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sábado, janeiro 09, 2010

Gírias idosas, etc. (parte 2)

Ainda tem mais...

Antes era: mamãe, posso ir?
Agora é: véiaaaa, fui!!!

Antes era: legal, bacana
Agora é: manero, irado

Antes era: mulher de vida fácil
Agora é: garota de programa

Antes era: legal o negócio
Agora é: xapado o bagúio

Antes era: cansaço
Agora é: estresse

Antes era: desculpe
Agora é: foi mal

Antes era: oi, tudo bem?
Agora é: e aê, belê?

Antes era: ficou chateada
Agora é: ficou bolada

Antes era: médico de senhoras
Agora é: ginéco

Antes era: super legal
Agora é: irado

Antes era: primário e ginásio
Agora é: ensino fundamental

Antes era: preste atenção
Agora é: se liga na bagaça

Antes era: por favor
Agora é: quebra essa

Antes era: recreio
Agora é: intervalo

Antes era: radinho de pilhas
Agora é: ipod

Antes era: manequim
Agora é: modelo e atriz

Antes era: retrato
Agora é: foto

Antes era: jardineira
Agora é: macacão

Antes era: mentira
Agora é: caô

Antes era: saquei
Agora é: tô ligado

Antes era: entendeu?
Agora é: copiou?

Antes era: gafe
Agora é: mico

Antes era: fofoca
Agora é: babado

Antes era: ha ha ha
Agora é: uhauhauhauha

Antes era : fotocópia
Agora é: xerox

Antes era: brilho labial
Agora é: gloss

Antes era: bola ao cesto
Agora é: basquete

Antes era: folhinha
Agora é: calendário

Antes era: empregada doméstica
Agora é: secretária do lar

Antes era: faxineira
Agora é: diarista

Antes era: vou verificar
Agora é: vou estar verificando

Antes era: madureza
Agora é: supletivo

Antes era: vidro fumê
Agora é: insulfilm

Antes era: posso te ligar?
Agora é: posso te add?

Antes era: tingir uma roupa
Agora é: customizar

Antes era: dar no pé
Agora é: vazar

Antes era: embrulho
Agora é: pacote

Antes era: lycra
Agora é: stretch

Antes era: tristeza
Agora é: deprê

Antes era: beque
Agora é: zagueiro

Antes era: rádio patrulha
Agora é: viatura

Antes era: atlético
Agora é: sarado

Antes era: peituda
Agora é: siliconada

Antes era: professor de ginástica
Agora é: personal trainer

Antes era : quadro negro
Agora é: lousa

Antes era: babosa
Agora é: aloe vera

Antes era: lepra
Agora é: hanseníase

Antes era: Ave Maria!!!
Agora é: Afffff!!

Antes era: caramba
Agora é: caraca

Antes era: namoro
Agora é: pegação

Antes era: laquê
Agora é: spray

Antes era: de montão
Agora é: pracarai !!!

Antes era: derrame
Agora é: AVC

Antes era: chapa dos pulmões
Agora é: raio-x de tórax

Antes era: sua bênção, papai
Agora é: "Qualé", coroa?

Antes era: você tem certeza?
Agora é: fala sério aê!

Antes era: banha
Agora é: gordura localizada

Antes era: casa de fundos
Agora é: edícula

Antes era: bar no final do expediente
Agora é: happy hour

Antes era: costureira
Agora é: estilista!

Antes era: professora
Agora é: tia, prof

Antes era: aquele senhor
Agora é: aquele tiozinho

Antes era: Bela bunda!
Agora é: Que popozão!

Antes era: Olha o barulho!
Agora é: Ó o auê aí, ô!

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Gírias idosas, etc.

Recebi esse texto agora há pouco, por e-mail, e publico aqui por dois motivos:
1) É divertido pacas;
2) Tô sem tempo de escrever agora, embora tenha um monte de idéias.
Como ele é meio grandinho, dividi em duas partes. A outra vai ao ar amanhã.

Algumas mudanças... dos anos 70 para os dias de hoje:

Antes era: creme rinse
Agora é: Condicionador

Antes era: obrigado
Agora é: valeu

Antes era: é complicado
Agora é: é foda

Antes era: collant
Agora é: body

Antes era: rouge
Agora é: blush

Antes era: ancião e coroa
Agora é: Véi

Antes era: bailinho e discoteca
Agora é: balada

Antes era: japona
Agora é: jaqueta

Antes era: nos bastidores
Agora é: making off

Antes era: cafona
Agora é: brega

Antes era : programa de entrevistas
Agora é: talk-show

Antes era: reclame
Agora é: propaganda

Antes era: calça cocota
Agora é: calça cintura baixa

Antes era: flertar, paquerar
Agora é: dar mole

Antes era: oi, olá, como vai?
Agora é: e aê?

Antes era: cópia, imitação
Agora é: genérico

Antes era: curtir, zoar
Agora é: causar

quinta-feira, junho 04, 2009

Com voces, o editor de pães

Descobri que na França ninguém é simplesmente padeiro, doceiro, queijeiro, chocolateiro, açougueiro ou criador de casacos de pele.

Como assim?

Simples, ora: bote na frente de cada métier mencionado acima as palavras "artesão" ou "artista" e você descobrirá o que esses profissionais realmente fazem. Perdi as contas de quantos letreiros com os dizeres artisan boulanger (padeiro), artisan chocolatier, artisan boucher (açougueiro) e outros vi por aqui desde que cheguei.

Perto de onde estou, tem até um artisan fourrier, que nada mais é do que um sujeito que faz e conserta casacos de pele. Chiqueza ou tiraçao de onda? Vou deixar para voce decidir.

Numa cidade onde todo mundo compete para ver quem vende mais chocolates, pães, queijos e outras delícias, não basta fazer o pão mais macio, o queijo mais degenerado ou o chocolate mais delicado. Também é preciso mostrar a todos quem é capaz de elevar a producao de qualquer coisa a um nível próximo do êxtase.

Tem gente que vai mais além na criacao de formas para deixar as profissoes mais glamourentas.

Um artista chocolateiro pode se cansar da denominacao e decidir que ele é um "inventor de ideias em chocolate".

Tambem perto daqui ha um florista que se define como "criador em vegetais".

O melhor caso de todos, no entanto, e o da padaria que fica em frente a floricultura (ops, espaco de criacao em vegetais). É o do "editor de pães bio". Tenho fotos comprovando que realmente vi isso.


Bio, aliás, é outra palavra que anda super na moda por aqui. É bio pra cá, bio pra lá, uma loucura.
É uma dessas palavras que podem significar tudo ou nada, sabe?

Normalmente, designa alguma coisa produzida de forma organica, sem agrotóxicos ou substancias prejudiciais a natureza. E, de preferencia, vendida pelo sistema de comércio justo (ou fair trade ou commerce équitable), de forma a promover uma vida melhor entre aqueles que nao deram a sorte de nascerem franceses e chiques.

Existem queijos bio, cosméticos bio, camisetas bio, bolsas bio e o que mais voce imaginar.

A adicao da palavra bio também pode ser só uma forma de deixar um produto qualquer (mesmo que ele nao tenha as qualidades que descrevi acima) 2000% mais caro que sua versao normal. Mas nao vou botar isso em discussao.

Prefiro fazer como meu amigo que diz que "bio", na verdade, é apenas uma sigla para "biodegradável". É bem mais divertido.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

My first poem


Poesias nunca foram muito a minha praia. Lê-las me desconcentra (bizarro, eu sei). Escrevê-las, pior ainda. Mas ler e ouvir essa, digamos, jam poética me empolgou. Resolvi fazer um dever de casa respondendo com versos à pergunta "What does love mean to you?". E resolvi colocar na internet sem correção e sem censura, na marra mesmo, da mesma forma que um pai faria ao jogar uma criança na água para ensiná-la (?) a nadar. Espero que gostem.

I’m hopeless.
For the last three days, I tried to find a concept for what love is
And now I feel hopeless.
I searched within my heart for strong words,
For precise sentences and noble verses,
And all I found were cheap definitions.

What should I do?
Should I flee?
Should I not hand my English homework
To my teacher, who trusted me
And carefully chose this heart-related theme
For my weekly writing assignment?
No. That would be so ignoble of me.

Instead, I will seek for the yet deeper in me,
Carve until I discover the abyssal, the immeasurable,
I will dig, and sweat, and bleed, if necessary,
To finally find the answer.

Oh, I think I found something.
Looks like a DNA strip.
Well, it’s a DNA strip, indeed.
Shall we take a look at it?
I recognize myself in each and every allele.
There you are: blond hair, green eyes,
Hammer-shaped foot toes, and, amazing,
I see everyone I treasure the most
Engraved in my DNA strips.

Why do I love them?
I found out: I can’t define it with mere words.
Do I adore mom because she’s warm?
And how about my significant other? Why?
Because of the combination of biological signs
That take over my body whenever I see them,
Hear them, hug them? I don’t know.
All I know is that those people are precious
Pieces of information written in my very inside.
I won’t try to understand the rest of it:
That would be an effort in vain.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Não

Em mil ocasiões, eu li teorias (todas opinativas e nada científicas, é bom avisar) sobre a incapacidade dos brasileiros de dizer não. Segundo os tais textos, nossa reação varia entre enrolar (falar que sim, mas depois apresentar uma desculpa qualquer para desistir), dar um perdido (por exemplo, prometer que vai ligar e, depois, nunca mais fazê-lo) ou deixar a coisa no ar (“vamos ver” é uma frase ótima para isso). Até para isso nossa famosa criatividade nos ajuda: supostamente, sabemos vetar, por limites ou manifestar nosso desinteresse sem causar mágoas imediatas ou passar por malvados.

O curioso é que, recentemente, me dei conta de que tem muita gente, cada vez mais gente, aliás, dizendo “não”. Mais estranho ainda: a palavra nunca é usada no sentido para o qual ela existe. Essa é a definição do Houaiss: “Advérbio. Expressa negação como recusa absoluta a uma pergunta ou resposta; como recusa qualificada às situações anteriores; como contestação seguida de nova versão à pergunta ou resposta”. Não para por aí. Recomendo que deem uma olhada no dicionário para ver o texto completo, com exemplos e tal.

O “não” tal qual eu tenho ouvido por aí virou uma bizarra muleta de linguagem. Uma introdução a qualquer frase. Para usar uma definição nerd, se incorporou à função fática da comunicação (vejam aqui um texto simplinho sobre o assunto). Passou a ser usado mais ou menos da forma como os americanos usam o “It’s like”, e os franceses, o “Pffffffff” (pense num francês mal-humorado bufando). Não sei se é um comportamento brasileiro ou puramente brasiliense. Quem é de outras cidades pode dar uma opinião lá nos comentários. Observem e me digam.

No último sábado, quando já estava com vontade de escrever sobre isso, achei o exemplo ideal – até para mostrar que esse uso torto do “não” pode causar sobrancelhas levantadas, mal-entendidos, etc. Estava numa sorveteria perto de casa com uma galera. Como ainda ia chegar mais uma pessoa e ela não teria onde se sentar, minha amiga pediu uma à moça da mesa ao lado. A resposta:

- Não... Pode sim, claro!

Em um milésimo de segundo, minha companheira de mesa abriu um olhão como quem estivesse tentando entender se ia ou não conseguir a tal cadeira.

Senão vejamos: a jovem do nosso lado era uma louca, esquizofrênica e contraditória? Quereria ela sacanear gratuitamente a minha amiga? A entonação da primeira palavra era completamente diferente do resto da frase para tentar comprovar alguma das questões anteriores? Negativo para as três perguntas. O “não” estava mesmo deslocado do resto da fala. A maior prova disso é que a moça nos cedeu rapidinho a cadeira.

Tenho vários outros exemplos que vou ouvindo no trabalho e em conversas outras, mas vou usar só esse mesmo para o texto não ficar muito grande (são quase 2 da madrugada e amanhã preciso acordar cedo). Acho que me fiz entender.

Seria esse um vício de linguagem dos novos tempos? Um substituto light à feiura do gerundismo (“Não vai estar dando para estar rolando”, etc.) que se infiltrou na língua nacional por meio dos manuais de telemarketing? Um novo motivo para os nossos estudiosos escreverem textos e mais textos? Por enquanto, fico com uma resposta supostamente à brasileira: veremos. Agora, preciso dormir.