domingo, março 27, 2011

Cadaunadas

No meio da muvuca da Avenida Paulista, uma mulher nos seus 30 e poucos anos tirou a alça da bolsa das costas, revelando no ombro direito uma tatuagem com o desenho do coração sagrado.

Custei a acreditar no texto da faixinha branca (que normalmente existe nesse tipo de tattoo). Ao invés de "Jesus", "Mamãe" ou qualquer outra coisa do gênero, a criatura mandou escrever "Homem".

Sabe-se lá o que leva alguém a tatuar isso nas costas: se é para afirmar o que andam chamando por aí de orgulho hétero ou para poupar-se do trabalho de gravar na pele um nome masculino diferente a cada nova paixão -- o que deve doer pra burro.

Cada uno con sus cadaunadas, já diziam os espanhóis.

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Orgulho Hétero -- assim mesmo, com tudo em maiúsculas -- também é o nome de uma das oito redes de internet sem fio disponíveis nas redondezas de onde estou ficando.

A provocação parece ainda maior quando se leva em conta que a área é uma das mais frequentadas pelo público gay em São Paulo, num momento em que as histórias de agressões motivadas por homofobia têm ganhado um espaço tremendo na mídia.

Mas, independentemente do lugar e do noticiário, o fato de alguém batizar assim a própria rede só pode ser chamado de babaquice.

Ou de uma cadaunada sem a menor graça.

Ouvido em São Paulo

"Quando eu era criança e me perguntavam o que queria ser quando crescesse, sempre respondia: 'Quero ser baiana'."
(Dito por uma argentina, em português quase fluente)

"Um dos motivos por que adoro fazer aula de dança é a parte em que o professor diz: 'Meninos para lá, meninas para cá'. É a única situação em que ainda sou chamada de menina!".
(De alguém que deixou de ser menina há umas duas décadas)

segunda-feira, março 07, 2011

Céu listrado

Um fim de dia em Telluride, Colorado. Acho que foi no Valentine's Day, 14 de fevereiro.

sábado, março 05, 2011

América em trapos


Tirei essa foto há umas três semanas nos arredores de Telluride, uma cidadezinha no interior do Colorado (EUA). Se não me engano, foi no mesmo dia em que acordei, liguei a tevê numa entrevista coletiva do Obama e achei-o supercansado.

Um norte-americano que deixa uma bandeira toda ferrada na porta de seu estabelecimento é um baita de um desleixado ou simplesmente está fazendo um protesto silencioso?