domingo, novembro 28, 2010

Plaza Cagancha

A Praca Cagancha, em Montevideo, tem um mercadinho de artesanato bacanerrimo, mas nao é dele que vou falar. Nao agora...

O lugar serve também como uma espécie de salao de baile ao ar livre para uma série de senhorinhas e sinhozinhos uruguaios. Muito legal. Nao sei se o esquema rola só aos sábados, nem se existe sempre, mas, enfim, aconteceu hoje.

Quando deu fim de tarde por aqui, já havia uma fila enorme de velhinhos sentados em cadeiras de praia (uma colada na outra) de um lado, e um equipamento de som enorme do outro, bem na frente da estacao de metro.

Achei inicialmente que o som fosse para algum espetáculo de artistas de rua, como vemos em Buenos Aires, mas ali o esquema era diferente. Balada pública, no meio da galera, para quem quisesse ver e participar!

O astro da festa era um senhor de terno branco, que apelidei internamente de Carlos Elias do tango. Para quem nao é de Brasília, uma referencia rápida: Carlos Elias é uma figura que frequenta TODAS as rodas de samba da capital federal e danca com TODAS as mocas, a noite inteira -- é inclusive disputado por elas.

Para honrar seu apelido, ele dancou com cada uma das mocoilas das cadeiras. Mas fez um par especialmente interessante com uma senhora de cabelos curtos e vermelhos, blusa preta e rosa branca no colo.

Os dois dancaram superbem -- nada supera o tango dancado pela gente comum, que nao vive de palco nem de gorjeta, comprovei --, mas tem um negocio que vai além disso.

Nunca vou saber se os dois eram namorados ou algo do genero, mas rolou uma sensualidade fortíssima ali, química mesmo, e nada grosseira, que me fez pensar no quanto essas coisas desconhecem barreiras.

Me lembrei ainda que o tango, na origem, lá pelos anos 20 ou 30 do século passado, era algo vetado às mocinhas mais castas. Faz sentido.

Fiquei um tempao observando e fotografando o baile até que precisei voltar pro hotel pra descansar e dar um jeito no picumán (hehe) antes de ir ao Teatro Solís (vi uma peca superlegal, chamada Los de Siempre, adaptacao de um autor uruguaio).

Saindo do hotel, no caminho do teatro, uma hora e pouco depois, o baile continuava a mil.

Mais uma vez, o velhinho de terno branco e sua parceira ruiva davam show en la Plaza Cagancha.

2 comentários:

SM disse...

Oi Mari!

Sempre viajando e vivenciando a essência de cada lugar de uma forma encantadora!...Pelo menos é o que nos transmite através das suas descrições! :) E, assim bem rapidinho, lhe conto que vou passar 6 meses nesse país lindo e maravilhoso que é o Brasil!!! Bora lá encontrar-nos para uma bela sessão fotográfica? :) Deixo-lhe o meu contacto para combinarmos isso ;)

Mil beijos

(silviamartins80@gmail.com)

Nira disse...

Algum lugar da região norte, querida!rsrsrs