quinta-feira, abril 08, 2010
Na fila da vacina
Eu bem sei que aparência não é tudo na vida, mas esse tufo de cabelo grisalho que brota da pinta do seu queixo está me dando nos nervos.
A gente podia fazer o seguinte, diga-me se você concorda: primeiro, passa-se uma tesourinha. E o resto se elimina com cera quente, que não dói nada.
Pode ser? Você parece ser simpática e agradável e coisa e tal, mas vai ser difícil eu sustentar uma conversa de muito tempo contigo, porque meu olho de revisora vai direto na sua pinta.
Valeu, companheira.
domingo, abril 04, 2010
Cozinha da alma

Escrevo comandado entre aspas porque o restaurante Soul Kitchen está mais para Kitchen Nightmares -- aquele programa do chef-celebridade Gordon Ramsay -- do que para qualquer outra coisa. Para começar, a cozinha é um nojo. Da comida, então, o que dizer? Já sei: tudo o que você imaginar congelado e temperado por quantidades industriais de creme de leite.
Mesmo assim, tem gente que vai lá, come, paga, acha o lugar uma maravilha e assim o jovem Kazantsakis segue a vida. Na verdade, o que ele quer saber mesmo é quando vai conseguir fechar o restaurante para acompanhar a namorada, Nadine, que está de mudança para a China e zero a fim de ficar sozinha do outro lado do mundo, transando via Skype.
No entanto, numa dessas reviravoltas que a vida dá, nosso anti-herói tem a chance de transformar o Soul Kitchen num local com (perdoem a obviedade) um bocado a mais de alma. De tosco, o restaurante se transforma em um lugar aonde eu adoraria ir na vida real: um galpão enorme com um chef maravilhoso, música boa (black music e rock) e publicidade em stencil grafite. Mais: começa a dar dinheiro e conquista até as autoridades sanitárias de Hamburgo, que antes queriam fechá-lo.
Seria tudo uma maravilha se Kazantsakis não tivesse, a milhares de quilômetros de distância, uma mulher loira e brava pressionando-o para que ele largue a Alemanha e vá para Shangai. Nessa situação de dúvida se apóia todo o filme -- que, além de dar uma fome danada, ainda revela trilha sonora incrível e diversas críticas à suposta eficiência do Estado alemão.
Para apoiar (ou sabotar) as escolhas do protagonista, surgem uma série de personagens: um amigo de infância um tanto quanto suspeito; o irmão de Kazantsakis, presidiário; uma garçonete meio doidinha... E não dá para esquecer o chef que salva o restaurante das ruínas, uma figuraça.
Essa turma, tão na corda bamba quanto o próprio dono do Soul Kitchen, dá ainda mais gosto a um roteiro que só peca pelo excesso de soluções fáceis, instantâneas, como os pratos do antigo restaurante. Sabe coincidência, grana que aparece milagrosamente, etc.? É por aí.
Mas isso não pode ser motivo para deixar de ver o longa, que ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Veneza em 2009 e, em Brasília, está sendo exibido em apenas dois horários na Academia de Tênis. Se puder, corra e vá ver, que a obra merece.
sábado, abril 03, 2010
sexta-feira, abril 02, 2010
Na 25 de Março - Último post da série
Enquanto F., meu amigo cearense, procurava botas para trilha numa loja da Rua 25 de Março, dei de cara com esse par horrendo de Crocs -- sem os olhos do pé esquerdo e, mesmo assim, ainda à venda na porta, ao lado de um monte de sandálias engraçadinhas.
Quando ele voltou para irmos embora (as botas da 25 de Março custavam o mesmo que as de Fortaleza), comentei:
- Detesto trazer máquina para cá, mas hoje era um dia bom. Vi uns Crocs que davam um post pro blog.
- Eu trouxe e te empresto. Mas será que não vão brigar contigo por tirar fotos da loja? - respondeu ele.
- Por tirar foto de um Crocs? Até parece. Se eles não venderem, não é porque eu tirei foto, é porque esse sapato é horrível.
Daí que peguei a máquina emprestada e fiz três fotos correndo! A qualidade não está lá essas coisas, mas pelo menos consegui... e ninguém pegou no meu pé.
Pra vocês verem que até Crocs visually impaired a gente encontra na 25 de Março.
terça-feira, março 30, 2010
Adoro jornais populares
segunda-feira, março 29, 2010
Pet.jpg
domingo, março 28, 2010
Na 25 de Março - Parte 3
A primeira, como vocês devem ter visto nos dois posts abaixo, é a quantidade de papos maravilhosos que se ouve -- algo natural num lugar por onde passam milhares de pessoas por dia (na época do Natal, são milhões).
A segunda? A variedade de produtos que podem ser comprados com qualquer quantia. Você tem só R$ 1? Bom, então já consegue sair de lá com uma lembrancinha.
A própria diversidade de quinquilharias à venda é inacreditável. Tem tudo que você imaginar em verde-e-amarelo para a copa do mundo, estátuas de noivinhos (para bolos de casamento) em todos os tamanhos e posições e artigos incríveis para casa (tipo descascador de pinhão), entre outros mil itens.
Surpreendentemente, o amigo que me acompanhou no passeio teve uma dificuldade danada de encontrar um radinho portátil. E olha que a gente rodou.
Não vou me lembrar em qual esquina fica, mas há um shopping popular chamado 25 de Março (dã), que, para mim, é uma espécie de universo paralelo. Cheio de compradores, de produtos e principalmente de chineses (atrás dos balcões), que, em sua maioria, falam um português precário. Sério, tinha muito mais chinês do que brasileiro. Foi a primeira vez que senti necessidade de aprender a língua de Mao.
A polícia está por toda a parte, com homens e com viaturas. Mas não para coibir a pirataria (que permite a qualquer um comprar um relógio Calvin Klein shing-ling por R$ 10), e sim para garantir que todos façam suas compras -- piratas ou não -- em paz e tranquilidade.
Cara, essa ambigüidade é algo muito brasileiro.
sábado, março 27, 2010
Na 25 de Março - parte 2
sexta-feira, março 26, 2010
Na Rua 25 de Março, em SP
- Tá mal mesmo, hein? Pior que eu.
- O pior é que eu não sei o que faço. Deixo a vida me levar, vida, leva eu?
domingo, março 21, 2010
Fragmentos de papo masculino - 2
(Não estou inventando essa frase, eu a ouvi de verdade ontem, num bar, na mesa do lado da minha. O cara, como veem, é praticamente um poeta moderno).
sábado, março 20, 2010
Diálogo do dia
- Já sei que você vai pegar mulher hoje.
- Hã?
- Quando você pega o Honda Civic, já sei que você vai sair pra ver mulher.
- É... (meio sem graça)
- Ah, moleque!
Os dois saíram dali logo depois.
segunda-feira, março 15, 2010
Momento Socila*

Caros, vou ter de dar uma de Glória Kalil aqui rapidamente porque acabei de ter um almoço bizarro no self-service de um tribunal aqui perto, rsrsrsrs.
Deviam rolar regras de etiqueta para quem, num momento de pressa e numa praça de alimentação cheia (ou restaurante, como foi o meu caso), precisa dividir a mesa com um estranho. É sério.
Como se trata de uma intimidade meio forçada (a mesa do self era um quadrado com uns 70cm de lado), um pouquinho de educação sempre cai bem.
Dito isso, segue o rascunho do minimanual MCDQEPD de finesse na praça de alimentação:
. Palitar os dentes não é aceitável, porra. Nem antes nem depois da refeição. Não é um comportamento válido nem para a mãe, nem para o amor da sua vida, nem para o George Clooney. Muito menos diante de uma pessoa que nunca se viu antes. E não adianta botar a mão na frente, todo mundo vai saber o que exatamente você está fazendo.
. Não pegue o talher como se ele fosse o guidão da sua bicicleta. Você já evoluiu de australopitecus para homo sapiens, companheiro (a).
. Você gostaria que eu ficasse espiando as suas coisas para saber o que você tem na bolsa (ou no bolso), como é o seu celular, se o seu crachá é de concursado, estagiário, visitante, etc.? Ok, então não faça isso com quem está à sua frente.
. Não jogue olhar 43, a não ser que você seja, uh, o George Clooney (de novo). Tentou contato visual e/ou papo com o sujeito à sua frente, mas ele não deu muita bola? Não insista, mas também não fique se achando péssimo (a). Ele pode estar só com pressa.
Em síntese, esse desabafo dá uma idéia do que rolou comigo agora há pouco. Foi esquisito, a ponto de, quando veio a garçonete perguntar se o cara queria beber alguma coisa e se precisávamos de dois copos, eu precisar dizer logo:
- Só um. Não estou com ele.
Nunca é demais dizer, não estou defendendo que sejamos pessoas posers e segregadas (quem lê o blog de vez em quando sabe exatamente que sou contra isso). Convivência é tudo de bom. Só não palite os dentes na minha frente, por favor.
* Socila é uma escola que, acho, existe no Brasil desde o tempo da vovó mocinha. Dava uns cursos de etiqueta bem famosos. Nem sei se ainda existe...
sexta-feira, março 12, 2010
quarta-feira, março 10, 2010
Fragmentos de papo masculino
Fragmento 1
Homem - Se você pergunta onde ela quer ir, ela sempre diz 'Ah, não sei', com aquela vozinha.
Outro homem - Em compensação, se você escolhe o lugar, ela reclama: 'Você nem me consultou!'.
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Fragmento 2
- Porra!!! Mas já? Antes de casar?
(O resto do diálogo eu não consegui escutar, o povo começou a falar meio baixo)
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Fragmento 3
Homem - Ir sozinho é melhor, dá para ir dirigindo com uma mão só.
Outro homem - Dá para parar num lugar com balcão, pedir uma cerveja...
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O sonho de me transformar num mosquitinho para ouvir papo cueca livremente ainda não foi realizado... mas cheguei bem perto dessa vez.
segunda-feira, março 08, 2010
domingo, março 07, 2010
sábado, março 06, 2010
Personal São Paulo
Feirinhas, etc.
Benedito Calixto
Entre as ruas Cardeal Arcoverde e Teodoro Sampaio. A avenida Henrique Schaumann e a rua João Moura são as vias paralelas entre as quais fica a Praça, em frente à Igreja do Calvário. Sábado, das 9h até as 18h. Em volta, há mil lojinhas com moda criativa e de preços baixos, itens de decoração fofos (como os ímãs de geladeira que ilustram esse post), bares mil, etc. Perto dali, ainda tem uma loja onde quase pirei: Maria Jovem, que vende cadeiras e poltronas antigas e totalmente inacreditáveis.
Liberdade
Sábados e domingos, das 9h às 18h. Saindo da estação Liberdade do metrô, a feira já invade você, saca? Muvuca pura, mas eu gosto.
Cultura + noite
In on it
Faap Teatro
R. Alagoas, 903, Higienópolis; (11) 3662-7233
O espetáculo (ótimo!!!) é inspirado em obra do canadense Daniel MacIvor. No elenco, Emílio de Mello e Fernando Eiras. Temporada prorrogada até 11 de abril! Vão!!!! É o melhor espetáculo que vi em muuuuito tempo. E dá para comprar ingresso pela internet.
Sesc Av. Paulista
Av. Paulista, 119; (11) 3179-3700
O legal é o seguinte: em qualquer unidade do Sesc, dá para comprar ingressos para qualquer unidade do Sesc em todo o estado de São Paulo. Basta consultar a programação no site e ser feliz! Ou não, rsrsrs. Tentei comprar ingresso para um espetáculo (Kastelo, do Teatro da Vertigem) e descobri que já estava tudo lotado até o fim da temporada. Bom mesmo seria se a instituição vendesse ingressos pela internet. Aí, sim, o esquema poderia ser de felicidade total.
Studio SP
Rua Augusta, 591, Consolação; (11) 3129-7040
Tem shows ótimos de pop/rock e festinhas com DJs que tocam diversos gêneros musicais. Mas é bom consultar a programação antes para não cair em roubada. www.studiosp.com.br
Tapas Club
Rua Augusta, 1246, Consolação; (11) 2574-1444 (das 9h às 15h)
Na entrada, tem um lounge fofo. Apresenta shows ótimos de rock e festinhas com DJs que tocam diversos gêneros musicais. Também é bom consultar a programação antes, em www.tapasclub.com.br
quarta-feira, março 03, 2010
Olha quem apareceu na minha janela...
Dei uma saída mais cedo e, quando voltei e abri a janela, estava lá o aparato balinha + corda, só que dessa vez com a corda cortada. Não sei quando ele estacionou no meu parapeito, mas, agora, oficialmente, o Mentos é meu.
A caixinha está cheia pela metade com balas com gosto de coisas cor-de-rosa: morango, tutti-frutti e por aí vai. Validade: março de 2011.
Vou jogá-la fora assim que terminar o texto, porque continuo achando válida a recomendação de não aceitar doces de estranhos. Hehe.
segunda-feira, março 01, 2010
Cofres e churrasqueiras
Sério: tá precisando de um cofre portentoso, pesado, desses de desenho animado? Ou: marcou um churrasco, mas se deu conta de que não tem churrasqueira com espetos no seu apê? Passa lá na Epia, perto do Cruzeiro, e dá uma estacionadinha tosca rumo ao caminhão na beira da pista.
Ainda não fiz isso porque sempre passo por lá com pressa, mas adoraria parar e conversar com o dono do caminhão. Primeiro, para saber o que as fabricações de um cofre e de uma churrasqueira têm em comum. Segundo, para descobrir como é que ele foi parar nesse business.
Alguém algum dia imagina que, quando crescer, vai se tornar vendedor de coisas tão díspares quanto um cofre e uma churrasqueira?


