terça-feira, janeiro 27, 2009

Cecília

Acabou de dar na tevê: 24 graus em Brasília. Como é julho, o céu não tem uma nuvem, o vento lá fora é louco e a umidade deve estar em 25%, 30%, ou menos até do que isso. Aqui em casa, apesar de bater um sol, eu sinto um frio tão animal que vou ter de listar tudo o que estou usando. Estou tipo um mulambo. Ridículo: duas meias normais, uma meia-calça, uma calça bailarina, uma camiseta, uma blusa de moletom, uma manta de alpaca que meu pai trouxe da Bolívia e, pqp de asa!, não sei mais o que eu faço para não congelar. Vou tentar descobrir onde guardei mesmo as luvinhas da viagem para Bariloche, aquelas com forro de carneiro.

Quer dizer, eu poderia tentar fazer isso se eu também não estivesse num cansaço animal. Não consigo mais. Vou ter de ir para a cama. Ou fico aqui? Pronto: vou ficar aqui e ver tevê só mais um pouco. Ou, se eu animar, vou até a banca comprar chicletes. Podia rolar um Trident roxo para passar esse bafão que nenhuma pasta de dentes resolve. Minha dieta não proíbe.

Eu não sei se digo que esse é um dos dias mais felizes da minha vida ou um dos mais inúteis. Acordei às 9h21 com o barulho da obra lá fora e me pesei: 41,5Kg para 1,68m. Fera. Só que, como sou uma estúpida, resolvi me presentear com a caixinha de morangos que mamis trouxe do Oba ontem. Comi inteira. Não pus nem adoçante de tão bons que estavam. Morango, uma unidade de 7g: 5 calorias. Isso vezes 24 dá 120 calorias.

Aí, vim para o computador ler os blogs das meninas, escrever alguma coisa no meu, botar umas fotos no fotolog, entrar no MSN para descobrir se a Amanda, minha irmã mais velha, conseguiu a passagem para vir para cá na semana que vem, baixar o disco do Fall Out Boy e escolher um modelo de iPod para minha mãe trazer do Canadá quando ela for para lá. Quando vi, já eram quase 13h30 e fui tomada por uma mega-fome. Pensei nas 120 calorias do café-da-manhã, que deveriam me sustentar pelo dia todo, e suspirei. Eu tinha duas opções: saquinho de sopa de queijo da Herbalife (91 calorias), salada (x calorias, dependendo dos ingredientes) ou suco de limão (com adoçante, zero caloria). Como nem Marisa nem ninguém está aqui hoje para lavar folhas e tal, preferi o suquinho. Foram uns três copos para encher bem.

Resolvi esperar o sol ficar mais fraco para ir malhar, e aí fiquei fazendo uma série de coisas. Quer dizer, fiquei tentando fazê-las, porque me deu uma leseira monstra e um frio do cão. Tentei pegar uma revista, mas fiquei muito devagar para ler. Dependendo do que for, eu paro a frase e volto para o começo. Entendi a primeira palavra? Ok. Entendi a segunda? Ok. E assim vou juntando tudo até formar frases. Só que é uma droga ler assim. É tipo voltar pros meus 6 anos. Mais tarde, se eu conseguir levantar para ligar o computador, vou perguntar lá no fórum se isso é normal.

Rezei para pedir perdão por não ter visitado a minha avó ontem (ela prepara praticamente um café colonial alegando que estou muito magra), para pedir que a Amanda chegue logo e para que eu consiga perder rápido os quilos que faltam. Andei um pouquinho, parei na porta no quarto da Amanda, fiquei olhando um tempão para as 31 latinhas de cerveja na estante dela e chorei, mas quase nada, de saudade. Antes de ir para o sofá, montei o meu mulambo com todas as peças de roupa que achei no armário. Pensei que seria altamente irônico se agora, que eu estou quase podendo vestir um short, uma regata ou um biquíni sem ficar com as pelancas todas aparecendo, eu tiver que andar assim por causa do frio que sinto. Caraca, essa casa é muito gelada.

Agora são 24 graus em Brasília, quase 17h30, e eu não fiz nada a tarde inteira. Tive uma manhã fera compensada por uma tarde inútil e estou sem coragem nem para ir à banca para comprar chicletes. Preciso decidir o que fazer. Mas acho que não vai fazer mal se eu virar assim de lado, me cobrir com a manta, fechar o olho e finalmente me esquecer de tudo.

Cecília compete com Érika pelo posto de personagem mais triste da minha criação.

10 comentários:

Ugo Braga disse...

Eis uma verdade humilhante e inapelável, cara Cecília: os magros sentem frio.

Mari Ceratti disse...

É verdade, Ugo.
Magros além do limite ficam friorentos e mulambentos. :-P

Lorena disse...

Se animar para ir até a banca comprar chiclete, é ótimo. Hehehe...

Clara Arreguy disse...

Legal, Mari. A Cecília é tão triste quanto engraçada, patética, trágica. Talvez seja isto que faça as pessoas rirem: o tragicômico da situação.

Mas lindo, lindo. Que bela galeria de personagens você está construindo!

Beijus!

Mari Ceratti disse...

Oi, Lorena!
Se houvesse no mundo um medidor de níveis de leseira, "se animar para comprar chiclete" seria um dos piores indicadores. Deus nos livre de chegar nesse ponto...

Clarinha,
Que doce receber a sua visita!

Beijos pras duas!

Mefisto disse...

Você é gaúcha só de nascimento, né?
Falsificada!!!!
:P

Beijo!

solin disse...

eu não achei história deprimente. meus dias são quase assim.

sou eu deprimente hehehehehe

sério, adorei-a. tá menos chata que minha vida :D

Mari Ceratti disse...

Solin, só espero que você não seja anorexa como a Cecília... ;-)

Ah, Mefisto, maldade essa história de falsificada, hein? :-) Digamos que eu seja como uma pizza: mezzo gaúcha, mezzo brasiliense. Uma pizza com mortadela Ceratti, claro.

Beijo pros dois!

solin disse...

kkkkkkkkkkkkkkk
sou não. só faltava isso. mas sou completamente ao contrário ¬¬'

:D

bceratti disse...

cara, "frio tão animal" e "leseira monstra" são a sua cara!
juro que imaginei vc de meia e cachecol dentro de casa num sábado à tarde! heheheh
intimidade é uma MERDA! =P
bjos,
homi