sentado numa banqueta, afinando um violão. Escolhi uma mesa e, em determinado momento, vi que ele estava me olhando. Achei isso muito normal. Tenho 45 anos e continuo absolutamente vistosa. Sempre fui assim: morenona, altona, com peitão e bundão. Claro que, depois de uma determinada idade, a pele e os cabelos já não são mais essas coisas, mas ainda assim sinto-me muito bem. Desde que me separei, há três anos, recebo cantadas de homens de todas as idades. Repito: todas.
Cumprimentei o músico e começamos a conversar, cada um no seu canto. Ele me explicou que tinha vindo de Goiânia e estava tocando ali havia três semanas, sempre às quartas-feiras. Deu um risinho e disse que o repertório era surpresa. Pedi uma taça de espumante, um sanduíche parecido com um croque monsieur e deixei-o falando, falando, falando. Quando vi, tinha dado a hora da apresentação começar. Mesmo assim, não havia quase ninguém no lugar. O pessoal só começou a chegar umas três músicas depois. O curioso é que ninguém se sentava no interior do bar, que, por sinal, é elegantíssimo. Iam todos para uma espécie de varanda, um puxadinho ao ar livre, sabe?
O violonista era fantástico. Além de bonito, era afinado, tinha voz de cantor da Motown. E, como todas as pessoas que entravam iam direto para o tal do puxadinho, sem dar a menor bola para a tal da música ao vivo, criou-se uma situação interessante: ele cantou para mim o show inteiro. Olhava para a partitura e olhava para mim. Senti que ele começou a mandar recados por meio das canções. Cantou várias músicas românticas do Buena Vista Social Club, de Caetano Veloso, do Marvin Gaye, do Rod Stewart. E, no intervalo, veio direto para a minha mesa. Falou várias bobagens. Muito facinho esse cantor. Só me faltava essa: vir para Brasília para uma reunião e arrumar um casinho de uma noite.
A gracinha continuou na segunda metade do show. Para cada música típica de repertório de bar, ele vinha com algo absolutamente inusitado e sensual. Eu, que já estava na terceira taça de espumante, me perguntei se a lingerie estava decente e se a depilação estava em dia. As respostas foram, respectivamente, sim (nada de calcinha bege) e sim. Ah, meu Deus, e cada olhar. Comecei a contar quanto faltaria para o fim da apresentação.
Quando ele finalmente chegou, o rapazinho começou a agradecer por todos que tinham ido lá naquela noite (a verdade era que ninguém tinha dado a mínima; descobri que o pessoal vai para a varanda para não ter de pagar couvert artístico, pode? Isso, só quem é local sabe). Avisou que aquela música era a última da noite e uma de suas preferidas. E aí me dei conta de que ele não tinha cantado nada nem de Chico nem de Vinicius. Pensei que seria um final maravilhoso para um show assim, romântico. Pois lá veio ele com Chico e Vinicius.
"Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar..."
Juro que não entendi. O homem me passa o show inteiro falando em magia, paixão e sedução e, no final, me vem com “gente humilde, que vontade de chorar”? E o que ele cantaria depois que a nossa transa acabasse? Trocando em Miúdos? Credo. Perdi a vontade na hora. No meio da música, fui ao banheiro, chamei um táxi, fechei a conta e fim. Até esperei ele terminar, mas sem ânimo algum. Inventei um mal súbito, dei-lhe um beijinho no rosto e fui embora. Ele ainda me perguntou se eu não lhe daria o meu telefone, mas desconversei. Adoro os homens, adoro namorar e não tenho nenhum preconceito contra histórias de uma noite. Sei que viver esse tipo de coisa vai ficar mais difícil daqui pra frente. Ao mesmo tempo, sei de uma coisa: o peito é meu, a bunda é minha, a pele é minha. E só dou tudo isso a quem tem um mínimo de coerência.
Pois bem: cheguei aqui com ótimas indicações, todas lidas na internet, a respeito de um barzinho no meio da Asa Sul. Como ninguém conhecido ia poder me acompanhar, botei minha roupa social e fui sozinha. Saí do hotel, peguei um táxi e, quando cheguei, vi que o lugar era realmente um charme. Detalhe número um: estava cedo demais. Nenhum brasiliense chega nesse bar às oito e pouco da noite. Só havia um casal de garçons e um rapaz lindíssimo, nos seus 30 anos, sentado numa banqueta, afinando um violão. Escolhi uma mesa e, em determinado momento, vi que ele estava me olhando. Achei isso muito normal. Tenho 45 anos e continuo absolutamente vistosa. Sempre fui assim: morenona, altona, com peitão e bundão. Claro que, depois de uma determinada idade, a pele e os cabelos já não são mais essas coisas, mas ainda assim sinto-me muito bem. Desde que me separei, há três anos, recebo cantadas de homens de todas as idades. Repito: todas.
Cumprimentei o músico e começamos a conversar, cada um no seu canto. Ele me explicou que tinha vindo de Goiânia e estava tocando ali havia três semanas, sempre às quartas-feiras. Deu um risinho e disse que o repertório era surpresa. Pedi uma taça de espumante, um sanduíche parecido com um croque monsieur e deixei-o falando, falando, falando. Quando vi, tinha dado a hora da apresentação começar. Mesmo assim, não havia quase ninguém no lugar. O pessoal só começou a chegar umas três músicas depois. O curioso é que ninguém se sentava no interior do bar, que, por sinal, é elegantíssimo. Iam todos para uma espécie de varanda, um puxadinho ao ar livre, sabe?
O violonista era fantástico. Além de bonito, era afinado, tinha voz de cantor da Motown. E, como todas as pessoas que entravam iam direto para o tal do puxadinho, sem dar a menor bola para a tal da música ao vivo, criou-se uma situação interessante: ele cantou para mim o show inteiro. Olhava para a partitura e olhava para mim. Senti que ele começou a mandar recados por meio das canções. Cantou várias músicas românticas do Buena Vista Social Club, de Caetano Veloso, do Marvin Gaye, do Rod Stewart. E, no intervalo, veio direto para a minha mesa. Falou várias bobagens. Muito facinho esse cantor. Só me faltava essa: vir para Brasília para uma reunião e arrumar um casinho de uma noite.
A gracinha continuou na segunda metade do show. Para cada música típica de repertório de bar, ele vinha com algo absolutamente inusitado e sensual. Eu, que já estava na terceira taça de espumante, me perguntei se a lingerie estava decente e se a depilação estava em dia. As respostas foram, respectivamente, sim (nada de calcinha bege) e sim. Ah, meu Deus, e cada olhar. Comecei a contar quanto faltaria para o fim da apresentação.
Quando ele finalmente chegou, o rapazinho começou a agradecer por todos que tinham ido lá naquela noite (a verdade era que ninguém tinha dado a mínima; descobri que o pessoal vai para a varanda para não ter de pagar couvert artístico, pode? Isso, só quem é local sabe). Avisou que aquela música era a última da noite e uma de suas preferidas. E aí me dei conta de que ele não tinha cantado nada nem de Chico nem de Vinicius. Pensei que seria um final maravilhoso para um show assim, romântico. Pois lá veio ele com Chico e Vinicius.
"Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar..."
Juro que não entendi. O homem me passa o show inteiro falando em magia, paixão e sedução e, no final, me vem com “gente humilde, que vontade de chorar”? E o que ele cantaria depois que a nossa transa acabasse? Trocando em Miúdos? Credo. Perdi a vontade na hora. No meio da música, fui ao banheiro, chamei um táxi, fechei a conta e fim. Até esperei ele terminar, mas sem ânimo algum. Inventei um mal súbito, dei-lhe um beijinho no rosto e fui embora. Ele ainda me perguntou se eu não lhe daria o meu telefone, mas desconversei. Adoro os homens, adoro namorar e não tenho nenhum preconceito contra histórias de uma noite. Sei que viver esse tipo de coisa vai ficar mais difícil daqui pra frente. Ao mesmo tempo, sei de uma coisa: o peito é meu, a bunda é minha, a pele é minha. E só dou tudo isso a quem tem um mínimo de coerência.
domingo, janeiro 18, 2009
Sabor de sábado
Meu plano para este sábado incluía ter um tempinho para escrever no blog. No entanto, acabei ficando tão pouco em casa (entre o momento de acordar e agora, uma meia hora, no máximo) que só deu tempo para responder um comentário, tomar banho e sair de novo. Em compensação, vi, ouvi e experimentei várias coisas legais na rua e registrei inúmeras idéias de textos e fotos para colocar aqui. Achei que seria legal deixar uma dica ou outra para quem já está na cidade ou pretende vir a Brasília em breve.
Quem vem do Recife, de Fortaleza, Natal, Aracaju, Salvador, Teresina ou Belém pode pular essa. Quem está aqui já conhece ou precisa conhecer esse lugar. E quem ainda virá de outras cidades não pode ignorar de jeito nenhum o Boteco, na 406 Sul. Foi inaugurado no segundo semestre do ano passado e ganhou fama muito rapidamente entre os boêmios daqui por inúmeros motivos bons e dois ruins. Entre os bons, está a decoração incrível, o atendimento gentil (artigo de luxo nessa cidade) e os petiscos inacreditáveis (pense em coxinhas de camarão e caranguejo, empadinhas de queijo do reino e outras fofuras). Em compensação, o colarinho do chope ocupa meia caldereta (pelo que li, é uma espécie de regra da casa, que estava para se tornar mais flexível depois de várias reclamações feitas pelos freqüentadores).
O outro aspecto chato tem a ver com o fato de o bar ter ficado tão querido: o lugar está sempre, todos os dias, invariavelmente lotado. Ou se chega às 18h ou nunca mais se consegue mesa. Por via das dúvidas, quem vai à noite deve dar uma olhada rápida no movimento antes mesmo de estacionar o carro. Se estiver com fila, esqueça. Já dei meia-volta durante tantas noites que acabei escolhendo outro horário para matar a saudade de lá: o do almoço. Pode-se fazer isso às sextas, aos sábados e aos domingos. Na sexta, a partir das 12h. No restante do fim de semana, a partir das 11h30. De segunda a quinta, é só à noite mesmo, das 17h em diante.
Nesse horário, a freqüência não é a mesma da do período da noite. É tão tranqüilo que dá para escolher a mesa. Há muita gente com família e criança e várias mesas com uma galera nos seus 45 ou 50 anos. Como não animei de beber (medinho da lei seca), não pude comprovar se realmente tornou-se possível que o colarinho do chope venha ao gosto do freguês. O legal é que provei uma receita que estava me intrigando havia semanas: a tal da paella de cabrito. Gente, bom demais.
A preparação é como a de uma paella comum, com muito açafrão, só que sem os frutos do mar. No lugar deles, vêm vários pedaços desfiados de cabrito e de uma lingüiça ótima. Não tenho muito mais o que descrever. A paella vem fumegando numa cumbuca pequena e a porção é individual, mas bem-servida. Quem tem ou está (como eu) com estômago míni pode dividir o prato e ainda provar mais alguma coisa do cardápio. Vale a pena. E o preço, R$ 12,90, é bem acessível, outra raridade nesta capital.
BOTECO
406 Sul, Bl. D, Lj. 35; 3443-4344. De segunda a quinta, das 17h à 1h. Sexta, das 12h às 2h. Sábado, das 11h30 às 2h. Domingo, das 11h30 à 1h.
Quem vem do Recife, de Fortaleza, Natal, Aracaju, Salvador, Teresina ou Belém pode pular essa. Quem está aqui já conhece ou precisa conhecer esse lugar. E quem ainda virá de outras cidades não pode ignorar de jeito nenhum o Boteco, na 406 Sul. Foi inaugurado no segundo semestre do ano passado e ganhou fama muito rapidamente entre os boêmios daqui por inúmeros motivos bons e dois ruins. Entre os bons, está a decoração incrível, o atendimento gentil (artigo de luxo nessa cidade) e os petiscos inacreditáveis (pense em coxinhas de camarão e caranguejo, empadinhas de queijo do reino e outras fofuras). Em compensação, o colarinho do chope ocupa meia caldereta (pelo que li, é uma espécie de regra da casa, que estava para se tornar mais flexível depois de várias reclamações feitas pelos freqüentadores).
O outro aspecto chato tem a ver com o fato de o bar ter ficado tão querido: o lugar está sempre, todos os dias, invariavelmente lotado. Ou se chega às 18h ou nunca mais se consegue mesa. Por via das dúvidas, quem vai à noite deve dar uma olhada rápida no movimento antes mesmo de estacionar o carro. Se estiver com fila, esqueça. Já dei meia-volta durante tantas noites que acabei escolhendo outro horário para matar a saudade de lá: o do almoço. Pode-se fazer isso às sextas, aos sábados e aos domingos. Na sexta, a partir das 12h. No restante do fim de semana, a partir das 11h30. De segunda a quinta, é só à noite mesmo, das 17h em diante.
Nesse horário, a freqüência não é a mesma da do período da noite. É tão tranqüilo que dá para escolher a mesa. Há muita gente com família e criança e várias mesas com uma galera nos seus 45 ou 50 anos. Como não animei de beber (medinho da lei seca), não pude comprovar se realmente tornou-se possível que o colarinho do chope venha ao gosto do freguês. O legal é que provei uma receita que estava me intrigando havia semanas: a tal da paella de cabrito. Gente, bom demais.
A preparação é como a de uma paella comum, com muito açafrão, só que sem os frutos do mar. No lugar deles, vêm vários pedaços desfiados de cabrito e de uma lingüiça ótima. Não tenho muito mais o que descrever. A paella vem fumegando numa cumbuca pequena e a porção é individual, mas bem-servida. Quem tem ou está (como eu) com estômago míni pode dividir o prato e ainda provar mais alguma coisa do cardápio. Vale a pena. E o preço, R$ 12,90, é bem acessível, outra raridade nesta capital.
BOTECO
406 Sul, Bl. D, Lj. 35; 3443-4344. De segunda a quinta, das 17h à 1h. Sexta, das 12h às 2h. Sábado, das 11h30 às 2h. Domingo, das 11h30 à 1h.
sexta-feira, janeiro 16, 2009
Observação entomológica número 1
Duas fotos que tirei lá em casa num dia de bobeira me fizeram pensar (num momento de mais bobeira ainda, é claro) sobre quem teria a existência mais dramática: os insetos que voam em volta das lâmpadas ou a cigarra da fábula de La Fontaine. Não sei de quem sinto mais pena.
A cigarra, como o autor faz questão de deixar claro, é uma louca irresponsável que, depois de não guardar comida para o inverno, ainda se humilha diante da formiga e definha aos poucos, até morrer. Já os bichinhos não precisam pensar em estoque. Devem se abastecer com micróbios coletados em qualquer lugar.
Os insetos da luz passam por um processo de auto-destruição que me faz lembrar de todos os casos de pessoas que já se acabaram em raves porque o ecstasy não bateu bem. Pelo menos na minha casa, eles vivem uma noite só. Chegam, voam, voam e voam desesperadamente, da mesma forma que alguém tomado pela droga dança, dança, dança e surta de calor. Na manhã seguinte, os insetos (assim como os que sucumbem aos comprimidinhos) estão estatelados no chão, murchos da silva, completamente ferrados, com as asas ressecadas pelo sol. Ao menos, morreram fazendo o que sabiam, e não pedindo clemência — é o que gosto de pensar.
Esteticamente falando, os voadores da lâmpada não só não causam nenhum asco como são muito mais legais. Eu não tinha a menor noção disso até o dia em que encontrei o espécime da foto, com umas manchas brancas incríveis na parte de baixo. Aproveitei que ele já estava morto mesmo e fiquei horas reparando nele. Só senti falta de um microscópio.
Depois dessa observação, pensei, medi, pesei. Contra si, os insetos da lâmpada apresentam apenas o fato de não terem um nome específico para eles. Naveguei no Google usando todas as palavras-chave que pude e não encontrei um link sequer capaz de me dizer que espécie é essa. Várias pessoas que conheço chamam-nas de bruxinhas, mas eu quero um nome apropriado, científico, pô. A cigarra da ficção até tem nome, mas sua feiúra e seu lento fim são incomparavelmente trágicos. Ô, vidinha mais fdp.
Frase do dia
De Glória Kalil à reportagem do Fashion Rio, no GNT. A moça perguntava que tendências de moda horrorosas -- tipo calça skinny, sandália gladiador ou calça sarouel -- teriam ainda fôlego para mais algumas temporadas:
"A calça sarouel é uma peça realmente democrática: consegue ficar horrível em todo mundo".
Fiquei ainda mais fã da Glória Kalil.
"A calça sarouel é uma peça realmente democrática: consegue ficar horrível em todo mundo".
Fiquei ainda mais fã da Glória Kalil.
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