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segunda-feira, janeiro 24, 2011

Não recomendado para quem odeia aranhas

As nuvens se avolumam no céu, e uma chuva de aranhas parece cair de lá de cima.
Apocalipse? Não. Coisas dessa vida no cerrado.

Elas se sustentavam numa teia quase invisível que se armou havia dias no Parque Olhos d'Água, na Asa Norte, aqui em Brasília. Fui para lá no fim de semana e, felizmente, estava com a câmera.

Com uns oito metros de largura, a teia começava na grama e só terminava um pouco acima do poste. Claro que todo mundo parava pra olhar.

Tirei um monte de fotos, mas, entre um clique e outro, tinha que dar uma espanada básica (quem estava em volta fazia o mesmo). Vai que um bicho desses cai nas nossas cabeças? Eca!

Não consegui encontrar quem me explicasse o como, o quando e o porquê delas (venenosas ou não? Também não sei) terem montado essa parede quase invisível -- e possivelmente perigosa. Pior: voltei lá hoje e a teia não existia mais. Vou ficar devendo essa explicação para mim e para o leitor. Triste.

O parque tem dessas aparições. Palavra de quem já viu galinha d'angola, perus e até um coelho cinza enorme, gordíssimo, dando uma banda por ali.

domingo, janeiro 09, 2011

Lado de dentro

Esta semana, olhei para fora e, na contraluz, as asas desse inseto pareciam uma renda.
Fiz a foto em PB para dar uma idéia do que vi. Mas não é a mesma coisa.

sábado, novembro 20, 2010

Lourão

A gente sabe que os bichos estão ficando velhinhos quando o pêlo original vai sendo aos poucos substituído por um de cor branca, certo?

Pois o labrador amarelo que parou bem na minha frente no café tinha o rosto todo claro, como se tivesse mergulhado em giz.

Entrado em anos, mas serelepe, mais ou menos como os bípedes que circulam ali entre Copacabana e o Leme. Quem conhece bem o Rio sabe do que estou falando. ;-)

Coisa linda de meu deuzi!

Fez das pedras portuguesas molhadas -- e cheias de gente -- a sua cama. Ao mesmo tempo, não parou quieto: levantou e abanou o rabão para crianças e adultos que passassem por ali para fazer um afago.

Deve ter ficado ali quase 10 minutos, completamente na sua, até que a dona (uma moça bronzeada e de cabelos aloirados, com a barriga pulando entre a calça jeans e o casaco justos) veio, chamando-o no falso inglês relax dos surfistas:

- E aí, Lourão? Vamo lá?

E Lourão, que não é mané, foi, claro.

terça-feira, novembro 16, 2010

Caninos

Sentar-se num café num dia de chuva, numa mesa bem em frente à rua, para olhar o movimento enquanto se toma um capuccino quentinho pode ser uma coisa espetacular quando se está numa cidade tipo Paris ou Buenos Aires.

E no Rio de Janeiro, é bom? Talvez... mas não é bem o que eu esperava fazer na manhã de sábado que passei lá.

Rio pede biquíni, e não blazer preto. Pede protetor solar FPS 50, chá mate gelado e bixxxxxcoito Globo! U-hu!

Mas, se a vida me deu um capuccino, e ele ainda por cima é quente, docinho e em grande quantidade, vou fazer cara de nojinho? Lógico que não.

Na frente do meu café tinha uma fila enorme formada por gente querendo apostar na Mega-Sena. Taí: observar os cariocas e sua vida de bairro é muito bom. Não tem nada a ver com o meu cotidiano daqui, de modo que qualquer movimento de cena se torna delicioso.

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Em dois momentos, pararam os pets mais diametralmente opostos do universo: aquele que vou chamar de A Chihuahua Preta Mais Marrenta do Mundo (ou CPMM, para facilitar os trabalhos) e o labrador velhinho mais serelepe da face da Terra, que vai ganhar um post só para ele.

CPMM é um desses bichos inadequados para a vida em sociedade: não pode ver nada que não seja a própria a dona, pois começa a latir de forma ensandecida enquanto mostra os minicaninos afiados.

Ela tem algo de ridículo, pois, embora seja um limão em forma de cachorro, desfila pelo Rio com lacinhos e roupinha de retalhos florais por cima da coleira peitoral.

E a cada vez que ela late, a dona (que exibe um cabelo chanel escovado em forma de capacete) levanta-a pela coleira, transformando CPMM em um cão voador.

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O estado de marra da dita cuja ficou ainda pior quando um menino de uns 8 anos, muito bonitinho, se aproximou querendo brincar.

Vamos deixar claro, em primeiro lugar, que a brincadeira dele não era muito inteligente: consistia em apontar dois dedos em direção à bichinha, como se quisesse furar seus olhos.

Pressentindo que o negócio ia dar merda, a dona da CPMM a fez dar um último voo espetacular em direção ao seu colo. Segundos depois, a mulher abaixou o rosto e deixou a mostra os olhos por trás dos óculos estilo Jackie Onassis.

Lentamente, e com um sotaque carioca muito forte, a dona disse:

- Ela morrrrrrrrrrrde.

Preciso dizer que o moleque saiu chutado?

domingo, novembro 07, 2010

Retratos da preguiça

Esse negócio de escrever é muito legal, mas dá trabalho e nem sempre rende a audiência que a gente quer. Por outro lado, jogar uns cachorrinhos fofos no blog não representa esforço nenhum e ainda ajuda a aumentar o número de page views. Hehehe.


Essa é a Puga, a (preciso dizer?) pug de uma amiga de adolescência. Fui visitá-la hoje e reparei o quanto a bichinha se confunde com o sofá. Não só porque pelo e tecido são parecidos (ambos beges e enrugados), mas também porque a Puga adora esse canto da casa.

Curiosamente, há uns seis meses, Puga andava bem diferente, numa fase supertarada. Era só ver o macho que lhe faz companhia que ela ia lá e... créu! Montava mesmo. E ele ficava puto. Devo dizer que ri um monte vendo essas cenas.

Com o tempo, ela deve ter visto que esse negócio de correr atrás de homem é muito complicado. Às vezes, um soninho de beleza faz mais pela gente. ;-)

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Como é bom ter zoom


Cara, nem acredito que consegui fazer essa foto. Rolou durante um aniversário de criança aqui em BSB. Tive que entoar aquele mantra básico (fica aí, fica aí, fica aí...) para que a bichinha permanecesse no galho enquanto clicava.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

A vida é dura, mano

Meu povo, tô trabalhando loucamente neste fim de ano -- de modo que não vou conseguir fazer muitos posts grandes.

Por ora, deixo aqui dois cachorrinhos bogotanos para ver se a audiência se diverte. ;-)

Vi os bichinhos em Usaquén, bairro onde rola um mercado das pulgas superlegal aos domingos.

Aliás, pulgas, cachorros... vontade de fazer um trocadilho infame...

quarta-feira, setembro 09, 2009

Bicho verde



Bichinho de lâmpada verde, vocês já tinham visto? Eu, nunca.
Esse, como tantos outros, escolheu o meu lar, doce lar para dar seu último suspiro de inseto.

domingo, abril 19, 2009

Macro


Devo ter sido entomologista ou cão de caça numa vida passada, porque adoro observar um inseto. Esse aí pousou na sala daqui de casa e ficou assim o dia inteiro. Achei até que ele tivesse escolhido essa parede para morrer (acontece muito). À noite, começou a voar igual um doido, até ficar de saco cheio e parar perto da tela da tevê. Depois disso, não sei o que aconteceu com ele, pois tenho mais o que fazer da vida. Hehehe.

quarta-feira, abril 08, 2009

Experimentos - parte 2

Nina e Suri provavelmente estão entre as coisas mais fofas e apertáveis da face da Terra. Só não são AS mais porque: 1) Meu coração é e sempre será de Frida, da família I am Evil; 2) Ambas, apesar de fofas, são algo frenéticas; é meio difícil inseri-las num ambiente com mini-seres humanos, como o do churrasco que rolou no último domingo. Ainda assim, elas merecem ser fotografadas -- e muito.

Nina começou a sessão de fotos quietinha. Suri, então, nem se fala.

Como boa coa :-) que é, Nina ficou atiçada ao ver e ouvir os movimentos e barulhos da câmera. Suri ficou atiçada ao ver que Nina começara a latir.

É frenesi à beça, minha gente!

Normalmente, não gosto de fotos com mãos supostamente não-identificadas aparecendo. Mas nesse caso é legal... reparem à esquerda uma parte da mão do dono. Isso explica por que elas sossegaram na hora...

E fizeram até um certo dengo depois.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Observação entomológica número 1


Duas fotos que tirei lá em casa num dia de bobeira me fizeram pensar (num momento de mais bobeira ainda, é claro) sobre quem teria a existência mais dramática: os insetos que voam em volta das lâmpadas ou a cigarra da fábula de La Fontaine. Não sei de quem sinto mais pena.
A cigarra, como o autor faz questão de deixar claro, é uma louca irresponsável que, depois de não guardar comida para o inverno, ainda se humilha diante da formiga e definha aos poucos, até morrer. Já os bichinhos não precisam pensar em estoque. Devem se abastecer com micróbios coletados em qualquer lugar.

Os insetos da luz passam por um processo de auto-destruição que me faz lembrar de todos os casos de pessoas que já se acabaram em raves porque o ecstasy não bateu bem. Pelo menos na minha casa, eles vivem uma noite só. Chegam, voam, voam e voam desesperadamente, da mesma forma que alguém tomado pela droga dança, dança, dança e surta de calor. Na manhã seguinte, os insetos (assim como os que sucumbem aos comprimidinhos) estão estatelados no chão, murchos da silva, completamente ferrados, com as asas ressecadas pelo sol. Ao menos, morreram fazendo o que sabiam, e não pedindo clemência — é o que gosto de pensar.

Esteticamente falando, os voadores da lâmpada não só não causam nenhum asco como são muito mais legais. Eu não tinha a menor noção disso até o dia em que encontrei o espécime da foto, com umas manchas brancas incríveis na parte de baixo. Aproveitei que ele já estava morto mesmo e fiquei horas reparando nele. Só senti falta de um microscópio.

Depois dessa observação, pensei, medi, pesei. Contra si, os insetos da lâmpada apresentam apenas o fato de não terem um nome específico para eles. Naveguei no Google usando todas as palavras-chave que pude e não encontrei um link sequer capaz de me dizer que espécie é essa. Várias pessoas que conheço chamam-nas de bruxinhas, mas eu quero um nome apropriado, científico, pô. A cigarra da ficção até tem nome, mas sua feiúra e seu lento fim são incomparavelmente trágicos. Ô, vidinha mais fdp.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Kaput

Dora, minha faxineira, é uma moça morena, baixa e magrinha. E de modos algo reservados. Por esse motivo, soube que algo estava estranho quando, nas primeiras semanas de casa nova, abri a porta e ela me recebeu com um sorrisão:
- Que bom que você chegou!

Eu sorri de volta, mas a vontade era mesmo de levantar uma sobrancelha (ah, se eu conseguisse...).
- Está tudo bem? – perguntei.
- Na verdade, mais ou menos. Tem um morcego no seu escritório – ela devolveu.

Ai, meu Deus. Horror. Pânico. Desmaiar ali não era uma alternativa válida. Comecei a me perguntar: que tamanho teria o bicho? Ele estaria pendurado em uma das lâmpadas, como um vampiro de filme?

E levantei o principal questionamento de todos: por que esse tipo de coisa só acontece quando o homem da casa está a quilômetros de distância? Preciso dizer que, nesse dia e em vários outros, só recebi a visita de besouros cascudos, cigarras geneticamente modificadas e de uma única barata voadora quando meu amor estava longe (acabei com quase todos eles). Deve ser uma pegadinha do mundo animal.

Respirei fundo uma vez. Duas. Três. Decidi que ainda não estava preparada para fazer a caçadora de vampiros. Não dizem que os homens têm quatro milhões de neurônios, ou 30% de conexões a mais? É para isso que elas servem, pois: caçar baratas, besouros, cigarras e morcegos. Corri para o interfone. Preciso. De. Um. Homem. Agora.
- Oi, bom dia. É o seguinte: um morcego entrou aqui em casa e sujou o escritório inteiro. Você pode mandar alguém aqui para me ajudar a tirá-lo? – pedi ao porteiro. E, juro, a parte do cocô era de verdade. Não satisfeito em entrar, o bicho fez caquinha no chão do escritório.
- Claro. Já mando um funcionário aí – respondeu o moço da guarita.

Ele chegou dois minutos depois. Um pouco maior do que eu, forte, de poucas palavras e com jeito de quem acha esse negócio de animais nojentos e voadores uma pouca bobagem. Droga, não me lembro do nome do cara.
- Onde ele está?
- No escritório.

Abri a porta e varri o ambiente com os olhos para saber onde o bicho teria se escondido. Não estava pendurado em lugar nenhum. Finalmente achei:
- Ele está deitado no meio da fiação do computador – revelei. Fui depressa buscar luvas e um saco de lixo para o funcionário do bloco recolher o bat-mala.

O homem se agachou. Afastou a fiação com uma mão e, com a outra, agarrou o morcego. Nesse momento, quase pensei em desistir de tudo. Quase ignorei a caquinha espalhada pelo chão de cerâmica branca e deixei-o completar seu sono.
O bicho esticou o pescoço e contraiu os músculos da face para fazer uma cara de sofrimento praticamente humana. Ele entreabriu os olhos e, com dificuldade, murmurou algo em alemão. Não entendi nada. Mein deutsch ist kaput.
- Ponho ele de volta? – quis saber o funcionário, diante da bizarra tentativa de comunicação.
- Não, pode levar embora – sentenciei.

Agradeci ao moço e corri à comercial. Precisava providenciar trajes espaciais, revestidos com chumbo, para que Dora pudesse limpar aquela caca toda sem nenhum risco de contaminação.

Será sempre um mistério o que aquele morcego tentou me dizer naquela manhã luminosa de abril.

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Não sei se o blog vai voltar. Não sei se terei inspiração para tocar um blog como fazia antes. O que importa é que acordei hoje com a veia e resolvi escrever. Fica o registro. Beijos.