segunda-feira, novembro 28, 2005

Tanto
crachá
celular
salto alto
são pra quê
mesmo?

Caiu uma lágrima (oooh)

Sou uma chave de limado aço.
E meu formato não é arbitrário.
Durmo o meu vago sono em um armário
Que não enxergo, presa a meu chaveiro.
Há uma fechadura que me espera,
Uma somente.
A porta é de forjado
Ferro e firme cristal.
Do outro lado
Está a casa, oculta e verdadeira.
Altos e na penumbra os desertos
Espelhos vêem as noites e os dias
E as fotografias dos defuntos
E o tênue ontem das fotografias.
Em dado momento empurrarei a dura
Porta e farei girar a fechadura.
(Jorge L. Borges - Uma chave em East Lansing)

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E se beijo a ousadia
E o mistério de teus lábios
Não haverá dúvidas nem ressabios
Te quererei mais
Ainda.
(Mario Benedetti - Ainda)

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Achei esses dois poemas tão legais que copiei descaradamente do blog da Alê para cá :-D
Boa semana!

terça-feira, novembro 15, 2005

*****

Meu
hai
kai
quase
gay
é
assim:

Quando aquela menina
passou por mim
com seu salto alto
e olhar fatal
só pensei:
ai, meu deus do céu,
que guria nojenta

Recebi hoje

Chamamento à participação: direito de resposta na Rede TV!

Justiça suspende programa de João Kleber e dá à sociedade direito à "contrapropaganda"

Prezados e prezadas colegas,

Como muitos de vocês devem saber, a Justiça brasileira determinou que a Rede TV! suspendesse a transmissão do programa Tarde Quente , do apresentador João Kleber. Tratava-se de um programa que exibia diariamente "pegadinhas" que humilhavam, ofendiam e reforçavam preconceitos - contra homossexuais, mulheres, e pessoas com deficiência, entre muitos outros. Ou seja, um programa que violava os direitos humanos fundamentais.

A determinação é fruto de uma ação civil pública, movida pelo Ministério Público Federal e assinada também por ONGs de direitos humanos. Além da suspensão da exibição do programa, a ação pediu também um espaço para "contrapropaganda", ou seja, que seja exibido, no lugar da Tarde Quente , programas de TV que defendam os direitos humanos. Esses programas devem ser exibidos por cerca de 60 dias, no mesmo horário do programa suspenso: das 17h às 18h30, de segunda a sábado, em rede nacional. E o início da nova programação acontece já nos próximos dias.

Esta é a razão pela qual lhes escrevemos agora. A ocupação desse horário na TV é uma vitória de todos os defensores dos direitos humanos, e queremos fazer valer esta conquista. Esta carta é um convite a sua entidade para que coopere conosco, para provar ao telespectador brasileiro que é possível fazer programas de TV de qualidade sem baixaria. Que a televisão pode ser muito melhor do que é hoje.

Se vocês têm documentários, filmes, entrevistas, debates ou qualquer outro programa de TV que aborde a temática dos direitos humanos, entrem em contato conosco. Queremos construir uma grade que inclua programas audiovisuais já produzidos pela sociedade, que tratem de temas como diversidade cultural, igualdade de gênero, etnia, exclusão social, meio-ambiente e violência, entre muitos outros.

Da mesma forma, precisamos de parceiros que tenham estrutura para produzir programas de televisão - estúdio, câmeras, ilhas de edição, geradores de caracteres, etc. Queremos descentralizar a produção, trazendo as mais diferentes regiões do país e as mais diferentes organizações e movimentos sociais, para que a ocupação da Rede TV! seja uma amostra da diversidade e da pluralidade que o Brasil tem a oferecer.

Estamos à sua disposição para explicar mais sobre essa história pelo e-mail direitosderesposta@intervozes.org.br ou pelos seguintes telefones:
- Marcio (11) 9605-6391
- Giovanna (11) 8159-6011
- Rosário (81) 3301.5241
- Adriano (61) 9909-8164

domingo, novembro 13, 2005

*****

Em um dia nublado,
a donzela
de espartilho apertado
só suspira:
*ai, ai*

quarta-feira, novembro 09, 2005

Matutando

Eu sei que o papo da entrevista do Lula no Roda Viva já está datado, mas não consigo parar de pensar:
Que diabo é esse programa que o filho do Lula e a turma da Gamecorp está produzindo??
Diz ele que é um para TV aberta, outro para TV a cabo, mas o nome que é bom...

Atenção ao que eu digo

The leather's gonna eat.
God is father, not stepfather.

Demais da conta

102 mensagens na Caixa de Entrada.
Quase nada para ler...

segunda-feira, novembro 07, 2005

Quase famosa!

Está desde ontem na página da Associação Brasileira de Imprensa uma matéria que mostra quem são e como trabalham alguns dos repórteres das editorias de Turismo de alguns dos principais meios de comunicação desse Brasilzão.
Sim, de vez em quando eu viro repórter de turismo. É muito gostoso, mas não é férias, vamos deixar bem claro.
A matéria ficou ótima, e não só porque tem algumas das minhas histórias ali :-)
Gosto das oportunidades em que a mídia pode falar abertamente da própria mídia, em que os profissionais do ramo podem tentar organizar, teorizar e dar pelo menos um pouquinho de sentido ao trabalho intuitivo do dia-a-dia.
Era o que eu esperava ver em outra obra que comecei a ler recentemente (Imprensa na berlinda – A fonte pergunta), mas sinto que as respostas nem sempre são tão claras ou abertas como poderiam ser. E vindas logo de quem? De vários de nós, jornalistas, que vivemos de futucar os entrevistados que gostam de dar uma malufada...

Fotos em breve

Tirei umas muito legais no final de semana. Já já eu coloco aqui.
A única que não consegui fazer a tempo foi a do famigerado Air Force One, no exato momento em que ele decolou e passou por cima da casa onde eu fui ontem, lá no Lago Sul.
Podia levar Bush e cia. direto para Marte, que ninguém ia sentir falta... hehe

quinta-feira, novembro 03, 2005

Tobias, o cão

A festa

O bloco onde cheguei é em uma das quadras mais antigas da cidade – se não me engano, divide espaço com alguns daqueles prédios baixinhos com apartamentos no andar térreo. Apesar da fachada bem tratada, da grama verdinha no jardim, é impossível não reparar no jeito ultra-retrô da arquitetura, do chão de mármore, das portas de vidro no pilotis. E ali que pessoas recém-saídas da adolescência (e dali pra diante) se reúnem como devem ter feito seus pais, ou como fizeram centenas de jovens nos tempos em que Brasília se tornava um colosso de concreto aparente em meio a poeira vermelha do cerrado.


As portas de vidro tremem ao som da musica que vem de lá de cima. E preciso subir as escadas – o prédio não tem elevador – para que aquela pulsação se sinta na pele e nos ouvidos. Todos os apartamentos de uma das prumadas foram transformados em festa, como as que Brasília devia ter para aquela turma meio entediada que procurava o que fazer em uma cidade ainda em construção. O único lugar mais vazio, e ainda não é nem meia noite, é a salinha que recebera uma bateria, uma guitarra, um baixo, uma banda. E quase uma centena (presumo) de gente. «Aqui é maior do que o UK Brasil», ironiza o dono do apartamento, em um cartaz feito no computador e impresso em folha A4.


Quando a banda se apresentou, alguém já havia tratado de providenciar uma iluminação como as das boates. Como as das boates de mocas, bem entendido: vermelho. E como avo ficando os rostos, pescoços, barcos e pernas daqueles que entram sem nenhuma organização, só para ver a banda. Qualquer um ali pode saber o que ela vai tocar.


Tem Pearl Jam, U2, Cake, Led Zeppelin. Mas também tem Paralamas, Legião Urbana, Capital Inicial, Plebe Rude. É de propósito que a gente lê que tem hits clássicos de todos eles. E não é só porque – como dizem – ah, a festa é em Brasília, então tem que tocar as bandas daqui.A banda sabe, na verdade, que quando cantar os primeiros versos, algo vai tomar conta de quem estiver ali. Uma sensação estranha de que, naquele bloco, naquele momento, tudo é uma noite no final dos anos 70. Num tempo em que, em volta daquele prédio retro da Asa Sul, não havia muito mais do que areia vermelha. E uma profunda falta do que fazer.


No ar que circula difícil na salinha, não é só o suor das pessoas que esta em suspensão. Eu quase posso ver uma fumacinha de rock and roll (eu disse rock and roll, e não maconha) pairando sobre o ambiente. Em volta, os que se esgoelam como se fosse a nossa ultima noite.Em que ano estamos mesmo?

quarta-feira, novembro 02, 2005

Achei!

Só hoje dei uma busca no Google para saber o que é, afinal, a tal da frase All your base are belong to us, que circulou na web há tanto tempo.
Tem uma explicação aqui. O texto não é dos mais bem escritos, mas resolveu o problema. E o diálogo do game japonês (que trouxe a frase à tona) é tão surreal, tosco e mal traduzido para o inglês que merece ser reproduzido abaixo:

In A.D. 2101
War was beginning.

Captain: What happen ?
Mechanic: Somebody set up us the bomb.
Operator: We get signal.
Captain: What !
Operator: Main screen turn on.
Captain: It's you !!
CATS: How are you gentlemen !!
CATS: All your base are belong to us.
CATS: You are on the way to destruction.
Captain: What you say !!
CATS: You have no chance to survive make your time.
CATS: Ha Ha Ha Ha ....
Operator: Captain !!
Captain: Take off every 'Zig' !!
Captain: You know what you doing.
Captain: Move 'Zig'.
Captain: For great justice.

terça-feira, novembro 01, 2005

Estrelinhas brilham

Acho que devo ter preocupado algumas pessoas – acho que preocupei o Felipe e a Alê, que deixaram comentários aqui, na verdade – com o post daí debaixo...

Está tudo bem, bem mesmo. Só demorei mais para dormir e a solução foi escrever.
Escrevi furiosamente, umas oito páginas, ainda tem mais um textinho que eu vou mandar para cá.

Quando o sono veio, veio para valer e até ganhei sonho com o Antonio Palocci (sim, o ministro) de brinde. Ele chegou para mim todo garboso e disse: Mariana, me paffa a farofa, por favor (hihihi. É claro que não foi assim. E o pior é que não me lembro o que ele veio fazer).

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O melhor de ver América é ver o que o Casseta vai sacanear depois! :-)

Insone

Quero que as palavras se esvaiam de mim
Ate que meu corpo, exausto, se grude na cama
Ate que a mente, liberta, so me perturbe mais tarde

Neon

Certos artistas dos anos 80 têm um jeito eufórico de falar sobre coisas tristes. Nada mais anos 80 do que isso, aliás: até onde eu consegui acompanhar, década de merda. Brasil de ilusões perdidas (com direito a Sarney e, oh, Fernando Collor), o país indo mal e o mundo… não muito melhor do que isso (quem viveu naquela época vai saber falar disso melhor do que eu, que me lembro vagamente de Reagan, Thatcher e Irã x Iraque).

Ainda assim, todos vestiram suas roupas fluorescentes, enormes óculos escuros, camisetas com manga de morcego, polainas e lencinhos (atenção: se você viveu nos anos 80, não adianta dizer que não era assim. Você provavelmente tem registros disso, eu tenho certeza). E ainda assim foram às boates e festinhas chacoalhar ao som de hits como Blue Monday, do New Order

How does it feel
to treat me like you do?
When you've laid your hands upon me
And told me who you are
I thought I was mistaken
I thought I heard your words
Tell me how do I feel
Tell me now, how do I feel

Those who came before me
Lived through their vocations
From the past until completion
They'll turn away no more

And I still find it so hard
To say what I need to say
But I'm quite sure that you'll tell me
Just how I should feel today

I see a ship in the harbor
I can and shall obey
But if it wasn't for your misfortune
I'd be a heavenly person today

… que é um mega-hino da melancolia, mas tem uma batida eletrônica tão poderosa que faz a gente se esquecer dos corações partidos e outras dores explícitas na letra. Fiquei um bom tempo tentando lembrar que outras músicas têm essa mistura agridoce de agonia e êxtase, de amor da grande mãe universal e de fundo do poço. Fico com Legião Urbana porque todo mundo conhece e porque quase todo mundo sai pulando quando toca nas festinhas, cantando quase como se fosse um mantra

Tire suas mãos de mim
Eu não pertenço a você
Não é me dominando assim
Que você vai me entender
Eu posso estar sozinho
Mas eu sei muito bem aonde estou
Você pode até duvidar
Acho que isso não é amor
Será que é imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação?
Serão noites inteiras
Talvez por medo da escuridão
Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução
Pra que esse nosso egoísmo
Não destrua nosso coração

E só quando a gente pára para escutar a letra (já distante da bagunça, da escuridão e das trocentas pessoas que pulam ao lado) ou mesmo para ler (como eu fiz agora, ao dar um singelo CTRL+C, CTRL+V) é que as palavras dão sua devida cotovelada no peito.

Toda essa curiosidade
Que você tem pelo que eu faço
E não gosto de me explicar
Se eu paro e me pergunto
Será que existe alguma razão
Pra viver assim
Se não estamos de verdade juntos?
Procuramos independência
Acreditamos na distância entre nós

Algumas músicas dos anos 80 marcam não só na sua angústia disfarçada, mas também numa inocência que de vez em quando volta nas letras de hoje - mas de uma maneira completamente diferente daquela época.

Eu queria te ver
Sentir esse lance
tirando os pés do chão
típico romance
Mas tudo é tão difícil
Eu quero o mais fácil
tentarmos esquecer
E fica só uma ilusão nesta madrugada
Eu te amo você, não precisa dizer o mesmo não

Sempre quando escuto essa musica, acho que consigo imaginar a Marina Lima, gata nos seus 20 anos, de lencinho na cabeça (amarrado como o Cazuza costumava usar), camiseta de silk screen e calca fuseau. E madrugada em Copacabana (pode ser ali perto do Cervantes) e ela pede para se encontrar com o cara porque quer saber qual é o do lance - que sentimento é esse, afinal - na época em que era moda falar assim. E, enquanto isso, os carros passam a mil por hora, em plena madrugada naquele túnel da Princesa Isabel.

É só longe da pista de dança das festas de revival dos anos 80 que e possível pensar em significados assim. Mas são imagens que se dissolvem quando a nuvem de fumaça branca vem ressecar meus olhos e todos a minha volta começam a pular. Frenéticos.