terça-feira, junho 29, 2010

Talento é pouco


Cory Chiesel, vocalista da Cory Chiesel and The Wandering Sons, tem uma história muito parecida com a de milhares de cantores nos Estados Unidos: filho de ministro da igreja batista, ele começou a cantar na igreja e dali foi pro mundo.

Saiu de Wisconsin e hoje toca em um bocado de showzinhos pelo país, como o da foto acima, que cliquei em Chicago. Apesar de meio tristes às vezes, as músicas são uma graça, a exemplo de Gettin' By, que pode ser ouvida aqui.

Gostar do som do grupo, no entanto, não me impediu de fazer uma pergunta: quantos milhares de artistas devem haver iguaizinhos a ele? Quantas milhares de bandas devem repetir a fórmula violão + vocalista algo melancólico (a), porém sexy + letras fofas de amor, etc.?

Difícil contar, mas há um monte. Eu mesma vi várias, ainda que algumas tivessem algumas pequenas mudanças na fórmula.

E todas são boas. Mas a concorrência é cruel num país em que há tanta gente talentosa e onde a parada de sucesso é dominada atualmente por aquela música horrorosa da Rihanna.

Quem vai ficar famoso, no fim das contas? E quem deixará o sonho de lado para abraçar um trabalho convencional, uma vida normal, um concurso em Brasília (ops)?

Essa pergunta bateu várias vezes e me inquietou em todas.

Me fez pensar que, fora da folk music, existem mil outros tipos de commodities nessa vida de criação. Texto bom é commodity. Foto legal, então... ainda mais nesse mundo de máquina digital.

Talento é pouco, é quase nada às vezes.

domingo, junho 27, 2010

A vida em casa é assim


No Parque Olhos d'Água, logo depois da curva da ponte pequena, uma árvore soltava o cheiro mais gostoso do mundo sempre que o dia acabava.

Era certo: dava umas 19h, 19h30, e o aroma chegava a uma área não maior do que dois metros quadrados. Mas ele era intenso e muito bom.

Fui andar hoje e fiquei caçando aquele perfume. Dei três voltas e nada. A flor já deve ter ido embora.

Não vou conseguir descrever o cheiro porque não me lembro mais dele com detalhes. Mas asseguro que era fantástico.

Qualquer metáfora que eu tentar fazer a partir dessa descrição vai parecer brega. Por isso, é melhor parar por aqui. :-)

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Mais cedo, fui conhecer o Iguatemi, o shopping onde qualquer mulher pode andar de óculos escuros sem se sentir uma perua! É tanto mármore claro no chão e tanto sol entrando pelo vidro que não dá para não se proteger.

Daí que fui desfilar com meu saltão plataforma e minhas lentes enormes e fiquei me achando phynésima.

Nada phynos, no entanto, são os preços de todas as coisas nas vitrines.
Bateu saudade de Miami (ha!).

A mesma definição cabe aos poucos lugares para comer instalados por lá. Filas enormes, gordas e colossais não paravam de se formar. Tudo bombadíssimo. E nem era para tanto.

Peguei meus superóculos e fui pra Quituart comer quitutes árabes e me divertir com a galera que torcia pro México. Quem frequenta lá sabe que o esquema é tosquinho. Mas bem mais bacana que o do shopping.

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Não sei de onde tirei que minha readaptação ao dia a dia estava sendo boa e tranquila.

Não que ela seja turbulenta. Mas agora que estou novamente vivendo o cotidiano daqui me pego achando algumas coisas supercretinas.

Ontem fui comer num naturebis megaorgânico e fair trade :-) que abriu recentemente e descobri que o lugar também servia café da manhã. Fui assuntar a história com a gerente:

ELA - É... tem pão... é... tem pão com manteiga... tem café com leite... é... tem... vitamina...
EU - Tem esses mesmos sucos do cardápio normal? Tem salada de fruta?
ELA - Ééé... tem... acho que tem. É.

É. Os naturebas dessa cidade estão lascados.

sábado, junho 26, 2010

Let the sunshine in






Essas e outras fotos de San Francisco, a cidade mais inspiradora do mundo, estão neste álbum.
Como diriam os americanos, enjoy!
:-)

quinta-feira, junho 24, 2010

Porque acabei de ter um ataque de riso

Escalações da Copa


GRUPO A

ÁFRICA DO SUL - Hakuna, Matata, Zuma, Pumba e Simba. Tshabalala, Lalalala e Trololo. Zulu, Zilu e Vuvuzela. Técnico: Zamunda.

MÉXICO - Zapata, Godines, Cirilo e Racha-cuca. Jose Cuervo, Xapatin, Girafales e Hector Bonilla. Taco, Roberto Bolaños e Speed Gonzáles. Técnico: Don Ramón.

URUGUAI - Mujica, Bujica, Canjica e Cojones. Mate, Artigas, Ortega e Urtiga. Loco Abreu, Loco Mia e Olocomeu. Técnico: Eduardo Galeano.

FRANÇA - Mondieu, Sacrebleu, Blasé e Sauté. Abatjour, Monamour, LeParkour e Monbijou. Ribéry, Tresjolie e Lingerie. Técnico: Sauvignon.

GRUPO B

ARGENTINA - Maricones, Boludo, Quilmes e Chorizo. Alfajor, Tango, Perón e Verón. Palermo, Panaco e Babaco. Técnico: Mano de Dios.

NIGÉRIA - Motumbo, Djeba, J'romba e Bengala. Kanu, Kani, Goku e Paunoku. Obinna, Ilê e Ayê. Técnico: Obaluayê.

COREIA DO SUL - Kim Sam-Sung, Kia, Hy Un-Dai e Kun Gui-Fu. Park Ji-Sung, Park Damo-Nika, Park Guin-Le e Jurassic Park. Dae-Woo, Wong-Fu e Sal Sifu-Fu. Técnico: C.G. Jung.

GRÉCIA - Onassis, Sócrates, Hermócrates e Hipócrates. Katapoulos, Kataploft, Katapimba e Christos. Churrasco grego, Beijo grego e arroz à grega. Técnico: Homero.


GRUPO C

INGLATERRA - Lancaster, Worcester, Montgomery e Wiltshire. James, John, Paul e George. Cleese, Big e Ben. Técnico: George Martin.

ESTADOS UNIDOS - Bacon, McMuffin, Yogoberry e Cheddar. Yummy, Dummy, Brandon e Brian. Gonzales, Hernandez e Lewinsky. Técnico: Kissinger.

ARGÉLIA - Sahid Zidane, Ahmed Zidane, Nadir Zidane e Zinedine Zifoda. Kareem, Khaled, Kebab e Kabid. مدينة الجزائر, أحمد e ويحي. Técnico: Habib's.

ESLOVÊNIA - Bronquič, Rinič, Bursič e Sinusič. Šeliga, Šetoca e Šemanca. Popovic, Twitpic, Prezunic, Ljubeyjafjalajokuljanic e Tededic. Técnico: Mobdic.


GRUPO D

ALEMANHA - Sauerkraut, Strudel, Heinzbein e Kasseler. Adolph, Lager, Aftazarden e Weissfüder. Ingo Hoffman, Diego Alemão e Schumacher.
Técnico: Heinz

AUSTRÁLIA - Dundee, Kookaburra, Koala e Kangaroo. Hugh, Jackman, Heath e Ledger. Sidney, Taz, Priscilla e Bloomin' Onion. Técnico: Hugo Weaving

SÉRVIA - É o Pet, É o Pet, É o Pet, É o Pet, É o Pet, É o Pet, É o Pet, É o Pet, É o Pet, É o Pet e Stanković. Técnico: Dejan.

GANA - Mandingo, Sahafo, Trihpé e J'boiah. Abedi Pelé, Abedi Garrincha, Abedi Tostão e Asamoah. Eric Addo, Atordo Addo e Vi Addo. Técnico: Milton Nascimento.


GRUPO E

HOLANDA - Van Halen, Van der Wildner, Van pirata e Van Do. Van Geleonel, Van der Lee, Van der Cleidson e Marcelo D2. Heineken, Phillips e Tiësto.Técnico: Maurício de Nassau

DINAMARCA - Andersen, Kierkegaard, Viggo Mortensen e Bohr. Fodamsen, Danensen, Ferrensen e Sevirensen. Nhá Benta, Língua de Gato e Scooby Doo. Técnico: Danish Cook

JAPÃO - Jaspion, Jiraya, Change Dragon e Hello Kitty. Haikai, Tamagochi, Sudoku e Wasabi. Keropi, Kotoko e Misha Ria. Técnico: Içami Tiba

CAMARÕES - Pitu, Krill, VG e Cinza. Sete Barbas, Rosa, Da Malásia e Lagostin. Risole, Empadinha e Bobó. Técnico: Sr. Sirigueijo


GRUPO F

ITÁLIA - Polpettone, Pomodoro, Tagliatelli e Frescarini. Bocchetti, Bolagatto, Pugnetta e Brogna. Donatello, Mario e Luigi. Técnico: Tony Ramos.

PARAGUAI - José Lugo, Carlos Lugo, César Lugo, Ramón Lugo e Roque Lugo. Sorny, Mike, BleckBarry e Hi-Phone. Perla e Adelaide. Téc: PolyStation.

NOVA ZELÂNDIA - Peter, Jackson, Russel e Crowe. Froddo, Legolas, Aragorn e Smigol. Wellington, Kiwi e Jaca Paladium.

ESLOVÁQUIA - Swarowský, Deuokusemký, Hondačívik e Robotnik. Bratislavský, Holosko, Homalusko e Hamuleske. Extcheco, Ralatchan e Ralatcheca.


GRUPO G

BRASIL - Zé Carioca, Carmem Miranda, Blanka e Buenos Aires. Samba, Bunda, Caipirinha e Capoeira. Allejo, Pelé e Bündchen. Técnico: Lula da Silva.

COREIA DO NORTE - Ping, Pong, King e Kong. Long, Dong, Yin e Yang. Tang, Pak Man e Don-Keey Kong. Técnico: Kim Jong-il.

COSTA DO MARFIM - Jotalhão, Dumbo, André Marques e Ronaldo. Romaric, Bebetic, Ebony e Ivory. Drogba, Merdba e Porrba. Técnico: Djosso Ares.

PORTUGAL - Manoel, Joaquim, Manoel Joaquim e Joaquim Manoel. José Maria, Vasco, Roberto Leal e Ovos Moles. Baiano, Ceará e Paulista. Técnico: Saramago.

sábado, junho 19, 2010

Miami com Copacabana

Queria muito fazer um inventário das figuras bizarras que vi em Miami nos últimos dias, mas inventários dependem de caderninhos e canetas para dar suporte à memória.

Só que bloquinhos significam trabalho, e eu não estou aqui labutando. Tô de férias. Férias quase no fim, diga-se.

Senão vejamos: anteontem vi dois emos trocando soquinhos na Lincoln Road, perto de South Beach. Eles eram magérrimos e tinham franjas tão volumosas que não dava para ver como eram seus rostos.

Calculei uns 18 anos para cada um, embora o comportamento fosse totalmente de quinta série.

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No mesmo dia, comprei duas toalhas superfurrecas por US$ 10 e fui pra praia.

Fazer isso é a melhor forma de se livrar dos preços abusivos dos guarda-sóis e das cadeiras disponíveis pra aluguel. Cada item custa US$ 20. US$ 20!!!! Os cariocas são felizes e não sabem.

Água mineral? US$ 3,50 na barraquinha da areia, US$ 1 com o negão rasta que vende a 100m dali.

Por falar em rastas, dois deles aterrissaram a uns três metros da gente. Um deles tinha a Bíblia na mão e estava fazendo uma espécie de discurso de conversão para o outro. Acho que o próximo passo era dar o batismo nas águas quentes da Flórida (uma delícia, por sinal).

O rito foi interrompido quando o cara da Bíblia viu um casal brigando alto e se xingando não muito longe dali.

- Ei, você! Pare de xingar a sua esposa! Isso não se faz! Você tem que amar a sua mulher! Se continuar, vou juntar a minha galera para te bater lá na calçada - ameaçou o rasta man para o americano machão.

Com uma chamada de xinxa dessas, o marido não teve muita escolha. E a paz voltou a reinar em South Beach.

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Tinham me dito que a Ocean Drive, perto dali, parecia Copacabana. É, tem uma semelhança.
Tudo parecia meio roubada de turista, mas consegui achar um lugarzinho fofo para matar a fome pós-praia (mar dá MUITA fome). Se chama News Cafe, e o news tem a ver com os mil jornais e livros que podem ser lidos por lá.

A comida do News é bacana, e a possibilidade de observar a galera que passa em frente, outra coisa sensacional. Só dá figuraça.

Quando passou uma turma de hare krishnas tocando percussão, umas adolescentes americanas que estavam de pé perto da minha mesa começaram a rebolar.

Pensei: fia, hare krishna não é dança do ventre, porra.

Uma delas fez até aquele barulhinho u-u-u-u-u-u-u-u-u que as bailarinas soltam de vez em quando nas apresentações, sabe?

Mas os monges eram gente fina, e arrastaram elas e mais uma galera para pular na avenida. O mais novo deles era também o mais animado. Parecia estar numa rave.

Afinal, tudo em Miami acaba em balada.

sexta-feira, junho 18, 2010

Disclaimer

Estranhamente, uma das minhas palavras preferidas em inglês é disclaimer. Ou, numa tradução bem livre para o português, aviso legal. São aqueles esclarecimentos em letrinhas mais ou menos miúdas que vêm em qualquer contrato ou propaganda.

Gosto do termo porque, entre outros motivos, ele remete a algo que é supertípico dos Estados Unidos: a indústria de processos judiciais.

Ou, como disse um motorista de ônibus por aqui:
- It's all about liability, man.

Traduzindo bem livremente de novo, tudo neste país pode virar questão de Justiça, dor de cabeça das brabas.

E, para evitar processos, as empresas (não importa o ramo de atuação) se protegem como podem. Espalham disclaimers mais ou menos do mesmo jeito que os saleiros distribuem os grãos de sal no prato.

Dia desses, no metrô, vi um anúncio enorme sobre um escritório de advogados que teria conseguido ganhos milionários ao defender vítimas de acidentes, de erros médicos e de problemas com remédios.

Sem brincadeira: as cifras eram gordas. US$ 1,5 milhão, pra dizer o mínimo.

O engraçado é que os avisos legais ocupavam quase metade do anúncio. Em sintese, informavam que, embora o escritório já tivesse conseguido vitórias na Justiça, nada garantia que ele pudesse fazer o mesmo acontecer com o sujeito que estivesse no metrô vendo a propaganda e pensando em processar uma empresa qualquer.

A mesma lógica vale para os escritórios de advocacia (há muitos e eles anunciam direto na tevê) que prometem fazer o cidadão se livrar dos problemas com a Receita Federal daqui.

Disclaimer também é item essencial no rótulo de qualquer produto. Qualquer mesmo. É preciso informar não só se há lactose ou glúten (algo básico no Brasil), mas também se há ingredientes capazes de causar uma alergia Godzilla e um processo judicial à altura do dano.

Lendo essas embalagens, a gente descobre a quantidade incrível de coisas que podem conter vestígios de nozes ou amendoins: biscoitos, sorvetes, bebidas e mais uma infinidade de produtos, incluindo, naturalmente, as nozes e os amendoins propriamente ditos (rsrs).

Agora não paro de pensar na quantidade de pessoas intolerantes a amendoim nesta terra. Se eu fosse uma delas, cortaria os pulsos.

O aviso "May contain traces of nuts" tornou-se tão frequente que virou até estampa de camiseta numa loja que vi nesta semana. Seria uma ótima compra, não fosse a piadinha suja que acompanhava a tal da frase.

quinta-feira, junho 17, 2010

American Pastoral

Há um tempo encasquetei que queria ler Philip Roth. Deve ser um pouco por conta da paixão absoluta que a minha ex-chefe tem por ele, um tanto pela entrevista que li com ele no dia em que viajei para a gringolândia e mais um bocado porque adorei Fatal, adaptação cinematográfica para O Animal Agonizante.

Daí que num aeroporto desses, bem no comecinho das férias, comprei American Pastoral, que, acredito, não foi editado ainda no Brasil, porque estou googlando direto aqui e não achei a tradução para o título.

O livro (que ganha as telas em 2011) conta a história de Seymour "Swede" Levov, veterano da escola onde o narrador estudou. Em síntese, o cara é um macho-alfa, alguém por quem todo mundo tem um carinho fora do normal. É bonito, inteligente, craque em todos os esportes, etc., etc.

Sei não, mas acho até que rola um componente gay no modo como o autor o descreve.

Levov tem uma vida fantástica quando jovem, mas descobre o quanto ela pode ser amarga nos anos seguintes. Mas isso o leitor só descobre quando já leu um monte de páginas, depois de:

1) Compartilhar essa adoração louca que todos têm pelo protagonista;
2) Descobrir como foi o encontro entre ele e o narrador quando ambos já estão velhinhos;
3) Saber, enfim, como era ser jovem e estudante no fim da Segunda Guerra.

Não cheguei na parte das agruras ainda porque estou lendo o livro muuuuuito devagar. Essencialmente, vou pegá-lo quando estou no avião. E avião, pra mim = sono. Eu apago, seja lendo um texto ótimo, seja vendo aquelas revistinhas de compras a bordo. Não abro o olho nem para colocar a poltrona na posição vertical.

E, com isso, perco toooooda aquela linguagem linda e rebuscada que o autor emprega. Ai, ai.

Daqui a pouco vou pegar o livro de novo. Hoje estou pilhada, com um monte de cafeína no sangue, e não sei a que horas vou cair nos braços quentinhos e acolchoados de Morfeu.

Até lá, Roth me parece uma ótima companhia. :o)

domingo, junho 13, 2010

Quatro histórias nova-iorquinas

No começo da tarde de hoje, uma densa nuvem de fumaça subiu vinda do Madison Square Park, entre a Rua 23 e a Broadway.

Numa situação dessas, seria natural que os nova-iorquinos ficassem superparanóicos, certo? Pois nao estavam. Isso porque a fumaça vinha de um enorme churrasco coletivo que ja virou tradição por aqui. A New York BBQ Block Party, que chegou à oitava edição em 2010, reuniu um monte de quiosques que serviam todas as carnes amadas pelos americanos.

Pensem em hambúrgueres, costelinhas pingando de molho, kebabs (para os mais exóticos).

O negócio faz tanto sucesso que, semanas antes, são vendidas credenciais para a galera não precisar pegar fila nos quiosques. Na quarta passada, elas já estavam todas esgotadas -- sold out.

Quem não conseguiu pegar o fast pass (nome da credencial) encarou filas enomes. Quando as vi, pensei: ainda bem que comi antes de vir para cá.
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Foi muito engraçado o momento em que uma processão hinduísta (ou hare-krishna, agora não sei, mas era uma dessas religiões vegetarianistas) passou numa das avenidas que rodeiam o parque.

Havia uns carros alegóricos lindos e dois cordões de segurança, um de cada lado, a proteger um monte de mulheres de sári e uns caras com roupa de monge. Mais gente de sári segurava os cordões. Parecia uma versão Himalayan do Círio de Nazaré. Ou uma micareta hindu.

De repente, surge um carro alegórico com uma menina meio asiática fazendo pole dancing. Foi aí que não entendi mais nada. Tirei umas fotos para garantir que esse relato meu não é maluquice.

A guria subia, descia, girava, uma coisa inacreditável. E a procissão rolando junto com ela.

"Como assim????", pensei.

Lá pelas tantas, a rua bifurcou e ela foi para outro canto. E a turma hindu seguiu seu desfile. Cada um na sua. Isso é NYC.

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Noutro canto do sul da cidade, uma prestigiosa marca de artigos esportivos montou um superespaço para a galera assistir aos jogos da Copa do Mundo. Também contratou umas mocinhas para divulgar o lugar.

Uma delas pulava e gritava animadamente para divulgar o esquema. Quando viu um senhorzinho atravessar a rua em sua direção, disparou:

- Vem pro quiosque! Tem jogo! Tem comida! Tem música! Tem bebida grátis! O que mais você pode querer?

Ele não perdeu tempo:

- Money, baby.

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No metrô de volta para o hotel, tinha um cara bem estiloso de pé do meu lado. Mas só reparei nele porque um grupo de meninos latinos pra lá de assanhadinhos pediu para tirar foto com ele.

Menos de um minuto depois, outro grupo -- dessa vez, de jovens senhoras latinas -- pediu para fazer o mesmo. Uma criança igualmente hispânica também apareceu com sua câmera.

Em síntese, um assédio só. Mas acho que ele não estava gostando muito. Quando a galera agradecia, ele fazia apenas um sinal tímido com a cabeça.

Foi por esse motivo que segurei minha língua e não perguntei se ele era famoso ou algo do gênero.

Quando o trem chegou à Grand Central Station e a porta se abriu, ele correu feito um louco e se perdeu por aí. Talvez quisesse se livrar das chatices da fama. Ou podia apenas estar com pressa.

quinta-feira, junho 10, 2010

... and please be kind

Ia publicar este post ontem à noite, mas a internet do hotel deu pau e estragou o meu esquema todo. Mas... antes tarde do que nunca.

Desenvolvi uma obsessão nova durante esta viagem: anúncios antigos pintados nos prédios com paredes de tijolo. É uma coisa que até hoje só vi nos EUA e que evoca o tempo da vovó mocinha, no qual a publicidade era muito mais ingênua.


Quanto mais velho e carcomido for o anúncio, melhor. Se for de um produto ou serviço disponível ainda hoje, adoro mais ainda. Já fiz várias fotos deles desde que desembarquei na gringolândia.


Hoje vi um superbonito aqui em Nova York, mas choveu tanto e a pressa das pessoas na rua era tal que me senti desencorajada de usar a câmera. Tirei só quatro fotos nesta quarta, o que é um recorde negativo total na minha série histórica. :-)


Amanhã a previsão é de mais chuvas. Acho que vou pro outchyletchy.

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Ontem, pelo contrário, fotografei loucamente porque o tempo estava incrível. Foi dia de Museum Mile e 24 ruas foram transformadas em calçadão. E todos os museus que ficam nelas liberaram a entrada para o público. Dá para imaginar o que foi o crowd, né?

Ah, e o trânsito nas ruas paralelas ficou um caos. Os nova-iorquinos que estavam de táxi ou de carro devem ter ficado indignados. Mas... só por um tempinho.


Vi uma exposição linda no MET sobre a mulher e a moda nos EUA, e só. Depois fui lá pra fora clicar os artistas de rua e a galera desenhando com giz no asfalto.


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Fui ver um showzinho de jazz bem bonito mais cedo. Nesse lugar, quando acaba a primeira sessão, você tem que ir embora ou pagar um ingresso a mais para ficar pra próxima. É nesse momento que o gerente da casa sobe ao palco, pega o microfone e, entre outras coisas, diz:
- ... and please be kind to serve your way out.
Ou, em bom português: vaza, malandro.

quarta-feira, junho 09, 2010

Duas ou tres coisas sobre Chicago

Deixa eu contar umas duas ou três coisas sobre Chicago antes que me esqueça.

A primeira delas é uma lição: nunca, jamais, em tempo algum confie nos mapas de Chicago. Principalmente no oficial, enorme e distribuído em todas as estações de metrô.

A escala é maluca e ignora a existência de um milhão de ruas no meio daquelas traçadas oficialmente no papel. Chicago é tão grande que, no mapa, espacinhos pequenos transformam-se em distâncias descomunais, chatíssimas de andar.

Uma coisa muito legal é pegar um ônibus para desbravar algumas das ruas principais. Lembre-se de nomes como Halsted, Division, Clark, por exemplo. Elas são quilometricas e a paisagem muda demais de acordo com a altura, com a numeração. Para quem vem de Brasilia, ver isso eh coisa de outro planeta. Hehe.

As vezes nao ha nada nelas (nem gente, se bobear) e, quarteiroes depois, aparecem milhares de restaurantes, bares, lojas de todos os tipos. Isso quando nao surgem regioes adotadas por comunidades especificas, como a dos gregos (no cruzamento da Halsted com Randolph, por exemplo), a dos chiques & famosos (Halsted com Armitage), a dos gays (Halsted com Addison) e a dos suecos (Clark com Foster).

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O Millennium Park, que tem uma escultura em forma de grão de feijão assinada pelo Anish Kapoor, é lindo. A obra de arte é fantástica, mas o lugar ainda tem outra coisa ainda mais bacana. É um espelho d'água cercado por dois painéis eletrônicos onde se projetam os rostos de um homem e de uma mulher anônimos (tirei umas fotos, depois subo pra cá).

De tempos em tempos, as bocas "cospem" jatos d'água em direção ao espelho, e é nesse momento que uma galera corre lá para tomar uma ducha. Isso se estiver fazendo calor, né? Porque Chicago pode ser gélida às vezes, até na primavera.

É divertidíssimo ver a galera bem à vontade -- de roupa de banho ou de regata e short -- tomando esse banho informal no meio da rua. Há crianças, adolescentes, adultos, alcatrazes (sim, as aves!), enfim, todo mundo se mistura.

Bizarro foi ouvir de um guia da CAF (a Fundação Arquitetônica de Chicago) que os projetistas do espelho d'água não esperavam esse tipo de utilização do espaço local. O que eles achavam? Que o povo ia ficar só contemplando? Ah, projetistas, poupem-me.

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Por falar em CAF, os tours promovidos pela fundacao sao superespeciais. Fiz dois: um sobre as construcoes em volta do rio e outro sobre os predios antigos e novos do centro. O legal eh que o conteudo de um nao repete o do outro. E, depois de cada passeio, a gente nunca mais olha as cidades do mesmo jeito. Nem Chicago nem qualquer outra.

sábado, junho 05, 2010

Pride

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah, eu amo San Francisco, adoro San Francisco e nao quero ir embora daqui nunca mais. Bom, eu falo isso de todos os lugares aonde vou. Hehe.

A palavra que define essa cidade eh pride -- ou orgulho, em portugues. Ja sacaram do que estou falando, ne? Aqui, as pessoas assam pizzas com pride, alugam apartamentos com pride, criam anuncios publicitarios com o pride e o cacete a quatro com muito, muito pride.

Eu acabo de tomar um monte de vinho no Castro, o lugar mais cheio de orgulho da face da Terra, e provavelmente por isso escrevo esse texto tao derramado.

Preciso dizer umas coisas antes de ir embora pra Chicago: 1) Comprar o daily pass para o transporte publico (US$ 13) eh superlegal porque poupa os seus pes e porque ele se paga super-rapido; 2) Quem vem pra ca e nao comeu caranguejo gigante nao veio para ca realmente; se tiver de escolher um lugar pra fazer isso, va ao Pier Market... fica no Pier 39, que eh turistesimo, mas compensa.

Amanha sigo pra Chicago e ainda nao arrumei a mala. Sao 1h aqui no Pacifico. I'd better run. Beijos.

sexta-feira, junho 04, 2010

Ladeira abaixo

San Francisco tem mar. E tem montanhas. E, entre um e outro, tem umas pirambeiras inacreditaveis, quase verticais, onde os motoristas precisam estacionar a 90º da calcada se nao quiserem que o veiculo siga descontrolado ladeira abaixo.

Ontem estive na rua mais inclinada do mundo, a Lombard, onde eh facil saber quem eh motorista local e quem nao eh. Os primeiros encaram a descida como se fosse a coisa mais natural do mundo. Nao movem um musculo ao volante. Ja os turistas fazem uma cara como se estivessem numa daquelas montanhas russas de parque da Disney, sabe? Algo do tipo "Oh my God, o que vim mesmo fazer aqui?".

Como nao dirijo (ainda) longe do Brasil, vou conhecendo a cidade a pe (vale por uma academia) e de transporte publico, que eh muito legal.

Hoje peguei o metro, chamado por aqui de Bart, e fui ate Berkeley ver como era. Da meia horinha de viagem, soh. A cidade universitaria vale muito a pena pelo clima -- em todos os sentidos que essa palavra pode ter. Ela eh mais quente do que SF e tem uma atmosfera jovem que adoro.

Sem contar a bicho-grilagem, ne? Tirei foto da fachada de um cafe chamado Gratitude ("gratidao"), cujo menu era cheio de sucos de luz (serio) e verduras organicas, e ri ate com o adesivo na van de uma senhorinha. Ela militava pelo ensino de latim nas escolas publicas americanas. Vai nessa, gata.

Por falar em senhorinha, tambem vi duas segurando uma faixa defendendo que as teves exibissem debates sobre energia nuclear. Tirei uma foto, mas nao sei se ficou muito boa. Se ficar, subo pra ca depois.

O engracado eh que tiro uma onda danada com os bichos-grilos e seus habitos, mas gosto demais das cidades onde eles se concentram e de varios negocios que eles administram. Hehe.

Amanha mesmo ja estou pensando em ir tomar cafe no Whole Foods Market, que eh o pai de todos os negocios fair trade, organicos, sustentaveis, etc., etc.

Uma granolinha com suco de luz talvez me caia bem.

segunda-feira, maio 31, 2010

Exótico

Coisas de que vou sentir saudade em Santa Fé: a arquitetura, a possibilidade de ver um monte de galerias de arte enfileiradas uma depois da outra e a vibe das pessoas, que é muito legal.

Os moradores são receptivos com os viajantes, e os próprios turistas são superabertos a bater papo com gente nova. Principalmente quando descobrem que você é brasileiro (a) e, portanto, exótico. Hehe.

Coisa de que não vou sentir falta: a cultura superindividualista num lugar que se diz tão bicho-grilo, nova era, etc. Todo mundo aqui, seja residente, seja turista, tem seu veículo. E, por conta disso, o transporte público torna-se quase inexistente. Agências que organizam tours? Esqueça. O lance é pegar seu carro próprio ou alugado e sair dirigindo por aí.

A mesma lógica vale para os telefones. Como todo mundo tem celular, não existem orelhões. Muito esquisito.

Acho que soo meio caipira dizendo essas coisas todas, mas não consigo não reparar nessa diferença tão grande com relação a outros lugares que já vi.

O legal de não ter carro (morro de medo de dirigir fora de casa) é que explorei a cidade inteira a pé e passei a saber tudo sobre ela. Agora chegou a hora de puxar o carro.

Vou pra San Francisco, Califórnia. De la eu faco o proximo post. Beijos.

domingo, maio 30, 2010

Babes in gringoland

Não sou nem nunca fui uma mulher maternal, mas não dá para ficar indiferente aos milhões de bebês Johnson que existem aqui na gringolândia.

Além de lindíssimos, todos usam acessórios fofurizantes, como touquinhas e chapeuzinhos. Aqui em Santa Fé já vi vários, principalmente no divertido mercado de produtores rurais (Farmer's Market) que rola aos sábados e às terças de manhã.

Há famílias para tudo quanto é lado e um monte de grávidas, o que é um bocado intrigante num país em que as leis trabalhistas não dão mole (não há licença-maternidade, por exemplo) e as babás são artigos de luxo.

Pelo que ouvi dizer, muitas mães optam por não trabalhar pelo tempo em que durar a infância dos moleques. Depois, voltam ao mercado -- se não em suas áreas de formação, naquilo que for possível.

Acho esse um caminho superdifícil para a mulher. Mas... cada um na sua, né?

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O mercado de produtores rurais não é o único que movimenta a capital do Novo México aos sábados. Também há várias feirinhas de arte e artesanato. Mamãe, dona de habilidades manuais que não herdei, ia gostar de ver.

Nelas, como não podia deixar de ser, a qualidade dos produtos é bem irregular. Há bijuterias, peças de roupa e obras de arte lindas, e outras absolutamente uó.

Artesanato é bem caro por aqui. Vi uns colarzinhos perebas feitos à mão por US$ 30, o mesmo valor de um jeans legalíssimo que comprei dia desses. Quando vi o preço, não quis nem me arriscar a saber quanto custavam os da barraca ao lado, que eram maravilhosos.

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Para ver arte de verdade, bom mesmo é seguir para a Canyon Road, onde se concentram as galerias mais bacanas da cidade. Felicidade total esse lugar.

Tirei um monte de fotos -- as galerias são todas abertas e quase nenhuma proíbe. Mas acho que so vou conseguir uploadear quando voltar pra Brasilia, porque meu leitor de cartao de memoria esta fazendo que nao eh com ele.

Mas a espera vai valer a pena, eu garanto. :-)

sábado, maio 29, 2010

FantaSe

Em inglês, usa-se a expressão to card para designar o momento em que alguém, num bar ou num restaurante, pede para ver a sua identidade e comprovar que você tem realmente idade para beber.

To get carded significa, por sua vez, receber esse pedido. E eu já o ouvi em duas ocasiões em apenas uma semana nos Estados Unidos: uma em Miami e a outra em Santa Fé (capital do Novo México).

Aqui nos EUA é preciso ter pelo menos 21 anos para poder tomar bebidas alcoólicas. Eu fiz 29 há pouco mais de um mês. Então, se estão me atribuindo (bem) menos idade do que tenho, estou bem, muito bem, obrigada. :-)

Vamos ver se isso continua acontecendo em outros lugares da viagem.

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Cheguei a Santa Fé, a capital mais antiga dos Estados Unidos (completa 400 anos em 2010) e a sensação é de estar com o disco quebrado, porque fico a toda hora repetindo: "Cara, isso é muito bonito".

É que não há outra coisa a dizer. Santa Fe eh maravilhosa, a ponto de frequentemente usarem um anagrama para descreve-la: FantaSe. (Gente, desculpem-me pela falta de acentos daqui em diante... meu teclado acabou de dar um pau incompreensivel).

As casas de adobe sao lindas, as ruas sao fofas, a comida eh incrivel e supervariada. Ha um monte de galerias de arte excelentes por todos os lugares, museus muito bons e turistas de mil origens diferentes (embora os americanos sejam maioria, especialmente neste fim de semana com feriadao de Memorial Day).

Santa Fe eh uma das capitais mundiais da bicho-grilagem. Ha mil retiros de yoga, spas holisticos, terapias de cura para corpo e mente, etc. Isso, por si so, nao me interessa. Mas a cidade tambem eh cheia de artistas plasticos, escritores, chefs, enfim, o tipo de gente que se convencionou chamar de creative types.

Nao sou especialista na historia daqui, por isso ainda estou tentando entender como eh que uma cidadezinha de apenas 75 mil habitantes conseguiu conquistar uma densidade tao grande. Calcula-se que mais ou menos 40% do PIB de Santa Fe sejam originados de arte e cultura, e isso eh sensacional.

Ate eu ir embora vou descobrir qual a origem dessa movimentacao toda. Fiquem ligados. :-)

sexta-feira, maio 28, 2010

Sobram casas em New Orleans

Em New Orleans, faltam sorveterias e livrarias. Mas sobram casas para alugar e para vender.

Há, em todos os bairros, ruas inteiras de casinhas fofas, lindas, restauradas... e todas vazias, a ponto de certas partes da Big Easy se parecerem com cidades-fantasma.

Fiquei intrigada com isso desde a hora em que cheguei, e resolvi assuntar com um taxista o porquê do fenômeno.

Simples: a população da cidade caiu a mais de 50% depois do furacão Katrina, que, há quase cinco anos, deixou mais ou menos 80% de New Orleans debaixo d'água.

Muita gente deixou a região temporariamente. Esse taxista, por exemplo, ficou dois anos em Houston, Texas. Na rua, ouvi gente falando em períodos de três meses, um ano. Mas há também quem nunca mais tenha voltado -- daí a quantidade disponível de casas na região.

Se eu tivesse muita grana, ficaria tentadíssima. Além de lindas, as casas são megaespaçosas. Nada a ver com o que se encontra em Águas Claras, no Sudoeste, etc., etc., etc. :-)

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E na tevê e nos jornais não se fala em outra coisa que não o desastre do derramamento de petróleo no Golfo do México + historinhas podres associadas.

Mas o que eu mais gostei de ver foi uma matéria no jornal The Times-Picayune (que ganhou um Pullitzer em 2005 por sua cobertura guerreira do furacão Katrina) de ontem falando sobre o que pode acontecer com as ostras da região assim que o petróleo alcançar os recifes da costa da Louisiana.

Em linhas gerais, se a substância não contaminar as ostras por tempo indeterminado, vai matar os recifes onde elas crescem. E esse cenário naturalmente deixa pescadores, chefs e donos de restaurante de cabelo em pé, porque pode faltar matéria-prima e o preço com certeza vai subir.

Frutos do mar estão entre os ingredientes de base da (incrível) culinária local -- e, hoje, bares especializados em ostras são tão abundantes quanto as casas disponíveis para aluguel em NO.

Será que eles sobrevivem a mais uma tragédia capaz de ameaçar a economia da cidade?

Coisas que não existem em New Orleans

Faz calor, muito calor em New Orleans. Um calor úmido, que deixa as pessoas envoltas numa película de suor e desafia qualquer escova.

Ainda assim, quase não existem sorveterias na cidade. Docerias, muitas. Lugar pra tomar sorvete, um ou outro. Não estou exagerando: andei a cidade quase toda a pé nos últimos dias e posso garantir.

Outra coisa que praticamente não existe na cidade é livraria. Contei exatamente três, uma delas no Aeroporto Louis Armstrong.

Fiquei imaginando como seria se um cara tipo o Jr. andasse por NO, uma vez que ele costuma ouvir vozes do além quando chega perto de livrarias.

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Em New Orleans, dizem, as vozes do além ecoam até hoje nos cemitérios e nas casas das pessoas muito ricas e muito excêntricas que viveram na região quando ela ainda era uma colônia.

Reza a lenda que elas faziam festas caríssimas e superexageradas. E, em muitas delas, escravos eram exibidos e usados como se fossem pets exóticos. Rolavam bebedeira, vodu, maus-tratos, o escambau a quatro.

Essas histórias são todas contadas em uns tours de coisas sobrenaturais oferecidas em qualquer agência de turismo. Mas, como já acho o mundo de hoje surreal o suficiente, preferi passar longe.

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Um passeio muito legal de contratar na cidade é o das plantations, que mostra como se vivia nas grandes fazendas de monocultura que a Louisiana teve por séculos.

Visitei duas: a Oak Alley e a Laura Plantation. A primeira tem um casarão maravilhoso no melhor estilo ... E o Vento Levou. A outra, por sua vez, é mais simples, mas sai na frente quando se fala na qualidade da informação passada pelos guias.

O Lonely Planet o escolheu como o melhor passeio histórico a ser feito nos EUA. Não sei se é o melhor, mas é realmente sensacional.

O engraçado é que por X dólares (esqueci o valor) você contrata o tour para uma plantation. Adicionando uma quantia ridícula (uns US$ 10), ganha-se o direito a visitar mais uma. Pelo jeito, a lógica do supersize me também se aplica ao turismo por aqui.

quarta-feira, maio 26, 2010

Sol na moleira

Galera, o post vai ser rapido porque estou prestes a desmaiar na cama.

Estou megafeliz porque acabei de descobrir que meu proximo voo so sai amanha no fim do dia e, por isso, tenho mais meio dia para andar por New Orleans.

Amei a cidade e tenho umas 200 coisas para contar sobre ela, mas nao vou dar conta. Andei uns 20km hoje (serio), e nao foi sob o ar-condicionado. Faz calor pra caramba aqui na Louisiana e, depois da caminhada, a moleira ficou a ponto de derreter.

Por ora, a principal dica que posso dar eh a seguinte: o French Quarter eh legal e tal, mas o bairro de Faubourg Marigny eh mil vezes melhor para quem quer realmente ouvir jazz e fugir do esquema turistada. Principalmente na Rua Frenchmen, que virou uma das minhas preferidas aqui.

Amanha eu conto mais.