sexta-feira, agosto 26, 2005

POA


Meu pai me ligou hoje cedo para dizer que não conhecia mais Porto Alegre, a cidade onde ele nasceu e viveu até os 36 anos. Que também é a cidade da minha mãe, a minha e a do meu irmão do meio.

O tempo em agosto continua o mesmo, uma friaca total, uma umidade que entra nos ossos e faz doer o nervo ciático dos velhos. Minha mãe sempre conta que, no inverno de Porto Alegre, alguns dias são tão frios que é necessário escaldar os pratos para a comida não esfriar antes que alguém resolva comê-la. Reforma na casa, então, nem pensar. As infiltrações escurecem qualquer parede antes mesmo que os pedreiros sejam dispensados da obra.

O clima continua o mesmo. Já a cidade...
Diz meu pai que ela está linda, limpa, conservada. Depois que fizeram as clássicas reformas na Usina do Gasômetro e no Hotel Majestic (que hoje se chama Casa de Cultura Mário Quintana), devem ter aproveitado para dar uma ajeitadinha em todo o resto.
Exemplo disso é um caminho pelo qual a gente andou, no parque Marinha do Brasil, há uns sete anos. Era um lugar meio caído, mas pela descrição que ouvi parece que está maravilhoso agora.

O único lugar que me pareceu meio mal-conservado foi o parquinho da Praça da Alfândega, no centrão da cidade, perto de onde a gente costumava morar quando eu e Bruno éramos não mais do que bebês. Esses balanços com cercadinho são a cara da minha infância, mas quando os vi cheguei a pensar que nenhum casal leva mais seus filhotes para ficarem balançando ali.

Liguei para ele para saber o que tinha acontecido. A areia estava escura por causa da chuva (sempre ela, maldito inverno). E os balanços, apesar da pintura descascada, não ofereciam nenhum perigo. Os demais brinquedos até que estavam bons.

Ele atribuiu a aparência meio feiosa do lugar não só ao chão escurecido, mas também às suas habilidades fotográficas irregulares (tanto de enquadramento quanto de composição) – essas, posso comprovar, são reais.

Meu pai disse que não gostava de Porto Alegre. E agora ele não a reconhece.
Como assim, ele não gostava de Porto Alegre? Eu, por um minuto, não reconheci meu pai.
(Que, aliás, já está bem melhor depois do susto que pregou em todo mundo na semana passada. Depois, ainda encarou a viagem daqui até o sul. Acho que é por isso que dizem que temos mais sorte do que juízo).

Um comentário:

Marcio Eugênio disse...

Tu morou aqui no sul? Pq você foi para Basilia?
Esse inverno por aqui está muito louco!! uma semana trinta graus e na outra cinco graus, pelo jeito os seus pais pegaram a semana dos cinco graus... :)
Uma amigo meu tem uma frase muito boa sobre Porto Alegre: "A unica cidade no mundo com quatro estações em um mês".