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quarta-feira, janeiro 12, 2011

Praia no Uruguai: do it yourself

Praia com escultura de mão em tamanho gigante: no Brasil não tem...

Costumo dizer que duas coisas só podem ser encontrdas no Brasil:

1. Brodagem;

2. Praias com barraquinhas maneiras, água de coco, queijo coalho, Mate Leão, picolé de frutas, biscoito Globo e outros que-tais.

Os uruguaios certamente andam aprendendo a arte da brodagem para receber os brasileiros, que cada vez mais invadem o país (com passagem barata, fica tudo mais fácil).

Na maior parte dos lugares por onde andei, vi as pessoas sendo muito bem tratadas e os prestadores de serviço tentando falar português quando percebiam que os clientes eram brazucas.

Agora, praia com todas as delícias a que me referi lá em cima, só por aqui.


José Ignacio, nos arredores de Punta del Este: traga também a vitrolinha

E não é só porque queijo coalho e biscoito Globo são coisas nossas. Os hermanos poderiam muito bem fazer uma orla com, sei lá, empanadas, vendedores de água quente para o mate (o chimarrão de lá) e sorvetes Conaprole. Mas não há nada disso nas belas areias locais.

Em Punta del Este, La Barra, Manantiales e José Ignacio (todas bem próximas), por exemplo, vêem-se quilômetros e mais quilômetros de areia e nenhuma barraquinha, o que pode ser um perrengue para quem se pegou com sede em meio ao calor de lá.

Os uruguaios sempre levam a própria farofa os próprios equipamentos de praia (toalhas, cangas, guarda-sóis, cadeiras, etc.) e tudo aquilo que quiserem comer e beber, a começar pelo... mate, sempre pelo cafeinadíssimo mate. A garrafinha térmica não sai ao lado dos banhistas nem um minuto sequer.

Já falei que ir à praia fora do Brasil é uma experiência antropológica, né?

Repare na turma à esquerda: eles carregam um baldinho, e não é para brincar na areia


A lógica da farofa do do it yourself praiano só não vale se o sujeito estiver em um superultrarresort. Aí, sim, todo o serviço de praia, das cadeiras aos drinques, é garantido. Só não descobri se neles dá para encontrar aqueles chuveirinhos pós-praia que tanto amamos (em Miami eu sei que tem!).

Quem é brasileiro e está indo pela primeira vez pode estranhar tudo isso um bocado, como eu estranhei, de modo que vou contando a história completa logo.

Os albatrozes não precisam de barraquinhas nem de biscoitos Globo

Outro detalhe para os que têm viagem marcada para lá: não dá para esperar mar quentinho, desses bons para tomar banho.

Os poucos corajosos que vi entrando sempre protagonizavam umas cenas divertidas -- como o maluco de José Ignacio que veio correndo rapidaço desde o comecinho da faixa de areia (para morrer de suar, quem sabe) até dar aquele mergulho na água. Pode ir, que eu não vou.

Água quente, meu caro, só se você for do Nordeste para cima.

- Mas, Mari, aí a passagem é muito mais cara - você vai me dizer.

Sim, a passagem para o Uruguai é bem mais barata do que para Natal, e Punta del Este é mesmo badaladíssima no verão -- aliás, um hype que até agora estou tentando entender como começou.

Só não dá para procurar nem Natal nem Brasil no nosso vizinho.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Cariocas - 4

(Essa história não aconteceu comigo, eu só ouvi.)

A moça tomava seu banho de sol na praia, muito blasé, quando um carioca agacha perto dela e pergunta (com aquele s bem puxado):
- Tem horas?
E ela:
- Não.

O cara vai embora e volta minutos depois, agachando-se mais uma vez (não se esqueçam do sotaque; ele é essencial):
- Quer saber as horas?
A garota continua na dela:
- Não.

Ele sai de novo e, não satisfeito, retorna em seguida para soprar no ouvido dela:
- São 10h45...

E assim começou mais um amor de praia no Rio.

sábado, maio 15, 2010

Touca de banho


Ao contrário das outras imagens de B'dos (percebam a intimidade) que tenho postado aqui no blog, a foto acima não é minha, mas do Bruno Agostini (obrigada, cara). Isso porque a bateria da minha máquina me fez o favor de morrer bem no momento em que o dia acabou e chegamos à essa praia.

Ela se chama Miami Beach -- do mesmo jeito daquela que está nos EUA. No entanto, tem um jeito muito mais discreto e sossegado. Nos fins de tarde, a água fica tomada por moradores da ilha (eles sabem o que é bom).

E dá para observar um hábito curioso das mulheres bajans: elas usam touca de banho quando entram no mar. Meio mico, né? Mas serve para evitar que seus incríveis penteados afros se desfaçam na água.

É uma cena muito improvável de vermos no Brasil, porque nós adoramos uma escova e, de cabelos escovados, fugimos de qualquer coisa parecida com mar ou umidade.

Depois, porque uma mulher usando o acessório numa praia brasileira provavelmente vai ser MUITO zoada. A não ser que alguém invente a moda no próximo verão carioca, lógico. :-)

segunda-feira, novembro 23, 2009

Deixa eu aproveitar...

... que o Mahmoud Ahmadinejad -- aquele presidente que defende a ausência total de gays no Irã -- está aqui em Brasília para eu contar um negócio que vi lá no Rio.

Quem já foi à praia lá deve ter visto que há sempre uns aviõezinhos voando e carregando faixas com diferentes mensagens (propagandas, recadinhos de amor, etc.).

Pues, no dia em que fui à praia em Ipanema, perto do Posto 9 (onde, dizem, é o ponto preferido dos gays), um aviãozinho com uma faixa toda colorida de arco-íris sobrevoou a orla transmitindo a seguinte mensagem:

"Ahmadinejad, o Rio te beija!".

Coisa de carioca, né? Se eu disser que dei uma risadinha, estarei sendo discreta.

Ah, isso foi no mesmo dia em que vi a galera cantando funk pro mar e corri de um pseudoarrastão (mas depois conto essa história).

terça-feira, novembro 17, 2009

Cenas praianas


Eu tinha conseguido ultrapassar a massa humana que sempre se forma na beira do mar quando é fim de semana e faz calor no Rio de Janeiro (ainda mais em Ipanema). Fui nadando até o fundo e fiquei por ali mesmo -- a água é mais calma e quase ninguém vai lá.

Sem contar que o fundo do mar dá uma visão privilegiada da praia.

A gente vê ush prédiush, a gente vê geral (só para usar uma gíria local, hehe) e ainda umas cenas de comédia que rolam lá na beirinha.

Havia, por exemplo, uns 20 meninos (todos pós-adolescentes) que faziam o seguinte coro toda vez que uma onda se aproximava:

- Aêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê!!!!!!! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem!

E aí ou mergulhavam ou tomavam caixote.

Nos intervalos, ainda cantavam uns funkzinhos sujos cujas letras não posso reproduzir aqui porque: 1) eram realmente sujos; 2) não me lembro dos versos.

Tem noção do que é ver isso?

Lá do meio do mar, eu dava gargalhadas sozinha!

segunda-feira, novembro 16, 2009

Uma nova utilidade para o esparadrapo

Uma coisa é você ler sobre um determinado fenômeno ou comportamento. Outra completamente diferente é vê-los acontecendo na sua frente.

Não me lembro onde foi que li -- pode ter sido na coluna do Joaquim Ferreira dos Santos, n'O Globo -- sobre um estranho hábito de algumas moças do Rio de Janeiro. Quando estão na praia e tomam sol de biquíni, elas colam dois esparadrapos, um de cada lado do corpo, da virilha até o outro lado, na bunda, passando perto da cintura (eca, isso ficou meio mal escrito).

A ideia é a seguinte: fazer parecer que elas tomaram sol com um mega-maxi-biquíni em estilo fio dental e ficaram com marquinhas sexies. As tais marcas aparecerão por cima das calças, dos shorts e das saias de cintura baixa que elas usarão na balada, à noite.

Não sei quem inventou isso nem quem se amarra nesse tipo de coisa -- brasileiro, gringo, sei lá. Mas, se tem gente fazendo, é porque há fãs do negócio.

Então... fui à praia em Ipanema e eis que havia na minha frente uma morena de cabelos curtos, muito bronzeada e muito, muito magra. Tomava sol de biquíni azul-escuro com uma calcinha bem normal (grande, até) e, por cima, os tais dos dois esparadrapos para fingir marca de fio-dental.

Pois eu fiquei na praia a tarde toda -- sem esparadrapo e embaixo do guarda-sol, claro -- e a mulher resistiu bravamente ao sol de 40ºC que batia direto no cocoruto e no lombo marcado de esparadrapos.

Não tirei foto porque esse negócio de levar câmera para a praia no Rio é superarriscado.

Sabe-se lá como fica a combinação marca de biquíni grande + marca de esparadrapo. Não deve ser bonito, mas isso também não é problema meu, né? ;-)

Posso estar falando uma grande bobagem, mas provavelmente ela iria posar de morena carioca exótica mais tarde. Sempre há quem goste.