quinta-feira, janeiro 22, 2009

Todos querem ver Gisele

Coisas que só um dia de folga de plantão pode proporcionar: cozinhar, dormir depois do almoço e poder ver tudo o que eu quiser na tevê. Fiquei com o GNT Fashion sobre a São Paulo Fashion Week (SPFW), que está para mim como a Copa do Mundo está para os fãs de futebol. Anunciava-se, além dos desfiles, uma entrevista exclusiva com a mega-über-top-model-plus Gisele Bündchen, cada vez mais linda e magra, que desfilou três roupitchas para a Colcci (a marca é uma bobagem, na minha opinião; o desfile, idem; mas como a moça vem, todo mundo fica doido).

A maior parte das reportagens de tevê feitas com a moça é anunciada assim: primeiro, faz-se a chamada por uns quatro ou cinco blocos para segurar a audiência (todos querem ver Gisele). Depois, exibe-se o material, que normalmente é pífio, pois são tantos os assuntos proibidos que torna-se difícil elaborar uma lista decente de perguntas. Resultado: é muito difícil ver a modelo falar qualquer coisa que preste. Não é que ela seja burra (se fosse, não teria vencido como venceu) ou pouco eloquente (sei lá, não a conheço pessoalmente). Mas é uma entrevistada quase impossível, pelo que já vi até hoje. Ninguém é perfeito.

Tanto isso é verdade que a tal da exclusiva que a modelo deu para o GNT Fashion não era exatamente uma entrevista (infelizmente, não achei o vídeo no Youtube). Estava mais para um bate-papo como o de duas colegas que se encontram no banheiro do trabalho, sabe como é? Gisele não tem certeza de quem é Carmen Miranda, homenageada da SPFW ("É a das bananas?", perguntou) e também não sabe quem ela gostaria que desenhasse seu vestido de casamento (esse "não" eu até entendo, é para evitar especulações). Também revelou (uh! emoção) que tem dois iPods, um para música brasileira e outro para internacional. E que, no de repertório estrangeiro, o campeão de audiência tem sido John Mayer (pelo menos, tem bom gosto).

A entrevistadora ainda mencionou uma pesquisa que fez no Google e no Youtube para ver quantas menções havia para o nome "Gisele Bündchen¨. E quis saber se ela já havia feito o mesmo. A top garantiu que não. "Tem muita coisa? É coisa boa ou ruim?", respondeu. Fiquei especulando o que eu perguntaria se tivesse reportagem para fazer com a Gisele.

Minha reação suspirante à não-entrevista em questão foi procurar na internet coisas interessantes que já tenham sido veiculadas com a top falando. Descobri que ela se sai melhor em pautas (pautas?) bobinhas, que não exijam perguntas espinhosas e que, portanto, não a ponham em condição de vulnerabilidade. Achei um vídeo aqui e outro aqui. Também encontrei essa tentativa da revista GQ americana de fazer um trabalho mais sensual -- em termos de imagens e de texto também. A reportagem está em inglês e permite perceber como o repórter suou -- não só diante da visão da musa de underwear, mas também para transformar aquele fiapo de entrevista em um material digno de leitura. Recomendo.

Passar horas procurando por material sobre Gisele só para escrever no blog... taí outra coisa que só um dia de folga pode proporcionar. :-)

2 comentários:

Ugo Braga disse...

Como estou naquela fase do fechamento que a coisa depende mais dos revisores do que de mim mesmo, também vou me permitir um ligeiro comentário: a única entrevista em que o entrevistado fala a verdade é a inventada.

No mais, é só o personagem de si mesmo, falando tolices que não ofendam ninguém, nem lhe criem problemas.

Ah, a definição não é minha. É do meu ídolo Nelson Rodrigues, que entrevistada as personalidades apenas e tão somente a meia noite, num terreno baldio, tendo como testemunha apenas uma cabra vadia. Dessa forma, ele fez entrevistas antológicas para O Globo.

Mari Ceratti disse...

Nelson Rodrigues é e sempre será o cara! :-)