sexta-feira, dezembro 31, 2010

O orgulho é um pufe confortável

O orgulho* é um pufe confortável, de couro da melhor qualidade e design elaborado pelos melhores profissionais da Escandinávia.

Ele acolhe e acomoda e abraça de tal jeito... que dá uma preguiça enorme de sair dali.

Principalmente porque nele há um botão que, quando pressionado, manda um garçom trazer drinques coloridos -- ou sua bebida favorita.

Quem se senta ali às vezes gosta tanto que fica eternamente adiando a saída para mais tarde.
Ou não sai nunca mais.

(*Esse sentimento pode ser substituído por qualquer outro que prenda e acomode. Que em 2011 você possa mandá-lo para bem longe. Feliz ano novo pra todo mundo... Beijos.)

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Olho de grua

(Pessoal, está tudo bem comigo. O texto abaixo é só algo que escrevi há muito tempo e ainda me pareceu bom quando revi hoje. Beijos.)


Quando você olhou para mim, arrancou minhas vísceras,
puxou de lá quilômetros de tripas, rasgou meus tecidos,
forjou em mim um caminho com sangue que se derrama e se alastra
e em torno do qual o resto do mundo agora escorrega.

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Ouvido no supermercado

Casal conversa com amigo recém-casado.

Moça - E como está a vida de casado?

Amigo do casal - (Pausa) Está boa...

Moça - Dá para sobreviver, né?

Amigo do casal - Dá... vida de solteiro também é ruim...

(Se vida de casado não é lá essas coisas e vida de solteiro também é má... a vida tá dura, companheiro).

sábado, dezembro 25, 2010

O Natal da bicharada no shopping

Lembra que dia desses fiz um post sobre um shopping de Montevidéu que misturava bichos do Hemisfério Sul com elementos natalinos? Pois é: essas são as fotos da tal decoração. Preciso confessar que sou fã da girafa.

Havia elefantes, jacarés, pinguins e mil outras espécies, todas convivendo pacificamente num cercadinho. Surreal? Bom, podia ser pior: um shopping de Brasília, este ano, botou uns bichos gigantes pendurados -- como que enforcados, para ser mais exata -- no teto. Muito estranho.

Depois dessa, não dá para acusar os uruguaios de falta de criatividade. Eles me fizeram, depois de uns 20 anos, querer tirar foto ao lado de decoração de shopping!!! Sensacional. :-)

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Um negocinho


"Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura"
(Guimarães Rosa)
Feliz Natal pra todo mundo! Beijo.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Larguem a guria de mão

Não entendo, nunca compreendi (nem pretendo) o prazer que a cultura escolar norte-americana tem na humilhação de quem é apenas um pouco diferente da média.

Pensei nisso quando observei um movimento besta, que não dura mais de dois segundos, em uma obra-prima que anda reprisando com alguma frequência na tevê a cabo: Carrie, a Estranha (1976), filmaço do Brian de Palma.

Se de fato a vida de high school é o que a gente vê na ficção -- e aparentemente ela é assim mesmo, a julgar por umas notícias de bullying e suicídio que pipocam de tempos em tempos --, deve ser um inferno não nascer rainha do baile ou capitão do time de basquete.

Que dirá, então, ser tímida, paranormal e de berço ultrarreligioso... em qualquer época. Se Carrie White fosse real e contemporânea, sua vida não se tornaria muito mais fácil do que em outros tempos.

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Que movimento é esse a que me referi lá em cima? Trata-se do lamber de beiços da personagem Chris Hargensen (vivida por Nancy Allen) antes de puxar uma maldita cordinha e acabar com o baile de formatura da protagonista e de seus colegas.

(Obs.: antecipar esse detalhe não estraga a emoção do filme; vocês vão ter que assistir para saber qual é a do baile, que raio de corda é esse e o que ele desencadeia).

No momento em que a língua de Hargensen é enquadrada lentamente em close, eu, que já não gosto de conversar com os filmes, explodi.

- Bitch! Que parte você não entendeu de "Não é para mexer com a Carrie"? Larga a guria de mão, #$%^&*(*.

Naturalmente, a vaca não me obedece.

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Antes do tal baile, chega a ser comovente o jeito como a protagonista tenta deixar de lado seu jeito de patinho feio, apesar da resistência que encontra por parte da mãe. Esse confronto dá origem a um dos diálogos mais legais do filme (os outros vocês veem aqui):

Margaret White: [referindo-se ao vestido de formatura da filha] Vermelho. Eu deveria saber que ele era vermelho.
Carrie: É rosa, mãe.
(...)
Margaret White: Dá para ver daqui as suas tetas imundas.
Carrie: Seios, mãe. Eles se chamam seios, e toda mulher os têm.

Mas criaturas assim parecem não ter direito nem sequer à auto-aceitação. Pelo menos não nos filmes e nos livros (o roteiro, que não deixa ponto sem nó, foi baseado numa obra de Stephen King) sobre as high schools e sua bizarra divisão entre populares e perdedores.

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Seria a história de Carrie algum tipo de alegoria para uma questão maior, como a da libertação da mulher ou da revolução de costumes nos Estados Unidos? Por motivos que talvez dariam um blog (e não só um post pequeno), fiquei viajando nisso. Mas só pode responder quem viu o filme na época do lançamento.

Se tiver alguém com esse perfil lendo o blog agora, fique livre para comentar.

(E quem não tiver pode escrever também...)

terça-feira, dezembro 21, 2010

Paparazzo



A gente não pode nem mais fotografar em paz, que esses paparazzi ficam seguindo... :o)

domingo, dezembro 19, 2010

sábado, dezembro 18, 2010

Joguim

Já faz um tempo que a Ciça, editora do Por Baixo dos Panos, me chamou para participar de um joguinho desses com perguntas. ;-)

Bom, demorei para botar o quiz no blog, mas lá vai:

10 coisas sobre mim: acho muito difícil falar de mim. Sou tímida. Sou contralto. Não me convido para nada (ou quase nada). Tenho um senso de direção ótimo, adoro um mapinha. Na próxima vida, quero voltar como menino ou mulata malemolente. Amo pintura rupestre. Gosto mais de Olimpíada do que de Copa do Mundo. Odeio mato, barraca, trilha e mosquito. Gosto de cactos porque eles não dão trabalho para cuidar e têm flores lindas.

5 manias/esquisitices minhas: tenho mania de listas -- de supermercado, de coisas que quero fazer em viagem, de coisas que preciso perguntar por conta do trabalho (ou no médico) e de tarefas, lógico. Mania de catar o que não gosto no prato (cebolinha, eca). Mania de andar descalça... acho que é só. Minha lista vai ficar com três itens mesmo.

5 coisas que me irritam: criança pitizenta. O som do caminhão de lixo quando ele vem recolher o contêiner daqui do prédio (ele passa sempre aos sábados de manhã, lá pelas 7h, imaginem que delícia). Papos sobre concurso e compra de apartamento em Brasília. Gente intrigueira ou puxa-saco (farejo de longe). Gente que não consegue disfarçar o seu mais profundo desinteresse pelo outro.

5 coisas que eu adoro: descobrir sons novos. Viajar. Dormir. Conversar. Todas as coisas que engordam.

5 hobbies: blogar. Fotografar. Observar bizarrices. Ouvir a conversa alheia. (Tentar) cozinhar.

5 coisas que ninguém sabe sobre mim: vão continuar sem saber!

Meu maior sonho: ir à Disney e abraçar o Mickey até ele pedir uma ordem de restrição contra mim. Ok, agora falando sério: conhecer o máximo de lugares que eu puder.

Meu maior medo: de perder as pessoas que amo. E de bichos asquerosos + voadores.

A coisa mais importante para mim: fazer o que amo. Viver com alegria. Se eu conseguir tudo isso, já tá bom demais, né não? ;-)

Além de responder às perguntas, preciso repassá-las para cinco blogueiras de que gosto. Mas já vou avisando: quem quiser responde (mesmo sem estar na lista), quem não quiser não precisa! Eu não só não me convido pra nada como também não forço ninguém a nada, hehe.

1. Nira, do Um Pouquinho de Ni;

2. Mari Abreu, do Perdeu, Playboy;

3. Ana Fabre, do Perdeu, Playboy;

4. Mayra, do Maior, Melhor, Mais Rápida;

5. Sílvia, do Metamorphosis.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Estrago

Escancaradas por um vestido frente-única, as gordurinhas das costas da moça formaram uma dobra polpuda no momento em que encostaram no banco da igreja.

Era um dia de casamento. Templo cheio. Um mundo de olhos vidrados nos noivos.

Todos, menos dois: os do convidado que se sentava logo atrás e parou de fotografar a cerimônia para se concentrar unicamente, por um instante, no montinho de carne à sua frente.

Ele foi rápido. Mirou na dobra, esperou a luz verde no visor e, na impossibilidade de afundar os dedos em seu objeto de desejo, apertou demoradamente o botão da máquina.

Mais tarde, o fotógrafo levou a imagem foi da câmera para o computador, do computador para a impressora e da impressora para uma parede repleta de pequenos fetiches. Todos clicados assim, quase no susto, sem que ninguém em volta reparasse.

Já sem o terno do casamento, ele fez um estrago diante de sua mais nova aquisição.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Grafites montevideanos

Houve um domingo em que fiz o que nunca faço: me perder numa cidade desconhecida.

A idéia era ir do centro de Montevidéu até Pocitos -- um bairro chiquezinho, com um monte de restaurantes. A questão era: por onde ir? Resposta: x.

Foi bacana, porque acabei achando todos estes grafites e mais alguns, embora não tenha a menor noção das ruas onde eles ficam.


Esse nem foi o primeiro que encontrei, mas o Mario Bros uruguaio virou o meu preferido.

Esse sim foi o primeiro a ser clicado!

Essas nuvenzinhas me lembraram os grafites do Onio, daqui de Brasília.

Pedra que rola não cria limo.


Peguei o Batman xavecando a mina. ;-)

domingo, dezembro 12, 2010

Tango na praça

Há umas duas semanas, fiz post falando sobre um tango ao ar livre na Plaza Cagancha, em Montevidéu, e fiquei de postar fotos. O sinhozinho de branco é uma espécie de gigante guerreiro Daileon do gênero, já que ficou horas -- de verdade -- se alternando entre as moçoilas.

Essa de cabelos vermelhos era a que fazia o melhor par. Minha avó e meu avô devem ter começado assim! Hehe.


Essa galera toda ficou assistindo ao baile. Só vendo, mesmo.

Quem não trouxe cadeira ficou se apoiando na mureta. E o baile rolando...

Quero dar um beijo em quem inventou o zoom ótico!


segunda-feira, dezembro 06, 2010

Senhorinhas - 2

Por conta da chuva que caiu à noite em Brasília e de uns outros perrengues, o avião em que eu estava (e a personagem deste post também) precisou arremeter duas vezes e dar uma enrolada no céu -- por mais ou menos 40 minutos -- antes de pousar na capital federal.

Mas nem todo mundo reparou nessa movimentação, provavelmente porque estava curtindo um soninho gostoso na poltrona. Oh, inveja!

- Quer dizer que o avião arremessou duas vezes??? - perguntou uma senhorinha a outro passageiro no corredor do aeroporto.

- É, porque começou a chover bem em cima do avião, na entrada da pista. Depois, deu um outro problema de segurança - explicou ele.

- E o piloto arremessou de novo??? - ela continuou.

- Teve de arremessar...

Senhorinhas - 1

No banheiro do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, uma senhorinha parou ao meu lado e começou a me olhar insistentemente enquanto eu passava fio dental na frente do espelho.

- Nossa!!! Que talento você tem para limpar os dentes!

Juro, minha vontade foi de sair do banheiro, me agachar e rir de forma convulsiva. Mas mantive a finesse.

- Gente, que fantástico! - ela comentou maravilhada, olhando para as amigas - Seus pais são dentistas?

Comecei a achar aquilo muito tenso. Sou tímida, pô. Se ela tivesse chegado e dito "É você que tem aquele blog?", tudo bem, mas reparar em limpeza bucal é demais para mim.

- Moça, você está me deixando sem graça... - disse.

Sem falar mais nada, ela veio, fez um afago nas minhas costas e foi embora um tempo depois.

Mais tarde, vi que ela pegou o mesmo voo para Brasília. Felizmente, já estava entretida olhando para outras coisas...

segunda-feira, novembro 29, 2010

Só em MVD

Férias servem para a gente fazer coisas que nunca faz no dia a dia. Pues, desde ontem eu:

. Me perdi (de propósito) e foi superlegal
. Andei no sol
. Fiquei cor de rosa de andar no sol
. Fui para um shopping e fotografei a decoracao de Natal! Afinal, só em Montevideo voce pode encontrar uma decoracao que misture pinheiros de bolinha e bichos do Hemisfério Sul, tipo pinguins, zebras, elefantes e outros.

Viva!

domingo, novembro 28, 2010

Plaza Cagancha

A Praca Cagancha, em Montevideo, tem um mercadinho de artesanato bacanerrimo, mas nao é dele que vou falar. Nao agora...

O lugar serve também como uma espécie de salao de baile ao ar livre para uma série de senhorinhas e sinhozinhos uruguaios. Muito legal. Nao sei se o esquema rola só aos sábados, nem se existe sempre, mas, enfim, aconteceu hoje.

Quando deu fim de tarde por aqui, já havia uma fila enorme de velhinhos sentados em cadeiras de praia (uma colada na outra) de um lado, e um equipamento de som enorme do outro, bem na frente da estacao de metro.

Achei inicialmente que o som fosse para algum espetáculo de artistas de rua, como vemos em Buenos Aires, mas ali o esquema era diferente. Balada pública, no meio da galera, para quem quisesse ver e participar!

O astro da festa era um senhor de terno branco, que apelidei internamente de Carlos Elias do tango. Para quem nao é de Brasília, uma referencia rápida: Carlos Elias é uma figura que frequenta TODAS as rodas de samba da capital federal e danca com TODAS as mocas, a noite inteira -- é inclusive disputado por elas.

Para honrar seu apelido, ele dancou com cada uma das mocoilas das cadeiras. Mas fez um par especialmente interessante com uma senhora de cabelos curtos e vermelhos, blusa preta e rosa branca no colo.

Os dois dancaram superbem -- nada supera o tango dancado pela gente comum, que nao vive de palco nem de gorjeta, comprovei --, mas tem um negocio que vai além disso.

Nunca vou saber se os dois eram namorados ou algo do genero, mas rolou uma sensualidade fortíssima ali, química mesmo, e nada grosseira, que me fez pensar no quanto essas coisas desconhecem barreiras.

Me lembrei ainda que o tango, na origem, lá pelos anos 20 ou 30 do século passado, era algo vetado às mocinhas mais castas. Faz sentido.

Fiquei um tempao observando e fotografando o baile até que precisei voltar pro hotel pra descansar e dar um jeito no picumán (hehe) antes de ir ao Teatro Solís (vi uma peca superlegal, chamada Los de Siempre, adaptacao de um autor uruguaio).

Saindo do hotel, no caminho do teatro, uma hora e pouco depois, o baile continuava a mil.

Mais uma vez, o velhinho de terno branco e sua parceira ruiva davam show en la Plaza Cagancha.

sábado, novembro 27, 2010

Montevideo

Dias antes de vir para cá, fui tomada por um misto de empolgacao com preguicite aguda.

Empolgacao porque sim, porque viajar é a melhor coisa do mundo e porque melhor do que viajar... só planejar a viagem.

E preguicite aguda por uma série de motivos. Primeiro, porque andei cansada pra burro nos últimos tempos. Segundo, porque me ocorreram milhares de perguntas. ¿Por que nao fui para um lugar tropical me acabar no mar e nos drinques coloridos? ¿Por que tenho que passar os dois primeiros dias sozinha? Por que, por que por que????

Para piorar, tudo foi megatenso até eu conseguir chegar aqui ontem. Peguei um transito animal entre o trabalho e o aeroporto, o Aeroporto de BSB estava uma ZONA, o voo atrasou pacas e eu morri de medo de perder a conexao em Porto Alegre.

Em POA, atraso de novo.

Em compensacao, fui recebida aqui com uma superlua (a foto ficou uma droga porque nao tenho tripé) e várias surpresinhas legais.

Minha preguicite foi lavada por uma dose cavalar de mate num café superfofo que achei do nada, o Matearte, que fica na Sarandí, 294, principal rua do centro historico de Montevideo.

E agora tudo faz sentido!

Ora, vim para cá para bater papo, fotografar grafites, descobrir coisas (tipo uma banda que fez um show meio de jazz meio de candombe no meio dos prédios do centro) e passar todo o tempo que eu quiser fazendo tudo isso!!!

E porque viajar para lugares tropicais com drinques coloridos custa pelo menos tres vezes mais do que vir para esta cidade velha e cinzenta que já ADORO.

Vir para MVD está ridiculamente barato. Sensacional. Aconselho mesmo. Só nao dá para querer comparar com Buenos Aires, Santiago ou qualquer outra cidade da nossa América hispanica. Perda de tempo. É outra história. Outro timing. Outra lógica.

Já tirei várias fotos, e todas virarao um superálbum quando eu voltar a Brasília.

Terca-feira vou pra Colonia del Sacramento, e aí eu mando mais notícias. Ou nao. ;-)

Beijos!

segunda-feira, novembro 22, 2010

Grafites cariocas


No Rio há grafites muito legais, muito trabalhados, como se tivessem sido feitos sob encomenda.

O da foto de cima, por exemplo, tenho quase certeza de que foi produzido dessa forma. Isso porque grafiteiros trabalham à noite, e o criador desses peixes bizarros dava retoques em sua obra em plena luz do dia, numa avenida bem movimentada.

OK, nessa cidade as coisas mais estapafúrdias são feitas à vista de todo mundo, mas não creio que tenha sido o caso... ;-)

Não tirei muitas fotos nem desses nem de outros grafites porque coisas ruins podem acontecer com quem fica posando de fotógrafa gringa. Mas só olhar todos já foi superbom.

sábado, novembro 20, 2010

Lourão

A gente sabe que os bichos estão ficando velhinhos quando o pêlo original vai sendo aos poucos substituído por um de cor branca, certo?

Pois o labrador amarelo que parou bem na minha frente no café tinha o rosto todo claro, como se tivesse mergulhado em giz.

Entrado em anos, mas serelepe, mais ou menos como os bípedes que circulam ali entre Copacabana e o Leme. Quem conhece bem o Rio sabe do que estou falando. ;-)

Coisa linda de meu deuzi!

Fez das pedras portuguesas molhadas -- e cheias de gente -- a sua cama. Ao mesmo tempo, não parou quieto: levantou e abanou o rabão para crianças e adultos que passassem por ali para fazer um afago.

Deve ter ficado ali quase 10 minutos, completamente na sua, até que a dona (uma moça bronzeada e de cabelos aloirados, com a barriga pulando entre a calça jeans e o casaco justos) veio, chamando-o no falso inglês relax dos surfistas:

- E aí, Lourão? Vamo lá?

E Lourão, que não é mané, foi, claro.

terça-feira, novembro 16, 2010

Caninos

Sentar-se num café num dia de chuva, numa mesa bem em frente à rua, para olhar o movimento enquanto se toma um capuccino quentinho pode ser uma coisa espetacular quando se está numa cidade tipo Paris ou Buenos Aires.

E no Rio de Janeiro, é bom? Talvez... mas não é bem o que eu esperava fazer na manhã de sábado que passei lá.

Rio pede biquíni, e não blazer preto. Pede protetor solar FPS 50, chá mate gelado e bixxxxxcoito Globo! U-hu!

Mas, se a vida me deu um capuccino, e ele ainda por cima é quente, docinho e em grande quantidade, vou fazer cara de nojinho? Lógico que não.

Na frente do meu café tinha uma fila enorme formada por gente querendo apostar na Mega-Sena. Taí: observar os cariocas e sua vida de bairro é muito bom. Não tem nada a ver com o meu cotidiano daqui, de modo que qualquer movimento de cena se torna delicioso.

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Em dois momentos, pararam os pets mais diametralmente opostos do universo: aquele que vou chamar de A Chihuahua Preta Mais Marrenta do Mundo (ou CPMM, para facilitar os trabalhos) e o labrador velhinho mais serelepe da face da Terra, que vai ganhar um post só para ele.

CPMM é um desses bichos inadequados para a vida em sociedade: não pode ver nada que não seja a própria a dona, pois começa a latir de forma ensandecida enquanto mostra os minicaninos afiados.

Ela tem algo de ridículo, pois, embora seja um limão em forma de cachorro, desfila pelo Rio com lacinhos e roupinha de retalhos florais por cima da coleira peitoral.

E a cada vez que ela late, a dona (que exibe um cabelo chanel escovado em forma de capacete) levanta-a pela coleira, transformando CPMM em um cão voador.

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O estado de marra da dita cuja ficou ainda pior quando um menino de uns 8 anos, muito bonitinho, se aproximou querendo brincar.

Vamos deixar claro, em primeiro lugar, que a brincadeira dele não era muito inteligente: consistia em apontar dois dedos em direção à bichinha, como se quisesse furar seus olhos.

Pressentindo que o negócio ia dar merda, a dona da CPMM a fez dar um último voo espetacular em direção ao seu colo. Segundos depois, a mulher abaixou o rosto e deixou a mostra os olhos por trás dos óculos estilo Jackie Onassis.

Lentamente, e com um sotaque carioca muito forte, a dona disse:

- Ela morrrrrrrrrrrde.

Preciso dizer que o moleque saiu chutado?

domingo, novembro 07, 2010

Retratos da preguiça

Esse negócio de escrever é muito legal, mas dá trabalho e nem sempre rende a audiência que a gente quer. Por outro lado, jogar uns cachorrinhos fofos no blog não representa esforço nenhum e ainda ajuda a aumentar o número de page views. Hehehe.


Essa é a Puga, a (preciso dizer?) pug de uma amiga de adolescência. Fui visitá-la hoje e reparei o quanto a bichinha se confunde com o sofá. Não só porque pelo e tecido são parecidos (ambos beges e enrugados), mas também porque a Puga adora esse canto da casa.

Curiosamente, há uns seis meses, Puga andava bem diferente, numa fase supertarada. Era só ver o macho que lhe faz companhia que ela ia lá e... créu! Montava mesmo. E ele ficava puto. Devo dizer que ri um monte vendo essas cenas.

Com o tempo, ela deve ter visto que esse negócio de correr atrás de homem é muito complicado. Às vezes, um soninho de beleza faz mais pela gente. ;-)

sábado, novembro 06, 2010

Resmungos fashion


Num mundo justo, o posto de apresentador(a) de programa de televisão sobre conselhos de moda só seria dado a quem tivesse realmente capacidade de deixar as pessoas bonitas.

Masssss, como vivemos num mundo terrivelmente cruel, pessoas que eu nunca vi nem mais gordas nem mais magras -- e com senso estético ZERO -- ganham $ e fama para deixar as outras saírem ridículas de casa.

(Mamãe me ensinou que não deixar os outros saírem ridículos de casa é um ato de amor; o mesmo vale para avisar ao outro que ele está com bafo, salada no dente e coisas do gênero).

Ontem mesmo eu vi um programa desses. E eu assisto a qualquer coisa sobre moda (de verdade!) da mesma forma que alguns caras veem os debates de futebol: tomando cerveja e conversando MUITO com a tevê. São Paulo Fashion Week é quase uma Copa do Mundo para mim.

Pois eu xinguei a apresentadora quase do mesmo jeito como um torcedor faria se visse seu time injustiçado. Bitch!

Senão vejamos: o programa deveria ser feito para ajudar duas meninas do tipo mignon a montar looks legais para o dia a dia e as baladas.


Sempre tive a impressão de que as moças com esse tipo físico são as mais privilegiadas e visadas coleções de quase todas as lojas brasileiras, de modo que não é difícil achar algo que lhes caia bem.

Jeans skinny? Fica legal (se elas não forem muito bundudas ou coxudas, claro). Minissaias e todas as peças com minicomprimentos? Também. Salto alto? Idem. Enfim, há um monte de possibilidades.

E o que não pode? Vamos lá: calça capri (aquelas de pescador) e qualquer sapato que corte a silhueta -- tipo aquelas sandálias em estilo gladiador que estão super na moda --, entre outras coisas.

Só que, a cada bloco, a tal da modelo-consultora ia passando uma peça pior do que a outra para as pobres meninas. Entre elas, estava -- adivinhem? -- uma sandália meia-pata preta horrorosa, que transformava as pernas de uma dela em dois tocos.

Fui à loucura, naturalmente.

- Minha filha, você tinha que ter escolhido a sandália nude para alongar as pernas da menina, e não essa. A n-u-d-e!!!

Ambas faziam umas caras absurdas quando se viam no espelho, mas nem podiam demonstrar muito descontentamento. Afinal, estavam ali de graça para ouvir conselhos de uma suposta especialista.

Tenho certeza de que vão chorar quando virem o VT!

Ah! O programa da semana passada falava sobre mulheres altas. O próximo dará dicas para as magras, de medidas enxutas. E desde quando elas precisam?

quinta-feira, novembro 04, 2010

Informação edificante

Nunca tente matar baratas usando um aspirador de pó ligado, porque elas resistem.

Você algum dia achou que fosse precisar dessa informação? Pois é, eu também não.

Até dia desses, quando uma enorme representante da espécie entrou pela janela (tal qual o morcego que me deu um trabalho danado certa vez) e se alojou num cantinho de parede. Malandra!

Como não uso scarpins -- dizem que são ótimos para esse fim -- e eu não podia contar com a ajuda de nenhum ser com 4 bilhões de neurônios a mais, peguei a primeira coisa que vi na hora: o senhor aspirador.

A história acabaria aqui se os eletrodomésticos do gênero tivessem algum mecanismo sádico que triturasse automaticamente qualquer objeto que passasse pelo cano antes de entrar naquele saco de papel. O problema é que eles não têm! Fica a dica para os fabricantes do setor, rs.

Uns dois minutos que desliguei o aparelho, ela ressurgiu de onde nunca devia ter saído. Meio grogue, meio desestruturada, mas ainda viva. E ainda fez uns barulhinhos antes de sair da mangueira. Eca.

Pelo menos agora ela foi para um lugar ao alcance das minhas Havaianas.

Plá!

terça-feira, novembro 02, 2010

Como se livrar...


Ontem, antes de dormir, fui dar uma olhadinha na televisão de blogueiro e fiquei particularmente intrigada com o internauta que chegou ao blog depois de fazer a seguinte pesquisa no Google: "Como se livrar do sotaque nordestino".

Uma doideira total!

Primeiro porque nasci na outra ponta do país, segundo porque nunca tive sotaque de nenhum tipo e terceiro porque jeito de falar é um negócio muito pessoal, único. Por mim, ninguém precisa mudar, cada um fica com o seu e acabou. Não é isso que vai determinar o bom ou o mau julgamento que faço de alguém.

Provavelmente, quem fez a pesquisa deve ter entrado neste post e saído meio decepcionado.

Fiquei me perguntando que motivos a pessoa teria para querer uma mudança extrema num aspecto tão forte da própria identidade -- especialmente quando esse desabafo virtual vem no dia em que o #orgulhodesernordestino virou um trending topic tão badalado no Twitter.

(Caso alguém aí leia o blog fora do Brasil e esteja por fora do assunto, basta dar uma olhada aqui e aqui para ver como o assunto nasceu).

Seria alguém pressionado pelo mundo lá fora? Ou alguém que ainda não parou para refletir sobre os próprios preconceitos?

domingo, outubro 31, 2010

sábado, outubro 30, 2010

Grafites paulistanos





Rua Augusta, São Paulo, setembro de 2010. As imagens estão tosquinhas porque foram feitas com celular. Ao mesmo tempo, não vejo maneira melhor de fotografar rápido e sem chamar muito a atenção...

sexta-feira, outubro 29, 2010

Carlos Adão é prazer


Para mim, Carlos Adão era intriga, mistério e riso solto desde a primeira vez que vi suas pichações (inscrições, demarcações de território, como queiram) lá em São Paulo, durante o carnaval.

Eu estava passando de carro (em algum lugar que não vou me lembrar agora) quando vi uma frase atrás da outra, todas muito modestas: segundo o próprio homem, ele é gostoso, tudo de bom, lindo, etc. Fiquei querendo fotografar tudo, mas não deu.


Por sorte, voltei lá há pouco mais de um mês e andei fotografando pela Rua Augusta, que tem grafites legais (vou postar amanhã) e filhotes do gatinho para tudo quanto é lado.

Carlos Adão é real, conforme demonstra o vídeo a que você pode assistir aqui. Ele usou suas pinturas de tinta fosforescente verde para tentar se promover como candidato a deputado, mas antes disso já tinha uma fixação tremenda no próprio nome. Desde criança, já o pintava no próprio tênis, como descreve esta matéria do jornal O Estado de S. Paulo.

Para quem ficou com preguiça de ver tantos links, antecipo que agora Carlos Adão é chique e tema de exposição numa galeria de arte na capital paulista. É bom ressaltar que a mostra não se resume às frases escritas com letras verdes: inclui também uns desenhos que ele andou bolando.

Então tá!

quinta-feira, outubro 28, 2010

Cariocas - 4

(Essa história não aconteceu comigo, eu só ouvi.)

A moça tomava seu banho de sol na praia, muito blasé, quando um carioca agacha perto dela e pergunta (com aquele s bem puxado):
- Tem horas?
E ela:
- Não.

O cara vai embora e volta minutos depois, agachando-se mais uma vez (não se esqueçam do sotaque; ele é essencial):
- Quer saber as horas?
A garota continua na dela:
- Não.

Ele sai de novo e, não satisfeito, retorna em seguida para soprar no ouvido dela:
- São 10h45...

E assim começou mais um amor de praia no Rio.

quarta-feira, outubro 27, 2010

Resident evil

Caraca, esqueci de contar que o botão do rádio do meu carro quebrou dia desses, bem no meio da propaganda da mulher-laranja Weslian Roriz. Liguei o dito-cujo sem me lembrar que era momento de horário eleitoral e... lá está ela falando aquelas baboseiras todas.

Apertei o botão de desligar e quem disse que o aparelho obedecia? Para me livrar da voz daquela mulher, tive que apertar o botão várias vezes (nada funcionava), até o momento em que ele foi parar DENTRO do rádio! Resultado: agora, estou sem música e sem notícias.

Se alguém precisava (ainda) de alguma prova de que Weslian é do mal, e-v-i-l e tal, está aí.

Cariocas - 3

No Riocentro

Faxineira 1 - Você viu as meninas lá do outro pavilhão?
Faxineira 2 - Não...
Faxineira 1 - Elas vieram trabalhar de legging hoje. Fica muito melhor com essa camiseta cinza do que essa calça horrível.
Faxineira 2 - Ai, eu quero!

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No Galeão

Faxineira 1 - (Com forte sotaque nordestino) ...Pois aquela mulher ficou tão revoltada, mas tão revoltada, que começou a falar mal da Solange pra todo mundo. Foi na casa dela, atazanou o marido dela, foi atrás no salão e ainda botou o maior trabalho de macumba.
Faxineira 2 - Trabalho de macumba???
Faxineira 1 - Pois foi, minha filha. E isso ninguém me disse. Foi DEUS quem me amostrou!

terça-feira, outubro 26, 2010

Cariocas - 2





Nesse dia (sábado passado), tirei fotos até o tempo abrir. Quando abriu, corri para a praia e fiquei invejando os bombeiros que trabalham de prancha. Deus, eles devem enfrentar altos perrengues como salva-vidas, mas também pegam onda todos os dias! Adoro.