sábado, janeiro 16, 2010

Kebab com talheres e sem nojinho

Kebab, pra quem não conhece, é mais ou menos assim: um sanduíche de pão folha (parecido com pão sírio) enrolado de modo a caber várias coisas. Entre elas, carnes variadas cortadas em nacos bem grosseiros, vegetais variados, bolinhos fritos de grão-de-bico (falafel), etc.

A carne, vou dizer logo, vem de um espeto enorme, onde ela fica toda compactada. (Já sei, alguns vão ficar com nojinho depois de ler isso, hehehe.)

Na Europa, kebab é sinônimo de comida de rua, gostosa, barata e nem sempre certificada pelas autoridades sanitárias. Uma daquelas coisas deliciosas que você deve comer com a mão e por sua conta e risco, sabe?

Mas, do lado de cá do Equador (ou pelo menos aqui na capital brasileira), kebab virou lanchinho exótico e chique, numa prova de que nós, brasileiros, somos muito eficientes em avacalhar com a culinária alheia (hehehehe de novo). Já fizemos isso superbem ao criar a pizza de morango com chocolate, o crepe de rúcula com tomate seco e mussarela de búfala, o sushi de cream cheese com goiabada e outras coisas.

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Pues, acho que a moda de kebab está chegando aqui como um dia aterrissou em São Paulo. Já contabilizei três casas abertas no último ano. Duas delas (as que já conheço) abriram as portas bem recentemente.

A Sheikebab, na 103 Sul, onde funcionava o La Bússola, é simples. E, ao mesmo tempo, muito mais arrumada do que qualquer lojinha de kebab na França ou na Espanha. Dá até para comer kebab com garfo e faca, ora vejam! Mas o lugar respeita bastante a tradição das receitas árabes. As opções de carne não são muitas: boi, frango e cordeiro, e não se fala mais nisso. Ah, sim, existe também uma versão com falafel para quem não come carne. Uma saladinha básica completa o sanduíche. Para quem ficou com fome, ainda há uns petiscos (homus, kibe, etc.) bacanas.

O esquema da Hayal Kebab (408 Sul), por sua vez, é completamente diferente e nos leva de volta para o parágrafo da pizza de morango, do sushi com cream cheese, etc. As receitas se afastam muito do convencional, mas pelo menos há uns kebabs com cordeiro para salvar a pátria. Devo ressaltar que tudo é gostoso, tanto o sanduíche quanto as opções de bebida. Outros aspectos legais de lá: 1) Aniversariante não paga pelo kebab; 2) A decoração é linda! Quem quiser fazer um número para o(a) namorado(a) ou impressionar alguém pode escolher se sentar nos colchõezinhos que ficam no mezanino, de frente para a rua.

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A terceira opção é a do Calçadão da Torre, no posto de gasolina perto da Torre de TV. Se não me engano, o criador do lugar era um chef que já cozinhou para a Embaixada do Egito aqui em BSB e depois abriu uma birosca ótima (com kibe de cordeiro e tudo), que já fechou. Dos três lugares que mencionei aqui, é o de aparência mais rústica e cardápio mais fiel. O Senhor Meu Marido (SMM) foi e gostou, embora ache que o sanduíche venha com cebola demais. Para mim, isso é péssimo, mas não chega a tirar meu ânimo de visitar o local. Uma hora, eu passo lá...

8 comentários:

Marcelo Saboia disse...

Tá virando Crítica... hehehe!

SM disse...

Oi Mari!

Eu comi muito Kebab na Irlanda e, apesar de por vezes ficar com uma ligeira indisposição estomacal, sempre me sabia divinamente. Só é preciso mesmo ter algum cuidado a escolher o lugar para se deliciar um kebab porque já vi muita coisa ruim mesmo!!!!

Beijinhos

Mari Ceratti disse...

Marcelo: gentileza sua! :o)

SM: não posso deixar de dizer o quanto AMO o jeito como portugueses e espanhóis usam o verbo saber no sentido de "ter sabor de"...

SM disse...

É verdade Mari! :)

Arthur H. Herdy disse...

Ainda não provei o kebab, mas queria deixar registrado o quanto eu acho engraçadas (e válidas) essas "novas" tendências culinárias. Lembro da primeira temakeria daqui, um luxo, vanguardista, incrível. Hoje, dois anos depois, é mais fácil comprar temaki do que pão.

E a nova onda Yogo-Muthafucka? "Tô a fim de comer um doce, Genoveva. Vou pedir um iogurte porque estou de dieta. Olá, quero o top-grande-mega-plus de iogurte natural com 17 toppings: chocolate, Ovomaltine, calda de caramelo, ovo de codorna, sarapatel...". HAHAHAHAHAHAHAHAHA. Me lembra quando começaram a vender sorvete "self-service".

=P

Beijos!

Mari Ceratti disse...

Arthur,
A frase "Hoje, dois anos depois, é mais fácil comprar temaki do que pão" é REAL, meu caro. Na comercial mais próxima da minha casa, tem temakeria e não tem padaria. Sério!!!!!!

E a tendêndcia do yogo-mothafucka... adoro! Mas só um topping tá bom pra mim, hehehe.

Bjo!

Blogdacamila disse...

Excelentes dicas e ótima crítica.

Rocio disse...

Este prato é comido acha pouco, mas é bastante rica, certamente não é bem conhecida, mas eu sempre que posso fazê-lo ou talvez pedir a Delivery Itaim