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segunda-feira, novembro 22, 2010

Grafites cariocas


No Rio há grafites muito legais, muito trabalhados, como se tivessem sido feitos sob encomenda.

O da foto de cima, por exemplo, tenho quase certeza de que foi produzido dessa forma. Isso porque grafiteiros trabalham à noite, e o criador desses peixes bizarros dava retoques em sua obra em plena luz do dia, numa avenida bem movimentada.

OK, nessa cidade as coisas mais estapafúrdias são feitas à vista de todo mundo, mas não creio que tenha sido o caso... ;-)

Não tirei muitas fotos nem desses nem de outros grafites porque coisas ruins podem acontecer com quem fica posando de fotógrafa gringa. Mas só olhar todos já foi superbom.

sábado, novembro 20, 2010

Lourão

A gente sabe que os bichos estão ficando velhinhos quando o pêlo original vai sendo aos poucos substituído por um de cor branca, certo?

Pois o labrador amarelo que parou bem na minha frente no café tinha o rosto todo claro, como se tivesse mergulhado em giz.

Entrado em anos, mas serelepe, mais ou menos como os bípedes que circulam ali entre Copacabana e o Leme. Quem conhece bem o Rio sabe do que estou falando. ;-)

Coisa linda de meu deuzi!

Fez das pedras portuguesas molhadas -- e cheias de gente -- a sua cama. Ao mesmo tempo, não parou quieto: levantou e abanou o rabão para crianças e adultos que passassem por ali para fazer um afago.

Deve ter ficado ali quase 10 minutos, completamente na sua, até que a dona (uma moça bronzeada e de cabelos aloirados, com a barriga pulando entre a calça jeans e o casaco justos) veio, chamando-o no falso inglês relax dos surfistas:

- E aí, Lourão? Vamo lá?

E Lourão, que não é mané, foi, claro.

terça-feira, novembro 16, 2010

Caninos

Sentar-se num café num dia de chuva, numa mesa bem em frente à rua, para olhar o movimento enquanto se toma um capuccino quentinho pode ser uma coisa espetacular quando se está numa cidade tipo Paris ou Buenos Aires.

E no Rio de Janeiro, é bom? Talvez... mas não é bem o que eu esperava fazer na manhã de sábado que passei lá.

Rio pede biquíni, e não blazer preto. Pede protetor solar FPS 50, chá mate gelado e bixxxxxcoito Globo! U-hu!

Mas, se a vida me deu um capuccino, e ele ainda por cima é quente, docinho e em grande quantidade, vou fazer cara de nojinho? Lógico que não.

Na frente do meu café tinha uma fila enorme formada por gente querendo apostar na Mega-Sena. Taí: observar os cariocas e sua vida de bairro é muito bom. Não tem nada a ver com o meu cotidiano daqui, de modo que qualquer movimento de cena se torna delicioso.

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Em dois momentos, pararam os pets mais diametralmente opostos do universo: aquele que vou chamar de A Chihuahua Preta Mais Marrenta do Mundo (ou CPMM, para facilitar os trabalhos) e o labrador velhinho mais serelepe da face da Terra, que vai ganhar um post só para ele.

CPMM é um desses bichos inadequados para a vida em sociedade: não pode ver nada que não seja a própria a dona, pois começa a latir de forma ensandecida enquanto mostra os minicaninos afiados.

Ela tem algo de ridículo, pois, embora seja um limão em forma de cachorro, desfila pelo Rio com lacinhos e roupinha de retalhos florais por cima da coleira peitoral.

E a cada vez que ela late, a dona (que exibe um cabelo chanel escovado em forma de capacete) levanta-a pela coleira, transformando CPMM em um cão voador.

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O estado de marra da dita cuja ficou ainda pior quando um menino de uns 8 anos, muito bonitinho, se aproximou querendo brincar.

Vamos deixar claro, em primeiro lugar, que a brincadeira dele não era muito inteligente: consistia em apontar dois dedos em direção à bichinha, como se quisesse furar seus olhos.

Pressentindo que o negócio ia dar merda, a dona da CPMM a fez dar um último voo espetacular em direção ao seu colo. Segundos depois, a mulher abaixou o rosto e deixou a mostra os olhos por trás dos óculos estilo Jackie Onassis.

Lentamente, e com um sotaque carioca muito forte, a dona disse:

- Ela morrrrrrrrrrrde.

Preciso dizer que o moleque saiu chutado?

quinta-feira, outubro 28, 2010

Cariocas - 4

(Essa história não aconteceu comigo, eu só ouvi.)

A moça tomava seu banho de sol na praia, muito blasé, quando um carioca agacha perto dela e pergunta (com aquele s bem puxado):
- Tem horas?
E ela:
- Não.

O cara vai embora e volta minutos depois, agachando-se mais uma vez (não se esqueçam do sotaque; ele é essencial):
- Quer saber as horas?
A garota continua na dela:
- Não.

Ele sai de novo e, não satisfeito, retorna em seguida para soprar no ouvido dela:
- São 10h45...

E assim começou mais um amor de praia no Rio.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Cariocas - 3

No Riocentro

Faxineira 1 - Você viu as meninas lá do outro pavilhão?
Faxineira 2 - Não...
Faxineira 1 - Elas vieram trabalhar de legging hoje. Fica muito melhor com essa camiseta cinza do que essa calça horrível.
Faxineira 2 - Ai, eu quero!

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No Galeão

Faxineira 1 - (Com forte sotaque nordestino) ...Pois aquela mulher ficou tão revoltada, mas tão revoltada, que começou a falar mal da Solange pra todo mundo. Foi na casa dela, atazanou o marido dela, foi atrás no salão e ainda botou o maior trabalho de macumba.
Faxineira 2 - Trabalho de macumba???
Faxineira 1 - Pois foi, minha filha. E isso ninguém me disse. Foi DEUS quem me amostrou!

terça-feira, outubro 26, 2010

Cariocas - 2





Nesse dia (sábado passado), tirei fotos até o tempo abrir. Quando abriu, corri para a praia e fiquei invejando os bombeiros que trabalham de prancha. Deus, eles devem enfrentar altos perrengues como salva-vidas, mas também pegam onda todos os dias! Adoro.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Cariocas - 1


A Barra não é exatamente o Rio, mas eu gosto dela mesmo assim. Acho a praia legal e adoro os prédios pequenininhos, parecendo uma versão (muito) melhorada de Capão Novo (alguém conhece? Fica no RS), onde eu passava o verão quando era baby.

Agora, a parte mais parecida com Miami, cheia de arranha-céus, shoppings Godzilla e caminhonetaças... não encaro. Essas fotos eu sempre tirava uns minutinhos antes de entrar no ônibus para ir trabalhar. Era sempre o momento em que o tempo abria. Hehehe.


Riocentro. No primeiro dia do evento, a turma do apoio arrumou essas faixas no chão, cujas cores correspondiam aos assuntos que iriam ser debatidos nas plenárias. Muito legal.

A banda da Polícia Militar do RJ tocou até Lulu Santos no dia de abertura. Como vi Tropa de Elite 2 há pouco mais de uma semana, não deu para não pensar em como seria o cotidiano dos caras...

segunda-feira, novembro 23, 2009

Deixa eu aproveitar...

... que o Mahmoud Ahmadinejad -- aquele presidente que defende a ausência total de gays no Irã -- está aqui em Brasília para eu contar um negócio que vi lá no Rio.

Quem já foi à praia lá deve ter visto que há sempre uns aviõezinhos voando e carregando faixas com diferentes mensagens (propagandas, recadinhos de amor, etc.).

Pues, no dia em que fui à praia em Ipanema, perto do Posto 9 (onde, dizem, é o ponto preferido dos gays), um aviãozinho com uma faixa toda colorida de arco-íris sobrevoou a orla transmitindo a seguinte mensagem:

"Ahmadinejad, o Rio te beija!".

Coisa de carioca, né? Se eu disser que dei uma risadinha, estarei sendo discreta.

Ah, isso foi no mesmo dia em que vi a galera cantando funk pro mar e corri de um pseudoarrastão (mas depois conto essa história).

quinta-feira, novembro 19, 2009

Isso não é uma obra de arte

Essa foto eu tirei por achar que a posição do homem dormindo lembrava a do Cristo nesses quadros/esculturas da Pietà (e nem tem muito a ver, no fim das contas). As colunas são a do Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro.

PS.: tentar ver beleza na miséria não é bem a minha praia.

P.S.: tentar ver beleza na miséria não é a minha praia.

terça-feira, novembro 17, 2009

Cenas praianas


Eu tinha conseguido ultrapassar a massa humana que sempre se forma na beira do mar quando é fim de semana e faz calor no Rio de Janeiro (ainda mais em Ipanema). Fui nadando até o fundo e fiquei por ali mesmo -- a água é mais calma e quase ninguém vai lá.

Sem contar que o fundo do mar dá uma visão privilegiada da praia.

A gente vê ush prédiush, a gente vê geral (só para usar uma gíria local, hehe) e ainda umas cenas de comédia que rolam lá na beirinha.

Havia, por exemplo, uns 20 meninos (todos pós-adolescentes) que faziam o seguinte coro toda vez que uma onda se aproximava:

- Aêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê!!!!!!! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem! Vem!

E aí ou mergulhavam ou tomavam caixote.

Nos intervalos, ainda cantavam uns funkzinhos sujos cujas letras não posso reproduzir aqui porque: 1) eram realmente sujos; 2) não me lembro dos versos.

Tem noção do que é ver isso?

Lá do meio do mar, eu dava gargalhadas sozinha!

segunda-feira, novembro 16, 2009

Uma nova utilidade para o esparadrapo

Uma coisa é você ler sobre um determinado fenômeno ou comportamento. Outra completamente diferente é vê-los acontecendo na sua frente.

Não me lembro onde foi que li -- pode ter sido na coluna do Joaquim Ferreira dos Santos, n'O Globo -- sobre um estranho hábito de algumas moças do Rio de Janeiro. Quando estão na praia e tomam sol de biquíni, elas colam dois esparadrapos, um de cada lado do corpo, da virilha até o outro lado, na bunda, passando perto da cintura (eca, isso ficou meio mal escrito).

A ideia é a seguinte: fazer parecer que elas tomaram sol com um mega-maxi-biquíni em estilo fio dental e ficaram com marquinhas sexies. As tais marcas aparecerão por cima das calças, dos shorts e das saias de cintura baixa que elas usarão na balada, à noite.

Não sei quem inventou isso nem quem se amarra nesse tipo de coisa -- brasileiro, gringo, sei lá. Mas, se tem gente fazendo, é porque há fãs do negócio.

Então... fui à praia em Ipanema e eis que havia na minha frente uma morena de cabelos curtos, muito bronzeada e muito, muito magra. Tomava sol de biquíni azul-escuro com uma calcinha bem normal (grande, até) e, por cima, os tais dos dois esparadrapos para fingir marca de fio-dental.

Pois eu fiquei na praia a tarde toda -- sem esparadrapo e embaixo do guarda-sol, claro -- e a mulher resistiu bravamente ao sol de 40ºC que batia direto no cocoruto e no lombo marcado de esparadrapos.

Não tirei foto porque esse negócio de levar câmera para a praia no Rio é superarriscado.

Sabe-se lá como fica a combinação marca de biquíni grande + marca de esparadrapo. Não deve ser bonito, mas isso também não é problema meu, né? ;-)

Posso estar falando uma grande bobagem, mas provavelmente ela iria posar de morena carioca exótica mais tarde. Sempre há quem goste.

quarta-feira, novembro 11, 2009

Passaram todos esses anos e você...


Eu nunca tinha reparado: há grafites por todo o Rio de Janeiro. E, em geral, eles são muito legais. Ocupam muros inteiros de vários lugares, como a Lagoa, o Centro e São Cristóvão. Só não fotografei mais porque não deu tempo.

Esse eu achei em Santa Teresa. Não num muro, e sim no asfalto. Pelo formato da fonte, dá para observar que a pessoa fez um molde e só jogou a tinta ali.

Penso que ela fez isso por duas razões: primeiro, para a mensagem ficar direitinha e uniforme. Segundo, para poder espalhar o recado pela cidade. Ah, os corações partidos e vingativos...

terça-feira, novembro 10, 2009

Daí que...

...Bastou uma viagenzinha para eu ficar louca pra reabrir o cafofo de novo.

Como eu decidi que viria quando desse na telha, tô aqui. o/

Há uma semana, fui pro Rio a trabalho e só não fumei, enchi a cara, peguei geral e dancei até o chão porque não faço nada disso. Em compensação, trabalhei, fui à praia quase todos os dias, tirei um milhão de fotos, bati uns papos completamente diferentes e ri umas 800 vezes. Em síntese, foi tudo ótimo!

Fiquei sofrendinho ontem à noite porque não queria ir embora do Rio nunca mais, mas a verdade é que eu também gosto de voltar para casa, para o meu sofá marrom, para as minhas canecas, a minha granola com leite, para o Parque Olhos d'Água e para os canais de filmes na tevê.

Vou colocar umas fotos e uns relatos aqui para vocês comprovarem (se é que ainda duvidam) que foi bom mesmo.

A foto acima é de uma flor de gengibre que descobri no Jardim Botânico.

Talvez seja autossugestão, mas sinto um cheiro ótimo e não identificado enquanto escrevo esse post.

bjo!