segunda-feira, maio 31, 2010

Exótico

Coisas de que vou sentir saudade em Santa Fé: a arquitetura, a possibilidade de ver um monte de galerias de arte enfileiradas uma depois da outra e a vibe das pessoas, que é muito legal.

Os moradores são receptivos com os viajantes, e os próprios turistas são superabertos a bater papo com gente nova. Principalmente quando descobrem que você é brasileiro (a) e, portanto, exótico. Hehe.

Coisa de que não vou sentir falta: a cultura superindividualista num lugar que se diz tão bicho-grilo, nova era, etc. Todo mundo aqui, seja residente, seja turista, tem seu veículo. E, por conta disso, o transporte público torna-se quase inexistente. Agências que organizam tours? Esqueça. O lance é pegar seu carro próprio ou alugado e sair dirigindo por aí.

A mesma lógica vale para os telefones. Como todo mundo tem celular, não existem orelhões. Muito esquisito.

Acho que soo meio caipira dizendo essas coisas todas, mas não consigo não reparar nessa diferença tão grande com relação a outros lugares que já vi.

O legal de não ter carro (morro de medo de dirigir fora de casa) é que explorei a cidade inteira a pé e passei a saber tudo sobre ela. Agora chegou a hora de puxar o carro.

Vou pra San Francisco, Califórnia. De la eu faco o proximo post. Beijos.

domingo, maio 30, 2010

Babes in gringoland

Não sou nem nunca fui uma mulher maternal, mas não dá para ficar indiferente aos milhões de bebês Johnson que existem aqui na gringolândia.

Além de lindíssimos, todos usam acessórios fofurizantes, como touquinhas e chapeuzinhos. Aqui em Santa Fé já vi vários, principalmente no divertido mercado de produtores rurais (Farmer's Market) que rola aos sábados e às terças de manhã.

Há famílias para tudo quanto é lado e um monte de grávidas, o que é um bocado intrigante num país em que as leis trabalhistas não dão mole (não há licença-maternidade, por exemplo) e as babás são artigos de luxo.

Pelo que ouvi dizer, muitas mães optam por não trabalhar pelo tempo em que durar a infância dos moleques. Depois, voltam ao mercado -- se não em suas áreas de formação, naquilo que for possível.

Acho esse um caminho superdifícil para a mulher. Mas... cada um na sua, né?

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O mercado de produtores rurais não é o único que movimenta a capital do Novo México aos sábados. Também há várias feirinhas de arte e artesanato. Mamãe, dona de habilidades manuais que não herdei, ia gostar de ver.

Nelas, como não podia deixar de ser, a qualidade dos produtos é bem irregular. Há bijuterias, peças de roupa e obras de arte lindas, e outras absolutamente uó.

Artesanato é bem caro por aqui. Vi uns colarzinhos perebas feitos à mão por US$ 30, o mesmo valor de um jeans legalíssimo que comprei dia desses. Quando vi o preço, não quis nem me arriscar a saber quanto custavam os da barraca ao lado, que eram maravilhosos.

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Para ver arte de verdade, bom mesmo é seguir para a Canyon Road, onde se concentram as galerias mais bacanas da cidade. Felicidade total esse lugar.

Tirei um monte de fotos -- as galerias são todas abertas e quase nenhuma proíbe. Mas acho que so vou conseguir uploadear quando voltar pra Brasilia, porque meu leitor de cartao de memoria esta fazendo que nao eh com ele.

Mas a espera vai valer a pena, eu garanto. :-)

sábado, maio 29, 2010

FantaSe

Em inglês, usa-se a expressão to card para designar o momento em que alguém, num bar ou num restaurante, pede para ver a sua identidade e comprovar que você tem realmente idade para beber.

To get carded significa, por sua vez, receber esse pedido. E eu já o ouvi em duas ocasiões em apenas uma semana nos Estados Unidos: uma em Miami e a outra em Santa Fé (capital do Novo México).

Aqui nos EUA é preciso ter pelo menos 21 anos para poder tomar bebidas alcoólicas. Eu fiz 29 há pouco mais de um mês. Então, se estão me atribuindo (bem) menos idade do que tenho, estou bem, muito bem, obrigada. :-)

Vamos ver se isso continua acontecendo em outros lugares da viagem.

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Cheguei a Santa Fé, a capital mais antiga dos Estados Unidos (completa 400 anos em 2010) e a sensação é de estar com o disco quebrado, porque fico a toda hora repetindo: "Cara, isso é muito bonito".

É que não há outra coisa a dizer. Santa Fe eh maravilhosa, a ponto de frequentemente usarem um anagrama para descreve-la: FantaSe. (Gente, desculpem-me pela falta de acentos daqui em diante... meu teclado acabou de dar um pau incompreensivel).

As casas de adobe sao lindas, as ruas sao fofas, a comida eh incrivel e supervariada. Ha um monte de galerias de arte excelentes por todos os lugares, museus muito bons e turistas de mil origens diferentes (embora os americanos sejam maioria, especialmente neste fim de semana com feriadao de Memorial Day).

Santa Fe eh uma das capitais mundiais da bicho-grilagem. Ha mil retiros de yoga, spas holisticos, terapias de cura para corpo e mente, etc. Isso, por si so, nao me interessa. Mas a cidade tambem eh cheia de artistas plasticos, escritores, chefs, enfim, o tipo de gente que se convencionou chamar de creative types.

Nao sou especialista na historia daqui, por isso ainda estou tentando entender como eh que uma cidadezinha de apenas 75 mil habitantes conseguiu conquistar uma densidade tao grande. Calcula-se que mais ou menos 40% do PIB de Santa Fe sejam originados de arte e cultura, e isso eh sensacional.

Ate eu ir embora vou descobrir qual a origem dessa movimentacao toda. Fiquem ligados. :-)

sexta-feira, maio 28, 2010

Sobram casas em New Orleans

Em New Orleans, faltam sorveterias e livrarias. Mas sobram casas para alugar e para vender.

Há, em todos os bairros, ruas inteiras de casinhas fofas, lindas, restauradas... e todas vazias, a ponto de certas partes da Big Easy se parecerem com cidades-fantasma.

Fiquei intrigada com isso desde a hora em que cheguei, e resolvi assuntar com um taxista o porquê do fenômeno.

Simples: a população da cidade caiu a mais de 50% depois do furacão Katrina, que, há quase cinco anos, deixou mais ou menos 80% de New Orleans debaixo d'água.

Muita gente deixou a região temporariamente. Esse taxista, por exemplo, ficou dois anos em Houston, Texas. Na rua, ouvi gente falando em períodos de três meses, um ano. Mas há também quem nunca mais tenha voltado -- daí a quantidade disponível de casas na região.

Se eu tivesse muita grana, ficaria tentadíssima. Além de lindas, as casas são megaespaçosas. Nada a ver com o que se encontra em Águas Claras, no Sudoeste, etc., etc., etc. :-)

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E na tevê e nos jornais não se fala em outra coisa que não o desastre do derramamento de petróleo no Golfo do México + historinhas podres associadas.

Mas o que eu mais gostei de ver foi uma matéria no jornal The Times-Picayune (que ganhou um Pullitzer em 2005 por sua cobertura guerreira do furacão Katrina) de ontem falando sobre o que pode acontecer com as ostras da região assim que o petróleo alcançar os recifes da costa da Louisiana.

Em linhas gerais, se a substância não contaminar as ostras por tempo indeterminado, vai matar os recifes onde elas crescem. E esse cenário naturalmente deixa pescadores, chefs e donos de restaurante de cabelo em pé, porque pode faltar matéria-prima e o preço com certeza vai subir.

Frutos do mar estão entre os ingredientes de base da (incrível) culinária local -- e, hoje, bares especializados em ostras são tão abundantes quanto as casas disponíveis para aluguel em NO.

Será que eles sobrevivem a mais uma tragédia capaz de ameaçar a economia da cidade?

Coisas que não existem em New Orleans

Faz calor, muito calor em New Orleans. Um calor úmido, que deixa as pessoas envoltas numa película de suor e desafia qualquer escova.

Ainda assim, quase não existem sorveterias na cidade. Docerias, muitas. Lugar pra tomar sorvete, um ou outro. Não estou exagerando: andei a cidade quase toda a pé nos últimos dias e posso garantir.

Outra coisa que praticamente não existe na cidade é livraria. Contei exatamente três, uma delas no Aeroporto Louis Armstrong.

Fiquei imaginando como seria se um cara tipo o Jr. andasse por NO, uma vez que ele costuma ouvir vozes do além quando chega perto de livrarias.

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Em New Orleans, dizem, as vozes do além ecoam até hoje nos cemitérios e nas casas das pessoas muito ricas e muito excêntricas que viveram na região quando ela ainda era uma colônia.

Reza a lenda que elas faziam festas caríssimas e superexageradas. E, em muitas delas, escravos eram exibidos e usados como se fossem pets exóticos. Rolavam bebedeira, vodu, maus-tratos, o escambau a quatro.

Essas histórias são todas contadas em uns tours de coisas sobrenaturais oferecidas em qualquer agência de turismo. Mas, como já acho o mundo de hoje surreal o suficiente, preferi passar longe.

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Um passeio muito legal de contratar na cidade é o das plantations, que mostra como se vivia nas grandes fazendas de monocultura que a Louisiana teve por séculos.

Visitei duas: a Oak Alley e a Laura Plantation. A primeira tem um casarão maravilhoso no melhor estilo ... E o Vento Levou. A outra, por sua vez, é mais simples, mas sai na frente quando se fala na qualidade da informação passada pelos guias.

O Lonely Planet o escolheu como o melhor passeio histórico a ser feito nos EUA. Não sei se é o melhor, mas é realmente sensacional.

O engraçado é que por X dólares (esqueci o valor) você contrata o tour para uma plantation. Adicionando uma quantia ridícula (uns US$ 10), ganha-se o direito a visitar mais uma. Pelo jeito, a lógica do supersize me também se aplica ao turismo por aqui.

quarta-feira, maio 26, 2010

Sol na moleira

Galera, o post vai ser rapido porque estou prestes a desmaiar na cama.

Estou megafeliz porque acabei de descobrir que meu proximo voo so sai amanha no fim do dia e, por isso, tenho mais meio dia para andar por New Orleans.

Amei a cidade e tenho umas 200 coisas para contar sobre ela, mas nao vou dar conta. Andei uns 20km hoje (serio), e nao foi sob o ar-condicionado. Faz calor pra caramba aqui na Louisiana e, depois da caminhada, a moleira ficou a ponto de derreter.

Por ora, a principal dica que posso dar eh a seguinte: o French Quarter eh legal e tal, mas o bairro de Faubourg Marigny eh mil vezes melhor para quem quer realmente ouvir jazz e fugir do esquema turistada. Principalmente na Rua Frenchmen, que virou uma das minhas preferidas aqui.

Amanha eu conto mais.

domingo, maio 23, 2010

Happy pills

Depois de uma noite e meio dia andando em Miami, desisti de tentar entende-la com as referencias a que me acostumei durante uma vida toda.

Achei a cidade fascinante com tudo que ela tem de cafona e de bonito tambem. Mas ainda nao consigo falar muito. Esta tudo meio misturado na cabeca.

Hoje de manha fui tomar cafe num lugar chamado Smoothie King, onde deu para ter nocao do quanto tudo aqui eh organizado e industrial.

Os liquidificadores eram monstruosos. As frutas -- ou o que elas se tornaram depois de um processo qualquer -- estavam todas distribuidas metodicamente em potes gigantes. Havia tambem potes cabulosos para todos os suplementos de malhacao (proteinas, aminoacidos, etc.) que podiam ser colocados nas vitaminas.

Tamanhos? Eram tres: pequeno, medio e grande. Soh que o pequeno, para os padroes brasileiros, ja eh gigantesco.

Quando fui pagar, prestei atencao ainda nas cestinhas com dois tipos diferentes de saquinhos: a de good night pills e a de happy pills. Essa ultima tem um saquinho amarelo com aquele simbolo do smiley, sabe?

Na formula, vem selenio, mais aminoacidos e uma quantidade consideravel de cafeina.

Tambem fui a um supermercado para saber como era. Nao um supermercado normal, mas um que se pretendia gourmet, e quis levar tudo. A secao de salgadinhos eh muito engracada. Tem um monte de tranqueira, logico, mas tambem ha chips de cenoura, de batata azul (?), de beringela e de outros vegetais... para quem se diz de regime.

O problema, mais uma vez, eh o tamanho das porcoes. A menorzinha devia ter 1kg, mais ou menos.

Ai, nao adianta nada ser light, ne?

sexta-feira, maio 21, 2010

Pé na estrada

Povo da minha terra,

Meu próximo post será em terra estrangeira, se tudo der certo. Vou mandar notícias para casa e aproveito para contar umas histórias.

Torçam por mim. Beijo.
:-)

quarta-feira, maio 19, 2010

Passageiro

Ontem, vindo para Guarulhos, fiquei a uma cadeira de distância do passageiro mais estranho da face da Terra.

Primeiro, porque ele não se sentava na poltrona: ficava deitado.

Depois, porque ele se queixou horrores sobre como o avião estava com odor de pum (e estava mesmo).

Em seguida, quando a aeromoça passou o spray de cheiro bom, ele começou a espirrar e a dizer o quanto o nariz dele era "extremamente sensível". Ele disse isso de língua presa, tá?

Mais tarde, quando o avião enfrentou umas turbulências, ele tocou a passagem mais macabra de O Fantasma da Ópera no iPod. Tocou alto porque eu ouvi a uma cadeira de distância e com todo o barulho da aeronave. E deu repeat várias vezes. Juro.

Agora estou voltando para Brasília. Quem será meu vizinho de poltrona?

Bjs.


Update! O voo foi perfeito estou em BSB sã e salva. Meu vizinho de poltrona era um senhor absolutamente normal e discreto. Mereço, né?

domingo, maio 16, 2010

Booze

Post rápido só para dizer que tomei a cerveja mais gostosa feita no Brasil, a Wäls, fabricada em Minas Gerais.

De verdade: ela é tão boa que fiquei chocada. Estou com preguiça de ficar descrevendo aromas e sabores. Basta dizer que ela tem um gosto de mel totalmente excelente.

Pena que o site da microcervejaria seja meio pobrinho.

Em Brasília, ela é vendida numa loja superbacana de cervejas + etc. na 212 Norte. Depois eu pego o cartão para informar o endereço direitinho.

sábado, maio 15, 2010

Touca de banho


Ao contrário das outras imagens de B'dos (percebam a intimidade) que tenho postado aqui no blog, a foto acima não é minha, mas do Bruno Agostini (obrigada, cara). Isso porque a bateria da minha máquina me fez o favor de morrer bem no momento em que o dia acabou e chegamos à essa praia.

Ela se chama Miami Beach -- do mesmo jeito daquela que está nos EUA. No entanto, tem um jeito muito mais discreto e sossegado. Nos fins de tarde, a água fica tomada por moradores da ilha (eles sabem o que é bom).

E dá para observar um hábito curioso das mulheres bajans: elas usam touca de banho quando entram no mar. Meio mico, né? Mas serve para evitar que seus incríveis penteados afros se desfaçam na água.

É uma cena muito improvável de vermos no Brasil, porque nós adoramos uma escova e, de cabelos escovados, fugimos de qualquer coisa parecida com mar ou umidade.

Depois, porque uma mulher usando o acessório numa praia brasileira provavelmente vai ser MUITO zoada. A não ser que alguém invente a moda no próximo verão carioca, lógico. :-)

sexta-feira, maio 14, 2010

Asas




Ou: o céu mais bonito do mundo (até onde sei).
Brasília, maio de 2010.

quinta-feira, maio 13, 2010

Favor não colar cartazes


Centro de Bridgetown, Barbados, 4 de maio de 2010.

Muito bizarra essa parede. Surreal o modo como a galera desrespeita a proibição. E mais ainda o jeito como o faz respeitando os contornos da plaquinha oficial.

Não tenho a menor idéia de quem são os artistas divulgados nesses cartazes, mas sei que a galera jovem barbadiana adora soca, um ritmo caribenho que lembra o reggaeton, embora tenha letras cantadas em inglês. Então, pelo menos na minha cabeça, todos esses cartazes são de festas de soca.

É um pancadão absurdamente rebolativo e sensual. Mas ah, quem conhece as coreografias do funk e da axé music não há de estranhar muito quando ouvir a música e vir a dança na ilha.

quarta-feira, maio 12, 2010

Leve-me ao seu líder

Essa eu também fiz no dia do críquete, no Kensington Oval.

Acho a expressão dos moleques genial.

terça-feira, maio 11, 2010

É dia de festa no Kensington Oval


Bem, amigos da Rede Globo, é dia de festa no Kensington Oval, a meca do críquete em Barbados.

O estádio (branquinho e lindo) recebe até o próximo dia 16 o campeonato internacional da modalidade, o ICC World Twenty20, com 27 times participantes do mundo todo.

No campeonato, Barbados integra a equipe das Índias Ocidentais (West Indies), nome que me faz voltar uns 300 anos no tempo. O uniforme é cor de vinho. Muito bonito.

O Brasil ficou de fora, claro. Críquete por aqui é uma coisa meio alien, né?
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Como soube do convite para ver o jogo meio em cima da hora, não deu para pesquisar sobre as regras -- o que faz uma diferença enorme.

Para falar a verdade, o grupo com quem eu estava só foi saber realmente a que partida assistiria uns cinco minutos antes de entrar no estádio.

Até lá, a gente jurava que iria ver Austrália versus Zimbábue. E achei por bem torcer pela equipe africana (sei lá o que o Robert Mugabe faz com quem perde jogo). Os meninos da turma, flamenguistas roxos, até criaram uma musiquinha de torcida. Passei mal de rir.

Na verdade, o nosso jogo era África do Sul versus Afeganistão. A primeira equipe vai bem, obrigada; a outra tenta se recuperar depois que anos de guerra e instabilidade política acabaram com o país.

Antes da partida, rolou um security check.

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Dizem que os psicólogos são aqueles que, quando entra uma gostosa na sala, observam não a mulher, mas a reação dos homens que ficam olhando para ela.

Me lembrei da frase porque acabei observando muito mais a torcida (animadíssima) do que o jogo propriamente dito. Cada um responde aos lances da partida de uma forma diferente.



Sim, críquete tem emoção, caro leitor. A galera berra, canta, bate aquelas salsichas de plástico (não sei o nome desse negócio; os japoneses usam muito quando vêem jogo de futebol), dança e agita bandeiras. Eventualmente, levanta umas plaquinhas com os números 4 e 6.

Mas qual é o momento em que se deve ficar emocionado? Por que diabos as pessoas erguem plaquinhas? Chega uma hora em que não dá mais para não entender.

Foi aí que eu conheci a Pam, uma senhorinha inglesa muito loira e cor-de-rosa, meio gordinha, filha e neta de jogadores profissionais de críquete. Me sentei ao lado dela, que me deu uma aula no mais perfeito Queen's English.

A modalidade tem regras difíceis de dominar logo de cara. Mas pelo menos consegui entender o andamento geral da partida -- e, mais importante, decifrar o que estava no telão. Para quem nunca viu o placar de um jogo, ele parece tão complexo quanto uma tabela do Banco Central.


A África do Sul jogou primeiro. Depois, veio um intervalo. E, em seguida, seria a vez de o Afeganistão começar a somar seus pontos.

A turma islâmica orou virada para Meca entre um tempo e outro.


Como só reza não fatura jogo, a África do Sul permaneceu com o placar maior quando a partida acabou. Fiquei com pena porque a torcida afegã era muito mais animada -- e contava com o apoio da galera de Barbados. Mas, de qualquer forma, foi bacana ver algo a que dificilmente eu teria acesso no Brasil. Acho que agora encaro até futebol no estádio.

segunda-feira, maio 10, 2010

Pés


Sou doida por essa foto, que tirei no píer em frente ao mercado de peixe de Oistins, a principal cidade da paróquia de Christ Church, em Barbados (claro). Adoro as cores, as texturas, a mistura de formas geométricas com orgânicas, etc.

Os pés são de Christopher O'Brien Bess, um cara rasta meio artesão, meio pescador e meio malandro que se ofereceu a atrair umas tartarugas gigantes (à direita do quadro, reparem) para o grupo tirar fotos.

Elas chegaram aos poucos -- umas quatro ou cinco, no total -- e renderam imagens maravilhosas. Depois eu subo umas para cá.

sábado, maio 08, 2010

Sinhozinho fashion


Tecnicamente, essa foto não está assim, uma Brastemp, porque a tirei de dentro da van. Mas serve para mostrar como os bajans (apelido dado aos barbadianos) conseguem ser igualmente austeros e ousados no modo de se vestirem.

Os cortes das roupas podem até ser superconservadores -- no entanto, sempre há uma cor forte, um paetê, um bordado. Na praia, então, é um espetáculo: biquíni de oncinha tem de monte, por exemplo. Mas a modelagem é aquela parecida com a norte-americana.

Esse sinhozinho estava no meio de uma galera que participava de um funeral em uma das comunidades da paróquia de St. Philip, a leste da ilha.

Aparentemente, o morto devia ser popular, porque havia muita gente vestida de modo formal na igreja onde estava rolando o velório e nos arredores. Inclusive no bar ao lado da igreja.

Os funerais em Barbados lembram um pouco os celebrados nos Estados Unidos: depois do velório e do enterro, todo mundo se encontra na casa da família do falecido e faz um almoço daqueles com bufê.

Só que essa tradição tem ficado cara demais para grande parte das famílias locais, de modo que, nos últimos tempos, muitas delas têm optado por simplesmente se recolher no momento do luto.

sexta-feira, maio 07, 2010

Duas imagens


Duas imagens quase auto-explicativas de Barbados: uma escola e um canavial.
Durante vários momentos em que estive por lá, fiquei com a sensação de estar deslocada no tempo. As roupas, as casas e até o jeito de ser de algumas pessoas dão a impressão de que ainda estamos no tempo da vovó mocinha.
Daí que foi inevitável eu tirar umas fotos em preto e branco, apesar de a ilha ser cor pura.

Cheguei!

Galera, esse post também vai ser rápido porque acabei de chegar e daqui a pouco vou pra labuta.

Queria dizer que agora eu curto cricket e rum, tá? :-)

Depois eu conto direito como foi desenvolver esses gostos tão inusitados (pelo menos pra mim).

Beijos

quarta-feira, maio 05, 2010

Barbados, man

Galera, vou ser rapida: estou em Barbados, o lugar mais lindo do mundo.

Tem um milhao de coisas que poderia escrever, mas a boa escrita exige distanciamento, e estou completamente envolvida e apaixonada. Amo cada coisa daqui, as cores das casas, as pessoas, o sotaque, a comida, a musica e o mar, que eh incrivelmente azul.

Amanha devo ir a um jogo de cricket, o que vai ser absolutamente surreal.

Se eu nao voltar nunca mais, nao estranhem: posso ter simplesmente arrumado um negao rasta para justificar a minha permanencia. Beijos.

segunda-feira, maio 03, 2010

Bienvenido a Miami

Tinham me dito que os corredores do Aeroporto de Miami sao gigantescos, e agora consigo ter uma ideia do motivo (sorry, nao tem acentos no computador onde estou): eh para ver se os americanos queimam alguma caloria depois de comer alguma daquelas bobagens que so eles sabem criar.

Eles comem, e comem como se nao houvesse amanha. Voce vira para o lado e ve uma mulher enorme devorando (aos quadradinhos) uma barra de chocolate tao imponente quanto. Do outro, tem um cara levando (de uma vez so) tres pacotinhos lotados daquelas balas de doce de leite (eca, odeio). Tem salgadinhos de todos os tipos e tamanhos, um mais trash do que o outro.

So que para ver e comprar tudo isso eh preciso caminhar, irmao, caminhar. Nao tem nada pertinho nessa bodega.

Minha colega queria ir ao Starbucks, e o caminho entre o nosso portao de embarque e a dita cafeteria da mais ou menos metade do caminho de Santiago de Compostela. Ai, cheguei la e me permiti, alem do meu mocha branco (amo), experimentar o menor doce que tinha la: uma parada chamada danish cujo diametro da mais ou menos o do meu palmo. Comi observando uma galera da American Airlines que fica em terra, quase todos latinos e de macacao.

Quem passava via que eu e a F. estavamos com aquele famoso copo da marca (eu, me sentindo uma colonizada and loving it) e perguntavam onde era a cafeteria. Acho que dei a seguinte informacao pra umas 10 pessoas diferentes:

- Straight ahead, turn right, down the stairs, D35.

Facil demais!

Ou seja, se nada mais der certo, volto pra Miami para trabalhar pro Starbucks.

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Miami tambem eh um lugar intrigante para quem passou a vida inteira estudando ingles, fazendo testes de proficiencia, lendo NYT, dando aula e o diabo a quatro. Isso porque ninguem se da ao trabalho de ensaiar uma palavra sequer na lingua de Shakespeare.

A comecar pelo funcionario da imigracao que me entrevistou, cujo sobrenome era hispanico.

- And you came here de ferias? - ele me perguntou.

De ferias, amigo? Nao, nao vim de ferias.

No proximo post eu conto por que vim.

domingo, maio 02, 2010

Enfrentar o mar

Já contei isso para algumas pessoas, provavelmente já até falei disso aqui: um dos meus sonhos é um dia pisar na areia de uma praia, vestir a touca e os óculos de natação, mirar numa ilha e ir nadando até lá só para saber como é. E depois voltar, claro.

Como eu nado desde pequenininha, imagino que não seria muito difícil.

Quase fiz isso uma vez há vários anos, em Angra dos Reis. Mas, como estava num passeio de grupo, fiquei com medo de não ter tempo suficiente para ir e voltar e acabei nadando só uns poucos metros. Valeu como treino.

Daí que hoje, mais cedo, minha mãe me contou:
- Semana passada, sonhei que estava te ajudando a arrumar uma mochila com touca e óculos para você ir nadar no mar.

Detalhe: ela sonhou comigo adulta, e não criança.

Ou seja, quem sabe em breve vocês ficam sabendo de umas braçadas minhas por aí.