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segunda-feira, janeiro 24, 2011

Não recomendado para quem odeia aranhas

As nuvens se avolumam no céu, e uma chuva de aranhas parece cair de lá de cima.
Apocalipse? Não. Coisas dessa vida no cerrado.

Elas se sustentavam numa teia quase invisível que se armou havia dias no Parque Olhos d'Água, na Asa Norte, aqui em Brasília. Fui para lá no fim de semana e, felizmente, estava com a câmera.

Com uns oito metros de largura, a teia começava na grama e só terminava um pouco acima do poste. Claro que todo mundo parava pra olhar.

Tirei um monte de fotos, mas, entre um clique e outro, tinha que dar uma espanada básica (quem estava em volta fazia o mesmo). Vai que um bicho desses cai nas nossas cabeças? Eca!

Não consegui encontrar quem me explicasse o como, o quando e o porquê delas (venenosas ou não? Também não sei) terem montado essa parede quase invisível -- e possivelmente perigosa. Pior: voltei lá hoje e a teia não existia mais. Vou ficar devendo essa explicação para mim e para o leitor. Triste.

O parque tem dessas aparições. Palavra de quem já viu galinha d'angola, perus e até um coelho cinza enorme, gordíssimo, dando uma banda por ali.

domingo, janeiro 23, 2011

Ouvido por aí - Parte 859

Mesa de bar com quatro amigos, sábado à noite. Um quinto cara chega e se aproxima para cumprimentar o que estava mais perto do corredor:

- Comedor de amendoim!!!

Ao que o outro enche o peito:

- Me respeita, porra! É castanha!

Um outro cara que ainda estava na mesa ainda completa, com o dedo em riste:

- E do Pará!

É cada coisa que eu ouço...

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Senhorinhas - 2

Por conta da chuva que caiu à noite em Brasília e de uns outros perrengues, o avião em que eu estava (e a personagem deste post também) precisou arremeter duas vezes e dar uma enrolada no céu -- por mais ou menos 40 minutos -- antes de pousar na capital federal.

Mas nem todo mundo reparou nessa movimentação, provavelmente porque estava curtindo um soninho gostoso na poltrona. Oh, inveja!

- Quer dizer que o avião arremessou duas vezes??? - perguntou uma senhorinha a outro passageiro no corredor do aeroporto.

- É, porque começou a chover bem em cima do avião, na entrada da pista. Depois, deu um outro problema de segurança - explicou ele.

- E o piloto arremessou de novo??? - ela continuou.

- Teve de arremessar...

Senhorinhas - 1

No banheiro do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, uma senhorinha parou ao meu lado e começou a me olhar insistentemente enquanto eu passava fio dental na frente do espelho.

- Nossa!!! Que talento você tem para limpar os dentes!

Juro, minha vontade foi de sair do banheiro, me agachar e rir de forma convulsiva. Mas mantive a finesse.

- Gente, que fantástico! - ela comentou maravilhada, olhando para as amigas - Seus pais são dentistas?

Comecei a achar aquilo muito tenso. Sou tímida, pô. Se ela tivesse chegado e dito "É você que tem aquele blog?", tudo bem, mas reparar em limpeza bucal é demais para mim.

- Moça, você está me deixando sem graça... - disse.

Sem falar mais nada, ela veio, fez um afago nas minhas costas e foi embora um tempo depois.

Mais tarde, vi que ela pegou o mesmo voo para Brasília. Felizmente, já estava entretida olhando para outras coisas...

quinta-feira, abril 08, 2010

Na fila da vacina

Moça,

Eu bem sei que aparência não é tudo na vida, mas esse tufo de cabelo grisalho que brota da pinta do seu queixo está me dando nos nervos.

A gente podia fazer o seguinte, diga-me se você concorda: primeiro, passa-se uma tesourinha. E o resto se elimina com cera quente, que não dói nada.

Pode ser? Você parece ser simpática e agradável e coisa e tal, mas vai ser difícil eu sustentar uma conversa de muito tempo contigo, porque meu olho de revisora vai direto na sua pinta.

Valeu, companheira.

domingo, março 21, 2010

Fragmentos de papo masculino - 2

- Na horizontal, mulher é tudo igual.

(Não estou inventando essa frase, eu a ouvi de verdade ontem, num bar, na mesa do lado da minha. O cara, como veem, é praticamente um poeta moderno).

quarta-feira, março 03, 2010

Olha quem apareceu na minha janela...

Pouco mais de um mês depois deste post, o Mentos voador ataca novamente!

Dei uma saída mais cedo e, quando voltei e abri a janela, estava lá o aparato balinha + corda, só que dessa vez com a corda cortada. Não sei quando ele estacionou no meu parapeito, mas, agora, oficialmente, o Mentos é meu.

A caixinha está cheia pela metade com balas com gosto de coisas cor-de-rosa: morango, tutti-frutti e por aí vai. Validade: março de 2011.

Vou jogá-la fora assim que terminar o texto, porque continuo achando válida a recomendação de não aceitar doces de estranhos. Hehe.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Mentos voador

Todo mundo aí sabe o que é Mentos, né? Aquela balinha refrescante, gostosa, etc., etc. Pergunto logo porque não sei se ela é vendida em outros países da CPLP, rsrsrs.

Cheguei em casa hoje (ontem) e, no minuto em que me sentei no sofá, vi que havia uma cordinha comprida pendurada do lado de fora do prédio. Ela começou a se mexer como se tivesse alguém puxando-a no andar de cima e... voilà! Havia uma embalagem de Mentos amarrada na ponta.

Bom, resta dizer que as cenas a seguir poderiam estar no roteiro de um desenho animado ou algo do gênero: minutos depois, o Mentos voador começou a dançar bem diante da minha janela. A cordinha se mexia ora rapidamente, ora lentamente. Corda e bala desceram um pouco até o meu parapeito e ali pararam por uns segundos. Depois, a movimentação começava toda de novo.

Ri um monte, óbvio.

Pô, eu adoro balinhas, mas não estava a fim de ir atrás delas nem de simplesmente cortar a corda -- e o jogo da criança. Sim, porque para fazer uma brincadeira surtada dessas, tem que ser criança, né?

O mais ridículo é que, provavelmente, o pequeno cidadão do andar de cima deixou sua obra de arte ainda pendurada na frente da janela e foi dormir. Muito prazer, eu sou a Mari e minha casa tem vista para um Mentos.

Eu fechei os vidros e tô indo pra cama daqui a pouco. Se eu acordar nesta manhã de quarta e o móbile ainda estiver na área, o que vocês acham: corto a corda, ligo pros pais do moleque ou apelo geral e chamo logo o síndico?

Beijo, aguardo resposta, Mari

Update: o aparato corda + Mentos já tinha ido embora da minha vida quando acordei.

domingo, janeiro 24, 2010

Aquele chá

Um cara entrou no elevador com o celular na orelha:

- Ooooooooi. Dormiu comigo?
(resposta do outro lado, impossível de ouvir, claro)

- Dormiu comigo?
(...)

- Alô? D-o-r-m-i-u c-o-m-i-g-o?
(...)

- Viu, ó? É por isso que tá mal-humorada desse jeito.
(...)

- O caboclo aí não tá dando conta do recado?
(...)

- É, né? Eu sei do que você precisa.
(...)

- É daquele chá... é... aquele chá, sabe, né? (risos)
(...)

- MWAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!! (Juro, ele fez uma interjeição meio gutural, difícil de reproduzir graficamente)
(...)

- Então, me diz aí como é que vai ser o esquema hoje...
(...)

Nesse momento, a porta do elevador se abriu, e eu e o cara do telefone fomos para lados diferentes. Por um lado, foi ruim, porque a conversa estava tão divertida que deu vontade de continuar acompanhando.

Por outro, foi bom, porque eu ia acabar passando mal de tanto segurar o riso!

Vou morrer sem saber se o cara estava só de brincadeira ou se combinou mesmo um encontro com a amante, mas mesmo assim fiquei espantada com a quantidade de bobagens que se diz assim, no celular, no meio de quem nem se conhece! Não é estranho isso?

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Olho clínico para estranhezas

Basta dizer que vi duas coisas entre ontem e hoje:

1) Passei de carro por um cara que esperava para atravessar a rua. Ele estava vestido de mulher, mas sem peruca, deixando à mostra o cabelo ralo, grudado na cabeça. E brincava com uma bola de futebol americano. Teria estado ele num jogo de crossdressers? Estaria pagando promessa? Teria se inscrito numa gincana ou o quê???

2) Aí, fui andar no parque hoje e vi um casal andando de mãos dadas. Na mão esquerda da menina, havia uma caixinha de transporte. Achei que estivesse vazia (sei lá, os namorados poderiam estar dando uma volta no parque enquanto esperavam o povo da pet shop mais próxima dar banho no cachorro ou no gato). Mas, quando me aproximei, havia... um filhotinho de tartaruga placidamente aproveitando o espaço da caixa. Que, aliás, devia ser umas 500 vezes maior que o bicho.

E tá bom demais, né?

domingo, dezembro 20, 2009

Cinto amarelo & outros micos

Daí que 2009 acabou, a época de amigos ocultos chegou e eu, milagrosamente, consegui não entrar em nenhum este ano.

Quer dizer, as gurias da escola tentaram organizar um, mas depois achou-se por bem só promovermos um encontro coletivo mesmo. E o pessoal do trabalho teve a mesma boa idéia.

Melhor assim, porque trabalhei igual a uma mula este ano e não tive tempo de comprar nada pra ninguém ainda. E porque tenho a tendência de me ferrar em amigos ocultos. Talvez alguns de vocês compartilhem essa sorte.

Saquei isso quando, na segunda série, ganhei um cinto amarelo do meu amigo oculto. Eu, que não uso cinto e só visto amarelo mediante muitos dinheiros (euros, de preferência).

As coisas ficaram melhores na adolescência, quando algum sábio da humanidade resolveu instituir a lista do que cada pessoa quer e não quer ganhar. Aí é fácil acertar: eu sempre gostei de ganhar agendas (na época em que meninas no Brasil faziam agendas), livros, discos, essas coisas. Podia até ser um vale-CD, não me importa que isso seja pouco pessoal. Depois, outro inventou o de R$ 1,99, bizarro, porém divertido.

Então, um metido a sábio resolveu que esse negócio de lista de quero/não quero é muito chato e previsível. E resolveu criar sandices como o amigo oculto em que você tem que "roubar" o presente da outra pessoa. Ou aquele em que os nomes são todos sorteados na hora.

Numas dessas, já ganhei um monte de produtos com cheiros diversos (não uso) e/ou engordativos (fujo).

De modo que, acho, não perco muito ficando de fora dessas coisas e só aproveitando os encontros de fim de ano para ver quem eu gosto.

Se um dia, alguém quiser retomar o esquema de lista de desejos, eu topo. Na minha, vão entrar uns carrinhos tipo o Mini Cooper (rsrsrs), uma passagem de avião no esquema volta-ao-mundo (mais risos), um vale-makeover e um monte de livros. Aí, eu vou ser a primeira a entrar no jogo.

Em tempo: acho que vou me dar um tripé de presente de Natal.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

No avião

O comandante, muito sério, comunica as informações do voo para os passageiros:

- Boa noite, senhores passageiros. Estamos voando a XX metros de altitude, com velocidade de YY quilômetros por hora... temperatura lá fora de -ZZºC... em Brasília, chuva, etc., etc....

Parecia um anúncio bem normal.

- E, para aqueles que pediram informações sobre a final do Campeonato Brasileiro, gostaria de dizer: o Flamengo venceu o Grêmio por 2 x 1 e... UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUHHHHHHHHHHHHHHHHHH UAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHH!!!! MENGÃO CAMPEÃO!!!!!!!!!!

Tipo assim, out of control. Mas ele voltou ao normal no segundo seguinte.

- Bom, são as informações que temos para o momento. Por sua atenção, obrigado.

(História contada pelo maridón)

quinta-feira, julho 02, 2009

O dia em que circulei no Jet Set

Não sei se você pensa parecido, mas acho que o fato de certos estabelecimentos comerciais terem nomes em inglês (ou alguma tentativa linguística do gênero) faz com que eles pareçam muito mais toscos do que realmente são.

Lembre-se de todos os bares chamados Fulano's e de todas as boates chamadas Star Night (aqui em Brasília há ou havia uma) ou World Class e você saberá do que estou falando.

E de um restaurante chamado New Jet Set, o que dizer?

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Ele existe, fica em Paris e é sensacional -- um pouco pelo serviço atencioso, mais um tanto pela decoração, muito pela gastronomia e mais ainda pela quantidade inenarrável de personagens que frequentam o lugar.

Repare que não me refiro a pessoas: são personagens de verdade. Poderiam estar num filme francês metido a étnico, num conto escrito por um autor marginal, numa tese antropológica ou em todos esses veículos ao mesmo tempo.

A comida é toda baseada nas receitas vindas do Oriente Médio e tem um sabor responsa. Individualmente, os pratos são meio caros, mas dá para provar um pouco de cada coisa sem pagar muito. Basta escolher a opção do dia ou uma das combinações de entrada-prato principal, prato-sobremesa ou entrada-prato-sobremesa, que têm preços supervariáveis.

Escolhi a fórmula prato-sobremesa. Pedi cordeiro e fui muito, muito feliz. Mas fiquei mais contente ainda observando o resto da fauna. Achei incrível a quantidade de tempo que eles passavam por lá, ainda mais num meio de tarde de um dia de semana.

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Entre os homens, havia uns executivos aqui, uns caras com jeito de trabalhadores-autônomos-posudos acolá e uns tipos com um jeito mafiosíssimo (pense em barrigões de prosperidade alojados em camisas de manga curta, bigodões e colarzões de ouro).

Entre as mulheres, umas moças lindas e classudas -- uma ou outra com uniforme de comissária de bordo -- e outras com um visual suspeitíssimo.

E o que todos eles faziam, afinal, num horário tradicionalmente morto para qualquer outro restaurante? Fiquei até com dificuldade de chutar. Alguns pareciam estar fechando negócios com os companheiros de mesa. Outros falavam no celular por minutos intermináveis. Outros tinham jeito de quem não estava fazendo nada além de tomar alguma coisa e fumar narguilé.

O New Jet Set tem isso: se você quiser, pode simplesmente chegar lá, sentar num sofazinho comprido no meio de outras pessoas, descolar um narguilé individual, fumar e ir embora. Não sei quanto custa.

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Já tinha acabado o almoço quando vi entrar uma moça de uns 30 anos, cabelo chanel laranja-cobre e calcinha laranja gigante aparecendo em cima do cós da calça jeans justa.

Ela fez menção de se sentar no sofá comprido reservado aos fumantes de narguilé, mas um homem bigodudo nos seus 50 anos disse a ela em francês:
- Você não pode se sentar aí. O lugar já está ocupado por outro senhor.

Rolou um começo de climão. Mas um dos garçons interveio rapidamente e avisou que o antigo ocupante do lugar já tinha ido embora e que, sim, ela podia se sentar.

Eu não quis ficar olhando muito. Paguei minha parte da conta, observei a rua um pouco e, 10 minutos depois, o senhor "você não pode se sentar aí" e a mulher de calcinha laranja estavam cada um com seu narguilé e no maior tête-à-tête. Davam risinhos como se fossem conhecidos de muito tempo.

Gosto de pensar que as demonstrações de intimidade louca e instantânea entre os dois não acabaram por ali.

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NEW JET SET
Rue Washington, 14 -- 75008, Paris.

segunda-feira, junho 29, 2009

Sabe translineação?

Lembra de quando a tia da escola ensinou a fazer translineação? É aquela separação de sílabas necessária quando você está escrevendo algo e vê que, embora a margem do papel já tenha terminado, a palavra não acabou ainda. E, portanto, ela precisa ser continuada na linha seguinte.

Quem trabalha com revisão de texto em veículos impressos toma um cuidado danado -- ou deveria tomar -- com a translineação de alguns termos. As minhas preocupações consistem na palavra disputa e em todas que comecem com c+u: curioso, cúpula, Cuba e por aí vai.

Alguém me disse em algum momento que leitor tem duas reações quando vê que o revisor dormiu num desses casos. A primeira é dar aquele risinho safado. A segunda é ficar indignado, entrar em contato com o veículo de comunicação, etc., etc., etc. Como não gosto sequer de pensar em nenhuma das duas possibilidades, redobro o cuidado na leitura das margens do papel.

E minha última frase antes de mandar qualquer página para a gráfica é normalmente algo do tipo: "Deixa só eu ver se não ficou nenhum c+u nem nenhuma dis-puta no texto". Isso virou uma espécie de piada minha e de quem trabalha mais perto.

Vou te contar: nunca, mas nunca de verdade, eu vi c+u nem dis-puta em nenhuma página que li.

Não que eu não tenha procurado: eles jamais apareceram mesmo. Quer dizer, jamais apareceram até a semana passada.

Num dia em que estava eu linda, loira e japonesa lendo umas páginas quaisquer, minhas translineações tortas favoritas surgiram plenas e reluzentes. Não no mesmo texto -- aí já seria loucura demais. Era c+u numa página, dis-puta na outra. A caneta foi voando marcar as sílabas que deveriam ser corrigidas.

Obviamente, eu e o diagramador (que monta as páginas para publicação) fizemos piadinhas a respeito da dupla descoberta. Não é reconfortante saber que certas preocupações têm a sua razão de ser?

terça-feira, junho 23, 2009

De música e distância

Chegou agora há pouco, às 22h49, o seguinte e-mail:

Cat Power se apresenta dia 19 de julho na HSBC Arena – RJ

"A extraordinária cantora e compositora norte-americana volta ao Brasil depois das consagradas apresentações em 2007 e do sucesso de seu oitavo CD, Jukebox, em 2008. Chan Marshall, nome verdadeiro de Miss Power, nasceu em Atlanta, no estado da Georgia, em 1972. Passou muitos anos acompanhando o pai, também músico, pelo sul dos Estados Unidos, o que explica a influência do blues em seu trabalho. Reconhecida por suas canções angustiantes, calcadas no folk (...), fez seu primeiro show em Nova York em 1992 num pub no Brooklin. (...)

No Brasil, será acompanhada pela The Dirty Delta Blues, banda que também acompanhou a cantora em sua ultima passagem pelo Brasil. As guitarras de Judah Bauer (Blues Explosion), o teclado de Gregg Foreman (Delta 72), o baixo de Erik Paparozzi (Lizard Music) e a bateria de Jim White (Dirty Three) inserem referências de jazz, blues, folk e country no trabalho de Cat. O vocal marcante e quente da cantora dá uma roupagem encantadora a canções famosas e desconhecidas."

Amo a Cat Power. Das mulheres de voz triste da atual cena pop, nenhuma deixa o coração tão retorcido. Quando ela diz "My friend" em American Flag, então... a situação fica grave.

Um grande fã qualquer que não morasse no Rio de Janeiro provavelmente faria muitas coisas para vê-la de perto. Eu prefiro ficar longe, bem longe.

Temo os ídolos que vêm ao Brasil, criam aquela expectativa gigante (na mídia, nos fãs ou nos dois) e dão um show ruim ou sem-noção. A lista é tão grande que seria necessário um post só para ela. Ao que parece, a Cat (olha a intimidade) fez shows bem legais quando veio para cá no Tim Festival. Mas, ainda assim, acho melhor não me arriscar. Acho que faço melhor se deixá-la distante e altiva no meu altar pop.

A Cat Power que ecoa no meu MP3 ou no fone de ouvido do computador é perfeita e infalível. Não desafina, não perde o fôlego e repete a canção que eu quiser quantas vezes eu estiver a fim de ouvir. É bizarro gostar de alguém dessa forma, mas é assim que adoro aquela que há um bom tempo está entre os meus mais-mais.

Se o show for ótimo, vou ficar feliz pelos que foram. Se não for, não vai ter problema. Simples desse jeito.

quarta-feira, junho 17, 2009

A imprensa e o absurdômetro

Cal McAffrey é um jornalista tosco e algo antiquado, porém brilhante. Entre seus hábitos de repórter, estão usar o próprio carro para apurar matérias e beber um uísquezinho na redação ("vinho irlandês", ele diz) para relaxar.

Cal McAffrey é o personagem de Russell Crowe em Intrigas de Estado, que estreou aqui em Brasília na última sexta-feira e reflete sobre a promiscuidade nas relações entre a imprensa e o poder. Gostei, mas não vou tecer grandes análises aqui porque elas já foram feitas por uns mil colegas.

Prefiro falar de outro tema sobre o qual sempre quis escrever aqui: a total inverossimilhança dos personagens jornalísticos na maior parte das obras de ficção. Pode ser que algum dia tenha sido normal fumar ou beber (como faz McAffley) dentro das redações, mas hoje o negócio não é bem assim.

Você vai me dizer: ora, Mari, se você quer verossimilhança, veracidade ou qualquer outra dessas coisas, assista a um documentário ou corra de volta para o trabalho. A intenção aqui, no entanto, não é execrar totalmente (hehe) as obras de ficção, mas sim apontar o quanto pode ser divertido reparar em certos absurdos. (Médicos e enfermeiros devem pensar nisso também quando assistem a programas como ER e outros.)

Por isso, vou lembrar de alguns personagens que impactaram o meu absurdômetro. Adoraria botar imagens aqui, mas o tempo está supercurto. Farei isso quando tiver mais uma folga.

Carrie Bradshaw, de Sex and The City
Vamos lá: na primeira temporada da série, Carrie tem uns 33, 34 anos, se não me engano. E já ganha uma grana suficiente para comprar sapatos carésimos apenas escrevendo coluninhas semanais rédéculas sobre sexo no jornal The New York Star. Os textos não têm nada de pesquisa, só falam da própria vivência afetiva da moça. Nas temporadas seguintes -- não sei se algum fã andou questionando o fato dela trabalhar de menos --, os roteiristas inventaram uns frilas para a moça, inclusive na Vogue. Mas, ainda assim, nunca foi possível dizer que ela pertencesse ao rol dos jornalistas estressados. E, claro, a série nem sequer mostra como ela fez para chegar a tal nível de estrelato.

Maddie Bowen, de Diamantes de Sangue
A personagem de Jenniffer Conelly provocou, pelo menos na sessão em que assisti ao filme, uma série de gargalhadas por parte da galera. Para quem não viu, deixa eu dar uma resumida: a moça é correspondente de uma revista importante (tipo a Time) em Serra Leoa e foi para lá a fim de investigar o esquema de tráfico de diamantes que rolava no país. Mais: era uma das últimas profissionais da imprensa estrangeira a permanecer (so-zi-nha) ali depois que a situação apertou.
Quando ela conhece um gatinho oportunista (Leonardo di Caprio) e um garimpeiro, encontra os grandes personagens de sua matéria. Antes disso, ela já havia feito coisas do tipo cobrir a vida dos talibãs no Afeganistão sozinha e sem burca. "Voltou com 3 mil palavras e mais linda do que nunca", diz um cinegrafista ao personagem de Di Caprio. Aliás, os diálogos do filme são fantásticos. As tais risadas despontaram na sala depois de uma explosão nervosa da moça, que diz algo do tipo: "Eu não vou descansar enquanto souber que, toda vez que um americano compra um anel de diamante, vidas estão se perdendo. Quero nomes, números, contas bancárias!". Ah, Jennifer Connelly...


Andie Anderson, de Como Perder um Cara em 10 Dias
É até sacanagem querer alguma veracidade num filme como esse, mas tudo bem. Me pareceu um exemplo perfeito de como o jornalismo é avacalhado nos filmes de Hollywood -- e, pior, é capaz de ter gente acreditando que a profissão é assim mesmo. A mina trabalha numa revista bem mulherzinha e é especializada em elaborar listas (como deixar seu cabelo perfeito, como perder um cara em 10 dias, etc.). Claro que ela faz isso contra a vontade, porque seu desejo é se tornar uma correspondente internacional. E aí, entre uma matéria fútil e outra, ela faz uma matéria edificante sobre as dificuldades do povo do Tajiquistão... sem nunca sair da redação climatizada em Nova York, naturalmente. E espera que a editora publique. Oh, céus.

Se alguém se lembrar de mais algum caso de filmes, novelas, séries, etc., fique à vontade para comentar.