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segunda-feira, julho 20, 2009

O Menino das Pinturas

Desde que voltei de férias, há um mês e pouco, venho me prometendo fazer e colocar no blog uma entrevista incrível com um cara de Granada, Espanha, cujo apelido é El Niño de Las Pinturas. O nome de batismo é Raúl Ruiz, mas acho que ninguém o chama dessa forma.

Não há como não andar pela cidade andaluza sem prestar atenção em seu trabalho colorido e extremamente realista, que retrata gente de lá mesmo de uma forma muito poética.


O problema é que a agenda apertou demais desde que voltei e não tive tempo para fazer aquele trabalho básico de apuração e elaboração de perguntas. Quando o tempo permite, já estou tão sem paciência para coisas com jeito profissional que acabo deixando tudo de lado. Argh.

Como não quero deixar de compartilhar essa descoberta, coloco essas fotos no ar e umas informações que fiquei sabendo sobre o cara.


A mais impactante delas diz respeito à recepção que o trabalho dele tem na própria cidade de Granada. Os turistas, por exemplo, amam. Tanto que é superfácil achar fotografias (feitas por viajantes) dos trabalhos de El Niño pela internet.

Muitos granadinos adoram-no também. Ajudaram a fazer com que sua criação conseguisse ir além das ruas. Vi, por exemplo, sorveterias, pizzarias e lojas de roupa cujas portas e paredes internas eram decoradas com os grafites feitos pelo artista.

A prefeitura da cidade, por sua vez, é acusada por ele de fazer um jogo ambíguo. Ora premia, como fez em 2002, ora aplica multas por depredação urbana. Uma das mais recentes é relativa a um muro enorme, do lado de fora de uma escola no bairro de Realejo (abaixo), que há anos está sendo trabalhado por ele e um coletivo de grafiteiros com a autorização das donas da escola. Muito bizarro isso.


Para discutir esse e outros conflitos -- que, afinal, devem se repetir entre as pessoas que fazem arte urbana no resto do mundo --, El Niño lançou um manifesto que pode ser lido aqui.

domingo, junho 14, 2009

O que realmente interessa

Esses dias, pensei o seguinte: eu fico falando aqui de coisas pretensamente engraçadinhas do sul da Espanha - tipo o burro táxi de Granada e os distribuidores de abraços grátis em Málaga - e me esqueço de mostrar por que me apaixonei pelas ruas das cidades andaluzas, pelos palácios que os árabes ergueram e por outras coisas de que turistas normais gostam.

Daí que resolvi fazer uma galeria para fechar (por ora) a minha falação sobre a Andaluzia e começar a mostrar outras paragens. Espero que gostem.

Um prédio tipicamente andaluz refletido num parabrisas. Bairro de Santa Cruz, Sevilla.

A Catedral de Sevilla, cuja construção começou no início do século 15, não deixa ninguém ter dúvida do poderio da igreja católica naquele tempo.

Casinha linda no Albaycín, o bairro árabe de Granada. Ótimo lugar para quem sonha em comprar um imóvel, já que há várias casas decrépitas esperando por reformas ou já sendo reconstruídas. Só não se pode ter medo de subir morro (e ter carro por lá não é uma opção sábia).

Uma das 14.182 (estou chutando o número) paredes maravilhosas na Alhambra, a "fortaleza vermelha" que um dia serviu de morada para a corte real de Granada. O lugar é tão bonito que merecia um blog só para ele.

O porto de Málaga visto de uma das sacadas do Castillo de Gibralfaro, que pertenceu aos mouros e ao qual se tem acesso depois de, claro, subir um supermorro.

Málaga num dia maravilhoso. Bom fim de domingo!

quinta-feira, junho 11, 2009

Burro Táxi

Já tinha visto moto táxis e bici táxis, mas burro táxi era uma novidade para mim, ser urbanóide, até visitar o centro histórico de Granada.


Adoraria comprovar a existência do serviço, mas não consegui e continuo no escuro. Não vi nenhum burro em ação na cidade. Também não tinha como ligar para os telefones acima. Agora, neste momento, tento acessar o site mostrado na foto e ele simplesmente não funciona. O domínio está inclusive à venda.


Seria isso simplesmente um grafismo de parede, como tantos outros que existem em Granada? Tipo assim, algo feito somente para atrair e divertir fotógrafos e blogueiros dados a surrealidade?


Não pode ser. Encontrei esta matéria de 2004 do Telegraph sobre o serviço. Segundo a reportagem, a Burro Táxi constitui (constituía?) a melhor forma de andar pelas ruas de pedra do centro histórico e subir a bairros altos, como Albaycín (o bairro árabe) e Sacromonte (o antigo reduto dos ciganos).


Não que os burricos fizessem corridas normais, como as de táxi. A idéia era que os bichos conduzissem os turistas em passeios de uma hora por lugares bacanas.


O site apresentado pela matéria, http://www.burrotaxi.com/, também não aparece para mim de jeito nenhum. Se bem que a minha internet está cheia de frescuras no momento.


O que terá acontecido com a empresa?


Teria se transformado em mais uma das empresas espanholas tragadas pela crise econômica mundial? Ou extintas pela necessidade/paranóia de exercícios e emagrecimento que cada vez mais toma conta das pessoas?


(Me explico: para queimar todas as calorias ingeridas numa viagem a Granada, é preciso deixar de lado o burro e subir a pé os morros da cidade.)


Não saber a resposta me deixa numa agonia danada.

terça-feira, junho 09, 2009

Coca-Cola andaluza


Granada, Andalucía, maio de 2009.

Alguém sabe por que diabos o Blogger insiste em colocar na vertical uma foto que é horizontal?

Agradeço antecipadamente. Beijos.

Update! Finalmente consegui colocar a foto na horizontal. A solução não era mexer com o HTML, e sim compactar a imagem original, que era gigantesca.

Deixa eu aproveitar e acrescentar umas coisinhas.

O estilo dessa placa busca inspiração na arte feita pelos árabes muçulmanos que viveram na Andalucía durante uns oito séculos.

Depois que os cristãos reconquistaram a Península Ibérica, muitos desses árabes ainda permaneceram na região e foram apelidados de mudéjares ("aqueles que puderam ficar devido a um acordo", numa tradução bem livre).

Mudéjar também é o nome do estilo de arte e arquitetura praticado por esse povo. Entre suas características, estão os resultados belíssimos conseguidos com o uso de materiais muito baratos, como azulejos, madeira e pedras.

Os grafismos rebuscados (que a gente vê na placa da Coca-Cola) são igualmente inconfundíveis.

domingo, maio 17, 2009

Vai um banho quente aí?

Se um dia vier a Granada, separe um dia para visitar um baño árabe. É programa de turista, mas vale tanto a pena, voce vai ver só.

A água é algo essencial nas culturas árabe e muculmana, que ainda estao fortemente presentes em Granada. Faz parte dos ritos de purificacao, de partes belissimas de diversas construcoes historicas (como a Alhambra) e permeia diversas práticas sociais do dia-a-dia. A ida ao baño, entao, é uma festa que comecou há séculos, com os povos que viveram durante um tempao na Andalucía, e continua hoje, com os milhares de viajantes que chegam por aqui.

O esquema é o seguinte: escolha o seu baño (fomos ao Hammam, na Calle Santa Ana, 16, um pouco acima do escritório de turismo) e reserve um horário. Quando o dia de voltar lá chegar, coloque na bolsa um biquíni, maio ou sunga. É tudo o que voce vai precisar para mergulhar e esquecer da vida em meio a águas de diversas temperaturas. O lugar fornece toalhas e sacolas de plástico para guardar a roupa molhada quando se sai de lá.

Entre as piscinas, há umas bem rasinhas de água quente, onde dá para ficar conversando e relaxando. Outras, mais fundas, tem a água mais fria. A ideia é ficar revezando entre uma e outra, igual crianca, hehehehe, durante um período que pode ser de até duas horas. Entre um banho e outro, admire a arquitetura (sempre incrível, cheia de colunas, azulejos, rebuscados e tetos supertrabalhados), faca uma massagem (recomendo muito), tome uma ducha ou morra de suar na sauna (eu nao dei conta, é quente demais). Esqueci de dizer que o cheiro do lugar é sempre maravilhoso. Ontem, no Hammam, rolava uma especie de incenso de laranja com cravo e canela, tudo muito de bom gosto.

Seja qual for o baño de sua escolha, é importante saber umas regras. Nada de falar ou rir alto. Sapatos, chinelos, celulares, criancas e máquinas fotográficas sao proibidíssimos. Faltar com o decoro, entao, é o equivalente a um pecado mortal.

Outra dica importante: se voce escolher um hotel central aqui em Granada, tente marcar um horário mais próximo ao fim do dia. Eu estou superlonge do centro e escolhi no comeco da tarde porque era um dos poucos que ainda estavam disponíveis e foi sensacional assim mesmo; mas quem consegue ir ao baño a noite sai de lá pronto para voltar rapidamente ao hotel e dormir como um bebe... ou chutar o decoro para bem longe.

Amanha vamos pegar um bus para Málaga, terra natal de Picasso. Torcam para os dias continuarem calorentos por aqui. Besos!

quinta-feira, maio 14, 2009

Ah, Granada

Hoje de manha cedo, eu + senhor-meu-marido saímos de Sevilla num onibus e viemos para Granada. Estava na maior expectativa, porque achei Sevilla a cidade mais linda do mundo (sério mesmo, de verdade, dá vontade de morar lá) e sempre ouvi maravilhas sobre Granada. Maravilhas ditas por gente da mais alta confianca, que a descreveu nao como um lugar qualquer, mas como um transe místico em forma de cidade, saca?

Pois é. Cheguei aqui bem na hora da siesta coletiva (umas 14h30, 15h), com o tempo meio cinza e com fome. Nosso hotel é longe do centro e, no caminho, vimos umas áreas meio feiosas. Quando finalmente chegamos ao coracao de Granada, tudo estava fechado (culpa da siesta). Só restavam os restaurantes com cara de roubada de turista. Oh, odeio Granada.

Mas Deus é ótimo e máximo e pos no nosso caminho uma mistura entre bar e pub com donos simpáticos (coisa meio rara por aqui) e comida farta e gostosa. No que a refeicao acabou, o sol voltou a brilhar de novo. Agendamos um programao para sábado (conto no próximo post) e fomos morro acima pelo Albaicín, um bairro árabe que está sendo reformado aos poucos para ficar ainda mais lindo.

Pensem em casinhas brancas com muitas flores, azulejos árabes aos milhares e várias ruínas. Há muitas casas decrépitas sendo postas abaixo para dar lugar a construcoes fofas. Enquanto elas nao ficam prontas, grafiteiros craques fazem uns desenhos maravilhosos nos muros. Desnecessário dizer que tirei um milhao de fotos.

Já voltei ao centro para poder dar notícias aqui e no e-mail. Mas antes disso desci uma ladeira enorme e cheirosíssima, cheia de casas de chá e lojas de artes maravilhosas, tudo árabe, claro. O tempo continua muito bom. Sao quase 20h e rola um solzao.

Assim fica fácil gostar de Granada.