domingo, fevereiro 01, 2009

Infiel: Notas de uma Antropóloga

Entre os tantos livros que estão na pilha do escritório para eu terminar algum dia, está Infiel: Notas de uma Antropóloga, que ganhei e comecei a ler numa noite sem sono. Apesar de ser bem escrito e permitir uma leitura rápida, o livro não é assim, superfantástico, porque foi feito, entre outras coisas, para mostrar a repercussão que suas obras anteriores (A Outra e De Perto Ninguém é Normal, entre outros) tiveram na imprensa. Até o momento, acho que ela se prolonga demais ao apresentar as reportagens que mereceu e, por isso, também espaça demais o melhor da obra, que é o relato de Mônica (nome fictício).

Trata-se de uma jornalista, que, depois da infância difícil, tornou-se independente, madura, cheia de borogodó, com vários casos, namorados e rolos e um único amor. Não sei como a história dela termina. E digo: o que mais que impacta no depoimento de Mônica não é a maneira como ela descreve o pai violento, a vinda para a cidade grande, as coisas que viveu na profissão e nem os muitos homens que teve. É o trecho que reproduzo abaixo, sobre um tema que tem me cutucado tanto que não pude deixar de compartilhar neste blog.

“Como jornalista, sei a dificuldade que as pessoas têm para ouvir. As pessoas, em geral, adoram falar sobre si mesmas e prestam muito pouca atenção no que os outros dizem. Fico impressionada, pois até os psicanalistas que entrevisto falam muito mais do que escutam. Eles já têm idéias preconcebidas sobre tudo e desatam a falar, sem nem mesmo prestar atenção às perguntas que faço. Tenho entrevistado, nos últimos anos, inúmeros profissionais para as matérias de comportamento que escrevo. Inúmeros “ólogos”, como dizemos na redação: psicólogos, antropólogos, sociólogos, sexólogos, etc. E cada vez mais reparo na dificuldade que eles têm para ouvir e na falta de interesse que têm pelos outros. Algumas vezes passo horas só escutando e eles nem percebem que não abri a boca, entro muda e saio calada e continuam falando. Fico até enjoada só de escutar o tom de suas vozes. Reclamam do governo, do patrão, da esposa ou do marido, dos filhos. Os que estão sozinhos reclamam que faltam homens e mulheres interessantes, como se eles merecessem alguém interessante. (...) É fácil perceber que se parassem de falar e ouvissem mais, prestassem atenção aos outros, se tornariam muito mais interessantes”.

Bom domingo a todos.

3 comentários:

Mefisto disse...

Gente!
Esse foi o motivo da minha última DR! Que estranho!
:)
Beijo!

Solin disse...

hm, essas idéias préconcebidas são partilhadas tbm entre médicos, advogados etc.

que tal se todos estes profissionais citados fossem obrigados a falar um com o outro?

ai ai

Mari Ceratti disse...

Mefisto: dá copy + paste nesse texto e manda pro seu amor! Ou imprime e deixa num lugar qualquer da casa, assim como quem não quer nada. :-)

Solin: se os profissionais citados tiverem de falar um com o outro, vai ser no mínimo o papo mais chato do muuuuuundo. Eu é que não quero estar por perto. Hehe!

Beijo!