Quinta-feira, Julho 09, 2009

O amor tudo vence?

Não sei se acredito nessa frase. Mas uma coisa é certa: ela fica ótima ornamentando estátuas de anjinho. Ainda mais quando escrita em latim.

E vocês, o que acham?

Argh

Três ideias de post na cabeça, nenhum ânimo para desenvolvê-las. Ai, credo.
Espero que tudo melhore depois que eu acordar. Beijos.

Terça-feira, Julho 07, 2009

Exceção

Michael Jackson era a única pessoa do mundo que podia usar terno preto com meia branca sem ficar ridículo.

Morrem o mito e a exceção da moda...

Da materialidade - atualizado

O que faz uma pessoa, num dia de sol e milhões de possibilidades, pegar um metrô para ir visitar tumbas de gente famosa?

Essa pergunta me ocorreu antes, durante e depois da visita a um dos cemitérios mais famosos do
mundo: o Père Lachaise, em Paris.

Ao SMM (senhor-meu-marido) e aos amigos, disse, convicta:
- Vou ver o Jim Morrison e o Oscar Wilde.

Como se fosse possível, né? Porque a essa altura do campeonato os dois já adubaram e readubaram a terra incontáveis vezes.

Na verdade, eu queria ver a muvuca feita em torno da tumba do vocalista do The Doors. Li na adolescência que os fãs dele faziam a maior festa, cantavam as músicas da banda, etc., e fiquei achando que aquilo devia ser um superespetáculo de luxo antropológico.

Quando cheguei ao túmulo, rolou uma certa decepção. Seguranças estrategicamente posicionados cuidavam do silêncio e da ordem no lugar. Nada de violões, nada de gente cantando, nada de desconhecidos bêbados se abraçando ao som de Light My Fire, etc.

O máximo permitido ali era chegar, bater uma ou outra foto e ir embora. Dá para compreender, principalmente depois que a gente vê o resultado dos arroubos dos fãs na sepultura do roqueiro.

Morrison disputa com Oscar Wilde (enterrado sob essa figura meio egípcia) não só o título de habitante da tumba mais concorrida do Père Lachaise, mas também o de jazigo com mais marcas de batom.


É engraçado que alguém queira manifestar assim o seu amor. Afinal, teoricamente, o que se beija não é a boca de Morrison, nem a mão de Wilde, mas uma parede de mármore, né não?

Bom, não. De alguma forma bizarra, os ídolos mortos acabam se materializando nas pedras dos sepulcros. Não tivessem as coisas essa carga simbólica, ninguém ia sair por aí metendo a boca naqueles túmulos cheios de bactérias. Também ninguém se ofenderia com aquele chute que o bispo deu na santa (mas isso é outra história).

Ok, vi o roqueiro e o escritor (ops). Da sepultura do Wilde até a entrada do cemitério, é necessário fazer uma caminhadinha. Perguntei-me por que não dar um alô a outras pessoas: Chopin, Edith Piaf, Sarah Bernhardt, Gertrude Stein, Maria Callas (a tumba é só para constar, já que as cinzas da cantora foram jogadas no Mar Egeu), Abelardo & Heloísa (pense novamente no ciclo de adubação-readubação repetido através dos anos) e por aí vai.


Tirei mais um milhão de fotos, da mesma forma que faria se essas pessoas estivessem na minha frente. É para isso que os turistas vão lá. A gente pode até assistir a um vídeo do Morrison no Youtube ou ouvir um disco inteiro de músicas da Piaf. Mas chegar perto do ídolo (ou o que foi feito dele) em sua versão material, carnal, dá uma emoção ao mesmo tempo estranha e intensa. Fora que ali nenhum astro ou estrela vai dar piti porque você, fã, está perto demais ou fotografando demais ou emocionando-se demais.

Essa história toda volta à cabeça nesses dias em que se conjectura sobre o funeral de Michael Jackson -- da mesma forma como se especulou sobre o artista enquanto ele viveu. Interessante ver como será essa despedida pública sem corpo (já que este será visto apenas no funeral reservado à família). O que ou quem os fãs tocarão e beijarão na falta de uma parede de mármore?

Update às 14h37: mudou tudo, minha gente. A cerimônia começou... e com MJ no meio do povo.

Segunda-feira, Julho 06, 2009

Wild is the Wind

Hoje achei que fosse conseguir fazer um post grandinho. Mas, como diria uma amiga, não vai estar dando para estar rolando. Aí, me lembrei que esses dias fiz um post sobre a Cat Power e prometi botar um vídeo dela. Bom, essa promessa é fácil de cumprir.

Wild is the Wind é uma das músicas do álbum The Covers Record, de 2000. Antes de ganhar vida na voz da artista norte-americana, a canção já havia sido gravada por Johnny Matthis, Nina Simone e David Bowie. Não conheço as duas primeiras. A do Bowie eu não achei melhor que a da Cat não... digam-me suas opiniões.

Domingo, Julho 05, 2009

Duas coisas que eu odeio...

* Digitar o número do código de barras um a um quando preciso pagar uma conta e o maldito caixa eletrônico não reconhece a sequência de linhas.

* Apagar e-mails, apagar e-mails, apagar e-mails e continuar ouvindo alertas gerais de que a minha caixa de entrada continua cheia.

... e uma que eu adoro
* Depois de acordar no susto, me lembrar que é fim de semana e eu posso dormir o quanto mais eu quiser.

Sábado, Julho 04, 2009

Calor

Alhambra, Granada, maio de 2009.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Raquel

Os homens sonham com mulheres lindas, mas se casam mesmo é com as normais. E antes que qualquer pessoa ache que estou começando um manifesto piegas em defesa das pessoas normais -- porque afinal, são elas que vivem de fato uma vida real, namoram, se casam, engravidam, etc. --, eu digo: não é nada disso.

A mulher normal, sinto informar, é aquela "que deu para arranjar".

Nessa mesa bagunçada de almoço de domingo, rodeada por outras mesas bagunçadas, cheias de mulheres, maridos e filhos, fico me perguntando se sou apenas o que deu para ele conseguir. Acho que sim. Ele também foi o que eu consegui. E sinto que não há muita diferença naqueles que vejo no resto do restaurante.

Enquanto luto para dar conta dos espetos que se revezam e as crianças, ainda consigo observar ao redor. Administrar o marido é fácil: basta que ele não abra a boca para falar.

Minha Nossa Senhora da Pipa, quanta gente feia. Não consigo imaginar como pode ter existido o dia em que essas pessoas se olharam, gostaram umas das outras, sentiram tesão, transaram e acharam legal a ideia de botar mais gente feia no mundo.

Eu não me lembro bem como tudo isso aconteceu comigo. Achei que fosse a sequência natural das coisas, sabe? Encontrar alguém que tenha um interesse razoável por você, namorar, casar, financiar um apartamento em 30 anos, fazer um casal de filhos antes dos 40... não sei se li isso em algum lugar ou se alguém me disse que era assim que pessoas normais viviam.

Pois bem: tenho uma aliança, um casal de filhos, um apê financiado, uma vaguinha no governo e acho tudo isso... ah, deixa pra lá.

Preciso que alguém leve os meninos pra brincar no playground. Preciso que esse cara ao meu lado vá embora. Preciso de atrativos físicos. Preciso poder usar as roupas que vejo na revista. Preciso do tempo que perdi conseguindo todas as coisas que consegui.

Quero outras coisas. Outra vida. Voltar para esse mundo de outro jeito. Ah... também acho que quero mais um pão de alho antes de tudo isso.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

O dia em que circulei no Jet Set

Não sei se você pensa parecido, mas acho que o fato de certos estabelecimentos comerciais terem nomes em inglês (ou alguma tentativa linguística do gênero) faz com que eles pareçam muito mais toscos do que realmente são.

Lembre-se de todos os bares chamados Fulano's e de todas as boates chamadas Star Night (aqui em Brasília há ou havia uma) ou World Class e você saberá do que estou falando.

E de um restaurante chamado New Jet Set, o que dizer?

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Ele existe, fica em Paris e é sensacional -- um pouco pelo serviço atencioso, mais um tanto pela decoração, muito pela gastronomia e mais ainda pela quantidade inenarrável de personagens que frequentam o lugar.

Repare que não me refiro a pessoas: são personagens de verdade. Poderiam estar num filme francês metido a étnico, num conto escrito por um autor marginal, numa tese antropológica ou em todos esses veículos ao mesmo tempo.

A comida é toda baseada nas receitas vindas do Oriente Médio e tem um sabor responsa. Individualmente, os pratos são meio caros, mas dá para provar um pouco de cada coisa sem pagar muito. Basta escolher a opção do dia ou uma das combinações de entrada-prato principal, prato-sobremesa ou entrada-prato-sobremesa, que têm preços supervariáveis.

Escolhi a fórmula prato-sobremesa. Pedi cordeiro e fui muito, muito feliz. Mas fiquei mais contente ainda observando o resto da fauna. Achei incrível a quantidade de tempo que eles passavam por lá, ainda mais num meio de tarde de um dia de semana.

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Entre os homens, havia uns executivos aqui, uns caras com jeito de trabalhadores-autônomos-posudos acolá e uns tipos com um jeito mafiosíssimo (pense em barrigões de prosperidade alojados em camisas de manga curta, bigodões e colarzões de ouro).

Entre as mulheres, umas moças lindas e classudas -- uma ou outra com uniforme de comissária de bordo -- e outras com um visual suspeitíssimo.

E o que todos eles faziam, afinal, num horário tradicionalmente morto para qualquer outro restaurante? Fiquei até com dificuldade de chutar. Alguns pareciam estar fechando negócios com os companheiros de mesa. Outros falavam no celular por minutos intermináveis. Outros tinham jeito de quem não estava fazendo nada além de tomar alguma coisa e fumar narguilé.

O New Jet Set tem isso: se você quiser, pode simplesmente chegar lá, sentar num sofazinho comprido no meio de outras pessoas, descolar um narguilé individual, fumar e ir embora. Não sei quanto custa.

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Já tinha acabado o almoço quando vi entrar uma moça de uns 30 anos, cabelo chanel laranja-cobre e calcinha laranja gigante aparecendo em cima do cós da calça jeans justa.

Ela fez menção de se sentar no sofá comprido reservado aos fumantes de narguilé, mas um homem bigodudo nos seus 50 anos disse a ela em francês:
- Você não pode se sentar aí. O lugar já está ocupado por outro senhor.

Rolou um começo de climão. Mas um dos garçons interveio rapidamente e avisou que o antigo ocupante do lugar já tinha ido embora e que, sim, ela podia se sentar.

Eu não quis ficar olhando muito. Paguei minha parte da conta, observei a rua um pouco e, 10 minutos depois, o senhor "você não pode se sentar aí" e a mulher de calcinha laranja estavam cada um com seu narguilé e no maior tête-à-tête. Davam risinhos como se fossem conhecidos de muito tempo.

Gosto de pensar que as demonstrações de intimidade louca e instantânea entre os dois não acabaram por ali.

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NEW JET SET
Rue Washington, 14 -- 75008, Paris.
 
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