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terça-feira, janeiro 26, 2010

Photo velhinha


Uma pequena arruaça (cuidadosamente planejada, claro) em frente à Louis Vuitton.
Paris, maio/2008.

terça-feira, julho 07, 2009

Da materialidade - atualizado

O que faz uma pessoa, num dia de sol e milhões de possibilidades, pegar um metrô para ir visitar tumbas de gente famosa?

Essa pergunta me ocorreu antes, durante e depois da visita a um dos cemitérios mais famosos do
mundo: o Père Lachaise, em Paris.

Ao SMM (senhor-meu-marido) e aos amigos, disse, convicta:
- Vou ver o Jim Morrison e o Oscar Wilde.

Como se fosse possível, né? Porque a essa altura do campeonato os dois já adubaram e readubaram a terra incontáveis vezes.

Na verdade, eu queria ver a muvuca feita em torno da tumba do vocalista do The Doors. Li na adolescência que os fãs dele faziam a maior festa, cantavam as músicas da banda, etc., e fiquei achando que aquilo devia ser um superespetáculo de luxo antropológico.

Quando cheguei ao túmulo, rolou uma certa decepção. Seguranças estrategicamente posicionados cuidavam do silêncio e da ordem no lugar. Nada de violões, nada de gente cantando, nada de desconhecidos bêbados se abraçando ao som de Light My Fire, etc.

O máximo permitido ali era chegar, bater uma ou outra foto e ir embora. Dá para compreender, principalmente depois que a gente vê o resultado dos arroubos dos fãs na sepultura do roqueiro.

Morrison disputa com Oscar Wilde (enterrado sob essa figura meio egípcia) não só o título de habitante da tumba mais concorrida do Père Lachaise, mas também o de jazigo com mais marcas de batom.


É engraçado que alguém queira manifestar assim o seu amor. Afinal, teoricamente, o que se beija não é a boca de Morrison, nem a mão de Wilde, mas uma parede de mármore, né não?

Bom, não. De alguma forma bizarra, os ídolos mortos acabam se materializando nas pedras dos sepulcros. Não tivessem as coisas essa carga simbólica, ninguém ia sair por aí metendo a boca naqueles túmulos cheios de bactérias. Também ninguém se ofenderia com aquele chute que o bispo deu na santa (mas isso é outra história).

Ok, vi o roqueiro e o escritor (ops). Da sepultura do Wilde até a entrada do cemitério, é necessário fazer uma caminhadinha. Perguntei-me por que não dar um alô a outras pessoas: Chopin, Edith Piaf, Sarah Bernhardt, Gertrude Stein, Maria Callas (a tumba é só para constar, já que as cinzas da cantora foram jogadas no Mar Egeu), Abelardo & Heloísa (pense novamente no ciclo de adubação-readubação repetido através dos anos) e por aí vai.


Tirei mais um milhão de fotos, da mesma forma que faria se essas pessoas estivessem na minha frente. É para isso que os turistas vão lá. A gente pode até assistir a um vídeo do Morrison no Youtube ou ouvir um disco inteiro de músicas da Piaf. Mas chegar perto do ídolo (ou o que foi feito dele) em sua versão material, carnal, dá uma emoção ao mesmo tempo estranha e intensa. Fora que ali nenhum astro ou estrela vai dar piti porque você, fã, está perto demais ou fotografando demais ou emocionando-se demais.

Essa história toda volta à cabeça nesses dias em que se conjectura sobre o funeral de Michael Jackson -- da mesma forma como se especulou sobre o artista enquanto ele viveu. Interessante ver como será essa despedida pública sem corpo (já que este será visto apenas no funeral reservado à família). O que ou quem os fãs tocarão e beijarão na falta de uma parede de mármore?

Update às 14h37: mudou tudo, minha gente. A cerimônia começou... e com MJ no meio do povo.

quinta-feira, julho 02, 2009

O dia em que circulei no Jet Set

Não sei se você pensa parecido, mas acho que o fato de certos estabelecimentos comerciais terem nomes em inglês (ou alguma tentativa linguística do gênero) faz com que eles pareçam muito mais toscos do que realmente são.

Lembre-se de todos os bares chamados Fulano's e de todas as boates chamadas Star Night (aqui em Brasília há ou havia uma) ou World Class e você saberá do que estou falando.

E de um restaurante chamado New Jet Set, o que dizer?

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Ele existe, fica em Paris e é sensacional -- um pouco pelo serviço atencioso, mais um tanto pela decoração, muito pela gastronomia e mais ainda pela quantidade inenarrável de personagens que frequentam o lugar.

Repare que não me refiro a pessoas: são personagens de verdade. Poderiam estar num filme francês metido a étnico, num conto escrito por um autor marginal, numa tese antropológica ou em todos esses veículos ao mesmo tempo.

A comida é toda baseada nas receitas vindas do Oriente Médio e tem um sabor responsa. Individualmente, os pratos são meio caros, mas dá para provar um pouco de cada coisa sem pagar muito. Basta escolher a opção do dia ou uma das combinações de entrada-prato principal, prato-sobremesa ou entrada-prato-sobremesa, que têm preços supervariáveis.

Escolhi a fórmula prato-sobremesa. Pedi cordeiro e fui muito, muito feliz. Mas fiquei mais contente ainda observando o resto da fauna. Achei incrível a quantidade de tempo que eles passavam por lá, ainda mais num meio de tarde de um dia de semana.

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Entre os homens, havia uns executivos aqui, uns caras com jeito de trabalhadores-autônomos-posudos acolá e uns tipos com um jeito mafiosíssimo (pense em barrigões de prosperidade alojados em camisas de manga curta, bigodões e colarzões de ouro).

Entre as mulheres, umas moças lindas e classudas -- uma ou outra com uniforme de comissária de bordo -- e outras com um visual suspeitíssimo.

E o que todos eles faziam, afinal, num horário tradicionalmente morto para qualquer outro restaurante? Fiquei até com dificuldade de chutar. Alguns pareciam estar fechando negócios com os companheiros de mesa. Outros falavam no celular por minutos intermináveis. Outros tinham jeito de quem não estava fazendo nada além de tomar alguma coisa e fumar narguilé.

O New Jet Set tem isso: se você quiser, pode simplesmente chegar lá, sentar num sofazinho comprido no meio de outras pessoas, descolar um narguilé individual, fumar e ir embora. Não sei quanto custa.

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Já tinha acabado o almoço quando vi entrar uma moça de uns 30 anos, cabelo chanel laranja-cobre e calcinha laranja gigante aparecendo em cima do cós da calça jeans justa.

Ela fez menção de se sentar no sofá comprido reservado aos fumantes de narguilé, mas um homem bigodudo nos seus 50 anos disse a ela em francês:
- Você não pode se sentar aí. O lugar já está ocupado por outro senhor.

Rolou um começo de climão. Mas um dos garçons interveio rapidamente e avisou que o antigo ocupante do lugar já tinha ido embora e que, sim, ela podia se sentar.

Eu não quis ficar olhando muito. Paguei minha parte da conta, observei a rua um pouco e, 10 minutos depois, o senhor "você não pode se sentar aí" e a mulher de calcinha laranja estavam cada um com seu narguilé e no maior tête-à-tête. Davam risinhos como se fossem conhecidos de muito tempo.

Gosto de pensar que as demonstrações de intimidade louca e instantânea entre os dois não acabaram por ali.

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NEW JET SET
Rue Washington, 14 -- 75008, Paris.

quarta-feira, junho 24, 2009

domingo, maio 24, 2009

A feira e a teve de cachorro

Existe em Paris um programao superturístico que, contraditoriamente, é frequentado por bem poucos turistas: a feira de quarta e de sábado de manha na Avenida Presidente Wilson, no décimo sexto distrito (metro: Iéna, linha 9), um dos mais bacanudos da cidade.


Quem chega cedo tem a oportunidade de saber se se emociona com gastronomia ou nao. Eu me emociono muito. Ver vegetais lindos, carnes de todos os tipos, pates diversos, paes, doces daqui, de Portugal e do mundo árabe e delícias da culinaria espanhola, entre outras coisas, é um absurdo, dá vontade de levar tudo.


Ainda dá para se divertir com as mocas de peruca loira que pedem $$ para a Cruz Vermelha da Franca e com uma versao turbinada de frango assado. Sabe frango assado de padaria, televisao de cachorro, e tal? Pois entao... na feira da Presidente Wilson, a teve de cachorro é de plasma ou LCD (voce escolhe), de 58 polegadas, blu-ray embutido, essas coisas.

As cocós giram no espeto e, enquanto isso, a gordura que pinga vai regando umas batatinhas pequenas que ficam por lá assando. Gente, eu provei o frango e as batatas. É bom pacas.

Quem fala frances bem e chega tarde (a feira acaba la pelas 13h) ainda tem a oportunidade de treinar o idioma ouvindo os vendedores se esgoelando para vender a xepa. Dizem que é engracadíssimo.

Mas antes disso dá para ouvir aquelas coisas típicas de feira. Com o meu frances bizarre consegui entender a seguinte frase, maliciosamente dita por um rapazinho que enchia a sacola de frutas para a cliente:
- Voce sabe que ninguém te serve como eu...

O mais legal é que a compradora era bem velhinha e se divertiu até com o gracejo.

sexta-feira, maio 22, 2009

Vendo suas coisas no eBay

Quem viu o filme O Virgem de 40 Anos (uma das minhas comédias recentes preferidas) com certeza se lembra que a personagem da Catherine Keener (a namorada do virgem em questao) tinha uma loja chamada I Sell Your Stuff on eBay (ou Vendo suas Coisas no eBay).

O simples nome do tal estabelecimento é um elemento totalmente surreal, bobinho e gostoso e da origem a um dos muitos diálogos inacreditáveis da comedia. Algo do tipo (abre aspas) por que diabos alguem montaria uma loja para vender em um lugar onde ninguem precisa de intermediarios? (fecha aspas).

Sempre achei que a existencia de um lugar assim fosse so piada de filme ate que vi hoje, mais cedo, aqui na Avenue Mozart, em Paris, uma loja chamada... Vendo suas Coisas no eBay (em frances, claro, mas esqueci como ficava o nome traduzido). Serio, gente. Tirei fotos para comprovar e tudo. Nao vai dar para subi-la hoje, mas juro que farei isso assim que puder.



Nao eh fantastico isso?

Como ja passava das 20h, o ponto ja estava fechado e nao deu para investigar. Mas se abrir amanha e os donos nao tiverem uma cara muito ranzinza, vou dar um jeito de conversar com eles.

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A teve francesa tem um canal chamado Zen. A programacao consiste basicamente em imagens de lugares incriveis, tipo a Ilha de S. Bartolomeu (no Caribe, acho) e barulhinhos relaxantes, como o de agua.

Descobrir essas coisas eh bom demais.