segunda-feira, maio 04, 2009

Interpretações tortas

Certos versos da música popular brasileira -- de duas músicas em especial -- me fazem pensar em coisas totalmente absurdas. Me lembrei dessa história porque o Globo Online vem promovendo uma enquete para descobrir qual a canção de Roberto Carlos preferida pelos internautas. No momento em que comecei a escrever este post, Detalhes estava em primeiro lugar -- e a considero de uma ambiguidade estranha. Vou colar trechos abaixo e tentar explicar depois. A versão completa está aqui.

Não adianta nem tentar
Me esquecer
Durante muito tempo
Em sua vida
Eu vou viver...

Detalhes tão pequenos
De nós dois
São coisas muito grandes
Pra esquecer
E a toda hora vão
Estar presentes
Você vai ver...

(...)

Eu sei que um outro

Deve estar falando
Ao seu ouvido
Palavras de amor
Como eu falei
Mas eu duvido!
Duvido que ele tenha
Tanto amor
E até os erros
Do meu português ruim
E nessa hora você vai
Lembrar de mim...

A noite envolvida
No silêncio do seu quarto
Antes de dormir você procura
O meu retrato
Mas da moldura não sou eu
Quem lhe sorri
Mas você vê o meu sorriso
Mesmo assim
E tudo isso vai fazer você
Lembrar de mim...

(...)


Esses versos, que encantaram gerações de românticos ao longo das últimas décadas, me fazem pensar numa figura totalmente diferente da retratada na canção. Originalmente, eles descrevem um cara limpinho (fãs, foi mal, RC não é e nunca foi bonito), muito apaixonado e simplório.

Na minha cabeça, as palavras se materializam na forma de um cara meio bonito meio com cara de louco, a depender do ângulo em que olhamos para ele. Além de visualmente bizarro, o mancebo persegue a mocinha como num daqueles filmes do Supercine. Escreve bilhetes e deixa mensagens lacônicas na secretária eletrônica da guria ("Não adianta nem tentar me esquecer... por muito tempo em sua vida eu vou viver" é o que ele diz, claro). E ainda por cima fala e escreve supererrado! Não sabe usar o infinitivo, erra concordâncias e é dado a escrever um e-mail aXiM. Pesadelo total. A menina, de tão paranoica, começa a ver o rosto do cara mesmo quando ele não está presente. E ora o rosto sorri, ora ele se mexe de modo estranho, como naquelas películas de casas mal-assombradas.

De modo que quando os acordes iniciais de Detalhes tocam no rádio ou na tevê, eu os ouço não por achar RC o máximo, mas porque quero terminar de construir na mente esse personagem algo assustador.

Outra música que interpreto de forma torta é Segredos, de Frejat, a cujo lindo clipe você assiste aqui. Preste atenção no refrão. Os versos estão abaixo.

Procuro um amor
Que seja bom prá mim
Vou procurar
Eu vou até o fim
E eu vou tratá-la bem
Pra que ela não tenha medo
Quando começar a conhecer
Os meus segredos

Os versos em negrito me dão uma vontadinha de me abrir em gargalhadas toda vez que os ouço. Dá para imaginar logo numa pessoa que vai tratar a outra bem para que ela não fique chocada quando souber que o namorado faz algo como dormir de camisola de renda preta ou usar chinelos de pompom grená, como o personagem do conto O Dia da Amante, do Luis Fernando Veríssimo, sabe como é? Sorry, Frejat, mas é involuntário, mais forte do que eu. E acho que isso não é totalmente absurdo, porque já compartilhei essa tese com uma pessoa e nós passamos mal de rir.

Antes de terminar este post, só gostaria de dizer... não, eu não uso drogas. E sim, sou normal. Apenas um caso de imaginação fértil.

12 comentários:

Anônimo disse...

Essa música do Frejat sempre me incomodou! O cara armando arapuca pra alguma desavisada e ainda posando de bom moço.
Depois de assistir o clipe passei a associar a música ao filme A Noiva Cadáver, pois acho ambos meio macabros.

solin disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

sempre é bom ver as coisas dos vários ângulos existentes.
sempre

kkkkkkk

solin disse...

Mari, tu viu um e-mail que eu te mandei falando sobre os videos dos meus gatos??

Mayra disse...

nossa, que medo. total supercine, ambas as músicas. se bem que a do frejat me lembrou ainda outro conto do verissimo, aquele em que o rapaz, na noite de núpcias, confessa pra esposa que é um defenestrador, ao que ela responde com um "tudo bem, amor, agora a gente pode fazer de tudo" (ou coisa parecida).

Mel de Cajá disse...

Quando descobri seu blog achei muito legal, então fiquei com vontade de acompanhá-lo.
Vc colocou lá : Sigam-me os bons.
Eu sou boa em gostar do que é bom, serve?

RC disse...

Obrigado pela parte que me toca... Hahuauhuahau

Mari Ceratti disse...

Anônimo: agora vc também vai poder dizer que a letra passa mensagens tortas. hehehehehe

Solin: eu vi os seus gatos!!! Aquele vídeo c/a música da Amy é tudo. Preciso comentar lá, inclusive.

Mayra: aaaah, eu conheço esse conto. Verissimo é o cara.

Mel: bem-vinda! Vou passar lá no seu blog para ver como é.

RC: eu sei que o seu RC não é de Roberto Carlos... e também o que vc fez no verão passado. rsrsrsrs

Mauro disse...

muito foda sua forma de interpretar... as vezes tb tenho umas viagens assim, mas as suas estão demais...
raxei aki

Arlindo000 disse...

Obrigado por comentar no meu blog,otimo post xD

estou seguindo seu blog,vou indicalo em meu blog porque seu blog é variado e trata de tudo xD

Gabriel Messias disse...

kkkkkkkkkkk... interessante uma coisa inofensiva que se torna uma coisa meio estranha vista de outros angulos e outros olhares.. hehehe

Silvia disse...

Não é que é verdade??? Algumas músicas se analisadas nos levam a reflexão, por exemplo o verso da canção do Sidney Magal "Se te agarro com outro te mato, te mando algumas flores e depois escapo..." - Parece um ex-marido/namorado rancoroso que ameaça a mulher sabendo que não haverá punição. Ou as palavras da marchinha de carnaval " O teu cabelo não nega mulata... mas como a cor não pega mulata, mulata eu quero o seu amor ..." Racista e politicamente incorretas.

Mari Ceratti disse...

E a galera ainda dança ao som dessas músicas!!! Inacreditável.
Aliás, se a gente for parar para pensar nas letras de várias músicas dançadas por aí, vai achar muitos outros lixos.