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segunda-feira, outubro 11, 2010

Fotos que nunca sairão no jornal

Não é todo mundo que sabe, mas andei trabalhando na parte editorial de um evento gastronômico que rolou recentemente aqui em Brasília. No meio da labuta, fiz umas fotos que, como não vão sair no jornal nem em lugar nenhum, publico aqui mesmo. ;-)


Ah, tortinha... Já que eu não posso te comer, deixa eu pelo menos te desejar fotografar?


Momento de tranquilidade na cozinha dos bastidores: está na hora de comer de verdade, e não só de provar o quitute enquanto ele é preparado.


Momento de tranquilidade 2: na hora em que o couro come, os pés não param quietos. E, sim, todos os chefs de cozinha usam Crocs...

segunda-feira, agosto 30, 2010

Kebab republicado

Povo da minha terra,
Decidi republicar o post do kebab porque: 1) Ele é um dos campeões de audiência do blog (incrível!); 2) Apareceram umas novidades desde que fiz esse texto, no começo do ano.
Aproveitem. Beijos.


Kebab
, pra quem não conhece, é mais ou menos assim: um sanduíche de pão folha (parecido com pão sírio) enrolado de modo a caber várias coisas. Entre elas, carnes variadas cortadas em nacos bem grosseiros, vegetais variados, bolinhos fritos de grão-de-bico (falafel), etc.

A carne, vou dizer logo, vem de um espeto enorme, onde ela fica toda compactada. (Já sei, alguns vão ficar com nojinho depois de ler isso, hehehe.)

Na Europa, kebab é sinônimo de comida de rua, gostosa, barata e nem sempre certificada pelas autoridades sanitárias. Uma daquelas coisas deliciosas que você deve comer com a mão e por sua conta e risco, sabe?

Mas, do lado de cá do Equador (ou pelo menos aqui na capital brasileira), kebab virou lanchinho exótico e chique, numa prova de que nós, brasileiros, somos muito eficientes em avacalhar com a culinária alheia. Já fizemos isso superbem ao criar a pizza de morango com chocolate, o crepe de rúcula com tomate seco e mussarela de búfala, o sushi de cream cheese com goiabada e outras coisas.

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Pues, acho que a moda de kebab está chegando aqui como um dia aterrissou em São Paulo. Já contabilizei três um milhão de casas abertas no último ano.

A Sheikebab, na 103 Sul, onde funcionava o La Bússola, é simples. E, ao mesmo tempo, muito mais arrumada do que qualquer lojinha de kebab na França ou na Espanha. Dá até para comer kebab com garfo e faca, ora vejam! Mas o lugar respeita bastante a tradição das receitas árabes. As opções de carne não são muitas: boi, frango e cordeiro, e não se fala mais nisso. Ah, sim, existe também uma versão com falafel para quem não come carne. Uma saladinha básica completa o sanduíche. Para quem ficou com fome, ainda há uns petiscos (homus, kibe, etc.) bacanas. Pena, mas o lugar fechou. Pena mesmo, porque era o mais tradicional aberto por aqui. Resta saber se é culpa da má-administração ou se há uma caveira de burro (sempre tem quem acredite nisso) plantada embaixo da loja. Já é o segundo empreendimento que dá errado por ali.

O esquema da Hayal Kebab (408 Sul), por sua vez, é completamente diferente e nos leva de volta para o parágrafo da pizza de morango, do sushi com cream cheese, etc. As receitas se afastam muito do convencional, mas pelo menos há uns kebabs com cordeiro para salvar a pátria. Devo ressaltar que tudo é gostoso, tanto o sanduíche quanto as opções de bebida. Outros aspectos legais de lá: 1) Aniversariante não paga pelo kebab; 2) A decoração é linda! Quem quiser fazer um número para o(a) namorado(a) ou impressionar alguém pode escolher se sentar nos colchõezinhos que ficam no mezanino, de frente para a rua.

Muito recentemente, mais dois lugares abriram as portas pegando carona na modinha do sanduíche árabe. Um deles é tão ridículo que não vou nem me lembrar o nome. Fica na 110 Norte, ao lado do prédio da Fratello. A única lembrança de Oriente Médio que o lugar tem está nos narguilés para fumar. De resto, tudo é igual a uma creperia. O lugar ainda tem TVs de plasma que tocam DVDs horríveis (odeio).

O outro é tão legal que merece alguns retornos. Chama-se Keb's e assume logo de cara: não é uma kebaberia, embora se inspire fortemente nas receitas tradicionais. A franquia carioca abriu as portas em Brasília esta semana, na 105 Sul, e traz um monte de sanduíches maravilhosos (de cordeiro, falafel, vegetais e por aí vai), que podem ser acompanhados por umas batatinhas super iloveyou.

Eu queria dar o link para o site, mas ele é péssimo -- assim como o Twitter da rede. As cadeiras do lugar também são um horror porque não têm encosto. Não é por isso que vou desistir do local, mas tenho certeza de que uma galera vai reclamar. Não sei se a idéia é fazer um lugar só para a garotada (que não liga para esses detalhes) ou simplesmente um ponto de alta rotatividade. Mas dá para criar rotatividade sem apelar para esse tipo de economia porca.


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A terceira quarta opção é a do Calçadão da Torre, no posto de gasolina perto da Torre de TV. Se não me engano, o criador do lugar era um chef que já cozinhou para a Embaixada do Egito aqui em BSB e depois abriu uma birosca ótima (com kibe de cordeiro e tudo), que já fechou. Dos três lugares que mencionei aqui, é o de aparência mais rústica e cardápio mais fiel. O Senhor Meu Marido (SMM) foi e gostou, embora ache que o sanduíche venha com cebola demais. Para mim, isso é péssimo, mas não chega a tirar meu ânimo de visitar o local. Uma hora, eu passo lá... Bom, passaram-se sete meses desde que fiz o primeiro post e continuei sem ir. Já não prometo mais nada nessa vida. :o)

sábado, agosto 14, 2010

Solene

Até semanas atrás, meu repertório de hebraico se limitava a uma palavra e meia. A primeira é utilizada para perguntar "E aí?" -- cuja pronúncia, numa quase coincidência, é algo como arrí.

A segunda, traduzida para o português, quer dizer xorume (aquele líquido nojento que sai do lixo). Parece que é muito usada pelos meninos no dia a dia, como um vocativo mesmo. Mais ou menos do mesmo jeito que alguns amigos chamam uns aos outros de "sua bicha", ou como alguns jornalistas veteranos denominam o outro de "velho atrasador de jornal". Coisa de brother, sabe? O pior é que me lembro do sentido, mas não da palavra original.

Menos mal que agora aprendi mais uma: psagot. Significa cúpula e batiza um vinho israelense que encontrei no e-x-c-e-l-e-n-t-e Aeroporto de Miami antes de voltar das férias.

Psagot também denomina a cidadezinha onde é produzido esse vinho kosher. Fica perto de Ramallah (Cisjordânia), a uns 900m acima do nível do mar.

Pois em 1998, nesse lugar meio extremamente tenso, uma família judia começou a produzir castas capazes de dar origem a bons vinhos, como a cabernet sauvignon.

O que comprei e tomei, fabricado em 2007, é mais ou menos como os outros feitos dessa uva: chega ao paladar dando um pé na porta (ou um golpe de krav magá, como queiram). Mas isso não quer dizer que ele seja ruim ou que eu desgoste dele.

Só estou dizendo que ele é forte e encorpado. E não serve para, sei lá, beber sem compromisso e com as amigas enquanto se assiste a uma temporada completa de Sex and the City. Para isso, existem champagne, cosmopolitan e ice tea (para as que não bebem). Incluam o Psagot fora dessa (rsrs).

Em geral, tenho preguiça desses adjetivos meio viajantes usados para descrever vinhos ("corajoso", por exemplo), mas vou apelar para um deles -- solene -- porque sinceramente acredito que ele seja assim.

Talvez essa característica seja culpa do cheiro e do gosto marcantes de carvalho. Até por isso, é preciso deixar a bebida respirando por algum tempo antes de começar a degustação.

Com essa ressalva feita, devo dizer que adorei o Psagot. Além de ter um gosto interessante, nada parecido com qualquer vinho que já tenha provado até hoje, não ofende o bolso. A garrafa saiu por uns US$ 20, se não me engano.

Ele não é vendido no Brasil, só nos EUA e em alguns outros (poucos) países. Se você estiver de passagem pelo Aeroporto de Miami e tiver coragem de caminhar feito uma mula no deserto, vale a pena ir até o free shop mais próximo e tentar encontrar o seu. Beijos.

domingo, abril 04, 2010

Cozinha da alma


Soul Kitchen é mais do que o nome de um ótimo filme dirigido por Fatih Akin: é também o nome do restaurante "comandado" pelo greco-alemão Zinos Kazantsakis, interpretado por Adam Bousdoukos (à direita na foto), um cara que lembra um pouco o Selton Mello, só que de cabelo liso.

Escrevo comandado entre aspas porque o restaurante Soul Kitchen está mais para Kitchen Nightmares -- aquele programa do chef-celebridade Gordon Ramsay -- do que para qualquer outra coisa. Para começar, a cozinha é um nojo. Da comida, então, o que dizer? Já sei: tudo o que você imaginar congelado e temperado por quantidades industriais de creme de leite.

Mesmo assim, tem gente que vai lá, come, paga, acha o lugar uma maravilha e assim o jovem Kazantsakis segue a vida. Na verdade, o que ele quer saber mesmo é quando vai conseguir fechar o restaurante para acompanhar a namorada, Nadine, que está de mudança para a China e zero a fim de ficar sozinha do outro lado do mundo, transando via Skype.

No entanto, numa dessas reviravoltas que a vida dá, nosso anti-herói tem a chance de transformar o Soul Kitchen num local com (perdoem a obviedade) um bocado a mais de alma. De tosco, o restaurante se transforma em um lugar aonde eu adoraria ir na vida real: um galpão enorme com um chef maravilhoso, música boa (black music e rock) e publicidade em stencil grafite. Mais: começa a dar dinheiro e conquista até as autoridades sanitárias de Hamburgo, que antes queriam fechá-lo.

Seria tudo uma maravilha se Kazantsakis não tivesse, a milhares de quilômetros de distância, uma mulher loira e brava pressionando-o para que ele largue a Alemanha e vá para Shangai. Nessa situação de dúvida se apóia todo o filme -- que, além de dar uma fome danada, ainda revela trilha sonora incrível e diversas críticas à suposta eficiência do Estado alemão.

Para apoiar (ou sabotar) as escolhas do protagonista, surgem uma série de personagens: um amigo de infância um tanto quanto suspeito; o irmão de Kazantsakis, presidiário; uma garçonete meio doidinha... E não dá para esquecer o chef que salva o restaurante das ruínas, uma figuraça.

Essa turma, tão na corda bamba quanto o próprio dono do Soul Kitchen, dá ainda mais gosto a um roteiro que só peca pelo excesso de soluções fáceis, instantâneas, como os pratos do antigo restaurante. Sabe coincidência, grana que aparece milagrosamente, etc.? É por aí.

Mas isso não pode ser motivo para deixar de ver o longa, que ganhou o prêmio especial do júri no Festival de Veneza em 2009 e, em Brasília, está sendo exibido em apenas dois horários na Academia de Tênis. Se puder, corra e vá ver, que a obra merece.
Quer mais informações sobre o filme? Clique aqui.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Eu quero um doce de verdade, e não uma picaretagem

Entre todas as picaretagens gastronômicas já inventadas no mundo, aquelas barrinhas de cereal com gosto de sobremesa de verdade ficam entre as piores.

Sabe barra de cereal com gosto de cocada, de mousse de goiaba, de doce de nozes, de torta de aniversário? É disso que estou falando.

Algumas dessas barrinhas apareceram lá em casa em circunstâncias que é melhor não contar (mas nada de cordas penduradas na janela, rsrsrs). Elas olham para mim, eu olho para elas e simplesmente não rola a empatia.

Fico imaginando que a quantidade de conservantes, edulcorantes e outras substâncias absolutamente artificiais deva ser tão absurda que talvez seja melhor assumir o risco de engordar e comer (em pequena quantidade) uma sobremesa de verdade, não?

Digo, não uma sobremesa cheia de gordura trans, mas uma feita em casa, com uma boa receita, com ingredientes decifráveis por qualquer pessoa... hum, amo.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Steve e o hambúrger

Atenção: todas as informações deste post estão sujeitas a alterações.

Até pouco mais de um ano atrás, a quadra comercial da 412 Norte, aqui em Brasília, era novinha e sem graça. Não havia uma loja sequer aonde desse vontade de ir. Mas as coisas são um pouco diferentes hoje.

Aí, em março passado, chegou o Steve, que já fazia um dos melhores hambúrgueres da face da Terra nas happy-hours da Embaixada do Reino Unido. E a quadra começou a ficar mais atraente -- pelo menos pra mim.

A casa de hambúrgueres de Steve Hogg, um norte-americano nascido no Missouri, nunca foi oficialmente aberta. Até o nome, Burger Gourmet, é provisório (vai mudar em breve para Steve's Burger, eu vi a plaquinha nova!). Isso porque em março de 2009 ele resolveu abrir a loja só para treinar os funcionários, mas acabou sendo descoberto pelos fãs. Teve, portanto, de funcionar na marra, enquanto terminava de arrumar o lugar. E nunca mais parou.

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O esquema é exatamente o mesmo que já rolava na embaixada: o hambúrger básico, com carne e queijo mussarela, pode ser complementado de graça com vários ingredientes do bufê. Há saladinhas várias (alface, tomate, cenoura, milho, etc.), batata palha e um guacamole famoso. Existem também complementos mais chiquezinhos, pedidos e pagos à parte, como queijo cheddar e cogumelos, entre outros.

É tudo bom e bem servido, posso assegurar.

Para completar, há porções diversas de acompanhamentos, como batata frita (não provei).

O hambúrger de carne tem o mesmo tamanho prometido pelo Marvin, 140g, com a diferença de que o preço é bem menor que o do concorrente. Na última vez em que estive no Marvin (lá pelo fim de 2007), o sanduíche custava R$ 15, pelo menos. Deve estar mais caro hoje, com certeza. O do Burger Gourmet sai por R$ 9, em média.

Justiça seja feita, o ambiente do Marvin é muito mais caprichado em termos de decoração.

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Se você der sorte, como eu dei, vai encontrar o lugar vazio e o Steve com vontade de conversar. Se for em inglês, aí é que o papo engrena mesmo!

Aí, você vai ouvir histórias de pescador (ele pescou durante um tempão na Flórida); de cantores country absolutamente desconhecidos para os brasileiros; de música, em geral; e, principalmente, vai saber todas as idéias que o cara tem para o lugar. São muitas!

A começar pela churrasqueira portátil que ele quer instalar para fazer umas coisinhas e pela comida mexicana boa e barata que ele pensa em colocar no cardápio, por exemplo. Mas é bom avisar que, com o Steve, nenhuma proposta é para ontem. É preciso tempo e grana. Basta saber que a Burger Gourmet demorou anos para sair do papel, embora o homem já falasse dela em tudo quanto fosse happy-hour.

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Há uns meses, na loja do lado, surgiu um tapume escrito Houston - American Burgers. Aí, antes mesmo de ir à Burger Gourmet pela primeira vez, fiquei me perguntando se esta seria a versão definitiva do negócio. Mas não: o estabelecimento é mesmo de outro dono.

Se a loja acompanhar o estilo da muretinha de madeira, vai ser muito mais charmosa -- e, provavelmente, cara. Bom, concorrência faz parte da vida, né? E eu acho que vai haver consumidores para os dois lugares: para o hambúrger estiloso da Houston e para a simplicidade reconfortante da BG.

Tanto melhor para nós, consumidores, que ambas as casas sejam legais e prosperem.

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BURGER GOURMET

412 Norte. Diariamente, das 18h à 0h.

sábado, janeiro 16, 2010

Kebab com talheres e sem nojinho

Kebab, pra quem não conhece, é mais ou menos assim: um sanduíche de pão folha (parecido com pão sírio) enrolado de modo a caber várias coisas. Entre elas, carnes variadas cortadas em nacos bem grosseiros, vegetais variados, bolinhos fritos de grão-de-bico (falafel), etc.

A carne, vou dizer logo, vem de um espeto enorme, onde ela fica toda compactada. (Já sei, alguns vão ficar com nojinho depois de ler isso, hehehe.)

Na Europa, kebab é sinônimo de comida de rua, gostosa, barata e nem sempre certificada pelas autoridades sanitárias. Uma daquelas coisas deliciosas que você deve comer com a mão e por sua conta e risco, sabe?

Mas, do lado de cá do Equador (ou pelo menos aqui na capital brasileira), kebab virou lanchinho exótico e chique, numa prova de que nós, brasileiros, somos muito eficientes em avacalhar com a culinária alheia (hehehehe de novo). Já fizemos isso superbem ao criar a pizza de morango com chocolate, o crepe de rúcula com tomate seco e mussarela de búfala, o sushi de cream cheese com goiabada e outras coisas.

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Pues, acho que a moda de kebab está chegando aqui como um dia aterrissou em São Paulo. Já contabilizei três casas abertas no último ano. Duas delas (as que já conheço) abriram as portas bem recentemente.

A Sheikebab, na 103 Sul, onde funcionava o La Bússola, é simples. E, ao mesmo tempo, muito mais arrumada do que qualquer lojinha de kebab na França ou na Espanha. Dá até para comer kebab com garfo e faca, ora vejam! Mas o lugar respeita bastante a tradição das receitas árabes. As opções de carne não são muitas: boi, frango e cordeiro, e não se fala mais nisso. Ah, sim, existe também uma versão com falafel para quem não come carne. Uma saladinha básica completa o sanduíche. Para quem ficou com fome, ainda há uns petiscos (homus, kibe, etc.) bacanas.

O esquema da Hayal Kebab (408 Sul), por sua vez, é completamente diferente e nos leva de volta para o parágrafo da pizza de morango, do sushi com cream cheese, etc. As receitas se afastam muito do convencional, mas pelo menos há uns kebabs com cordeiro para salvar a pátria. Devo ressaltar que tudo é gostoso, tanto o sanduíche quanto as opções de bebida. Outros aspectos legais de lá: 1) Aniversariante não paga pelo kebab; 2) A decoração é linda! Quem quiser fazer um número para o(a) namorado(a) ou impressionar alguém pode escolher se sentar nos colchõezinhos que ficam no mezanino, de frente para a rua.

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A terceira opção é a do Calçadão da Torre, no posto de gasolina perto da Torre de TV. Se não me engano, o criador do lugar era um chef que já cozinhou para a Embaixada do Egito aqui em BSB e depois abriu uma birosca ótima (com kibe de cordeiro e tudo), que já fechou. Dos três lugares que mencionei aqui, é o de aparência mais rústica e cardápio mais fiel. O Senhor Meu Marido (SMM) foi e gostou, embora ache que o sanduíche venha com cebola demais. Para mim, isso é péssimo, mas não chega a tirar meu ânimo de visitar o local. Uma hora, eu passo lá...

domingo, novembro 15, 2009

Tentativa de crítica

Vi a dica do restaurante asiático Pan Doo n'O Melhor e o Pior de BSB, resolvi visitar o lugar e escrever uma opinião direitinha sobre o que achei.

(Ainda mais porque agora eu me autoliberei para falar quando quiser dos lugares daqui!)

Em termos de decoração, uma graça. O lugar tem mesas de madeira chiques, um monte de máscaras asiáticas e vários detalhes em cor de laranja. Se de dia é legal, imagine durante a noite.

Não sei se pelo pouco tempo de existência, pelo horário ou pela falta de divulgação, o lugar estava meio vazio. Além da nossa (Mari + Senhor Meu Marido) mesa, havia só mais uma. Isso facilitou super o atendimento, bem simpático, por sinal, embora o menino desse mostras de pouca experiência no serviço.

Também não sei se com mais gente o dono bota mais garçons para trabalhar ou deixa um só. Se deixar um só, eu tenho medo, porque o negócio vai empacar, lógico!

Trilha sonora: palha. Pô, eu gosto da Nova Brasil FM, mas para ouvir no carro. Se não é para tocar música típica dos países contemplados no cardápio, que coloquem pelo menos um lounge (coisa que o Buddha Bar popularizou e de quem todo mundo foi atrás)!

O cardápio é superamplo e se permite toques brasileiros no uso dos ingredientes, o que dá direito de escolha a todo mundo. Mas eu fico braba quando eu vejo que um terço das opções está em falta. E, pior, o meu cardápio e o do SMM estavam com um monte de marcações diferentes -- que ajudavam o aprendiz de garçom a ver o que está ou não disponível, mas passavam ao mesmo tempo uma impressão péééssima do lugar! Havia estrelinhas, asteriscos, setas, letras n com um til em cima e por aí vai. Não pode, não pode, não pode! O dono tem que assumir o tamanho do cardápio que elaborou, ora. ;-)

Não havia, por exemplo, o temaki de pato pequim, uma das opções de entrada. Mas havia um dim sum de caranguejo com molho agridoce/apimentado muito xuxuzinho. Ponto pros caras!

Para mim, pedi um prato cujo nome me esqueci (sorry), mas que basicamente consistia numa yakissoba bem servida à beça, com filé, vegetais e uns cogumelos picados grandes. Curti. SMM escolheu um arroz frito de mariscos que, quando veio, tinha a apresentação igualzinha à de uma paella. E ficou se perguntando se não estava num restaurante de inspiração asiática. Afe!!!

Não rolou sobremesa, mas ela também não parece ser grandes coisas.

Os preços estão dentro da média de Brasília. E ligeiramente mais baixos que o do Naan, aonde eu só vou quando o dono promove festivais temáticos (em outra época não dá, é tudo carésimo).

Último comentário: dono do Pan Doo, se o senhor for leitor deste blog, por favor, tire das nossas vistas a geladeirinha que fica no andar de cima. Ela é tosca! Hehe. E garanta que todos os pratos do cardápio possam ser de fato servidos pela casa! Agradecemos antecipadamente.

Bom, como o blog da Lulupeters + Nina + cia. serviu de inspiração para o post, faz sentido terminar como as companheiras blogueiras fazem...

Nota do blog: até que rola! (Abaixo de 100% da proposta do local, mas com alguma compensação que garanta uma segunda tentativa)
Dica do blog: dim sum de caranguejo.
Serviço: 306 Sul, Bloco C, Loja 36; (61) 3443-5534.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Café cenográfico

Mesa de café da manhã de personagem rico de novela tem pães, brioches, croissants e biscoitos.

Há suco de laranja, leite e café servidos por empregada uniformizada.

Frutas? Sim, óbvio. Em dois suportes: um somente para os morangos, cuidadosamente arrumados pela moça de uniforme. Outro para os demais tipos.

Os personagens normalmente não dão valor a essa variedade. Em mesa de café da manhã de novela, sempre tem alguém ocupado demais lendo jornal, discutindo a relação ou brigando mesmo. As brigas, claro, deixam pelo menos um personagem sem fome. Ele se levanta da mesa e vai fazer outra coisa.

Isso quando não tem alguém superatrasado, que só dá um golinho no suco de laranja, uma mordida num biscoito e vaza para a rua, deixando a mãe ou a empregada falando sozinhas:
- Você precisa comer direito, meu (minha) filho (a)!

Em síntese, ninguém come em mesa cenográfica.

E quando a não-refeição acaba, também ninguém escova os dentes (eca). Os superatrasados, por exemplo, já saem de mochila ou bolsa na mão.

Já repararam?

Update: esqueci de dizer o quanto odeio aquela clássica cena de Guerra dos Sexos em que a Fernanda Montenegro e o Paulo Autran jogam coisas um no outro no café da manhã. Eca, eca. O pior é que todo o mundo adora.

segunda-feira, junho 22, 2009

Não tem champagne no biscoito de Champagne

Há uns mil anos (tá bom, foram só uns 20), logo depois que a minha família mudou de apartamento, eu acordei num dia chuvoso e feio e resolvi ir direto no pacote de biscoitos de champagne que mamãe comprou em algum lugar aí.

Naquele momento, aqueles biscoitinhos me pareceram a maior criação da história da arte: dourados, arredondados, com aquela crosta delicada feita de açúcar a cobrir a massa quase por completo. E ainda por cima o nome do produto indicava que havia champagne e glamour de verdade na receita. Tudo o que alguém pode querer num dia cinza.

O primeiro gosto, no entanto, foi totalmente aquém do esperado. O tal biscoito de champagne era uma coisa meio doce, seca, massuda. Comi por mais um tempo por pura teimosia. Mas nunca mais fiz questão dele.

E passei mais um tempão sem me lembrar dessas coisas até o dia em que me vi cara a cara com os tais dos biscoitos rosa de Reims (na região de Champagne).

O propósito deles é servir de acompanhamento para as taças de champagne que o pessoal toma (o biscoito é tão doce que deve ajudar o sujeito a não ficar tão bêbado). E a massa tem a incrível propriedade de não se desmanchar quando entra em contato com líquidos (uau). De modo que os usos e costumes locais mandam a pessoa mergulhar o doce no champagne de vez em quando e... bom, não é preciso mais nada, né? Basta ser feliz.

Os biscoitos rosa de Reims são assim. Vejam e vocês acreditarão que eles são bons.

Pois é, mas não são nada demais. Eles têm o mesmo sabor do meu biscoito de champagne da manhã chuvosa dos meus 7 anos. A diferença é que há um corante na massa. Pura aparência.

E, antes que eu me esqueça, não há champagne nos biscoitos de Champagne. A massa é a mais básica que se pode imaginar para um biscoito: farinha, ovo, leite, açúcar e fim.

O reencontro com a iguaria foi tão chocho que nem me dei o trabalho de tentar experimentá-la como manda o figurino. Melhor não.

O gosto da decepção é mesmo uma coisa muito esquisita.

domingo, junho 21, 2009

Champagne bom, champagne indie

Existem duas formas de conhecer a fabricação do produto que dá nome à região de Champagne, na França. A primeira delas é visitar as grandes caves, cujas sedes ficam nas cidades de Reims e de Epernay.

Moët & Chandon, Veuve Cliquot e Taittinger são as principais delas. Lotam de turistas do mundo inteiro (inclusive eu, rsrsrsrs). Por 10 euros, entrei na Taittinger, assisti a um vídeo em francês do qual entendi lhufas, fiz um tour guiado numa caverna (já usada pelos galo-romanos nos primeiros séculos depois de Cristo) cheia de garrafas, tirei umas fotos e... desejei loucamente o momento final da visita.

Aliás, acho que todos na turma estavam na mesma ansiedade.

Dá para imaginar o que acontece nesse momento, né? Depois de subirmos uns 600 degraus para voltar da caverna galo-romana à superfície, todos nós, turistas, bebemos uma tacinha de Taittinger ao pé da vaca.

E, depois, fomos gentilmente convidados à passar à lojinha, onde poderíamos adquirir mais daquele saboroso líquido a preços módicos (40 euros a garrafa mais barata, a de demi-sec).

Preferi tirar fotos da garrafona usada para batizar navios (imagem acima).

Dizem que quem visita uma grande fabricante de champagne fica sabendo automaticamente como são todas as outras. Por isso, resolvi partir para outro esquema, que, no fim das contas, me pareceu muito mais jogo: o dos Vinheiros Independentes. Batizei-o de champagne indie.

Os afiliados a essa associação são pequenos vinheiros pouco comprometidos com a criação de uma champagne que vá agradar desde o sultão de Brunei até o banqueiro paulistano (para isso, existem as grandes caves). Ao fabricar suas milhares (e não milhões) de garrafas anuais, se metem em cada etapa da produção e dão um sabor muito mais pessoal às próprias bebidas.

Esse espírito 'mão na massa' se percebe facilmente na visita a qualquer vinha indie. Estive em duas: a Laurent Gabriel e outra cujo nome não me lembro de jeito nenhum (atenção, engraçadinhos: a culpa não é do champagne).

A primeira é superfamília. Quase morri de timidez quando soube que as explicações sobre a vinha seriam dadas na sala de estar da turma, em meio a retratos de bebês. Quando a guia (uma moça mais ou menos da minha idade) veio trazendo a filha pitizenta, pensei: "Ferrou. Se o produto dela for uma merda, não vou conseguir disfarçar e ainda vai rolar aquela pressão básica pela compra".

Tudo melhorou depois que Marie, a guia, entregou a pitizenta para a mãe e contou a história dos pais. Em poucas linhas, é o seguinte: a mãe era dona de casa (acho) e o pai consertava o maquinário das vinhas dos outros. Um dia, resolveram ir atrás dos retalhos de terra das duas famílias e abrir a própria cave, que atualmente produz 20 mil garrafas por ano.

Eventualmente, Marie e o pai têm uns arranca-rabos porque ela prefere colocar mais uva chardonnay na composição, enquanto monsieur Laurent prefere a pinot noir.

A fábrica não é glamourosa. Mas o produto é tãããããããããão melhor. Constrangimento zero. E preços bem mais camaradas: cada garrafa custa 13 euros em média. Quase o preço do ingresso que a Taittinger cobra para te dar direito a uma taça. Comprei, claro.

A outra era um pouco maior e mais arrumadinha. Mas o tratamento não mudou muito. Rolou um papo com a dona da vinha, que ofereceu biscoitos cor de rosa para acompanhar a bebida. Champagne gostoso e barato também. Recomendo demais.

terça-feira, abril 14, 2009

Sobremesa

A imagem de um indivíduo diante de um caminho bifurcado é uma coisa poderosa. Pegar a pista da esquerda ou a da direita significa ter de aguentar no osso as consequências de uma decisão sábia ou de uma bobeira monstra.

Essa embromada pseudofilosófica foi só para começar a dizer que ontem, em determinado momento do dia, eu tinha, à minha esquerda na mesa, metade de um mamão formosa. À direita, um bombonzinho quadrado de chocolate recheado com pistache, a coisa mais linda do mundo. E daí que eu, menina diet, fiquei assim... só observando.

Quem convive comigo sabe que só como mamão por militância. Não adianta dizer que é uma delícia, que tem um monte de vitaminas, que ajuda a evitar acidez no estômago, etc., etc. Reconheço que é nutritivo, saudável e por aí vai. Como justamente por isso. Mas, das frutas que conheço, é a que menos me faz feliz. É o prêmio de consolação para quando todas as outras acabaram, ou quando o único contraponto para a fruta é aquele doce que te convida à decadência.

Eu devia ter fotografado isso: o mamão que tirei da geladeira, à esquerda, e o bombom, à direita. Entre a sobremesa e mim, apenas uma pequena pista bifurcada.
Fico com a fonte mais-ou-menos de vitaminas? Ou com um quadradinho inofensivo que balança entre o louvável e o politicamente incorreto? Prefiro virtude ou pecado?

A dúvida não durou muito tempo. Vários argumentos fundamentaram a decisão. Uma delas foi aquele comercial antiguinho em que o Luís Fernando Guimarães está no banco e, quando perguntado se queria chá ou café, ele responde: "Chá e café, por favor". Em seguida, a mãe do personagem (vivida pela Deborah Bloch) responde: "Essa Lúcia Helena, do ********, mima você demais, Renato Horácio!". Era bom demais.

Decidi que queria mamão e bombom. Assim, nessa ordem.
Justifiquei isso para mim mesma com um ensinamento antigo: primeiro, dar conta das coisas mais difíceis; depois, das mais fáceis, gostosas, incríveis e achocolatadas.

Tanto porque o gosto do chocolate embota o de qualquer fruta.
Acho que fiz uma boa decisão. Uma ótima sobremesa. Pecado e virtude.

domingo, março 29, 2009

Festa do caqui


Eu sempre defendi que caqui é coisa que se compra no sinal de trânsito, não no supermercado. Ainda mais aqui em Brasília, onde os vendedores estão por toda parte entre fevereiro e abril. Perto da quadra da minha mãe. No caminho para o trabalho. No semáforo perto da academia.
Um colega perguntou há pouco tempo, em tom de brincadeira, se esse gosto teria a ver com os micróbios que fatalmente parariam na casca da fruta depois dela ficar tanto tempo exposta na rua. "Da mesma forma que a salmonella dá gosto ao churrasquinho de gato", ele comparou. A gente riu, e eu disse que a história era outra.
Caqui de supermercado normalmente fica naquelas geladeirinhas de frutas. Provavelmente vai para lá ainda verde. Quando sai da caixa, está duro como pedra. Demora um milhão de anos para amadurecer, o que frustra qualquer vontade. E, mesmo quando isso acontece, a fruta não mostra tudo o que tem de bom. Algumas partes não perdem a rigidez. Outras são adstringentes. Em síntese, uma droga. Os R$ 5,50 (contra R$ 5 do vendedor de rua) mais mal gastos do mundo.
O do sinal é diferente. Amadurece sob o misto de sol e névoa do cerrado e se transforma rapidamente numa coisa brilhante, quase sedosa. Se pega chuva, é mais bonito ainda. Quando a gente pega a caixa do vendedor, as frutas estão todas salpicadas de gotinhas. Uma coisa quase cênica, eu diria. Há bichinhos microscópicos na casca? É bem possível que sim. Mas nada que um litro de água com algumas gotinhas de cloro (e bastante água corrente depois) não resolvam.
Quando se parte a fruta ao meio, é melhor ainda. O recheio cede facinho à colher. É quase como degustar um doce incrível, só que sem as calorias e sem o peso na consciência. Eu poderia comer uns dois ou três de uma vez se isso não fosse causar uma festa do caqui na barriga (amo trocadilhos infames). Agora, comer dois por dia pode. Faço isso muito até a temporada acabar, porque sei que ela é curta. Depois de abril, só no ano seguinte, quando tudo começa de novo: a busca pela fruta mais perfeita, a vontade de se afogar nela e a saudade quando a colheita acaba.
Eu só não defendo mais os vendedores de rua porque fiz ontem a melhor das descobertas: caqui de mercadinho a R$ 1,99 (seis unidades), maduro e ainda embalado nessa bandeja superfotografável. O primeiro dela já era.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Momento Ofélia 2


Finalmente teremos a parte 2 da superaula de temperos que fiz no fim de semana e resolvi compartilhar porque foi: 1) Legal; 2) Grátis. Se eu tivesse temperos em casa (a comida acabou toda porque insisto em comê-la; preciso fazer compras), eu faria fotos e colocaria aqui. Mas... paciência. Na falta de tudo isso, vou de imagem de arquivo da Life, produzida em Cape Cod, nos Estados Unidos, em 1953.

Vamos lá.

Arroz
Não precisa ser lavado! Perde todas as propriedades nutritivas. Principalmente o arroz branco, que já é todo refinado.

Hortelã
É um dos principais temperos da culinária árabe. Combina muito bem com beringela.

Cúrcuma
Às vezes, vende-se erroneamente como açafrão. A diferença entre os dois é que o açafrão é muito mais intenso (em cor e sabor) e caríssimo, já que é necessário usar um milhão de flores (estou chutando o número) para obter o pozinho (o pistilo da flor). Usa-se na galinhada e para dar cor ao arroz.

Molho inglês x Shoyu
Um não tem nada a ver com o outro e não pode substituir um ao outro. O primeiro é mais ácido, tanto que pode ser usado quando faltar o vinagre. O segundo, por sua vez, é supersalgado, portanto, moderação nele! O molhinho de soja fica bem com carne de porco e peixes.

Pimenta calabresa
Ótima para temperar carne de panela e carnes assadas. Dica: ou se usa calabresa, ou pimenta-do-reino ou cominho. Não bote os três na mesma receita, ou sairá fogo pelas suas ventas. Não fui eu que inventei isso, foi a professora.

Alecrim (amo!)
Fica bom com quase tudo: frango, porco, cordeiro e peixes assados (como o tambaqui). Dica: quando assar no preparo de carne, usar o galho em si ou partes dele (não tirar as folhinhas). Quando o prato ficar pronto, retire-o. Do contrário, o gosto ficará forte demais.

Manjericão
Além de deixar as massas gostosas, fica bem em pratos com espinafre. Também pode ser colocado na barriga dos peixes assados inteiros. Parece que dá certo. :-)

Tomilho
É o principal tempero do coq au vin (além do vinho, claro!). Tempera verduras e cordeiro maravilhosamente.

Aipo / salsão
Não sei por que não anotei nada sobre esses dois. :-(

Alho (eca)
Se tiver de fazer alguma fritura com o ingrediente (eca), tipo frango à passarinho, não use o alho puro (eca). Prefira o molho pronto de alho (eca, eca). Do contrário, a fritura queima. Nunca deve ser usado em comidas leves, como arroz branco, peixe, verduras, etc. Em frango de granja, jamais (no caipira, pode). Ao fritá-lo, ele deve ficar com cor parecida à do doce de leite, e não esbranquiçado. Não use Arisco Alho e Sal, a comida fica horrível. Se é para usar alho, se você não tiver nenhuma outra alternativa (haha), que seja o comum.

Estragão
Não sei muito sobre ele... só que se deve usar em pequena quantidade. :-P

Fondor x Grill
São temperos prontos para carnes. O fondor se usa para as brancas; o grill, para as vermelhas.

Mostarda
Pode dar um gosto totalmente diferente à comida, a depender da variedade. A marrom vai para os sanduíches. A mostarda em grão, para os bifes e para alguns molhos. A amarela também é usada em molhos e para dar cor à carne de frango (para tanto, deve ser pincelada).

Salsa x coentro
Aprender a diferença entre os dois (além da olfativa, claro) foi o melhor. Agora sei distinguir salsa daquele outro ingrediente que, como alho, também deveria ser interditado para consumo humano (hahahaha). A salsa tem folha bem maior. Tempera bem carnes vermelhas e molhos para salada. O coentro tem folha menor e mais mole. Em quantidade microscópica (e não a usada por aí, para temperar cenoura ralada em restaurante self-service), dá um toque a frango, peixes e alguns pratos com frutos do mar, como casquinha de siri e moquecas.

É isso, minha gente. Algum dia, pretendo ainda fazer um post parte 3, final, porque ainda há dicas legais de preparação de carnes. :-)

Agora vou almoçar. A julgar pela hora, nada mais adequado, não?



domingo, fevereiro 15, 2009

Momento Ofélia

Pense numa pessoa que, até dois anos atrás, sabia preparar pouquíssimas coisas, tipo Sucrilhos, ovos mexidos, macarrão e misto-quente (lá em casa da mamis, carinhosamente apelidado de xis-teflon, devido ao aroma que se espalhava pela casa). Essa pessoa era eu.

Não que hoje eu seja, oh, uma mestra da culinária internacional, mas fiz avanços importantes. Quando se sai da casa dos pais, aprender a cozinhar melhor vira uma questão de independência. Sem contar a diversão que é.

Com tudo isso em mente, acordei cedo ontem (milagre) e rumei para o Guará, a uns 30 minutos do Plano Piloto, para ter uma aula de temperos com uma baiana agitadíssima e muito engraçada, dona Maria do Carmo Morais, 61 anos, culinarista com 35 anos de profissão (antes, era costureira).

Dona Carmo é legal, entre outras coisas, porque pensa parecido comigo, gastronomicamente falando. Detesta a praga do excesso de alho em todas as preparações e abomina os restaurantes self-service que salpicam cebolinha, coentro e/ou cebola crua em tudo para decorar os pratos (pense em uma pessoa que cata todas as cebolinhas: sou eu). Defende que tempero bom é aquele colocado em pequena quantidade e balanceado com os demais ingredientes.

Sendo assim, não haveria pessoa melhor para me ensinar o assunto. Como a lição foi uma espécie de amostra grátis, achei que seria bacana compartilhar o aprendizado aqui. Quem quiser fazer esta e outras aulas pode ligar no número 3301-8340.

Cozinhar batatas
Para ela ficar gostosa, não é necessário cobri-las de água e encher a panela. Pelo contrário. O ideal é colocar água pela metade da altura dos tubérculos para que ela evapore por completo. Quando isso acontecer, você saberá que a batata ficou pronta. Para dar cor e sabor, mas sem excessos, vale colocar meio pacotinho de Sazon para quatro batatas. A dica vale para os legumes preparados com água. Ah, o fogo tem que ser baixo.

Frango
Nunca, jamais, em tempo algum, se cozinha em água. Senão, fica fedido, com gosto de pena molhada (urgh).

Pimenta-do-reino
Combina com tudo. Só não faz bem para quem tem problemas de estômago e hemorroidas. A proporção de uso é, normalmente, uma colherinha de chá para 1kg de carne.

Louro
Como é bom para digestão, costuma ser usado para temperar o feijão e todas as carnes de sabor forte, como a de porco. Usa-se uma folha grande para 1kg de carne.

Orégano
Fica gostoso não só nas massas e nas pizzas, mas também em receitas com frango, no peixe assado, na batata assada e nos legumes.

Cominho
Usa-se para dar sabor a porco (é o tempero básico, aliás, junto com alho e limão), fígado bovino, frango caipira, codorna, cordeiro e a alguns tipos de carne de caça, como javali.

Páprica
A doce dá um sabor acentuado ao frango xadrez, ao porco agridoce, às sopas, etc. A picante é forte como pimenta. Dá cor e gosto às carnes de peixe e frango.

Curry
Fica melhor em receitas de frango ou carne de porco. Não se usa em carne vermelha. Uma pitada por quilo é o suficiente para nós, não-indianos, não passarmos mal. ;-)

Noz moscada
Nada substitui o sabor deste tempero maravilhoso. É indispensável ao molho branco. Pode ser usada também em peixe assado, lombinho de porco e em tortas salgadas e doces (como a de banana!).

Colorau
Não se usa para muita coisa além da preparação de caldos. Também quebra um galho quando se quer preparar um peixe e não há páprica.

Vou continuar amanhã para o post não ficar muito comprido. Beijos!